SOU CONTRA A CPMF
Este Blog apóia o movimento SOU CONTRA A CPMF – www.contraacpmf.com.br
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Por Dora Kramer, no jornal O Estado de São Paulo de ontem:
Ordem é ordem
“Daqui a alguns dias vou encontrar meu amigo Bush e vou dizer a ele: Bush, resolve o problema porque não vou deixar a crise atravessar o Atlântico e chegar ao Brasil”, avisou o presidente Luiz Inácio da Silva na Espanha, durante encontro com investidores e o primeiro-ministro José Luiz Zapatero, que devem ter ficado assaz impressionados.
Bush, então, já deve estar tomando uma série de providências. Principalmente se for mais obediente que os “gestores” da crise aérea, a quem Lula pediu inúmeras vezes, sem sucesso, para resolverem o “problema”.
“O PSDB representa o neoliberalismo, que é uma face cruel do capitalismo; e o PSB é um partido socialista. Portanto, pensamentos divergentes. A gente não pode avaliar um processo eleitoral de forma absolutamente pragmática, priorizando o ponto de vista numérico, sem considerar qualquer viés ideológico”. – Rogério Pinheiro, presidente municipal do PSB, no jornal O Povo.
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O socialista fala da provável saída de Patrícia Saboya dos quadros do PSB (ver post abaixo), e reproduz uma das distorções políticas mais populares no Brasil: a idéia de que o bem e a virtude são exclusividade da esquerda – apesar de tantos escândalos e de tantas mortes na História.
Para começo de conversa, o neoliberalismo brasileiro é de meia-tigela. Só funciona pela metade, para controlar a inflação, mas, no fundo, amplia gastos públicos. Ao invés de liberar as forças produtivas do mercado, ele as aprisiona com impostos e burocracia. Depois, é importante lembrar, o senhor Pinheiro apóia um governo que corta investimentos para fazer superávit fiscal e populismo assistencialista. Por último, esse nobre e puro socialista que condena as práticas do pragmatismo eleitoral em prejuízo da fidelidade ideológica, sendo aliado de Lula e do PT, é também aliado objetivo de Paulo Maluf, Renan Calheiros, Valdemar Cosa Neto e tantos outros gigantes morais.
Contradição? Não. Esperteza, papo furado, conversa mole. Quando um esquerdista de menor patente se vê acuado pelos fatos, sua reação automática é recorrer aos chavões que aprendeu no processo de condicionamento a que foi submetido para a atividade política. Trata-se de uma espécie de autopreservação mental que o isola de qualquer coisa que possa ameaçar suas convicções e sua posição no grupo de iguais. O problema é quando outros, com mais recursos retóricos e com a mesma capacidade de distorcer fatos, passam a formar outras pessoas nas escolas, nas universidades e na mídia. Aí o resultado pode ser catastrófico, com uma geração de pessoas incapazes de perceber que certas contradições expresam, na verdade, valores deturpados e amorais.
A senadora Patrícia Saboya anunciou que poderá deixar o Partido Socialista Brasileiro (PSB), que é aliado da prefeita Luizianne Lins (PT), para viabilizar sua candidatura à Prefeitura de Fortaleza por outra sigla.
A notícia da possível candidatura da senadora é um golpe nas pretensões de Luizianne e do PT, por três motivos:
1) A idéia da prefeita e aliados era a de polarizar ideologicamente a disputa entre os “direitistas” malvados e os “esquerdistas” bonzinhos e, no máximo (para explicar escândalos), ingênuos. Moroni e PSDB contra os “progressistas” reunidos pelo PT, PCdoB, PSB e PDT;
2) Com a base de apoio a Lula dividida em Fortaleza, Luizianne terá de disputar votos em seu próprio quadrante ideológico. Sem contar o PSOL de João Alfredo, que deve ter candidatura própria. A presença de pelo menos três candidatos fortes (Patrícia, Moroni e Luizianne), garante um segundo turno;
3) Não por acaso, a popularidade da prefeita não vai bem. Segundo pesquisa realizada pelo instituto GPP, na semana passada, 67,3% dos entrevistados disseram que a prefeita Luizianne Lins já teve sua chance e deve dar lugar a outro como prefeito de Fortaleza – enquanto que para 28,8%, ela merece ser reeleita.
Embora a senadora Patrícia possua ligações com a cúpula tucana, uma suposta filiação ao antigo partido não deve acontecer, pois o seu grupo político trabalha com o objetivo de pavimentar a candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República.
