Caridade com dinheiro alheio não garante o paraíso

Pelo velho e bom Themístocles de Castro e Silva, no O Povo deste sábado:

Dinheiro só para os outros… - Em seu novo passeio, agora pela África, o presidente Lula da Silva tirou US$ 1 bilhão dos brasileiros para emprestar ao governo de Angola para construção de uma hidrelétrica e produção de biocombustíveis. Os jornais informam que ele mesmo anunciou o empréstimo, naturalmente acrescentando, mesmo em conversas reservadas, que, com ele na presidência, o Brasil está rico e pode emprestar dinheiro à vontade.

Enquanto isso, aqui no Brasil, particularmente no Nordeste, as populações não têm sequer água para beber. O Exército, porque o governo relaxou na remessa de recursos, viu-se obrigado a suspender a distribuição de água nos carros-pipa.

O grande Haroldo Lobo, campeão de vários carnavais, e autor de uma marchinha, na época censurada (1946), que consagra o refrão: “Que importa que a mula manque, eu quero é rosetar”. Ele tendo o AeroLula para voar e passear, o resto que se dane…
Para ler o atigo na íntegra, clique aqui.

Para entender o Brasil 2 – O mal está na raiz

Raízes do Brasil – Sérgio Buarque de Holanda (1936), é um dos marcos da sociologia e da literatura nacionais. Nelson Rodrigues dizia que subdesenvolvimento não se improvisa. É verdade, principalmente num país de dimensões continentais e repleto de riquezas naturais. Eis um livro que aponta como o próprio Brasil se sabota.

O post abaixo fala sobre alguns dos problemas crônicos que contribuem para o atraso brasileiro. Em 1936 Sérgio Buarque de Holanda (pai do Chico Buarque e de intelecto incomparavelmente mais robusto) publicou um pequeno ensaio intitulado Raízes do Brasil, onde demonstra a força e o papel do patrimonialismo e do clientelismo na política e nas relações sociais do país, bem como a dificuldade que temos em distinguir os domínio do público e do privado. Naturalmente, a solução para esses problemas está na substituição de relações patriarcais, fruto da velha ordem latifundiária e escravocrata, por relações capitalistas de produção, em que as normas e os contratos garantam a livre concorrência.

Bom, não faltam resumos do livro na internet, mas nada substitui a leitura do original. Quero apenas reforçar o argumento do post anterior, que vislumbra a revitalização do patrimonialismo e de outros vícios nos governos FHC e, principalmente Lula, com algumas modificações impostas pela globalização. Há tempos que eu digo que esses males são como os vírus que resistem aos antibióticos. Em alguns momentos eles recuam, ficam latentes esperando a oportunidade de reaparecerem com uma nova configuração, mas sempre destritivos. O antigo patrimonialismo do Império se transformou na “defesa das riquezas nacionais”, simbolizadas pelas estatais que funcionam como cabides de emprego e moeda de troca nas relações de poder. Os antigos favores do clientelismo perderam seu traço de parentesco e avançaram sobre o terreno do companheirismo ideológico. Assim, somente quem é do partido consegue ocupar os espaços da administração.

Quem quiser entender um pouco mais sobre Brasil, precisa ler Raízes!

Para entender o Brasil 1 – Análise política não é palpite

O cientista político gaúcho Paulo Moura assina um artigo primoroso no site do jornalista Diego Casagrande. O texto analisa o papel do senador José Sarney (PMDB-MA), que figura como uim dos possíveis substitutos de Renan Calheiros na presidência do Senado. Em vez dos habituais palpites da maioria dos articulistas, temos especulação teórica bem fundamentada. Em certos momentos, alguns conceitos utilizados podem escapar do leitor leigo em sociologia, mas no geral, a mensgem é clara. Paulo Moura prevê o futuro? Claro que não. Ele apenas observa as circunstâncias do cenário político – circunstâncias que sempre podem mudar. Por isso o artigo é importante, pela análise conjuntural. Segue abaixo, em itálico, a colagem de alguns trechos. Quem desejar ler a íntegra, clique aqui.

José Sarney é o último dos grandes oligarcas nordestinos merecedores desse “título nobiliárquico”. José Sarney é, também, a encarnação viva da versão arcaica do patrimonialismo na política brasileira. Político centrista por excelência, Sarney possui a viscosidade típica do fisiologismo caracterísitco da maioria dos políticos brasileiros, razão pela qual acomodou-se tão confortavelmente no PMDB. Ocupando ou não posto formalmente relevante no parlamento, Sarney detém poder político de fato. Sua arma é o veto; seu estilo é a ação discreta como operador de bastidor que usa prepostos para as ações de vitrine.

