Palavra é dívida só para quem a preza

O presidente Lula veio ao Ceará em julho passado para lançar obras (onde estão?) do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Foi recebido pelo governador, fez os auto-elogios de sempre, inventou desculpas pela falta de obras (disse que tem gente que torce contra), divertiu a claque com piadas e prometeu - mais uma vez - que a siderúrgica sairia. Afirmou que voltaria ao Estado em agosto para fazer o anúncio. Até agora, nada. Nenhuma mísera explicação. Cadê o anúncio da siderúrgica?

Programas assistencialistas crescem junto com corte de investimentos no Nordeste

Eliomar de Lima, na Vertical do O Povo:

Uma cutucada no BNDES - O senador Tasso Jereissati (PSDB) alertou, nesta semana, sobre o baixo nível de desembolsos do BNDES em favor do Nordeste. Foi durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, na qual estava o presidente do banco, Luciano Coutinho. Jereissati revelou que houve uma queda expressiva de investimento do BNDES de 12% para 8%, um absurdo pois o Nordeste representa 14% do PIB nacional e equivale a algo em torno de 30% da população brasileira. Coutinho concordou com Tasso e informou que a Instituição já está revendo sua política de atenção ao Nordeste. A primeira providência, comunicada por ele ao senador tucano, será o agendamento de reuniões com os nove governadores da região para discutir as prioridades de cada Estado. Nessa sua luta, o tucano, que qualificou ontem de “palhaço” e “boneca” o relator do Caso Renan, durante sessão, não xingou ninguém.

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Eis um bom exemplo de como a oposição pode trabalhar pelo Ceará e pelo Nordeste. Isso tecnicamente falando. O problema é que situações de falta de planejamento, corte de investimentos, promessas não cumpridas, desvios de recursos e incompetência gerencial tornam a região cada vez mais dependente dos programas assistencialistas. A equação que envolve pobreza regional, esmolas e exploração eleitoral chega a ser perversa, mas não é inédita. Durante muitos anos as bolsas-família de hoje atendiam pelo nome de “frentes de serviço”. Sem investimentos, estaremos condenados ao atraso. É isso, amigos. Deixem o Lula trabalhar…

Eleições 2

Por Fábio Campos, no jornal O Povo desta sexta:

Patrícia Saboya admite candidatura em Fortaleza -Está ganhando contornos mais nítidos a idéia da candidatura de Patrícia Saboya (PSB) à Prefeitura de Fortaleza. A senadora disse ontem que pretende colocar seu nome no debate público da cidade. “Minha trajetória política me credencia para uma candidatura em Fortaleza. Fui eleita vereadora, deputada estadual e senadora com votações expressivas. Avalio que a qualidade de meus mandatos também são as credenciais necessárias”.

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Patrícia Saboya é correligionária do governador Cid Gomes, aliado de Luizianne Lins (PT), prefeita de Fortaleza. O PCdoB ameaça sair com candidatura própria (Chico Lopes), assim como 0 Psol (Renato Roseno ou João Alfredo). O deputado Heitor Férrer, do PDT, discretamente acalenta o senhor de entrar na disputa. Ou seja, os partidos de esquerda na capital estão medindo forças, e isso pode ameaçar os planos de reeleição da prefeita, que faz uma gestão apagadíssima, sem contar o escândalo do réveillon.

Luizianne pode até reclamar da movimentação, mas nas eleições passadas rompeu o acordo com Inácio Arruda (PCdoB) e saiu candidata. Falta a ela, portanto, autoridade política para cobrar alinhamento ideológico ou compromisso político. Aqui se faz, aqui se paga, reza o ditado popular.

Eleições 1

Pesquisa Nacional do IPSOS para presidente, realizada em agosto de 2007

1. Entre estes candidatos da oposição a presidente do Brasil em 2010 em quem votaria?
Serra - 27%
Alckmin - 24%
Aécio - 10%
Denise Frossard - 2%.
N/B/N/NS/NR 37%

Entre o candidato mais forte do governo e estes da oposição, em quem votaria?
Serra 39% x Ciro Gomes 27%
Alckmin 33% x Ciro Gomes 29%
Ciro Gomes 39% x Aécio Neves 15%
Fonte: Ex-blog do César Maia

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É demasiadamente cedo para fazer prognósticos a partir de pesquisas sobre uma eleição em 2010. No entanto, os números indicam a seguinte situação presente: 1) O PT não tem candidato próprio para substituir Lula; 2) candidatos de oposição se destacam, apesar da inépcia destes em constranger o governo; 3) Aécio ainda não é suficientemente conhecido nacionalmente, 4) Ciro, Alckmin e Serra são mais conhecidos por já terem sido candidatos, estão na memória dos eleitores (fato tecnicamente chamado de recall).

