Lula diz que caos aéreo o pegou de surpresa. Conta outra, presidente!
O presidente Lula afirmou não saber que havia uma crise tão grave no setor aéreo quando assumiu o governo. Mais uma vez o chefe da nação alega ignorância para explicar a sua própria inoperância. No entanto, vejam só, quando era candidato, o sr. Lula falava sobre crise aérea apresentando números, fazendo comparações com outros países e apontando soluções.
No dia 7 de janeiro de 2002, Lula escreveu, ou assinou, um artigo sobre o setor aéreo para a Gazeta Mercantil. Era pré-candidato. Não culpava empresas nem a imprensa, e cobrava do governo da época medidas para evitar o que, afirmava um convicto Lula, seria sim uma crise aérea. Leiam e percebam como Lula, na oposição, sabia o que fazer. Cinco anos depois de eleito, seu governo fez o que cobrava dos outros? A resposta está nos aeroportos. Aos problemas de mercado, agora temos somados os de infra-estrutura. O texto completo está disponível no Blog do Reinaldo Azevedo (clique no nome paar ler). Confiram a seguir alguns trechos interessantes:
O transporte aéreo é reconhecidamente um setor estratégico, principalmente para um país como o Brasil. Trata-se de um importante elo de integração nacional. É um vetor de desenvolvimento de certas regiões através do turismo e do transporte de cargas. (…) Nesse sentido, vale sim uma intervenção das autoridades competentes, não para presentear as empresas com o suado dinheiro dos contribuintes, mas para dar as condições macroeconômicas de sobrevivência e de competitividade, antes que elas sejam engolidas pelas grandes companhias estrangeiras.
O que é preciso para que o nosso país tenha um transporte aéreo eficiente? E para que as empresas voltem a contratar e a operar com lucro? Para que voltem a ocupar o terreno cedido para as empresas estrangeiras que hoje já dominam cerca de 33% do mercado de linhas externas?
Portanto, para o setor sair da crise, seriam necessárias medidas governamentais voltadas para assegurar a isonomia tributária e de financiamento às empresas brasileiras, compatíveis com a realidade internacional.
Enquanto isso, empresas aéreas nacionais estão falindo, milhares de trabalhadores continuam perdendo seus empregos, dívidas estrangeiras deixam de entrar no Brasil e o nosso país perde cada vez mais capacidade competitiva. Até quando, senhor presidente?