Recebi por e-mail um texto postado no sábado, no blog do Reinaldo Azevedo. Vale a reprodução que segue em azul:
O juiz da tropa de choque e da tropa do cheque
Indagado se acha que Renan Calheiros é inocente ou culpado, Lula mandou ver: “Não sou juiz”. É mesmo, é?
Juiz ele era de Collor.
Juiz ele era de FHC.
Juiz ele era, pasmem!, até do agora aliado Sarney.
Juiz ele era de Eduardo Jorge.
Juiz ele era dos ministros que fizeram a privatização.
Juiz ele foi de Alckmin, acusando-o pela ação do PCC em São Paulo.
Juiz ele era, sempre implacável, de inocentes e culpados. Desde que fossem inimigos.
Juiz ele foi e é de todos aqueles que se opõem ao PT.
Juiz ele é do passado, condenando todos os governos que vieram antes.
Mas de Renan? Ah, não!
O lobista pagou a pensão. Mas Lula não é juiz.
As notas da venda dos bois são frias. Mas Lula não é juiz.
As rádios do senador estão em nome de laranjas. Mas Lula não é juiz.
O lobby em favor de uma cervejaria, com ganhos milionários, é escancarado. Mas Lula, já está claro, não é juiz.
Lula consegue ser até juiz da economia americana, como vimos há dias: “Eles criaram a crise”. Mas, sabem como é, quando se trata de Renan Calheiros, ele se lembra de ser criterioso.
O homem consegue ser juiz até de facínoras, bandidos que, segundo ele, não tiveram a infância protegida pelos governos que o antecederam. Mas não lhe peçam para opinar sobre Renan. Afinal, Lula não é juiz.
Se Lula fosse juiz, saberia distinguir uma nota quente de uma nota fria. Como Lula não é juiz, então ele mobiliza a tropa de choque do Planalto para salvar Renan.
Mais do que isso: o Planalto mobilizou até o milionário Gilberto Miranda. Foi o casamento da tropa de choque com a tropa do cheque.
Lula, na verdade, é o pior de todos os juízes. A venda que tem no rosto lhe tapa apenas um dos olhos. Com o outro, ele protege os amigos.
Nota do jornalista Erick Guimarães, na coluna Política do O Povo.
“O MENSALÃO MINEIRO – O site Consultor Jurídico disponibilizou a íntegra do relatório da Polícia Federal sobre o caixa dois dos tucanos mineiros no endereço http://conjur.estadao.com.br/pdf/relatorio.pdf. É longo, mas instrututivo. Mostra como, sob as bênçãos do tucanato de Minas, o publicitário Marcos Valério serviu de engrenagem num esquema que arrecadou R$ 100 milhões em uma campanha que, formalmente, só custou R$ 8 milhões.”
Blog do Wanfil
Existe nesse caso uma confusão que, por igualar crimes diferentes, beneficia os autores do crime maior. O que aconteceu em Minas Gerais foi caixa dois de campanha, ou seja, recursos não declarados destinados a candidatos. O repasse era feito por Marcos Valério. Mensalão é outra coisa. O caso envolvendo os 40 denunciados pelo STF é compra de votos no atacado. O governo, através de emissários, pagaria a líderes partidários, que depois redistribuíam o dinheiro entre os correligionários, para votar em bloco.
Não foi por acaso que a defesa dos mensaleiros alegou que tudo era “apenas” caixa dois, coisa banalizada no Brasil, comum a todos etc. É a opção de confessar o crime menor para poder negar o maior.
A única coisa em comum nos dois epsódios é a participação do mesmo intermediário. De resto, o esquema em Minas envolve políticos de vários partidos, mas o PSDB, principal partido da oposição, errou ao não expulsar os envolvidos. Conferiu verossimilhança ao discurso que busca igualar os crimes distintos. O resultado foi a reeleição de Lula. Agora, o mesmo STF que acusou os mensaleiros vai apreciar o caso. Talvez aí as coisas sejam postas em seus devidos lugares.