Reforma ortográfica – um alerta

A revista Veja dessa semana trata do debate acerca de uma possível reforma ortográfica na língua portuguesa, que pode acabar com o trema, com os acentos de vôo, lêem, heróico, além de alterar as regras do hífen e incorporar ao alfabeto as letras k, w e y. As alterações foram discutidas entre os oito países que usam a língua portuguesa, e têm como objetivo aproximar essas culturas.

É o tipo de tema que não parece ter tanta importância, afinal, a maioria dos brasileiros não domina a língua pátria em sua totalidade. Mas é preciso estar atento para uma questão de fundo que, na verdade, é a mais importante: a identidade nacional. Uma língua, decerto, não é algo estático. Pelo contrário, é viva, incorpora novas expressões e usos, abandona outros tantos. Existe, no entanto, uma distinção muito disseminada nas escolas: a de que a norma culta da gramática é um tipo de elitismo. E que a língua falada nas ruas, essa sim, representa o povo, a essência do ser brasileiro. Portanto, suprimir convenções ortográficas pode significar, para alguns, democratizar a língua.

Quanto a isso, são precisos dois esclarecimentos: 1) a norma culta uniformiza a comunicação, impedindo que dialetos de grupos e de regiões se imponham e estabeleçam o corte dessa comunicação. Sem isso, corremos o risco de um pernambucano não entender o que escreve um gaúcho, separados pela língua, embora compatriotas; 2) a norma protege a estrutura linguística de uma nação, resultado de experiências comuns, de ser substituída por uma outra estrangeira. Por exemplo: Utilizar expressões como software ou brainstorm, não significa aculturamento, pois trata-se de um processo impossível de ser evitado. Submissão é quando a sintaxe de uma outra língua tenta se impor, como no caso do gerundismo – “estarei passando a ligação”, em vez de “passarei a ligação”, uma clara manifestação do inglês na nossa forma de falar o portugês. Não é preciso dizer que, na ausência de uma regra comum de comunicação, a estrutura que pode assumir essa função de elo de ligação pertence ao país mais influente da época. Ou seja, seríamos engolidos pela sintaxe inglesa.

Por isso, antes de cedermos à preguiça de consultar a gramática, é bom lembrarmos de que as regras gramaticais existem para nos proteger da confusão e do imperialismo cultural.

Estatal amiga

Por Rubens Valente, da Folha de São Paulo, nesta segunda:

Petrobras já liberou R$ 34 bi sem licitação na gestão Lula – A Petrobras contratou sem licitação R$ 33,8 bilhões em serviços do início da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, até junho último. O valor corresponde a cerca de 38% de tudo o que a petroleira contratou somente na área de serviços no período. De um total de 13.480 contratos assinados entre 2005 e 2007 na área de serviços, 8.080 não tiveram disputa prevista na lei das licitações 8.666/93. Os gastos desse tipo vão de patrocínios culturais a honorários advocatícios. Por exemplo: dois escritórios de advocacia receberam sem licitação, entre 2005 e 2006, R$ 20 milhões. (…) De tudo o que a Petrobras adquiriu na área de serviços entre meados de 2005 e agosto de 2006, apenas 0,5% foi contratado por meio de concorrências e tomadas de preços (R$ 103 milhões, num volume global de R$ 21,33 bilhões). Foram só 19 processos do gênero, num universo de 7.531 contratos. De janeiro a julho de 2007, de 3.228 contratos, apenas quatro passaram por tomada de preços. Foram R$ 30 milhões, para um desembolso total de R$ 21,5 bilhões no período. Para ler matéria completa, clique aqui – (somente para assinantes).

Amigos
Entre as empresas contratadas em 2006 estão duas de amigos do presidente Lula: a empresa de auditoria Trevisan, com R$ 2,7 milhões, de Antoninho Marmo Trevisan, e a empresa de informática Novadata, de Mauro Dutra, com R$ 63,69 milhões. Trevisan foi, nos primeiros três anos do mandato de Lula, integrante da Comissão de Ética Pública.

Blog do Wanfil
Pois é. Fica sempre uma desconfiança quando uma empresa pública gasta tanto dinheiro dessa forma. As licitações não são garantia de idoneidade, é certo. Podem, como é de conhecimento geral, conter “vícios” em seus editais. De qualquer forma, a concorrência que disputa o serviço termina por gerar uma forma de controle. Quem perde uma licitação, não aceita marmelada facilmente.

A dispensa de licitações é prevista em casos muito especiais. Seu abuso, no entanto, pode servir como instrumento para o enriquecimento de grupos ligados ao poder. Pode esconder uma fraude. Muito da paixão de certos democratas por estatais, resulta dessa possibilidade. Nada foi provado contra a Petrobrás, mas os números são impressionantes. Por isso, não custa checar.

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