A partir daí é especulação. A mais preocupante diz respeito a uma eventual tentação de Lula por um terceiro mandato, fazendo do Brasil uma Venezuela. O presidente nega a hipótese, mas é certo que ele jamais a confessaria agora, quando ainda precisa de uma base de coalisão minimamente unida. Uma aposta: Ciro não será candidato o candidato do Planalto, pois o PT não tem vocação para coadjuvante.

Jesus, Barrabás e a sabedoria popular

Ecce Homo (”Eis o homem”) - Pintura de Antonio Ciseri, representando a apresentação de Jesus Crsito por Pilatos à populaça de Jerusalém.

Um dos erros conceituais mais propagados e perigosos que assumem contornos de “senso comum” no Brasil, é a idéia de que democracia se resume à vontade da maioria. Trata-se de uma distorção cujo objetivo é o de amoldar todo o aparato da ordem legal vigente aos caprichos de um ou mais grupos bem organizados e influentes. Em outras palavras, é a imposição do autoritarismo populista. Hitler, Sadam Hussein, Fidel Castro e Hugo Chávez, nunca foram derrotados em nenhum tipo de consulta popular. Aliás, eles as usavam para tentar dar legitimidade às agressões que faziam contra os que se lhes opuseram. É o que o jurista cearense Paulo Bonavides chamou, recentemente, de referendocracia.

A Folha de São Paulo de hoje publicou declarações do presidente Lula sobre o mensalão (o caso de desvio de dinheiro público sobre o qual ele diz não haverem provas, embora tenha, por algum motivo insondável, demitido os envolvidos). Leiam trecho (assinante pode ler a íntegra aqui):

Para Lula, eleição foi resposta ao mensalão - Ao comentar a decisão do STF, petista diz que oposição tentou atingi-lo com o escândalo, mas que ele foi aprovado por “61% do povo” - “Eles tentaram me atingir e 61% do povo deu a resposta na eleição do ano passado. Eles sabem perfeitamente bem o que é um processo”, afirmou [Lula]. (…) O petista ressaltou também que agora o processo começa e “quem tiver culpa pagará o preço”. “Quem não tiver, será inocentado e quem ganhará com isso será a democracia brasileira”, avaliou.

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A idéia de que o voto popular pode absolver ou condenar alguém é falsa. Para essa tarefa existe o Poder Judiciário, consagrado pela Constituição do país, soberana manifestação da vontade da nação. Para alterar as regras, é preciso uma constituinte. Se uma consulta popular revelasse que o povo não deseja mais pagar impostos, isso não seria possível, porque inconstitucional. Nem a massa pode descartar, sem mais nem menos, as leis que protegem o conjunto da sociedade e também as minorias. E porque funciona assim? Ora, para que regras tenham estabilidade. No calor de uma emoção, ou manipuladas por populistas, as massas podem perder o crivo da razão. O melhor exemplo foi o julgamento de Jesus Cristo. Pilatos conclamou o povo a decidir entre o Messias e um agitador, Barrabás. E o povo fez? Condenou o Salvador.

A fala de Lula busca a desvinculação de sua imagem com o mensalão. Três ex-ministros do seu governo e a cúpula do seu partido foram indiciados. Convenientemente - continuando com as referências bíblicas - o presidente procura imitar Pilatos lavando as mãos. Diz que o processo é ganho da sociedade brasileira. A idéia é passar a sensação que ele, chefe de todos os processados, não tem nada a ver com isso, é dizer que sua eleição e seu governo nunca se beneficiaram de corrupção.

Prefeita de Fortaleza: "Brasil passado a limpo!"

Nota postada no Blog do Eliomar: “O Brasil está sendo passado a limpo!”, afirmou, nesta terça-feira, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), ao avaliar a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal de aceitar denúncia contra o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), o ex-presidente nacional petista, José Genoíno, e contra o ex-tesoureiro nacional do PT, Delúbio Soares. Eles foram denunciados por corrupção ativa no episódioo do Mensalão.

