A raposa e o galinheiro

Essa saiu no Ex-blog do César Maia.

CPMF E SIGILO BANCÁRIO! MAS COM PALOCCI?
Uma coisa todos concordam, mesmo acabando a CPMF se poderia manter uma alíquota mínima apenas para a fiscalização das operações financeiras e identificação de sinais de lavagem de dinheiro, etc… Mas vejam só quem escolhem para relator: Palocci. É, é aquele mesmo que invadiu a conta privada de um humilde caseiro e estuprou seu sigilo bancário. Isso quando era ministro da fazenda. Um lixo… bem… sem qualquer trocadilho.

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Antônio Palocci (PT) relatando questões ligadas à sigilo bancário é chacota. É escárnio. O país vive um momento surreal em sua história. Equivale ao ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) relatar sobre crimes de colarinho branco, ou José Dirceu (PT) e José Genoíno (PT) sobre tráfico de influência. Equivale ao ex-deputado Sérgio Benevides relatar matéria sobre merenda escolar, ou ao deputado José Nobre Guimarães relatar questões envolvendo caixa 2. Definitivamente, as raposas estão assanhadas, nem se esconcem mais. Elas não têm o que temer.

Tolerância zero e tolerância total

Por Fábio Campos, no O Povo desta quarta:

O que dá cadeia, dólares na Bíblia ou dólares na cueca?
O julgamento nos Estados Unidos do casal que comanda a igreja Renascer serve como contraste para explicar porque o Brasil é o que é, o reino da impunidade. Vamos a um breve histórico. Estevam e Sônia Hernandes foram condenados por um juiz de Miami apenas dez meses após a prisão por entrarem nos Estados Unidos com US$ 56,6 mil não declarados. Eles usaram uma Bíblia e a mochila de seus filhos para carregar o dinheiro. Para o nível da corrupção nacional, um crimezinho de ladrão pé de chinelo. No Brasil, a prática de um crime como o do casal geraria, no máximo, uma prisão temporária de cinco dias. Foi assim, por exemplo, que aconteceu no caso do dinheiro embutido no cuecão de dólares do então secretário geral do PT do Ceará. Notem que Adalberto Vieira da Silva levava 100 mil dólares na cueca e mais 209 mil reais numa mochila. Dinheiro, até hoje, sem origem comprovada. Desde que foi flagrado, o casal da Renascer permaneceu em prisão domiciliar, com uma argola eletrônica no tornozelo. Em rápido processo, Estevam e Sônia foram condenados a cinco meses de xilindró cada um e, depois, ainda vão ficar mais cinco meses em nova prisão domiciliar. Já Adalberto costuma ser visto no litoral de Aracati.

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Pois é. Muitos acreditam que os EUA formam uma nação decadente por causa do consumismo e do individualismo, e que o Brasil é a casa da preocupação social mais elevada. Mas a comparação de um único fato basta para percebermos que as coisas não são bem assim. Quando o parâmetro é a funcionalidade dos serviços públicos ou o respeito às leis, ficamos a dever. Em compensação, jogamos mais futebol e temos carnaval, sem contar que somos uma potência esportiva quando disputamos Panamericanos. Olimpíadas não contam.

Que pobres miseráveis dependentes de programas assistencialistas não atinem para o absurdo dos dólares na cueca, é algo compreensível. Agora, formadores de opinião deixarem o assunto de lado, é criminoso. Alguns disfarçam, e bancando os críticos severos, fazem o jogo da patota da cueca: “Ah, que terrível, a esquerda assumiu práticas da direita retrógada e patrimonialista”, “É lamentável que alguns sujem as mãos nos jogo do poder”, “São práticas seculares, praticamente uma imposição do sistema”, e por esse caminho seguem os servos voluntários do poder. Tratam episódios de corrupção como variantes legítimas de um embate ideológico. Encontram justificativas para não falarem do óbvio: É preciso cadeia para esse pessoal.

