Bons textos não envelhecem

Soneto de Rogaciano Leite

SE VOLTARES

Como o sândalo humilde
Que perfuma o machado que lhe corta,
Hei de ter a minh’alma sempre morta
Mas não me vingarei de coisa alguma.

Se algum dia, perdida pela bruma,
Resolveres bater à minha porta,
Em vez da humilhação que desconforta,
Terás um leito sobre um chão plumas.

Em troca dos desgostos que me deste
Mais carinho terás do que tivestes
E meus beijos serão multiplicados

Pois para os que voltam pelo amor vencidos

A vingança maior dos ofendidos
É saber abraçar os humilhados.

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