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O que eu posso dizer? Luizianne tem razão. O Supremo Tribunal Federal acusa - formalmente - a cúpula do Partido dos Trabalhadores por corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro, baseado em indícios amplamente colhidos e debatidos. E olha que o STF ainda vai apreciar a denúncia de formação de quadrilha.

Entretanto, num ponto discordo de Luizianne. Ao contrário do que insinua a prefeita em outro ponto da sua declaração, o Brasil não está sendo passado a limpo pelo Poder Executivo. Este, na verdade, está no banco dos réus. O esquema do mensalão foi denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (também processado pelo STF) por conta de conflitos na base aliada do governo federal. Quem pode passar o Brasil a limpo é o Judiciário. E, ano que vvem, os eleitores podem ajudar no serviço.

O núcleo duro do PT no banco dos réus:
José Dirceu – corrupção ativa; Luiz Gushiken - peculato; José Genoino – corrupção ativa; Delúbio Soares – corrupção ativa; João Paulo Cunha – corrupção passiva, lavagem de dinheiro, peculato; Henrique Pizzolato – peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro; Paulo Roberto Galvão da Rocha – lavagem de dinheiro; Professor Luizinho – lavagem de dinheiro.

Cearenses apóiam Renan Calheiros contra Veja

Para alguns democratas - e para alguns inocentes úteis - imprensa mal-criada deve ficar de castigo.

A tropa de choque que tenta salvar a pele de Renan Calheiros (PMDB-AL), trabalha com o intuito de criar uma CPI no Congresso para investigar a venda de parte da TVA para a Telefonica. A TVA pertence ao Grupo Abril, que publica a revista Veja, autora de reportagens sobre a incompatibilidade entre os rendimentos e o patrimônio de Calheiros. Em vez de comprovar que a revista e a polícia estão errados, com a simples demonstralção da lisura nas contas de Renan, tentam intimidar a imprensa. O caso da TVA não pode ser investigado? Sim, claro que pode. Mas para isso são necessários indícios. Por enquanto, existe apenas a conveniência de quem deseja escapar de um processo por quebra de decoro parlamentar e se manter no cargo a qualquer custo. Criar uma CPI para satisfazer caprichos de um ou de outro é o passo que falta jogar o Legislativo por inteiro na lama da subserviência.

A CPI, nesse caso, existe como estratégia diversionista e como recado aos veículos de comunicação. É um atentado explícito à liberdade de imprensa. Agora, vejam um dado curioso, para não dizer, lógico. Quem sustenta Renan hoje no cargo é o PT e o PMDB. Comparem o número assinaturas por partido para o requerimento da “CPI da Retaliação”, e percebam que a base do governo se uniu na cruzada contra o Grupo Abril.

PT - 60; PMDB - 29; PR - 20; PP - 14; PC do B - 13; PTB - 12; PSB - 9; PV - 7; PDT - 3; DEM - 3; PSOL - 3; PSC - 2; PSDB - 2; PPS - 2; PMN – 1 (O DEM declarou que suas 3 assinaturas serão retiradas).

Quem no Ceará apóia a luta de Renan, o Decoroso, contra a Veja:

Aníbal Gomes - PMDB
Chico Lopes - PCdoB
Eudes Xavier - PT
Eugênio Rabelo - PP
Gorete Pereira - PR
José Airton Cirilo - PT
José Guimarães - PT
José Pimentel - PT
Paulo Henrique Lustosa - PMDB
Raimundo Gomes De Matos - PSDB

Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo

Propaganda disfarçada de ciência

O ato falho é uma figura do universo da psicanálise. Num ambiente controlado por um terapêuta profissional, em circunstâncias adequadas, geralmente induzidas, uma simples troca de nome pode revelar algum segredo escondido nas entranhas do inconsciente de um indivíduo.

Com o tempo, ato falho adquiriu uma conotação mais popular, livre dos rigores da ciência. Assim, pode ser usado como uma forma irônica de apontar um engano qualquer, sugerindo que questões subliminares conduziram ao erro. Bom, em condições inadequadas, um ato falho pode ser apenas um esquecimento natural, ou a manifestação de uma ansiedade comum. Mas fica sempre a dúvida se o ato não foi uma revelação involuntária.