Adalberto era secretário geral do PT cearense e seus amigos estão no poder. Uma dica de pauta para o “jornalismo investigativo”: Que faz hoje o dono da cueca recheada de “recursos não contabilizados”? Ainda “trabalha”? Frequenta “reuniões” com políticos? É processado? E o dinheiro?

A impunidade é uma agressão ao pudor e à honestidade.

Sopa de letrinhas como modelo de gestão

PAC e Pronasci – Se reunir letrinhas resolvesse problema, a solução para o Brasil seria comer sopinha.
Vejam que método administrativo revelador. Um problema aflige a sociedade, que espera dos governos a solução da questão, ou pelo menos, a amenização de suas mazelas. O governo Lula, inspirado no sucesso do marqueteiro de Duda Mendonça, depois de concluir que o tal problema aflige o país há décadas, ou há séculos, promete resolvê-lo com uma programa qualquer batizado com siglas, nomes e apelidos pomposos. É Fome Zero pra cá, Primeiro Emprego pra lá, Bolsa-isso, Bolsa-aquilo etc. Quais os parâmetros técnicos e políticos utilizados? “Calma” – respondem os ministros – “é preciso debater com a população”.

A sigla da moda agora é o PAC, alardeado como a resolução dos entraves para que investimentos em infra-estrutura possam, no quinto ano do governo petista, deslanchar. No post abaixo falei do Pronasci - que possui um orçamento ridículo – logo apelidado como o “PAC da Segurança“, como se o PAC original fosse um sucesso. Cabe lembrar que a sigla representa, até agora, um, conjunto de intenções. De concreto, nada.

Um texto da economista Adriana Vendoni, publicado no site do jornalista Diego Casagrande, ilustra bem como funciona esse modelo de gestão baseado em siglas e propaganda: PAC da Vigarice“[O Pronasci] é muito, muito mesmo, semelhante ao Plano de Integração e Acompanhamento dos Programas Sociais de Prevenção à Violência (Piaps). Alguém se lembra? Pois é, foi criado no governo de Fernando Henrique Cardoso e em janeiro de 2003 o governo Lula o abandonou dizendo que seria implementado o Plano Nacional de Segurança Pública, propagandeado durante a campanha. O tal Plano não saiu do papel, aliás, não saiu dos programas de Duda Mendonça, no seu lugar surgiu o SUSP – sistema único de segurança pública. O SUSP não deu certo, não existiam critérios, o orçamento era constantemente cortado ou desviado, sabe-se lá. O investimento Federal em segurança no período de 2001 e 2002 é 28,3% maior do que o investimento no período de 2003 a maio de 2006, segundo levantamento do site Contas Abertas, com valores atualizados pelo IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas. Isto quer dizer que mais que torcida, para atuar de forma efetiva no problema da violência, o Brasil precisa é de seriedade, competência e responsabilidade.”

Questão de prioridade

O Ceará ficou de fora do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), apelidado de “PAC da Segurança”, numa alusão às promessas do Plano de Aceleração do Crescimento, muito embora não haja crescimento a ser acelerado.

O Pronasci prevê investimentos de R$ 6,707 bilhões até 2012, com R$ 483 milhões reservados para 2007, que serão (o verbo sempre conjugado no futuro) aplicados nas seguintes capitais e regiões metropolitanas: 1) Brasília; 2) Vitória; 3) Belo Horizonte; 4) São Paulo; 5) Rio de Janeiro; 6) Belém; 7) Recife; 8) Maceió; 9) Salvador; 10) Curitiba; e 11) Porto Alegre. Qualquer que seja o critério utilizado pelo governo, Fortaleza não é prioridade. Bem vistas as coisas, pelo volume divulgado, a segurança pública é que não é prioridade. Os números, alardeados em valores absolutos, embalados pelos ventos da grandiloquência verbal de quem os anuncia, parecem robustos. Mas se comparados aos investimentos feitos por um único Estado da Federação, se mostram minguados, ridículos, diria até cretinos.

