O homem por trás do mito

Che Guevara é tido por muitos como um defensor da vida e da igualdade. Algumas passagens servem para demonstrar quem era e como agia esse herói do humanismo de pé quebrado da esquerda. Leiam e depois vejam o post abaixo.

“Acabei com o problema dando-lhe um tiro com uma pistola calibre 32, no lado direito do crânio, com o orifício de saída no lobo temporal direito. Ele arquejou um pouco e estava morto. Seus bens agora me pertenciam.” – Relato registrado no diário de Che. Ele descreve como executou Eutímio Guerra, um rebelde acusado de colaborar com os soldados do governo derrubado pela revolução.

“Fuzilamos e seguiremos fuzilando enquanto for necessário. Nossa luta é uma luta até a morte.” – Discurso proferido na ONU, em 1964.

O culto a Guevara não é questão de opinião – Ou é opção ideológica, ou é falta de análise histórica!

O jornalista Paulo Verlaine assina uma matéria sobre Che Guevara no jornal O Povo deste domingo. Pelo que se lê, fica claro que a idéia é fazer um levantamento “objetivo”, assinalando que essa figura histórica provoca discussões e análises variadas. Não conheço Verlaine, nem tenho a intenção de julgar suas intenções. No entanto, é preciso destacar que o texto, não obstante as questões técnicas do jornalismo, evidencia que o mito de Che se ergue sobre a análise fria de fatos históricos. Ou seja, a opinião se coloca no texto de forma sutil, mas torna-se evidente para olhos treinados para as artimanhas da sedução ideológica. Repito, não o julgo. Apenas constato que certas passagens buscam fortalecer uma áurea de heroísmo, deixndo de lado aspectos mais detestáveis do guerrilheiro.

No texto Revista questiona mito do guerrilheiro romântico, que versa sobre matéria publicada na Veja da semana passada, o jornalista afirma categoricamente que o semanário é “uma espécie de porta-voz do pensamento ultra-direitista”. Naturalmente, jornalistas que não acreditam que o mito de Che é uma farsa, que evitam confrontar essa “certeza”, ou mesmo que celebram a vida dele, são “isentos”, e não “ultra-esquerdistas”. A palavra ultra, no caso em questão, deseja conferir à reportagem de Veja um teor fundamentalista, portanto, tendencioso, irreal e reacionário. São detalhes que demonstram uma disposição ideológica bem definida. Aliás, o termo reacionário foi utilizado pelos comunistas nos versos da “Internacional” e pelos nazistas na “Canção de Horst Wessel” (hino das SA) para qualificar seus inimigos. A crença subentendida é que quem é contra eles é contra o progresso. O resultado desse “progressso” foi o maior morticínio da história da humanidade. Como diz o filósofo Olavo de Carvalho: “Prefiro viver no passado a submeter-me a um futuro moldado por Hitler, Stalins, Castros e tutti quanti. Antes um passado vivo que um futuro morto”.

O texto prossegue: Veja esquece que o fascínio exercido por Che se deve ao fato de pessoas ainda indagarem: o que leva um homem a abandonar uma cômoda vida em Cuba para se atirar numa aventura nas selvas bolivianas? Se tivesse permanecido hoje em Cuba, Che Guevara seria um ícone vivo da Revolução Cubana e estaria prestes a completar 80 anos.

Em história não existe o “se” ou o “talvez”. Podemos dizer que SE tivesse ficado em Cuba, Guevara não sobreviveria a Fidel, uma vez que a ditadura não comportaria dois líderes. Relatos de companheiros do próprio Che como Camilo Cienfuego e Régis Debray, ou de biógrafos como Jorge Castañeda e Jon Lee Anderson, demonstram que as divergências e os egos de Fidel e Guevara não cabiam na mesma ilha. Na França revolucionária, Robespierre não pensou duas vezes antes de decapitar seus companheiros, e na URSS, Stálin mandou fuzilá-los traquilamente.

E o texto termina assim, em tom emocionado e fatalista: Che acreditava na construção do “homem novo”, isto é, um ser humano diferente que abdicasse dos bens materiais em favor da coletividade. Estava sempre disposto a matar para atingir essa meta. Essa tentativa de engenharia social – de mudar a natureza humana a qualquer preço – já produziu carrascos e tiranos genocidas, como Pol Pot, do Camboja, entre outros. Mas também gera mártires como o até hoje polêmico argentino Ernesto Guevara. Seu julgamento definitivo vem sendo feito pela história.

Aqui temos dois problemas. Primeiro, conforme registrado em seu diário pessoal (ver post acima), Che não abdicava de tomar para si os bens materiais daqueles a quem ele mesmo executava. Segundo, gostaria muito de saber qual a diferença entre a visão de mundo do genocida Pol Pot (exterminou 20% da população do Camboja) e o “mártir” Che Guevara. Talvez o número de vítimas. A idéia de que Che matava por uma causa “superior” é justamente ums dos aspectos mais nefastos do mito guerilheiro. Não significa que o revolucionário esteja acima do bem e do mal, é muito pior. Significa que o MAL praticado por ele se transmuta automaticamente em BEM. E ai de quem discordar.

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