Resumo
O jogo é o seguinte: Patrícia Saboya e os Gomes sabem que o PT possui projeto próprio, tendo-os apenas como aliados circunstanciais. Da mesma forma, o grupo cirista conta com a amizade do parceiro Tasso Jereissati, adversário na esfera nacional, mas aliado incondicional na esfera local. Nesse momento, o PSDB deve apoiar Moroni para ampliar as chances de segundo turno. Caso Patrícia consiga ir para o segundo turno, o tucanato cearense não lhe negará apoio. Na verdade, talvez esse seja o cenário dos sonhos para o PSDB, que afastaria a inimiga do Paço e voltaria a ocupar espaços na administração de Fortaleza.
Recebi por e-mail um texto postado no sábado, no blog do Reinaldo Azevedo. Vale a reprodução que segue em azul:
O juiz da tropa de choque e da tropa do cheque
Mas de Renan? Ah, não!
Lula consegue ser até juiz da economia americana, como vimos há dias: “Eles criaram a crise”. Mas, sabem como é, quando se trata de Renan Calheiros, ele se lembra de ser criterioso.
O homem consegue ser juiz até de facínoras, bandidos que, segundo ele, não tiveram a infância protegida pelos governos que o antecederam. Mas não lhe peçam para opinar sobre Renan. Afinal, Lula não é juiz.
Se Lula fosse juiz, saberia distinguir uma nota quente de uma nota fria. Como Lula não é juiz, então ele mobiliza a tropa de choque do Planalto para salvar Renan.
Mais do que isso: o Planalto mobilizou até o milionário Gilberto Miranda. Foi o casamento da tropa de choque com a tropa do cheque.
Lula, na verdade, é o pior de todos os juízes. A venda que tem no rosto lhe tapa apenas um dos olhos. Com o outro, ele protege os amigos.
Nota do jornalista Erick Guimarães, na coluna Política do O Povo.
“O MENSALÃO MINEIRO – O site Consultor Jurídico disponibilizou a íntegra do relatório da Polícia Federal sobre o caixa dois dos tucanos mineiros no endereço http://conjur.estadao.com.br/pdf/relatorio.pdf. É longo, mas instrututivo. Mostra como, sob as bênçãos do tucanato de Minas, o publicitário Marcos Valério serviu de engrenagem num esquema que arrecadou R$ 100 milhões em uma campanha que, formalmente, só custou R$ 8 milhões.”
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Existe nesse caso uma confusão que, por igualar crimes diferentes, beneficia os autores do crime maior. O que aconteceu em Minas Gerais foi caixa dois de campanha, ou seja, recursos não declarados destinados a candidatos. O repasse era feito por Marcos Valério. Mensalão é outra coisa. O caso envolvendo os 40 denunciados pelo STF é compra de votos no atacado. O governo, através de emissários, pagaria a líderes partidários, que depois redistribuíam o dinheiro entre os correligionários, para votar em bloco.
Não foi por acaso que a defesa dos mensaleiros alegou que tudo era “apenas” caixa dois, coisa banalizada no Brasil, comum a todos etc. É a opção de confessar o crime menor para poder negar o maior.
A única coisa em comum nos dois epsódios é a participação do mesmo intermediário. De resto, o esquema em Minas envolve políticos de vários partidos, mas o PSDB, principal partido da oposição, errou ao não expulsar os envolvidos. Conferiu verossimilhança ao discurso que busca igualar os crimes distintos. O resultado foi a reeleição de Lula. Agora, o mesmo STF que acusou os mensaleiros vai apreciar o caso. Talvez aí as coisas sejam postas em seus devidos lugares.
“Eu não acho que haja impunidade” – Presidente Lula sobre o caso Renan Calheiros, acrescentando que “Deus queira que o Brasil continue sendo um país com regras que dêem direito às pessoas de se defender” – (Site do jornalista Cláudio Humberto).
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Além de Renan Calheiros, Oswaldo Bargas, Valdebran Padilha, Hamilton Lacerda e Expedito Veloso certamente concordam com o presidente. Quem são eles? São os petistas que forjaram um dossiê contra tucanos nas eleições passadas. Lula os chamou de aloprados e disse, como sempre, que nada sabia. Dia 15 deste mês o caso completou um ano. Ninguém foi punido. Nem mesmo a origem do dinheiro foi descoberta. Os envolvidos continuam muito bem, obrigado.