José Sarney, no entanto, é um oligarca em decadência e vive as circustâncias da modernização da política brasileira, que acompanha a modernização de uma nação que se urbaniza aceleradamente desde 1930, e hoje se integra de forma singular ao processo de globalização. Sob o governo de Lula, o Brasil tenta a revitalização do patrimonialismo, agora não mais sob comando de orligarquias rurais e empresariais arcaicas, mas, através de uma aliança da burocracia sindical com o capital finaceiro e setores empresariais, que patrocinam o esquema em troca de benesses. A base eleitoral de Lula é mesma das velhas oligarquias que manipulavam a ignorância popular e comprando a alma corrupta de um povo imaturo e ainda carente do paternalimo de tipo clientelista, consolidado na cultura política nacional como herança das oligarquias arcaicas que Sarney representa.

Lula, também nisso, imita FHC e dá continuidade ao extermínio político dos velhos oligarcas e seus clones, genticamente defeituosos. O tucano mor usou os velhos senhores feudais da política brasileira para eleger-se, governar e modernizar, em parte, a economia e o Estado brasileiros, e depois rifou gente como ACM, Jáder Barbalho e o próprio Sarney.Lula acaba de ceifar Renan Calheiros, mandando-o para o limbo do poder. O método está evidente aos olhos de quem quer ver. O petismo dá o cargo e a visibilidade e depois fabrica o escândalo fatal. O senador petista Tião Viana, novo senhor feudal do Acre, constrói a prancha com que o PT pretende jogar Sarney aos tubarões. E Lula avisa: “- A Presidência do Senado é do PMDB.” A cadeira de presidente do Senado, hoje, é um patíbulo sobre a qual repousa uma reluzente guilhotina. Senta Sarney!

CPMF é peça do jogo político

Notícia do Portal Invertia: Sem contar a CPMF, arrecadação cresceu R$ 25 bi em 2007 – A Receita Federal anunciou nesta quinta-feira que a arrecadação do governo federal cresceu 13,7% de janeiro a setembro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2006, atingindo R$ 429,967 bilhões. Se o governo não contasse com a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) em 2007, esta arrecadação ainda assim teria aumentado 6,6%, ou atingido R$ 403,314. Leia mais aqui.

Blog do Wanfil
Eis o ponto. Não há como deixar de reconhecer que a não prorrogação da CPMF compromete o planejamento orçamentário do Governo Federal. Mas não é o fim do mundo, como vimos na notícia acima. O problema é que a “contribuição” é um imposto a mais que pesa sobre uma carga elevadíssima. Dito de outra forma: A questão não é a arrecadação, mas o corte de gastos que o governo deve fazer, evitando desperdícios, racionalizando despesas, aprimorando a gestão e combatendo a corrupção. A CPMF é injusta na alíquota atual. Sendo assim, o mais mrazoável é que ela diminua de valor progressivamente. Ocorre que cortar gastos é uma obrigação de qualquer gestor que causa antipatia no eleitorado (e cobrar mais é fácil).


Por último, como agora sabemos, PSDB e PT são a favor do fim da CPMF, desde que no governo dos outros. Os governistas alegam que os petistas se posicionavam contra porque eram inexperientes, diferente de PSDB e DEM (antigo PFL), que já sabem como é governar. Conversa. Os petistas sabiam do que se tratava, mas queriam marcar pontos, e como em qualquer outra matéria, eram contra. Tratava-se de uma questão política. E todos diziam: Eis um partido de oposição!

A valer o argumento, da mesma forma os novos opositores não têm experiência na função. Por que haveriam eles de aprender na primeira? Se condecendemos com a imaturidade de um, não podemos criticá-la no outro. Na verdade, tentam impor o ônus da governabilidade aos tucanos, o que é falso. O governo que use sua maioria, com a qual salvou mensaleiros e sempre aprovou o que quis, para dizer a sociedade que assume a CPMF integralmente. Se perder, que corte despesas.

Lula na Playboy: Revelações de um pensador

Na última terça, dia 16, o presidente Lula, durante visita à República do Congo, foi indagado por jornalistas sobre as fotos de Mônica Veloso publicadas na revista Playboy. Mônica foi o pivô da crise que que levou Renan Calheiros (PMDB-AL) a pedir licença da presidência do Senado. Lula respondeu candidamente: “Não, não vi, desde que eu virei adulto, eu não vejo a Playboy“.

