Resposta ao leitor
Comentário de um leitor Miguel Martins sobre o post anterior:
“Tudo bem que Bogotá foi por muito tempo conhecida como o Matadouro da América do Sul, mas se sabe, que desde 1995 Bogota vem fazendo um bom trabalho de reestruturação do lado social. Com a realização de campanhas pedagógicas e de desarmamento voluntário, investimentos na modernização e profissionalização da polícia e uma política de inclusão social, os níveis de violência foram reduzidos na capital colombiana. Muito ainda tem que ser feito, é claro, mas Bogotá não era pra ser o exemplo citado em seu Blog.”
Blog do Wanfil
Agradeço a atenção. E por isso faço algumas considerações. É verdade que a Colômbia diminuiu seus índices de violência. O programa Roda Vida, da Cultura, entrevistou no última segunda (dia 29) o sociólogo Hugo Acero, que foi coordenador de segurança e convivência de Bogotá e atualmente é consultor do programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Ele ajudou a reverter as estatísticas colombianas, com uma queda de 80% da criminalidade num período de 10 anos. Não só com políticas sociais, mas com uma dura repressão ao consumo de drogas também.
No entanto, por conta do tempo em que o terrorismo e o narcotráfico agiram com força total por lá, Bogotá foi estigmatizada, marcada pela sensação de medo. Não se trata de gafe Miguel, mas de subjetividade. A referência que fiz buscou estabelecer, digamos, uma correlação entre o drama que vivemos e o esse sentido simbólico da violência que, de fato, não possui confirmação nos números colombianos.
De qualquer forma, qualificá-la como modelo atual de insegurança é mesmo uma injustiça. Melhor talvez fosse falar em Bagdá, no Iraque. O pior é que, mesmo assim, isso também poderia ser empiricamente inadequado. Leiam trecho do artigo publicado nessa semana pelo articulista Diogo Mainardi, da Veja: “No ano passado, o Brasil teve 44 663 assassinatos. O dado acaba de ser publicado pelo governo federal. No mesmo período, de acordo com o site do Iraq Coalition Casualty Count, a guerra no Iraque produziu 18.655 mortes.” Na teoria, somos tão violentos quanto Bogotá e Bagdá; na prática, somos mais.
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