Leiam o comentário de Reinaldo Azevedo, da revista Veja:
Lula vai sair por aí soltando rojão com o truque do que chama PAC da Segurança. Estão previstos R$ 6,7 bilhões para os próximos cinco anos, certo? Certo. Vocês têm idéia de quanto é o orçamento da Secretaria de Segurança Púbica de São Paulo neste ano? Não? Eis aqui: R$ 8.307.663.072. O governo federal está batendo bumbo porque promete investir, EM CINCO ANOS, 80,64% do que São Paulo gasta EM UM ANO.

Charge

Por Fernandes – Diário do ABC (SP)

Pergunta do leitor

Sobre o debate acerca da redução da maioridade penal, um leitor do blog escreveu:

“O que acontece no cérebro/personalidade de um ‘adolescente’ na passagem do dia em que ele tem 17 anos, 11 meses e 30 dias, para o dia seguinte em que ele completa 18 anos, e pode ser penalizado? Será que há uma reordenação cerebral completa nessa passagem?”

Não sou psicólogo nem especialista em neurociência. Sei apenas que, não havendo consenso sobre a idade perefita para se instituir a maioridade penal, ela varia de país para país. Sei ainda que poucos a adotam aos dezoitos anos, como o Brasil, ficando a maioria na média dos dezesseis anos.

A pergunta do leitor é instigante porque expõe um dado relevante: Qual a base técnica de definição para que não se possa diminuir a maioridade? Numa sociedade onde a defesa de valores morais se passa por conservadorismo careta e a autoridade da ciência é tida como inquestionável, a ausência de uma resposta certa revela que a questão envolve concepções políticas de mundo. E qual é a concepção predominante no Brasil? A da culpa coletiva. Na verdade, é uma distorção que mistura marxismo de terceira categoria com sociologia engajada, que deseja, em nome de uma ideologia – o socialismo, eliminar a idéia de indivíduo (tida como coisa de direita). Jóia mesmo é o coletivo, que paira acima da consciências individuais, que são substituídas pela consciência de classe. Esse samba do crioulo doido termina assim: Os criminosos são vítimas da sociedade de consumo. Sendo assim, todos são culpados. Se todos são culpados, ninguém é inocente. Se ninguém é inocente, por que prendê-los?

Enquanto isso, o crime organizado opera com a benevolência da legislação brasileira e a omissão das autoridades, que impede que o jovem responda pelos seus atos. O resultado é que esse público, composto de pessoas que já não são mais crianças, fica cada exposto ao aliciamento de bandidos. Os jovens, alienados pelo discurso de ódio de classes, cada vez mais são usados como escudo para toda sorte de ilegalidades.

Inteligência na era digital

Outro dia escrevi sobre a carência de policiais no Ceará, por conta de uma reportagem que comparava o efetivo da PM por habitante entre estados do nordeste. Um leitor me lembrou que a simples comparação numérica não pode ser tomada como fator de avaliação definitiva. Realmente, cidades mais populosas tendem a ter essa relação reduzida. Daí que a eficiência das forças policiais deva contar com o serviço de inteligência, da tecnologia e do planejamento.

Para se ter uma idéia de como anda essa eficiência, nada como precisar de um simples serviço, como registrar um Boletim de Ocorrência. Foi o que aconteceu comigo. Perdi um telefone celular. Para comprar outro, fui informado pela operadora de que era necessário um BO. A atendente me disse ainda que era possível fazer isso pela internet, através do site da Secretaria de Segurança. “Nossa, que coisa legal, nossa polícia na era digital”, pensei com os meus botões.