No entanto, o jornalista Cláudio Humberto publicou em seu site trechos de uma entrevista de Lula, já adulto, concedida para, adivinhem, a revista Playboy. Tudo bem, muitos políticos importantes foram entrevistados na Playboy, embora provavelmente somente Lula afirme não a ter lido. Mas o interessante mesmo é o conteúdo da conversa, naquele tom mais relaxado, e que revela, por assim dizer, a sofisticação do pensamento daquele que seria o futuro presidente do Brasil. Segue reprodução (os grifos são meus):

Lula ‘livre para amar’… a faunaLula disse na África que não vê Playboy. Lorota. Até foi entrevistado pela revista. Em julho de 1979, ele contou ao entrevistador Josué Machado como foi a sua iniciação sexual aos 16 anos: “(…) naquele tempo a sacanagem era muito maior do que hoje. Um moleque naquele tempo, com 10, 12 anos, já tinha experiência sexual com animais… A gente fazia muito mais sacanagem do que a molecada faz hoje. O mundo era mais livre…

Conta outraO presidente Lula disse que não vê a Playboy “desde que virei adulto”. Mais uma lorota: em seu tempo de adolescente a revista não existia.

Gosto pra tudoFrase de Lula a Playboy, em 1979: “Chegando em casa de ressaca, nada como um amorzinho com a mulher chorando, descabelada“.

Como é fácil ser politicamente correto

Um artigo no O Povo desta quarta me chamou a atenção. Assinado pela advogada do Cedeca-Ceará Nadja Bortolotti , o texto A CPMF e a educação busca evidenciar o contraste entre o debate acerca da prorrogação da CPMF e o descaso para com a manutenção da Desvinculação das Receitas da União – DRU. Não sei se do ponto de vista jurídico a comparação faz sentido, mas algumas passagens merecem um comentário por representarem automatismos que fazem a fama politicamente correta de uma pessoa, ainda que nada de novo seja proposto. É uma forma de marcar posição sem correr riscos. Vou transcrevê-las em vermelho, intercalando-as com comentários meus em azul.

A contribuição, que tributa as operações financeiras, retirando o lucro dos banqueiros, tem provocado acalorados debates…
Isso é conversa de esquerdista que deseja manter a mística de justiceiro social. Como se os banqueiros nem dormissem, tamanha a preocupação com impostos. Na prática, lucro nenhum é tributado, pois qualquer custo adicional é repassado aos consumidores através dos preços cobrados pelos serviços e produtos. Além do mais, nunca os bancos lucraram tanto como agora, quando a CPMF é mais cara. Fui ao site do Cedeca para ver como a entidade é financiada para ver se havia dinheiro de banqueiro por lá, mas curiosamente não encontrei nada sobre a questão.

Entretanto, uma outra prorrogação que está sendo votada concomitantemente não tem provocado, coincidência ou não, a mesma revolta dos setores altos e médios da nossa sociedade. Trata-se da prorrogação da Desvinculação das Receitas da União – DRU… Cálculos da ONG Ação Educativa estimam que nos últimos dez anos, a DRU impediu que cerca de R$ 37 bilhões de reais fossem aplicados em Educação no Brasil.
A mensagem é a seguinte: a classe média e a elite não se preocupam com a educação pública. Só querem saber de pagar menos impostos. Até concordo com essa parte. Mas e o que fazem a respeito os setores populares e as ONGs que se autodenominam representantes da sociedade civil organizada? Igualmente nada. Os primeiros votam no governo que as prorroga, e os segundo, no máximo, culpam parcelas dispersas da sociedade. Que tal cobrar o governo Lula? Que tal cobrar a base aliada? Não, isso não. Sabem como é, o governo é um grande parceiro de ONGs. Quando esses setores médios criticados ensaiaram protestar contra a corrupção e o mensalão foram taxados de golpistas.

