E por falar em cegueira

A polêmica reportagem “Sexo, verdade e videotapes”, publicada na revista Farol, rende debates na imprensa, no meio político e entre profissionais da área. No que diz respeito ao seu conteúdo, alguns a defendem – o que é perfeitamente compreensível, outros a criticam, fato igualmente aceitável. Creio mesmo que o submundo dos cimenas pornográficos merece atenção jornalística. Como eu não pude ter acesso – ainda – à matéria citada, procurei não entrar no mérito editorial e moral envolvidos no assunto.

Coisa bem diferente é analisar os aspectos políticos da questão. Vejam a opinião do jornalista Érick Guimarães, na coluna Política do O Povo:
A FAROL CEGOU OS TUCANOS – Poucas discussões são tão reveladoras quanto os ataques da bancada tucana à revista Farol, da Prefeitura de Fortaleza. (…) Classificar a Farol como revista pornográfica não é questão de moralismo. É de uso político. Mira-se na publicação, mas o alvo está no Paço. Quisessem fazer um debate sério, os tucanos poderiam encarar a discussão proposta pelo vice-governador Francisco Pinheiro, sobre os gastos sociais na cidade. Cegos para os problemas da cidade, os tucanos preferem ficar no moralismo. No máximo, tiram a revista de circulação – o que seria uma perda porque, no geral, a revista é boa. No mínimo, perdem o tempo e a paciência do contribuinte.”

Notem bem. Um analista político critica opositores de um governo por estes agirem de acordo com interesses políticos. Deveria ser algo normal, mas segundo o pensamento do jornalista, numa lista de prioridades, se os tucanos fossem sérios, tratariam dos problemas indicados pelo vice-governador do Estado, que apesar de pertencer ao mesmo partido da prefeita, não deve possuir nenhum interesse político. Por esse ângulo, talvez a oposição devesse ficar calada, quietinha, acuada com medo de pensarem mal dela. Talvez ela deva consultar jornalistas antes de falar contra alguma ação governista.

Se for para sugerir agendas de debate, creio que Érick Guimarães prestaria um serviço de maior relevância se procurasse saber como vive Adalberto Vieira, o homem dos dólares na cueca, ou se algum político cearense envolvido com “recursos não contabilizados” de Marcos Valério foi punido. No entanto, não sou eu quem vai definir as pautas da Coluna Política. Mas nem por isso considero que o jornal que a publica não seja sério.

O colunista alerta ainda para o fato de que os tucanos podem impedir a circulação da Farol. Falso. Partidos políticos não têm esse poder. Na verdade, o PSDB não conseguiu proibir nem sequer a IstoÉ de circular, mesmo depois da fraude do dossiê fajuto nas eleições passadas.

Preconceito
É proibido criticar a oposição? Claro que não. Aqui mesmo, inúmeras vezes, tratei da omissão, contradições e, em alguns casos, conivência das oposições. Entretanto, não cabe ao analista tentar definir quais assuntos devem ser tratados por grupos e partidos – isso é militância. No fundo, existe um preconceito contra a atual oposição. Quando o PT não era governo, ninguém nunca reclamava da disposição da sigla em contestar tudo o que fosse proposto por seus adversários. “Estão no papel deles”, diziam. Foi preciso o próprio Lula confessar que o seu partido fazia bravata. Mas agora, qualquer crítica feita ao petismo no poder é tido por muitos como interesseira, politiqueira, moralista, falsa etc. Érick Guimarães considera a matéria da revista adequada para ser distribuída a crianças nas escolas públicas? Não sei, ele não disse. Mas se a oposição não gostou, deve ter algo aí! É uma forma cega de se ver a democracia.

1 Comentário

  • By norton, 24/09/2007 @ 22:09

    hey wanderley, proposta editoral da farol é muito batida, sem novidades,
    mas escuta, procura o leonardo fontes do http://www.blogueisso.com
    e hospeda esse seu excelente blog com ele, o blooger é irregular, não suporta trafego e tem uma mania feia de apagar tudo que foi escrito de vez em quando,
    alias, linkei o seu blog no que estou recomeçando a escrever, confere,
    http://www.blogueisso.com/norton

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