Realmente existe o serviço na página da Secretaria. No dia 13 de agosto fiz o procedimento e recebi a seguinte mensagem automática:

Seus dados sobre a ocorrência de EXTRAVIO de PROTOCOLO 200720579 foram enviados com sucessopara a Delegacia Eletrônica da Polícia Civil. Tão logo eles sejam analisados,você receberá um e-mail indicando como acessar seu Boletim de Ocorrência (B.O.).Para maiores informações, você deve entrar em contato com a Delegacia Eletrônicapelo telefone: (85) 3101.2509 e o envio de sugestões, críticas e/ou elogiosdeverá ser feito através do e-mail: beo@sspds.ce.gov.br
Grato por usar nossos serviços,
Delegacia EletrônicaPolícia Civil do Estado do Ceará
Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social

O resultado é que estou esperando até agora. Vou me dirigir a uma delegacia de plantão para fazer um BO à moda antiga. Eis como estamos. As autoridades oferecem um serviço que, na prática, não funciona.

Cansei

Cansei de gente que só quer levar vantagem;
Cansei do governo paralelo dos traficantes;
Cansei de pagar tantos impostos;
Cansei de impunidade;
Cansei de tanta burocracia;
Cansei de caos aéreo;
Cansei de CPI que não dá em nada;
Cansei de crianças nas ruas e não nas escolas;
Cansei de presidiário falando no celular;
Cansei de ver traficante fechando o comércio;
Cansei de empresários corruptores;
Cansei de ter medo de parar no sinal;
Cansei de bala perdida;
Cansei de tanta corrupção;
Cansei de achar tudo isso normal;
Cansei de não fazer nada.


O texto acima é uma peça do movimento “Cansei”. Para quem não sabe, trata-se de um grupo de pessoas, anônimas e famosas, e de entidades, que desejam protestar contra esses tópicos. O movimento não faz apologia partidária ou ideológica. Como os temas abordados na crítica dependem, em sua maioria, de ações governamentais, naturalmente, os que estão descontentes com o governo, se sentem atraídos pela proposta do movimento. Não se trata de uma articulação das débeis oposições brasileiras, mas, definitivamente, é uma ação anti-governo.

Hoje faz um mês que o avião da TAM sofreu o acidente em Congonhas. O “Cansei” organizou um minuto de silêncio na Praça da Sé, em SP. Reuniu entre 4 e 5 mil pessoas, sem para isso, precisar aparelhar nenhum sindicato ou ONG. O governo federal e o petismo (e parte do jornalismo)tentam desqualificar o movimento. A ordem é taxá-lo de elitista. Como se o protesto, a passeata e a vaia fossem exclusividade de uma classe social, ou de um grupo político. Não são poucas as reportagens que buscam ridicularizar os participantes do grupo. É verdade que o “Cansei” é composto, em sua maioria, por setores da classe-média, essa que vive massacrada pelos impostos e não que não recebe nada em troca. No entanto, é mentira que suas manifestações não possuam legitimidade democrática.

Alguém discorda do que vai escrito no texto do movimento? Um governo bem intencionado deve se sentir atingido por ele?

Para saber quais os artistas e entidades que participam do “Cansei”, visite o endereço http://www.cansei.com.br

Onde estão os adversários da redução da maioridade penal?

Recentemente o país debateu a redução da maioridade penal para 16 anos. Pessoas bem intencionadas e outras que aproveitaram para posar de bacanas foram contra. Falavam todos em proteger nossas “crianças”. A charge ao lado, do Angeli, retrata o discurso que buscou desqualificar o movimento pela redução. Faz uma alusão a bebês, como se criminosos adolescentes fossem inocentes perseguidos injustamente. Nada foi feito e eles continuam matando. Vejam abaixo.