Já em relação ao Governo Estadual, observamos uma clara prioridade no aumento de superátiv primário e pagamento dos juros e amortização da dívida, em detrimento do investimento em políticas públicas.
O que têm a ver CPMF, DRU, superávit primário e o governo estadual? Objetivamente, nada. A não ser que todos eles permitem aquele discurso fácil que condena os interesses econômicos, contrapondo-os aos interesses sociais. Como se políticas sociais não representassem custos. Assim é fácil ser bacana. Houve um tempo em que muitos acreditavam que os governos deveriam chutar o balde das contas, tascar um calote no mercado e patrocinar um mundo sem empresas, sustentado apenas na vontade política, na fraternidade entre miseráveis e na volta da agricultura de subsistência. Aliás, ainda existem alguns partidos nanicos que pensam mais ou menos assim. Acho que o pessoal do Cedeca tem se deixado influenciar demais pelo Psol.

Nossa! Orçamento municipal recorde coincide com eleições municipais!

Por Marcela Belchior, no jornal O Povo: Município prevê R$ 2,8 bi – Chegou ontem, no final do dia, à Câmara dos Vereadores, a mensagem com a proposta orçamentária para 2008 da Prefeitura Municipal de Fortaleza. O valor previsto, de R$ 2,8 bilhões, significa o nível mais alto de recursos da gestão Luizianne Lins (PT). Na perspectiva de um ano de disputa eleitoral, a administração assume o compromisso de bancar 21 projetos da gestão – através do Plano de Metas de Fortaleza (Plamefor 21). Leia mais.

Blog do Wanfil
Vejam que coincidência incrível. Justamente no ano eleitoral é que a Prefeitura de Fortaleza apresenta sua maior proposta orçamentária. Claro, isso não é novidade no Brasil, nem exclusividade da atual gestão, o que não significa dizer que seja, digamos, algo natural e aceitável. E qual a diferença entre os que fizeram isso antes e os que fazem agora? Simples. Quando eram os outros que assim agiam, era por falta de honestidade, por manipulação eleitoreira, por descaso e oportunismo. Mas agora é o PT. Certamente, nesse caso, a simultaneidade dos acontecimentos é obra do acaso, sem nenhum interesse escuso. É… Para o petismo, certas coisas, como a ética, são definidas não por princípios, mas pelas circunstâncias.

No domingo a prefeita Luizianne concedeu entrevista ao jornalista Arnaldo Santos, na FGF TV. Indagada sobre esse casamento de fome com vontade de comer, ela afirmou que a responsabilidade é da gestão passada, que teria deixado uma dívida enorme sanada somente agora, às vésperas das eleições. Por isso, segundo Luizianne, não deu para fazer mais. O curioso é que apesar de tanta dificuldade, de tamanha dureza, não faltaram recursos para festa de réveillon milionária, com direito à champanhe com logomarca estilizada, ou para custear viagens do vice-prefeito à Europa… Dá até pena.

Governo estadual apresenta orçamento para 2008 – Para garantir o futuro, vamos cobrar no presente

Diário do Nordeste: Orçamento do CE sobe 17,9% – Despesas totais do Estado na Lei Orçamentária serão de R$ 11,2 bilhões. Investimentos previstos somam R$ 5 biCom um incremento de 9,6% nas receitas tributárias e contando com mais recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujos repasses serão 18,3% maiores, o Governo do Estado anunciou ontem um orçamento, para 2008, 17,9% superior ao deste ano. As despesas totais da Lei Orçamentária Anual serão de R$ 11,2 bilhões. Leia mais.

Blog do Wanfil
Tenho por princípio não acreditar em orçamentos de governos. Qualquer um. Sabem como é, a decepção é inversamente proporcional à expectativa. Além do mais, esses orçamentos são apenas autorizativos, quer dizer, não possuem obrigatoriadade. Seria interessante se os jornais publicassem as propostas orçamentárias junto com a execução do ano vigente. Veríamos que acreditar nessas peças é um risco. Por exemplo: O governo Lula executou, até setembro, 2% dos investimentos previstos para o Ceará.

Também é comum que governos acuados por cobranças apresentem orçamentos demasiadamente otimistas. No papel, tudo é lindo, mas na hora de fazer valer aqueles números, as coisas mudam por motivos vários, como emergências, falta de planejamento, incompetência, burocracia etc. Se for bem feito e administrado com eficiência, tanto melhor, mas isso, infelizmente, é raro.

