Para entender o Brasil 2 – O mal está na raiz

Raízes do Brasil – Sérgio Buarque de Holanda (1936), é um dos marcos da sociologia e da literatura nacionais. Nelson Rodrigues dizia que subdesenvolvimento não se improvisa. É verdade, principalmente num país de dimensões continentais e repleto de riquezas naturais. Eis um livro que aponta como o próprio Brasil se sabota.

O post abaixo fala sobre alguns dos problemas crônicos que contribuem para o atraso brasileiro. Em 1936 Sérgio Buarque de Holanda (pai do Chico Buarque e de intelecto incomparavelmente mais robusto) publicou um pequeno ensaio intitulado Raízes do Brasil, onde demonstra a força e o papel do patrimonialismo e do clientelismo na política e nas relações sociais do país, bem como a dificuldade que temos em distinguir os domínio do público e do privado. Naturalmente, a solução para esses problemas está na substituição de relações patriarcais, fruto da velha ordem latifundiária e escravocrata, por relações capitalistas de produção, em que as normas e os contratos garantam a livre concorrência.

Bom, não faltam resumos do livro na internet, mas nada substitui a leitura do original. Quero apenas reforçar o argumento do post anterior, que vislumbra a revitalização do patrimonialismo e de outros vícios nos governos FHC e, principalmente Lula, com algumas modificações impostas pela globalização. Há tempos que eu digo que esses males são como os vírus que resistem aos antibióticos. Em alguns momentos eles recuam, ficam latentes esperando a oportunidade de reaparecerem com uma nova configuração, mas sempre destritivos. O antigo patrimonialismo do Império se transformou na “defesa das riquezas nacionais”, simbolizadas pelas estatais que funcionam como cabides de emprego e moeda de troca nas relações de poder. Os antigos favores do clientelismo perderam seu traço de parentesco e avançaram sobre o terreno do companheirismo ideológico. Assim, somente quem é do partido consegue ocupar os espaços da administração.

Quem quiser entender um pouco mais sobre Brasil, precisa ler Raízes!

Para entender o Brasil 1 – Análise política não é palpite

O cientista político gaúcho Paulo Moura assina um artigo primoroso no site do jornalista Diego Casagrande. O texto analisa o papel do senador José Sarney (PMDB-MA), que figura como uim dos possíveis substitutos de Renan Calheiros na presidência do Senado. Em vez dos habituais palpites da maioria dos articulistas, temos especulação teórica bem fundamentada. Em certos momentos, alguns conceitos utilizados podem escapar do leitor leigo em sociologia, mas no geral, a mensgem é clara. Paulo Moura prevê o futuro? Claro que não. Ele apenas observa as circunstâncias do cenário político – circunstâncias que sempre podem mudar. Por isso o artigo é importante, pela análise conjuntural. Segue abaixo, em itálico, a colagem de alguns trechos. Quem desejar ler a íntegra, clique aqui.

José Sarney é o último dos grandes oligarcas nordestinos merecedores desse “título nobiliárquico”. José Sarney é, também, a encarnação viva da versão arcaica do patrimonialismo na política brasileira. Político centrista por excelência, Sarney possui a viscosidade típica do fisiologismo caracterísitco da maioria dos políticos brasileiros, razão pela qual acomodou-se tão confortavelmente no PMDB. Ocupando ou não posto formalmente relevante no parlamento, Sarney detém poder político de fato. Sua arma é o veto; seu estilo é a ação discreta como operador de bastidor que usa prepostos para as ações de vitrine.

José Sarney, no entanto, é um oligarca em decadência e vive as circustâncias da modernização da política brasileira, que acompanha a modernização de uma nação que se urbaniza aceleradamente desde 1930, e hoje se integra de forma singular ao processo de globalização. Sob o governo de Lula, o Brasil tenta a revitalização do patrimonialismo, agora não mais sob comando de orligarquias rurais e empresariais arcaicas, mas, através de uma aliança da burocracia sindical com o capital finaceiro e setores empresariais, que patrocinam o esquema em troca de benesses. A base eleitoral de Lula é mesma das velhas oligarquias que manipulavam a ignorância popular e comprando a alma corrupta de um povo imaturo e ainda carente do paternalimo de tipo clientelista, consolidado na cultura política nacional como herança das oligarquias arcaicas que Sarney representa.

Lula, também nisso, imita FHC e dá continuidade ao extermínio político dos velhos oligarcas e seus clones, genticamente defeituosos. O tucano mor usou os velhos senhores feudais da política brasileira para eleger-se, governar e modernizar, em parte, a economia e o Estado brasileiros, e depois rifou gente como ACM, Jáder Barbalho e o próprio Sarney.Lula acaba de ceifar Renan Calheiros, mandando-o para o limbo do poder. O método está evidente aos olhos de quem quer ver. O petismo dá o cargo e a visibilidade e depois fabrica o escândalo fatal. O senador petista Tião Viana, novo senhor feudal do Acre, constrói a prancha com que o PT pretende jogar Sarney aos tubarões. E Lula avisa: “- A Presidência do Senado é do PMDB.” A cadeira de presidente do Senado, hoje, é um patíbulo sobre a qual repousa uma reluzente guilhotina. Senta Sarney!

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