“Foi difícil pra mim, mas assim que soube, fui lá dizer que era meu filho porque acho que ele tem que ser detido, vai ser melhor pra ele. É justo. Mas meu filho tá com medo de morrer. Ele já foi ameaçado. Aí se escondeu.”
Esse é o desabafo do pai de um jovem de 16 anos, que foi ao 2º Distrito Policial (DP), em Fortaleza, denunciar o próprio filho por participação num crime, publicado no O Povo de hoje. O epoisódio que gerou a denúncia ocorreu no último domingo, quando o professor universitário Arnaldo Dias Belchior, 47, foi assassinado durante tentativa de assalto, cometida por três adolescentes. A reportagem lembra ainda o pai de dois envolvidos no assassinato do menino João Hélio, no Rio de Janeiro, que também denunciou os filhos à Polícia.

Já o Diário do Nordeste revela que um dos acusados tinha sido preso por roubo há cerca de um mês. “Ele foi encaminhado a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), e quando chegou lá, já existia contra ele um mandado de apreensão. Mas ao que parece, não passou muito tempo recolhido. Já estava nas ruas, praticando outros delitos, contou o delegado Fábio Facó, titular do 2º DP.

Em Fortaleza, os pais do jovem envolvido tratam o caso com a condencedência própria de quem zela pela cria. Falam que o rapaz foi influenciado, que não foi ele quem atirou, que lamentam os caminhos que o filho escolheu, que tentaram conversar com ele etc. Reação, diga-se, é muito compreensível. Mas notem uma diferença fundamental. Eles não o tratam como vítima do sistema, como quer certa sociologia influente nos dias de hoje. Não alegaram a condição social como causa, não culparam os ricos, não responsabilizaram os governos, não apelaram aos direitos humanos. Aliás, alegar condição de pobreza como determinante para a violência e o crime é preconceito contra os pobres travestido de progressismo. Os pais do jovem acusado, ao contrário, foram altivos na tragédia que vivem. Sabem que o filho agiu por vontade própria e consideram sua prisão JUSTA. São pobres e honestos, como a maioria. Não quero dizer com isso que problemas sociais e psicológicos não influenciam as pessoas, principalmente os mais jovens. São fatos da vida que marcam a todos, inclusive os não criminosos. E por isso mesmo devem configurar como atenuantes ou agravantes no estabelecimento das penas, e nunca como causa primordial.

Os adolescentes que mataram o professor estarão em liberdade, no máximo, em três anos. Nessas horas eu me pergunto por onde andam os defensores da permanência da maioridade penal aos 18 anos. Foram prestar condolências aos famíliares da vítima? Pediram-lhes para entender que tudo é uma questão social? Foram à polícia dizer que os assassinos são na verdade crianças inocentes, que não sabiam que matar é errado? Daqui a três anos eles voltam, livres e crentes que a impunidade no Brasil é um fato consumado. Depois, ninguém sabe os motivos da banalização da violência.

Ministra da eucaristia a serviço do marxismo esotérico

Essa é do blog do Eliomar de Lima: VIXE MARIA! – IGREJA DE FÁTIMA CONVOCA FIÉIS CONTRA TORRE EMPRESARIAL NA ÁREA DO COCÓ – Um fato curioso foi registrado na primeira missa da Igreja de Fátima, em Fortaleza, neste dia 13, data que mensalmente lembra a aparição da Virgem às três crianças na cidade de Fátima, em Portugal. No início da celebração, uma ministra da eucaristia solicitou aos fiéis que aderissem ao abaixo-assinado pelo veto popular contra a construção de um prédio próximo ao Shopping Iguatemi (Torre Empresarial Jereissati). (…) ARQUIDIOCESE ESCLARECE – Padre Gilson Soares, da equipe de evangelização da Arquidiocese de Fortaleza informou para este Blog que a Igreja Católica não usa missas para fazer ações políico-partidárias. O caso na Igreja de Fátima foi isolado e partiu de um ministro da Euaristia, sem o endosso portanto da Arquidiocese.