De qualquer forma, ler o orçamento pode ser útil para que possamos vislumbrar quais setores da administração têm prioridade para o governo, se existe um eixo sobre o qual as ações do setor público irão girar. Finalmente, podemos ter indícios de um rumo, de uma estratégia gerencial. Esse é o primeiro orçamento com a rubrica de Cid. Até agora, o governo trabalhou com o orçamento elaborado no último ano do governo Lúcio Alcântara. Cultura e turismo estão em alta. A escolha parece lógica, pois esses setores combinados possuem um grande potencial. Educação perdeu um pouco, e as secretarias de Segurança e das Cidades foram beneficiadas. A de Infra-Estrutura terá um incremento de 57%. Não aposto no fracasso, claro. Mas por precaução, é melhor aguardar o futuro cobrando no presente.

Vai esperando pelo PAC…
O orçamento estadual para 2008 conta com o aporte de recursos oriundo do PAC, o programa que, vez por outra, o presidente Lula lança para a mídia. Estamos no quinto ano do governo petista e o Ceará, como todos sabem, ficou a pão e água. Esperar pelos investimentos federais para a efetivação do orçamento é fazer castelos de areia – na primeira chuva se desmancha.

Polícia cearense: Não basta punir os maus profissionais. Também é preciso dar condições aos bons

Por Daniel Sampaio, no O Povo de hoje: Governador quer punir policiais com corte de saláriosO governador Cid Gomes quer cortar parte do salário de policiais envolvidos em erros durante operações. O dinheiro seria destinado à capacitação dos próprios policiais – Leia mais aqui.

Blog do Wanfil
Essa é uma proposta que o governador quer analisar, não é, pois, uma decisão definitiva. A idéia, provavelmente, é passar dois recados. O primeiro para sinalizar à sociedade que existem ações administrativas que visam corrigir distorções; o segundo para os próprios policiais, uma espécie de advertência.

Há uma crise no setor de segurança no Ceará. O episódio mais claro disso foi o roubo de armas ocorrido no depósito do próprio QG da Polícia Militar. A elucidação do crime deveria ser uma questão de honra para a corporação, mas até agora, ninguém foi preso. O secretário de Segurança não descartou a hipótese de sabotagem interna. Erros seguidos cometidos pela polícia, vitimando inocentes, também evidenciam um despreparo crônico.

Sem entrar no mérito jurídico da proposta, é importante lembrar que, independente das intenções do governo, é preciso que o Estado forneça condições de treinamento e trabalho adequado aos policiais. De outra forma, o poder público não terá autoridade para fazer cobranças e ameaças. Não condeno a vontade de Cid. Apenas advirto para o fato de que o controle dos maus policiais seja feito concomitantemente ao incentivo aos bons.

O MST e as escolinhas de doutrinação comunista no Ceará

Diário do Nordeste – Encontro reúne 250 sem-terrinha do Ceará - Cerca de 250 crianças, que vivem em diversos acampamentos e assentamentos no Estado do Ceará, participaram do VI Encontro Sem-Terrinha do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST-CE), que terminou neste sábado, no Complexo de Cidadania Dr. José Pontes Neto, no Dias Macedo. Com o tema “Como Fazer a Escola Transformando a História”, o encontro, que acontece anualmente na semana das crianças, fomenta um espaço de diversão e brincadeiras e também de discussão sobre a questão da reforma agrária. Leia mais.

Blog do Wanfil
Alguns amigos me perguntam afinal qual a relevância do MST, se não perco tempo em denasia com o grupo. Bom, a resposta é simples. Aparentemente a importância dele para o país é pouca, uma vez que a causa alegada para a sua existência – a luta por terras – não configura mais problema desde o governo FHC. Mas quando percebemos que o MST é um grupo político influente e endinheirado (recursos públicos, diga-se), empenhado em tomar pela força grandes parcelas do território e instalar nelas uma administração paralela que substitua órgãos do Estado, a coisa muda de figura.

A idéia de criar cursos superiores EXCLUSIVOS para os sem-terra, bancados por universidades federais, assim como as escolinhas dos acampamentos, possui um propósito estratégico. É um modo de renovar a liderança do movimento com pessoas devidamente educadas pelas doutrinas do ódio consagrado à propriedade privada, à democracia representativa e ao capitalismo liberal (representado pela defesa da livre iniciativa, da concorrência e da meritocracia). Isso porque hoje o MST é formado majoritariamente de agricultores pobres e desempregados urbanos que desejam ter a estabilidade vislumbrada na propriedade de um pedaço de terra, ou seja, não querem fazer revolução socialista coisa nenhuma, nem contestar o sistema burguês na sua essência – querem é usufruí-lo. Portanto, para o comando do MSt, é preciso “conscientizar” seus filiados.

