Veja os deputados cearenses que votaram pela CPMF

Folha Online: Saiba quem votou “sim” e quem votou “não” pela prorrogação da CPMF – O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, em segundo turno, o texto principal da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a DRU (Desvinculação das Receitas da União) até 2011. Confira a lista completa aqui.

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O único deputado do Ceará que não votou a favor da prorrogação da CPMF foi o Sr. Raimundo Gomes de Matos, do PSDB. O resto se alinhou com o Governo Federal, esse mesmo que trata o Ceará a pão e água. Vai ver é convicção… A matéria seguirá para o Senado. Veja a abaixo a lista dos representantes cearenses que votaram a favor do imposto:

Chico Lopes – PC do B

Aníbal Gomes – PMDB
Flávio Bezerra – PMDB
Eunício Oliveira – PMDB
Mauro Benevides – PMDB
Paulo Henrique Lustosa – PMDB
Zé Gerardo – PMDB

Eugênio Rabelo – PP
José Linhares – PP

Gorete Pereira – PR
Leo Alcântara – PR
Marcelo Teixeira – PR
Vicente Arruda – PR

Ariosto Holanda – PSB
Ciro Gomes – PSB

Manoel Salviano – PSDB

Eudes Xavier – PT
José Airton Cirilo – PT
José Guimarães – PT
José Pimentel – PT

Arnon Bezerra – PTB

Charge

Charge do Miguel, para o Jornal do Comércio (PE)

Inácio, agora só falta você

Por Christiane Samarco e Cida Fontes, no Estadão desta quarta:
“Após cinco meses de crise, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) viveu ontem um dia diferente. Continuou resistindo, dizendo que não deixa a presidência do Congresso, mas chegou ao fim do dia claramente mais isolado e sem poder contar com o apoio da bancada do PT. A senadora e líder dos petistas, Ideli Salvatti (SC), foi direto ao ponto: “Não adianta querer tapar o sol com a peneira: há um sentimento crescente de que o melhor é o afastamento.” Ideli deixou claro que não falava em nome da bancada, mas mostrou que não é voz isolada no PT.”

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O presidente do Senado, Renan Calheiros, abandonou o plenário na sessão de ontem. O clima lhe era francamente hostil, após as denúncias de Veja (sempre ela!) sobre uma suposta espionagem contra senadores da oposição feita a mando de Renan. Há tempos que a situação dele é insustentável, mas é forçoso reconhecer que o homem está disposto a lutar até o fim (da instituição, claro).

A imagem do Senado perante a população foi duramente atingida. E quem ganha com isso? É só fazer as contas. O petismo defende a extinção do sistema bicameral, onde o senado iguala os estados da federação – todos têm o mesmo peso: três senadores. Renan foi eleito e se sustentou até agora com o apoio do governo. Um parlamento enfraquecido sempre acalenta os sonhos de um Executivo autoritário. Mas ao que tudo indica, a missão de Renan terminou para o governo, o estrago foi feito, e agora é hora de pensar na aprovação CPMF. Ideli e Mercadante já abandonaram o barco. Agora falta o senador cearense Inácio Arruda (PC do B) pular fora. Até pouco tempo, ele afirmava que as acusações contra Calheiros eram ações políticas contra o governo, e que no Senado ninguém tinha moral para julgar o presidente da Casa. Pois é. Vamos ver o que ele diz agora.

A união do oportunismo com a teoria política

Pode alguém ser contra e a favor das privatizações ao mesmo tempo? Isso não seria contradição ou falta de ética? Depende. Para o autor dos Cadernos do Cárcere (foto), Antonio Gramsci, qualquer posição pode variar segundo as circunstâncias definidas pelo “Partido Príncipe”. Confiram.

“Ocorreu ontem o leilão de trechos de rodovias promovido pelo Governo. O filé do sistema rodoviário brasileiro, que agora está sob o controle da iniciativa privada. (…) Um breve comentário: ocorreu o que nos acostumamos a chamar de privatização. Confesso que esperava protestos por mais essa inciativa-de-vender-o-país-a preço-de-banana. Não houve nenhum pio. No passado, eles explodiam. Era bravata. Era a disputa política. O oportunismo é tão grande que os brados contra a privatização foram convenientemente levantados na última campanha presidencial. Os leitores sabem por quem.” – A avaliação é do jornalista Fábio Campos, na coluna Política do O Povo desta quarta-feira.

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Campos é um dos poucos analistas locais que não tem medo de patrulhamento e que por isso chama as coisas pelo nome. No entanto, não podemos cair na conversa de que tudo é mera questão de oportunismo, ou que isso se trata de um desvio pontual que apenas mancha um passado de sonhos. Isso somente iguala os novos donos do poder aos antigos.

A questão central é diferenciar o que é oportunismo do que é método político. Acusar o núcleo central do comando petista de falta de ética não o constrange pelo fato de que para esse pessoal, ética tem outro significado: é o conjunto de ações que visam, exclusivamente, beneficiar o partido a que pertencem. Dessa forma, as coisas são boas ou más dependendo das circunstâncias. Isso é embasado teoricamente por Antonio Gramsci, que a partir das leituras que fez de Maquiavel, seu conterrâneo italiano, elegeu “O Partido” como o “moderno príncipe”.

Partido Príncipe
Voltando ao texto de Campos, outro ponto merece reflexão. Onde estão os protestos e as passeatas? Cadê a CUT, o MST, a UNE e os sindicatos? A resposta pode esclarecer como funciona, na prática, essa teoria política. Gramsci dizia que a conquista do poder passa antes pela conquista da sociedade civil organizada (expressão por ele criada). “O Partido” anteceder a busca do poder político institucional pelo controle das entidades de representação de classe e das associações populares. Pronto. Quando a agenda é de interesse do “Partido Príncipe”, esses grupos são acionados, com logística garantida por meio de recursos públicos e impostos sindicais, e as “manifestações” acontecem. Isso mesmo. Não existe isso de todo mundo sair de casa ao mesmo tempo e casualmente se reunir num protesto. Tudo é planejado. Ocorre agora que os líderes desses grupos estão no governo. A esperança de que uma reação aos escândalos venha a ocorrer fica por conta da utilização de espaços que ainda não foram controlados pela esquerda, como a Internet.

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