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O petismo não perdoa, aparelha. Nada lhe escapa: reunião de condomínio, missa, velório, a CUT e as estatais, grêmio estudantil, sindicato etc. Onde houver duas ou mais pessoas reunidas, lá estará um companheiro pronto para politizar os temas do cotidiano a favor da doutrina do materialismo científico. A Igreja, enquanto instituição, não aprova esse tipo de interferência. Não sou católico, mas sei que a sua missão é salvar almas, independentemente da filiação ideológica ou classe social. Católico significa universal.

No entanto, é inegável a ação e a influência de grupos que intentam fazer justamente o que a Arquidiocese condena: pregação político-partidária disfarçada de religião. Ou alguém acredita que um ministro da Eucaristia pode fazer proselitismo sem a concordância dos religiosos responsáveis pelo sacramento? Muitos padres estão mais ocupados com as disputas terrenas do que com a reforma íntima dos filhos de Deus. O resultado é que militantes como essa ministra da eucaristia, conscientes ou não do seu papel de propagandistas, ganham espaço e agem com desenvoltura. Existe, inclusive, um movimento onde a ideologia esquerdista tenta reescrever a doutrina católica. É a Teologia da Libertação, corretamente refutada pelos Papas João Paulo II e Bento XVI.

Aparelhar instituições para fazer propaganda de partido, claro, é desonestidade. Pior ainda quando se trata de uma ordem religiosa, pois a cooptação busca tirar proveito de crenças pessoais. A religião, professava Karl Marx, é o ópio do povo. É claro que nunca houve, na história da humanidade, uma sociedade laica, que renegasse a dimensão metafísica da vida. E mesmo assim esse pessoal insiste em transformar as religiões em arena para a luta de classes.

O curioso é que a Igreja de Fátima foi o palco de uma manifestação POLÍTICA contra um católico fervoroso (Tasso), e a favor de uma autoproclamada marxista esotérica (Luizianne)… Xô satanás!

A conversa é bela, mas falta o essencial

O site da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS) informa onde podemos procurar atendimento. Segue em itálico colorido transcrição retirada da referida página: Clínica Médica – Há atendimento de clínica médica em todos os hospitais da rede municipal. Mas é importante que a população procure os hospitais apenas em casos de urgência e emergência – quadros diarréicos graves, crises de asma, suspeita de pneumonia. Em casos de quadro estável, os usuários devem procurar a rede de atenção básica, composta por postos de saúde espalhados por toda a cidade. Clique aqui para conferir o texto original.

Quem nunca ouviu a conversa de que o Instituto Dr. José Frota, hospital da Prefeitura Municipal de Fortaleza, não presta melhores serviços pelo excesso de pacientes oriundos do interior e dos postos de saúde da capital? A conclusão sugerida é a seguinte: superlotação causada pela desinformação. Ou seja, a culpa pela precariedade dos serviços de saúde também é debitada na conta de quem busca tratamento na rede pública, que insiste em procurar socorro no local errado. Não raro, algumas autoridades da área suplicam que pacientes com problemas simples não se dirijam ao IJF e procurem as unidades dos bairros, que supririam a demanda. Para variar, a realidade não é bem assim.

Pois vejam matéria publicada no Diário do Nordeste: Fila de espera nos postos de saúde é de 153 mil pessoas – ´Faltam médicos, faltam médicos!´ a reclamação ecoa em quase todos os centros de saúde (CS) administrados pela Prefeitura de Fortaleza. Em filas às portas das unidades ou diante dos consultórios médicos, os pacientes se queixam da demora no atendimento, falta de médicos especialistas e dificuldade na marcação de consultas e exames. Ao todo, são 89 centros de saúde na Capital, sendo que 32 deles funcionam também no terceiro turno – das 17 às 21 horas – e, destes, 13 abrem nos fins de semana.

PS. Tudo isso sem contar que os médicos estão insatisfeitíssimos com o salários.

