Prevenir é melhor do que remediar
A Nova Classe, de Milovan Djilas. Esse livro ninguém lê na universidade, afinal, é a revelação factual de que os líderes revolucionários cheios de amor e solidariedade do comunismo querem mesmo é se dar bem. Um estudo sociológico feito por alguém que viveu dentro da cúpula socialista do leste europeu.
No post abaixo falei sobre a tentação autoritária que inspira o comportamento dos sócios do Poder Executivo em relação ao Judiciário, Legislativo e à imprensa. Alguns amigos me perguntam se isso não é um exagero, uma superestimação dos vícios comuns às repúblicas das bananas. O fato, lamentável, é que a situação da vitalidade democrática no Brasil requer atenção preventiva. O país hoje é governado por uma elite sindical arrivista, meio encantada com o universo dos vinhos caros e das roupas de grife proporcionados pela máquina pública – esse fenômeno já foi registrado pelo iugoslavo Milovan Djilas, dissidente soviético e desafeto de Stálin, que escreveu o livro Nova Classe. Os “burgueses” sem capital, ou do capital alheio, são dependentes das benesses propiciadas pelo Estado, gozam de luxo e riqueza sem precisar demonstrar eficiência administrativa, basta-lhes a fidelidade partidária. Essa nova classe é formada por uma legião que abriga desde sindicalistas semi-analfabetos até professores doutores de universidades públicas.
O exemplo Chavez
Nauralmente, a nova classe não pode esperar obter sucesso com fórmulas fracassadas. Por isso, quando falo em autoritarismo, não me refiro a uma reedição das revoluções socialistas do século 20. Os regimes totalitaristas modernos não falam mais em mudanças radicais, falam em adaptações orientadas; não pregam a morte do empresariado nem rompimentos com os EUA, prometem mais caridade para os pobres, enquanto sufocam a calsse média; não condenam a democracia burguesa, exigem reformas que possam, com o tempo, garantir poderes incontestáveis ao governo, mantendo um simulacro de democracia. E o melhor caminho para isso é a desmoralização dos demais poderes constitucionais e da liberdade de imprensa. O mensalão tem esse sentido político. Na América Latina, o melhor exemplo desse modelo é o do venezuelano Hugo Chavez, que soma populismo, capitalismo dirigido e ditadura, disfarçados de democracia.
Sempre alerta
Por último vejam o que saiu na coluna do jornalista Egídio Serpa, no último dia 12 de outubro (Diário do Nordeste):
“Para o advogado cearense Hugo de Brito Machado (…) ´o Brasil está marchando, a passos largos, para uma ditadura populista´. (…) Na recente decisão do presidente Lula de criar por decreto um Ministério Extraordinário para abrigar o professor Mangabeira Unger, Hugo de Brito Machado enxergou uma pedra ditatorial no meio do caminho da democracia. Ele explica: ´Leiam o artigo 48, inciso XI, e o art. 84, inciso VI, da Constituição. No primeiro está dito que cabe ao Congresso Nacional a criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública. E o segundo diz que o Presidente da República pode dispor, mediante decreto, sobre organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos. Mais claro é impossível.´ O respeitado advogado conclui: ´Se o Supremo Tribunal Federal vier a declarar a inconstitucionalidade da criação desse Ministério por decreto, o Presidente Lula poderá dizer que a Corte Maior não lhe permite governar. Como a maioria do povo não entende dessas coisas, poderá até dar-lhe razão, e será fácil prever o que virá depois: a Constituinte exclusiva, o plebiscito e a reeleição sem limites do Presidente da República.´ Seria uma venezualização?”
1 Comentário
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By Anonymous, 22/10/2007 @ 17:48
“O fato, lamentável, é que a situação da vitalidade democrática no Brasil requer atenção preventiva.” O que seria essa prevenção, democraticamente falando?