No jornal O Povo, uma entrevista nas páginas azuis trouxe dois casos típicos de atos falhos. O interessante é que, no primeiro caso, o erro veio bem a calhar como explicação de um fato. A entrevistada é a professora Maria Nazereth Ferreira, da USP. O jornalista é Paulo Verlaine. O título do texto de apresentação é Fidel é imorrível (clique para ler).

No “abre” está escrito assim: “Admiradora, quase fã, de Fidel Chávez, a professora Maria Nazareth Ferreira, da USP, enxerga no modelo cubano o futuro do socialismo . Para ela, Fidel nunca morrerá e, quando fisicamente o fizer, permanecerá vivo entre os cubanos com força suficiente para não permitir que o regime socialista acabe”

É compreensível o ato falho de Verlaine. Fidel Chávez é a expressão mais adequada para definir a relação entre os dois ditadores. O venezuelano é cria do cubano. Mas esse é o escorregão mais fácil de ler na entrevista. Existe um muito mais sutil.

Maria Nazareth se encaixa perfeitamente na definição de intelectual cunhada pelo teórico comunista Antonio Gramsci: um agente de influência - em outras palavras, um propagandista. A erudição e o rigor lógico são, para esses militantes, dispensáveis. Um agente de influência percorre, no Brasil, quase que invariavelmente, o mesmo percurso. Segue a carreira acadêmica repetindo chavões consagrados no há mais de 20 anos. Em seguida, com os títulos que lhes são conferidos pelos parceiros de ideologia, adquirem autoridade para fazer proselitismo sem levantar suspeita.

Assim é que, usando um linguajar pretensamente científico, uma profesora universitária consegue fazer do marxismo uma profissão de fé, sem constrangimento algum, pelo contrário, conquistando, com isso, elevados ares de pensadora crítica.

Eis o sutil ato falho de que falei: Fidel é imorrível. A professora quer falar de legado, naturalmente. Quem ler a entrevista, perceberá o tom triunfalista da afirmação. Nazareth deseja nada menos do que o absoluto, o imperecível; ela não quer nada menos do que propagar a infabilidade e a eternidade de suas crenças. Isso não é mais ciência, é religião. Para tanto, ela consegue evitar as consequências do que já foi produzido de mau pelo comunismo, para se ater às promessas de um amanhã radiante. A história mostra que muitos foram os que desejaram o mesmo: Mao, Stalin, Hitler e Pol Pot. De certa forma, eles conseguiram ser imorríveis. Se eternizaram pelo horror que infligiram aos seus povos, e continuam a assombrar regiões perdidas no anacronismo da luta de classes.

Fidel se mantém no poder graças ao uso descarado da violência e da coerção. Fidel é homem e, portanto, mortal. Um homem cujos adversários internos ou estão mortos ou estão presos. Um homem que é produto do século XX, e propagador da doutrina mais sanguinária da história. Fidel é história de intolerância política. Fidel não é imorrível. Fidel é mortal.

Charge

Por Tacho, no Jonal NH (RS)

Eleitores: Fiquem de olhos abertos

Por Donizete Arruda, no site Ceará Agora:
Tasso fecha questão a favor da cassação de Renan - O presidente do Senado, Renan Calheiros, confia nos votos dos senadores nordestinos para escapar da cassação de seu mandato. Na região, são 27 senadores. No Ceará, Renan teria hoje dois votos contra a cassação - Patrícia Sabóia(PSB) e Inácio Arruda (PCdoB), e apenas um voto a favor de sua punição, do senador Tasso Jereissati. Levantamento realizado por Renan Calheiros no PSDB também mostrou que o partido está dividido quanto a sua cassação. Por enquanto, apenas quatro senadores fecharam questão pela cassação: o próprio presidente nacional, Tasso Jereissati, a relatora do processo, senadora Marisa Serrano, o paraibano Cícero Lucena e o goiano Marconi Perillo.

É preciso transparência e ações concretas

A coluna Política, do O Povo, que nas segundas é assinada pelo jornalista Erivaldo Carvalho, voltou ao tema das ocupações irregulares em Fortaleza. O assunto tem sido constantemente abordado pelo titular Fábio Campos.