(In)segurança pública

No jornal O Povo de hoje, uma matéria de interesse público, assinada por Thiago Cafardo, merece atenção. É um levantamento comparativo do número de policiais militares por habitante. O quadro é alarmante. No nordeste, o Ceará tem o segundo efetivo mais defasado, com um policial militar para cada 632 habitantes, enquanto Sergipe, o melhor colocado, conta com um para cada 327 moradores. As autoridades estaduais reconhecem o problema, e as federais afirmam que não sabem de nada. Vejam trecho: Segundo o coronel Adail Bessa, comandante-geral da PM cearense, o Estado tenta compensar a defasagem no efetivo investindo na melhoria da capacitação dos policiais. “Estamos correndo atrás de melhorar a qualidade dos profissionais. Mas, como diz o governador (Cid Gomes), a segurança pública do Ceará está no limite do limite”, afirma. Procurada pelo O POVO, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) informou que não existe qualquer estimativa sobre a quantidade ideal de policiais por habitantes. Clique aqui para ler o texto completo.

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O maior problema do Brasil, já faz algum tempo, é a (in)segurança pública. Em 2006, segundo dados oficiais da ONU (fora os crimes que não são computados), ocorreram cerca de 50 mil homicídios no pais. Não há guerra civil no mundo que produza tantos cadáveres. Enquanto isso, os principais assuntos na última campanha presidencial foram a privatização e a taxa de juros. Nas eleições municipais, o candidato Moroni tocou no assunto, falando em aumentar o efetivo da guarda municipal, embora o combate ao crime não seja de competência das prefeituras. Foi tachado de demagogo pelos adversários. Nas eleições estaduais, o tema ganhou destaque com a proposta do Ronda do Quarteirão – projeto que mudou de forma uma três vezes, pelo menos. Na verdade, uma peça de marketing eleitoral desprovida de uma avaliação baseada em números e estatísticas.

A Polícia Militar apresenta problemas em todo o país, numa demonstração de que a crise na segurança pública é nacional, transcendendo os limites das gestões estaduais. Seria bom sabermos quanto cada estado recebeu de recursos para a área do governo federal. Não seria surpresa constatarmos que o Ceará foi preterido novamente. Mas a comparação feita com outras capitais do nordeste também indica quais prioridades são assumidas por seus respectivos governos. No Ceará, por exemplo, faltam policiais, mas as polêmicas (e caras) Hilux já chegaram.

Defender a vida é gratificante

A revista Veja dessa semana traz reportagem de Adriana Dias Lopes sobre a menina Marcela de Jesus Galante Ferreira, que aos nove meses, sobrevive sem cérebro. Geralmente, crianças anencéfalas morrem poucas horas após nascerem. No caso de Marcela, por causa do tronco encefálico, algumas funções mínimas garantem sua sobrevida.

Naturalmente, o episódio gera discussões entre os que desejam estabelecer normas científicas para definir quando e como começa (ou termina) a vida, e os que acreditam na inviolabilidade do corpo e de toda forma de vida, crença que é uma das principais conquistas da civilização cristã ocidental. A polêmica é grande. Independente disso, certo mesmo é que os pais da menina, Cacilda e Dionísio, agricultores humildes, cumprem de forma digna o papel que lhes foi destinado: defendem e amam a filha incondicionalmente.

Espero o nascimento de um filho. Minha esposa completou um mês de gestação, o que significa aproximadamente 05 semanas. Durante dois dias houve uma ameaça de aborto. Foi o bastante para que todos os cuidados fossem tomados, do repouso absoluto à medicação prescrita. Não fizemos isso por se tratar de uma criança perfeita, pois a gestação está no início, embora, graças a Deus, tudo esteja caminhando bem. Fizemos por amor institivo, movidos por uma força poderosa, por necessidade, por decência. Cuidar de quem depende de nós é uma obrigação natural, que nos gratifica. Como disse o jornalista Reinaldo Azevedo, a respeito do caso da menina Marcela, “eis o amor que salva o objeto amado e também salva aquele que ama”.

