Opinião de um convidado
Sobre a aquisição de carros blindados pela Prefeitura de Fortaleza para o transporte de autoridades no Ceará, o Blog do Wanfil conversou com o coronel Joel Costa Brasil, secretário-executivo da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
Wanfil - É comum governos utilizarem carros blindados para o transporte de autoridades?
Coronel Brasil - Sim. É uma medida de precaução que visa reforçar a segurança. Mas isso é mais comum em lugares sujeitos a ações de terrorismo, onde é certo que atos violentos contra autoridades venham a acontecer. É o caso de Israel, por exemplo.
Wanfil - Em Fortaleza, a medida, do ponto de vista técnico, é adequada?
CB - Há uma série de fatores. A sensação de insegurança que existe em todo o país é uma delas. É necessário estudar os índices e pesar a relação custo-benefício de qualquer ação preventiva. Acredito que a Prefeitura de Fortaleza tenha avaliado a questão com profissionais da área e chegado para concluir que veículos blindados são uma boa opção de segurança.
Wanfil - A compra de carros blindados não reforça essa sensação de insegurança? Isso pode constranger os responsáveis pela segurança pública no Ceará?
CB - De forma alguma. A segurança pública não é onipresente e os riscos existem em qualquer lugar do mundo. Defender o poder constituído é uma obrigação do governos.
Wanfil - O Governo do Estado possui carros blindados para o transporte de autoridades?
CB - Essa é uma informação que evitamos divulgar, como medida de segurança.
Blog do Wanfil
Vocês viram. A compra de carros de luxo blindados por um ente governamental é justificável dependendo do caso. Fortaleza tem problemas como a falta de leitos de UTI e escolas funcionando em prédios precários, sem falar nas greves do funcionalismo. Será que esses carros são uma prioridade? A Prefeitura tem informações que justifiquem isso? Quantas autoridades foram vítimas de alguma violência na capital cearense? Por quê carros tão caros e equipados?
Inversão de papéis
Imaginem se isso acontece no governo Juraci (que foi criticado por comprar um carro de luxo sem blindagem) e se Luizianne ainda fosse oposicionista. A situação era outra. Muito provavelmente ela faria protestos junto aos professores, comparando os custos de manutenção de uma biblioteca com os dos referidos carros e chamaria a imprensa que ela agora ataca para registrar a sua “atuação” vigilante. Mostraria os problemas do transporte público e confrontaria com os detalhes luxuosos dos automóveis das autoridades. Diria algo como: “Enquanto os trabalhadores sofrem em ônibus lotados, eles se deliciam no conforto pago por nós”. Claro que nada disso seria por convicção, mas por conveniência. Daí a incorência entre o discurso e a ação. Pensando bem, a sorte dela é que não existe oposição em Fortaleza.

Pior ainda foi a penca de governadores que acompanharam Lula - inclusive José Serra e Aécio Neves, do PSDB. Não tinham os nobres oposicionistas nada mais importante para tratar em seus Estados? Preferiram contribuir com o fortalecimento do presidente “que é gente do povo”. Deus! Precisamos de oposição urgente!