De acordo a coluna, a Prefeitura da capital produziu um relatório preocupante: “O documento de 43 páginas, preparado em oito meses de minuciosos levantamentos em arquivos municipais e cartórios de notas e registros, revela que (…) pelo menos onze locais da região nobre da cidade estão ocupadas irregularmente pela iniciativa privada. Em outras palavras, locais nos quais, pelo levantamento da Prefeitura, deveria haver uma área verde ou praça pública, deram lugar a lucrativos empreendimentos. Em um dos casos chama a atenção o fato de uma das áreas ser sede de uma imobiliária.”

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A situação é gravíssima. Que empreendimentos são esses? Envolvem condomínios residenciais? Existem pessoas lesadas pela conjunção malandra de desrespeito às leis e anuência das autoridades? E a fiscalização? Se um cidadão comum não pagar o seu IPTU, vai parar na dívida ativa do município ligeirinho. Aí não tem falha.

O relatório, apresentado extra-oficialmente de forma genérica, aumenta as incertezas sobre a (in)segurança do mercado imobiliário de Fortaleza. O assunto agora é público e exige uma resposta das autoridades. Até agora, as explicações são evasivas. Culpam o “sistema” e acusam “interesses privados predatórios”, mas não falam em nomes. Nesse ponto, tentam ideologizar uma questão administrativa. Quantas favelas existem nessas mesmas condições de ilegalidade? Quantas invasões estão em andamento? Mesmo assim, se o problema for apenas o “interesse privado”, cabe perguntar: Na prática, a Prefeitura embargou quantas obras? Cumpre agora que o tal relatório seja de conhecimento geral.

Por enquanto, a coluna relatou apenas uma ação em via de materialização. É a confecção, por parte da Secretaria de Administração do Município (SAM), de uma minuta de projeto de lei para ser enviado à Câmara Municipal, criando o Fundo Municipal do Patrimônio Imobiliário (FMIP). Tomara que não seja a velha solução de sempre: criar um novo imposto.

Prenúncio de guerra

Episódios aparentemente aleatórios e desconexos são, na verdade, passos de um projeto cuidadosamente planejado. O objetivo: criar a União das Repúblicas Socialistas da América Latina. Isso mesmo! E não é brincadeira, não.

Bom Dia Brasil desta segunda:
O presidente Hugo Chávez disse ontem que vai comprar armamento russo para proteger a Venezuela de um futuro ataque norte-americano. Para Chávez, a ação é necessária porque o serviço de informação norte-americano estaria planejando uma intervenção na Venezuela. Segundo Chávez, para impedir a reforma constitucional venezeuelana e a possibilidade da reeleição presidencial por tempo indeterminado. O presidente venezuelano anunciou que pretende comprar cinco mil rifles. Somente no ano passado, a Venezuela gastou mais de US$ 3 bilhões em armas russas.

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Um país vizinho destina boa parte do PIB para gastos militares. Isso deveria preocupar as autoridades brasileiras. É verdade que o vizinho não nos parece hostil, mas a simples afirmação de que ele se prepara para guerrear com uma superpotência, é preocupante. Imaginem se o Canadá dissesse que pretende se armar por conta de um ataque alemão. Os EUA fariam de conta que isso não lhes interessa?

A Venezuela hoje gasta o que não pode com compra de armas, e mesmo assim não conseguiria fazer frente ao poderio militar dos EUA, nem se recebesse pagamento adiantado por todo o petróleo que tem em suas reservas. Três porta-aviões de uma única frota da marinha americana bastariam para acabar com as forças venezuelanas. Então, por que Chávez investe em armamento? Para uma luta impossível? É resposta é óbvia. O ditador tem outros planos, e os EUA são apenas um pretexto. Nessa cantiga sonsa, a Venezuela deixa de investir em produção para se tornar uma força militar regional. Sua força aérea já supera a brasileira.

Chávez hoje possui dois inimigos declarados: 1) A oposição (ou simpatizantes) em seu próprio país; 2) A Colômbia, que aceita ajuda americana para combater um dos principais aliados da esquerda latina: as FARC - organização de narcotraficantes marxistas que domina parte do território colombiano.

Se engana quem a Venezuela disputa com o Brasil o papel de “líder” do continente. Isso é determinado pela pujância econômica. No entanto, a passividade brasileira (e Argentina) apenas denuncia que tudo faz parte de uma ação entre “companheiros”. Chávez vai dissolvendo a democracia em seu país, utilizando uma popularidade conquistada com programas assistencialistas. Pesquisem o tema Foro de São Paulo. Toda essa movimentação foi prevista nas atas do grupo que leva esse mesmo nome, e que reúne os líderes da esquerda latino-americana, inclusive Lula e Fidel.