Caso real
Sei o que é ter entes queridos envolvidos em casos como o da família Galante. Minha cunhada, então grávida de 3 meses, descobriu que a filha era anencéfala. A orientação do médico obstetra, profissional conhecido, foi o aborto. Ele indicou, inclusive, endereços onde o medicamento abortivo Citotec poderia ser comprado. Não faltaram pessoas bem intencionadas que também acreditaram que o melhor a fazer era por fim a tudo imediatamente, pois aquele seria um sofrimento desnecessário. A jovem mãe, sob o impacto da dor, mas sentido a criança que – atenção – VIVIA em seu corpo, decidiu não matar a própria filha, que apresentava movimentos e reações semelhantes de gestações normais. Minha cunhada foi em frente e levou a gravidez até o fim. Muitos também foram os que a apoiaram nessa hora difícil. A pequena Sofia nasceu e sobreviveu algumas horas, o bastante para nos tocar com sua vontade de viver. A mãe hoje vive com a certeza de que fez o que pôde pela filha, que a amou. Ela pode dormir sem o remorso de ter privado aquela pequenina do direito de nascer e viver, ainda que brevemente. Nós a respeitamos mais do que nunca. E nos congratulamos pela sensação de missão cumprida. Depois disso, ela teve outra filha, saudável e perfeita.

O fim do sindicalismo

O site da Central Única dos Trabalhadores – CUT, seção Ceará, promove uma enquete curiosa: Você é a favor da realização do referendo sobre a construção de uma torre empresarial às margens do Rio Cocó, em Fortaleza? Um repentino interesse ecológico move a entidade, que andava meio parada. Não se tem notícias desses bravos amantes da natureza protestando contra a corrupção que derruba investimentos em áreas de preservação ambiental. Em outros tempos, eram tantas passeatas… Sobre o caos aéreo, nenhum movimento em defesa dos trabalhadores do setor. Deve ser um assunto secundário. Preocupa mesmo a entidade é a construção de um único empreendimento, de resto autorizado e legal.

Obviamente, a CUT cearense protagoniza um espetáculo de peleguismo como poucas vezes se viu. A organização, que deveria representar a pluralidade dos trabalhadores, inclusive a ideológica, se submete aos caprichos de um partido: o PT. Na oposição, fustiga adversários da sigla, no poder, defende o governo dos amigos incondicionalmente. É uma forma de estelionato moral deprimente. Reparem que a enquete não fala em termos genéricos, o que poderia disfarçar a subserviência. Ela é específica para que não sobrem dúvidas: trata-se da Torre Iguatemi. A idéia é tentar criar um apelo popular à perseguição movida pela Prefeitura de Fortaleza contra um adversário político do petismo.

O sindicalismo morreu. Não possui mais representatividade ou autonomia. Nem o presidente Getúlio Vargas conseguiu encabrestar os sindicatos dessa forma.

Vexame no Senado

Aliados do senador Renan Calheiros, aquele defendido apenas por Inácio Arruda, garantem que a revista Veja, aquela que o petismo acusa de golpista, enviou uma equipe a Alagoas para investigar negócios do presidente do Senado. Como resposta, Renan tenta articular uma CPI contra a Editora Abril. Desesperado, o senador investe ataca pateticamente, na tentativa de desqualificar as reportagens que o mencionam. Poderia processar a revista, mas o problema é que as matérias publicadas até agora são bem consistentes. Mas, pensando bem, está na moda atacar a imprensa…

Os mais ingênuos poderão perguntar-se: De que lado ficará o governo? Resposta: Dele mesmo, é claro. É o que informa o Blog do Josias, da Folha de São Paulo: No Planalto, a investida de Renan contra a Editora Abril foi mal recebida. O negócio que Renan diz ter sido feito ao arrepio da lei –a venda da TVA [da Abril] para a Telefónica— foi referendado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Ou seja, obteve a aprovação governamental.

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