Sobre impunidade, Luizianne Lins inovou. Disse que o julgamento de Renan Calheiros prova que não existe impunidade, pois até o presidente do senado deve explicações. Aliado pego no flagrante e escapando ileso é prova do fim da impunidade. Então, tá.
Manchete do jornal argentino La Nación:
Indignación por la absolución de un aliado de Lula
Después de meses de denuncias de corrupción y una novela que incluía lobbistas, amantes, testaferros y ganado sobrefacturado, el presidente del Senado de Brasil y protagonista de la historia, Renán Calheiros, fue absuelto ayer en una sesión histórica del Congreso.
El presidente Luiz Inacio Lula da Silva, que tiene a Calheiros (del PMBD) como aliado, no respiró aliviado. Llamó desde Dinamarca, donde está de gira, para saber el resultado de la votación.
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Foi a chamada que melhor sintetizou o que aconteceu no Senado. O título resume magistralmente, como se desenrolaram os fatos. Destacar que Renan é um aliado do governo é a chave para a compreensão da não cassação.
Dicionário Houaiss
Verbete: Decoro
Substantivo masculino
1 recato no comportamento; decência
2 acatamento das normas morais; dignidade, honradez, pundonor
3 seriedade nas maneiras; compostura
4 postura requerida para exercer qualquer cargo ou função, pública ou não
Qualquer contradição entre a decisão do Senado e o exposto no dicionário, não é mera coincidência!
É isso amigos. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi absolvido, apesar de o Brasil inteiro saber que ele não é um exemplo de decoro, se é que vocês me entendem. Eram 81 senadores em votação secreta, e o resultado foi 40 a 35 a favor de Renan. Seis senadores se abstiveram. Faltaram seis votos para cassá-lo. Calheiros soube operar e pressionar nos bastidores. Certos políticos são bons na arte de escapar.
Dois partidos lideraram o movimento de salvação do presidente do Senado. O PMDB, que é a sigla do acusado, e o PT, líder da coalização governista. Logicamente, o resultado, por motivo desconhecido, é de interesse do governo, caso contrário, não seria necessário mobilizar líderes na defesa de Renan. Mesmo porque o Planalto poderia fazer o seu sucessor sem problemas. No entanto, algo o impeliu…
O heróis da impunidade
Senadores que se destacaram na defesa de Renan Calheiros:
Ideli Salvatti (PT-SC)
Aloizio Mercadante (PT-SP)
José Sarney (PMDB-MA)
Almeida Lima (PMDB-SE)
Francisco Dornelles (PP-RJ)
Tião Viana (PT-AC)
Wellington Salgado (PMDB-MG)
Inácio Arruda (PCdoB-CE)
Jornal Estado de São Paulo:
Lula é 10º em avaliação de presidentes do continente
O governo do presidente Lula ficou em 10º lugar, com 48% de aprovação, numa pesquisa sobre a popularidade de 20 dirigentes do continente americano realizada pelo instituto mexicano Consulta Mitofsky. Nestor Kirchner, com 71% de aprovação, e as dos chefes de Estado da Colômbia, Álvaro Uribe, e do México, Felipe Calderón, empatadas com 66%, são as mais bem qualificadas. No 3º lugar da lista aparece o panamenho Martín Torrijos, com 60% de aprovação, seguido pelos governantes de El Salvador, Antonio Saca; de Honduras, Manuel Zelaya, e da Bolívia, Evo Morales, todos com 57% de aceitação. O presidente do Equador, Rafael Correa, ocupa o 6º lugar, com 56% de aprovação. Abaixo, estão Óscar Arias, da Costa Rica, com 55%; Tabaré Vázquez, do Uruguai, com 51%, e o venezuelano Hugo Chávez, com 50%.
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De todos os presidentes mencionados na pesquisa, nenhum tem mais escândalos em seu governo do que o brasileiro. Dessa forma, uma avaliação beirando os 50% logo após o episódio do processo dos mensaleiros no STF, é uma capital político e tanto. De qualquer forma, podemos entender o medo do Planalto com a possibilidade de generalização da vaias. O espaço para a disseminação de insatisfações é grande.
“A OAB-CE encaminhou à prefeita Luizianne Lins (PT), através de sua Comissão de Meio Ambiente, anteprojeto de lei visando à disciplinar a ordenação dos elementos que compõem a paisagem urbana de nossa Capital.” A informação está na página eletrônica da própria Ordem dos Advogados – clique aqui para ler texto completo. O fato repercutiu no jornal Bom Dia Ceará, da TV Verdes Mares (retransmissora Globo no Ceará).