Os EUA podem ajudar a Colômbia contra uma ação militar da Venezuela? Não sei se eles dão essa importância para a América Latina. Mas a guerra no continente nunca esteve tão prenunciada. A desculpa é o combate ao imprerialismo ianque. No mundo real, Chávez não rasga um miserável contrato queseja com os americanos. Ele pode ser maluco, mas não é burro.

Lições de filosofia, jornalismo e liberdade na Caros Amigos

Jornalistas cheios de amor pelo social costumam exercer o seu espírito “crítico” contra o que imaginam ser o Mal da civilização: o lucro. Elegem, a partir desse critério, os inimigos e os aliados das massas desvalidas. E o mais interessante é que acusam a imprensa de ser a voz de interesses desses inimigos do povo.

Marilene Felinto é uma dessas jornalistas. Ele escreve para a revista Caros Amigos (Caros Umbigos, no dizer do professor Olavo de Carvalho), publicação eivada de anúncios do governo federal. Curiosamente essa é uma revista apontada por muitos como representante do jornalismo “isento”. Por isenção entenda-se nãoconstranger o governo Lula com esse papo de escândalos. Não por acaso a revista Veja e a Rede Globo são tratadas como golpistas pelos atuais detentores do poder. O comunista italiano Antonio Gramsci ensinava, nos Cadernos do Cárcere, que a funçãodo intelectual não é definida pelo aporte teórico deste, mas pela disposição de fazer propaganda da causa socialista. Poucas pessoas fazem tão explicitamente isso como Marilene Felinto.

Leiam trechos de um artigo dessa senhora, publicado na “isentíssima” Caros Amigos”, intercalados com comentários meus em azul.

A TV que não ensina a morrer
Por que que a droga da TV – do jornal e da revista – não aproveitou a desgraça com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a bola de fogo, o arrebatamento dos instantes, a fatalidade, a impotência humana sobre o tempo e o mistério, para tratar da efemeridade da vida? Por que a droga da TV – do jornal e da revista – não aproveitou para lembrar ao espectador que amanhã… morre-se. Simples: amanhã, morre-se. Amanhã: é fogo-fátuo. A hora era de filosofia, de meditação, não de politicagem oportunista, não de espetacularização da dor alheia, não de exploração de emoções baratas.
A imprensa teima em querer demonstrar fatos, enquanto há tanta filosofia no mundo. Um avião caiu e os repórteres, impertinentes que são, querem saber as causas. Pior: Querem saber se as autoridades competentes falharam, posto queo caos aéreo assombra o país. Onde já se viu? Não sabem eles que pessoas morrem e que a vida é efêmera? Para quê incomodar?

Não teria sido melhor, menos desonesto e sórdido do que ficar tentando achar pêlo em casca de ovo para tentar derrubar (pela enésima vez) o governo Lula? Ora, o governo Lula é o melhor governo que o Brasil já teve, desde que eu me entendo por gente neste quase meio século da minha existência estúpida.
Quem tentou derrubar o presidente? Isso é crime. Quantos são os conspiradores? Acusações genéricas são meros truques retóricos. Eu não considero o governo Lula bom nem honesto, isso na minha existência que não considero estúpida.

Por que a merda da TV não eleva o nível, não ajuda o povo a filosofar, a se entender a si mesmo e ao enigma do tempo, da origem e da morte? O que foi que se perguntaram, no último segundo, as pessoas naquele avião (se é que se perguntaram algo), senão: “Que é isto que eu sei sem que ninguém me tenha perguntado, mas que, se eu quiser explicar a quem me perguntar, eu não sei? A resposta é: o Tempo.” (Santo Agostinho, citado por Husserl – Edmund Husserl. Lições para uma fenomenologia da consciência íntima do tempo).
Ajornalista, chegada a escatologias, fala em elevar o nível, vejam só. Vamos substituir a Fátima Bernardes pela Marilena Chauí, e o povo saberá que Aristóteles era alienado (não tinha consciência de classe) e que Spinoza era petista e nem sabia. Isso é que é jornalismo!

