A qualidade dos fatores altera o produto
No post abaixo, ao comentar reportagem da revista Veja sobre o acidente de Congonhas, argumentei que um acidente resulta de uma soma de erros, que se dividem entre mais ou menos graves. Na verdade, essa é uma opinião generalizada entre especialistas, e utilizada até pelo presidente Lula. A diferença é que eu afirmo que isso não livra a cara de ninguém. Por isso o título foi “A ordem dos fatores não altera o produto”.
Mas um fato me passou batido. Um desses fatores que podem causar um acidente, podem também, se bem colocados, evitá-lo. Não se trata, portanto, de um teorema, mas de uma equação. E o fator em questão é a infra-estrutura. Leiam comentário do blog do Reinaldo Azevedo, também da Veja:
A reportagem de Marcio Aith, Fábio Portela e Julia Duailibi [Revista Veja] que informa ter havido erro do piloto no caso do acidente da TAM informa também que já houve dois outros casos em circunstâncias idênticas, também com aparelhos A320 da Airbus: um deles, nas Filipinas, matou três pessoas; o outro, em Taipei, não matou ninguém. No Brasil, morreram 199. Nas duas ocorrências em que houve uma mistura de falha humana com problema da máquina, o que salvou vidas foi a infra-estrutura dos aeroportos — a mesma que empurrou para a morte duas centenas de brasileiros, sob a inação cúmplice, irresponsável, criminosa das autoridades do setor aéreo e do governo.
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