O objetivo, segundo a OAB, é “o bem-estar estético, cultural e ambiental da população; a segurança das edificações e da população; a valorização do ambiente natural e construído; a preservação da memória cultural; a preservação e a visualização das características peculiares dos logradouros e das fachadas; e o equilíbrio de interesses dos diversos agentes atuantes na cidade para a promoção da melhoria da paisagem do Município“.
Nada contra à iniciativa. O ponto mais polêmico é o da regularização dos outdoors na cidade. Ok. Acontece que hoje o país acompanha um dos eventos mais importantes da história, ponto central de uma novela que se arrasta há meses: o julgamento para decidir a cassação do senador Renan Calheiros, por quebra de decoro.
Alguns podem se perguntar: “Ora, e o que tem a ver uma coisa com a outra?” Resposta: nada. Absolutamente nada. E esse é o problema. O Brasil vive uma crise ética que envolve todos os poderes do Estado e uma instituição com a importância da OAB quer debater a “a preservação e a visualização das características peculiares dos logradouros e das fachadas“? Não seria melhor a entidade provocar um debate para saber como votarão os nossos senadores, tudo em nome da transparência e da ética? O Jornal do Meio Dia de ontem, da mesma Verdes Mares, fez isso. Patrícia Sabóia e Tasso Jereissati adiantaram que votam pela cassação. Inácio Arruda desconversou dizendo que o voto é secreto, como se o assunto não fosse de interesse público.
Não quero dizer que a questão da paisagem urbana não seja relevante. É sim. Mas é que a ocasião enseja outras providências mais urgentes. Deixar de lado assuntos como a cassação de Renan é tergiversar. Os corruptos e os apologistas do voto secreto no Senado agradecem.
Site do jornalista Cláudio Humberto:
O duplex de Lula no Guarujá – Tem 350 metros quadrados a cobertura duplex à beira-mar que Lula comprou no Guarujá (SP) através da Bancoop, cooperativa habitacional do sindicato dos bancários investigada por fraude, improbidade e formação de quadrilha. Os andaimes impedem a visão do belo apê, que está em final de construção (foto). A cobertura duplex foi quitada e o compromisso de compra e venda está devidamente registrado no 1º Cartório de Imóveis do Guarujá.
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Um simples operário, sindicalista, humilde trabalhador, não pode comprar uma cobertura duplex de R$ 400 mil? Claro que sim, companheiros! Empreendedorismo é isso. Lula é um verdadeiro “self-made man“, ou o “homem que se faz”, ideal burguês proposto pelo liberalismo, segundo o qual talento e disposição podem superar as barreiras sociais. Naturalmente, os exemplos clássicos mostram pessoas nascem pobres, trabalham, poupam e depois arriscam capital próprio ou de empréstimos, para construir carreiras de sucesso. O caso de Lula difere desse modelo em vários pontos, a começar pelo capital próprio.
Bom, se a cooperativa tem lá seus problemas, que se investigue. Quero ressaltar outro aspecto do negócio. O imóvel é coisa para ricos, para a elite, para quem pode, para empresários e executivos. E o presidente? Lula é um dos homens mais poderosos do Brasil há pelo menos 15 anos. Lula é representante da elite sindical brasileira, que controla fundos de pensão, arrecada impostos compulsórios e que tem um partido político riquíssimo: o PT. Se tudo está registrado na Receita Federal, não sei. Mas convenhamos: Lula trabalhava aonde, quando não estava disputando eleições?
O negócio é o seguinte: Não existe o presidente que é homem do povo, que sabe o que é passar necessidade. Outros presidentes também foram pobres na infância. A rigor, a condição social não confere qualidade moral a ninguém. Isso é uma mitificação típica dos messianismos populistas, que o próprio presidente gosta de cultivar para manter o apelo eleitoral. O sujeito veste ternos Armani, gravatas Hermenegildo Zenga, tem um Airbus luxuosíssimo, gosta de uísque 15 anos, charutos cubanos e de vinhos refinados. Posso culpá-lo por gostar disso? Não. Mas também não caio no conto do operário.
Lembram do “salto de desenvolvimento” prometido na campanha de 2006? Pois é. Segundo o IBGE, era vidro e se quebrou.