É preciso, com urgência, matar, isso sim, esta imprensa, esta mídia da indústria cultural – esta que se manifesta mesmo é na manipulação dos conteúdos, que procede à mais devastadora despolitização da sociedade; esta que, no lugar de promover a formação e a participação política, opta pela imposição do consumo de espetáculos pré-fabricados (Fábio Lucas).
Deve haver alguém com um projeto de imprensa que não chateie Merilene, que não mereça ser morto. Aposto que ela gosta do Franklin Martins. Por “promover a formação e a participação política”, entenda-se proselitismo para o governo.

A mim, afinal, não me interessa mais a publicação de livros. Hoje eu só escrevo para mim mesma – e não há maior sensação de liberdade do que esta.
Pois é. Marilene confessa que não precisa de leitores. A rigor, Caros Amigos também não, pois não lhe faltam anúncios de estatais. Ela afirma gostar da liberdade, pelo menos a dela, já que a dos outros a incomoda tanto. Eu, que discordo dela, também aprecio a liberdade - a minha e a das Marilenes da vida. Por isso sou contra o patrulhamento e a censura. Defendo até que Caros Amigos continue a publicar textos que proponham a morte da imprensa. Desde que não seja com o meu dinheiro, nem com o dos meus impostos.

Vamos em frente

Amigos,

Por excesso de compromissos profissionais, o blog não foi atualizado na sexta e no sábado. O Blog do Wanfil foi adicionado nos links do Site Vota Ceará - www.votaceara.com/SitesPoliticos.htm
Vamos em frente.

Grande abraço!
Wanfil

A volta dos mensaleiros

Começou ontem, no Supremo Tribunal Federal, o julgamento da denúncia contra o mensalão, esquema de corrupção descoberto há dois anos. O editorial da TV Jangadeiro de hoje retrata perfeitamente a conjuntura em que o caso volta à tona. Segue o texto integral, com grifos meus. Vale a leitura.

Seria uma maravilha se o que tivéssemos de falar hoje aqui fosse só coisa boa. Se não tivéssemos que criticar, que denunciar, que acusar, que cobrar dos governantes e clamar por justiça. Acreditem vocês, que nos ouvem todo dia aqui, que temos perseguido como nunca esse propósito de falar sobre as coisas sérias, de abordar assuntos que elevem as pessoas e inoculem nelas a sensação de alegria, de leveza. Como seria bom se pudéssemos fechar este comentário aqui com uma nota de confiança, de crença inabalável nas lideranças sobre cujas mãos colocamos o nosso destino. Mas não é fácil, porque as notícias que enchem as páginas e os espaços são as piores. No centro do país, uma corte de justiça consume suas ocupações com um processo com uma quarentena de pessoas públicas denunciadas por corrupção.

O tempo e os altos salários de ministros do judiciário são gastos não com os criminosos comuns, com os egressos das favelas e guetos de miséria, mas com a elite do poder, dos que se apoderaram do dinheiro público, das reservas do povo, para suas orgias morais. Lá não estão sentados no banco dos réus os criminosos solitários que esperam o favor das defensorias públicas, os advogados dos sem advogados. Lá está uma bancada de advogados notáveis, pagos a preço de ouro, que vão enfrentar o time da justiça, em defesa do time dos mensaleiros. O país inteiro acompanha o espetáculo, uma vergonha nacional.

Como se não bastasse, no plano local, as manchetes anunciam a suspensão de cirurgias pelo SUS - sistema único de saúde – na rede conveniada. São cinquenta cirurgias cardíacas suspensas em quatro hospitais. Não é possível comentar suavidades diante de tanta agressão à população. Nosso dever aqui é reverberar o grito da sociedade, dos desvalidos, dos sem saúde, dos sem médicos, dos sem leitos, dos sem nada. Temos que assumir a defesa deles, porque são condenados à morte sem ter praticado nenhum crime. Ao contrário, são as únicas vítimas de todos esses criminosos do “colarinho branco”, que se apossam da verba da saúde, da educação, do saneamento, das estradas, dos transportes, das obras anunciadas e nunca executadas.

Eles continuam aí impunes, apesar dos seus crimes comprovados, vistos a olho nu. Para eles tem advogado caro e defesa farta. E se driblarem a justiça, como sempre acontece, vão cobrar reparações morais com gordas indenizações. A enorme massa de suas vítimas, os sem-saúde, sem-teto, sem-educação, sem-saneamento e sem nada não têm para quem apelar. Como falar de amenidades, como contar piadas aqui, diante de tantas catástrofes morais?

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