O conto do operário
Site do jornalista Cláudio Humberto:
O duplex de Lula no Guarujá – Tem 350 metros quadrados a cobertura duplex à beira-mar que Lula comprou no Guarujá (SP) através da Bancoop, cooperativa habitacional do sindicato dos bancários investigada por fraude, improbidade e formação de quadrilha. Os andaimes impedem a visão do belo apê, que está em final de construção (foto). A cobertura duplex foi quitada e o compromisso de compra e venda está devidamente registrado no 1º Cartório de Imóveis do Guarujá.
Blog do Wanfil
Um simples operário, sindicalista, humilde trabalhador, não pode comprar uma cobertura duplex de R$ 400 mil? Claro que sim, companheiros! Empreendedorismo é isso. Lula é um verdadeiro “self-made man“, ou o “homem que se faz”, ideal burguês proposto pelo liberalismo, segundo o qual talento e disposição podem superar as barreiras sociais. Naturalmente, os exemplos clássicos mostram pessoas nascem pobres, trabalham, poupam e depois arriscam capital próprio ou de empréstimos, para construir carreiras de sucesso. O caso de Lula difere desse modelo em vários pontos, a começar pelo capital próprio.
Bom, se a cooperativa tem lá seus problemas, que se investigue. Quero ressaltar outro aspecto do negócio. O imóvel é coisa para ricos, para a elite, para quem pode, para empresários e executivos. E o presidente? Lula é um dos homens mais poderosos do Brasil há pelo menos 15 anos. Lula é representante da elite sindical brasileira, que controla fundos de pensão, arrecada impostos compulsórios e que tem um partido político riquíssimo: o PT. Se tudo está registrado na Receita Federal, não sei. Mas convenhamos: Lula trabalhava aonde, quando não estava disputando eleições?
O negócio é o seguinte: Não existe o presidente que é homem do povo, que sabe o que é passar necessidade. Outros presidentes também foram pobres na infância. A rigor, a condição social não confere qualidade moral a ninguém. Isso é uma mitificação típica dos messianismos populistas, que o próprio presidente gosta de cultivar para manter o apelo eleitoral. O sujeito veste ternos Armani, gravatas Hermenegildo Zenga, tem um Airbus luxuosíssimo, gosta de uísque 15 anos, charutos cubanos e de vinhos refinados. Posso culpá-lo por gostar disso? Não. Mas também não caio no conto do operário.