Os projetos pedagógicos do movimento buscam mudar esse perfil “contaminado” pela superestrutura do ensino tradicional. Cedo ou tarde ele poderá contar com a atuação dos membros saídos desse sistema de renovação de militância. Atualmente, quanto mais terras o MST consegue, mais agressivo ele fica, mais invasões ele promove. Imaginem como ficarão amanhã.

As diferenças entre Jack Bauer e o Capitão Nascimento

Entre as críticas dirigidas ao filme Tropa de Elite, uma me parece intelectualmente injusta: a de apologista da tortura. Bem vistas as coisas, a trama é também uma denúncia da violência policial que viceja com mais desenvoltura especialmente em territórios sem lei. Além do mais, tal acusação, na maioria da vezes, busca desqualificar o filme com o intuito de invalidar seu argumento mais incômodo: o papel dos usuários de drogas na guerra do tráfico (ver post abaixo).

Nos Eua, os métodos violentos do personagem Jack Bauer – do seriado 24 Horas – despertam um debate semelhante. No entanto, se comparados com as brutalidades do Capitão Nascimento, sutis diferenças acabam por demonstrar realidades muito distantes. Bauer é um agente que combate o terrorismo, ou seja, bandidos fanáticos dispostos a matar o maior número possível de inocentes em nome de uma causa. Em situações de emergência e perigo iminente, o americano não hesita antes de torturar um suspeito de colaborar com algum possível atentado. Acontece que sempre essa é uma decisão pessoal do agente, que por sua vez, aceita as conseqüências e as punições advindas dela. Quando Bauer age fora da lei, sabe que viola protocolos eo que isso implica. O nosso Capitão Nascimento é diferente. Não é pior nem melhor, só é diferente, pois trabalha num ambiente de circunstâncias igualmente distintas. O brasileiro usa a tortura como método usual de investigação, uma vez que vive uma guerra sem fim nem limites nítidos. Seus colegas o acompanham e ninguém é punido pelos abusos.

Entenderam o que distingue Bauer de Nascimento? O que é excessão e excepcionalidade no primeiro é corriqueiro para o segundo. Se Tropa de Elite tem o mérito de não glamourizar o crime, também não o faz com a polícia. O problema é que vivemos uma insegurança tamanha, uma impunidade tal, que tais métodos passam a ser visto como normais por uma parte considerável da sociedade. Enfim, é a guerra.

Tropa de Elite é um tapa na cara de maconheiro

O filme Tropa de Elite, adaptação do livro “Elite da Tropa” (escrito por André Batista, Rodrigo Pimentel, Luís Eduardo Soares – Editora Objetiva), é a produção nacional mais badalada dos últimos tempos. Com direção de José Padilha (o mesmo do documentário Ônibus 174), a obra conta com uma atuação segura de Wagner Moura no papel do policial Nascimento, capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro – BOPE, grupo especial de combate ao tráfico de drogas nas favelas cariocas. Destaque também para a interpretação do novato André Ramiro, cuja mudança de comportamento no decorrer do longa é muito bem conduzida.

Não faltam elogios e críticas ao filme. Por isso não vou entrar em detalhes do roteiro, da composição visual ou outros aspectos técnicos. Quem quiser saber mais informações sobre o filme, elenco e sinopse, basta acessar o site http://www.tropadeeliteofilme.com.br/.

Ponto central
O aspecto mais polêmico do filme não é a violência da guerra entre traficantes e grupos da polícia que não se corromperam, tema por demais abordado em outras ficções, inclusive novelas. O ponto central é a denúncia de que os usuários de drogas são co-responsáveis pelo crime organizado no Brasil – afinal, eles financiam o tráfico. Ao mesmo tempo, e o filme toca nessa ferida também, há no país uma cultura de glamourização do crime, onde bandidos viram “vítimas” do sistema e passam a ser celebrados como barreiras de resistência popular contra a tirania das elites capitalistas. Nessa deformação sub-marxista da luta de classes, as reais vítimas são tomadas por criaturas cínicas que apenas colhem o que plantaram, e a polícia, naturalmente, serve apenas de instrumento de repressão sem legitimidade alguma. Na contramão dessas idéias, Tropa de Elite é um tapa na cara de muita gente bacana que não vê mal nenhum em fumar um baseado ou cheirar uma carreirinha de coca; é um desconcertante chamado à responsabilidade para ONG’s e entidades que adulam traficantes e bandidos em nome da justiça social.

Sem eufemismos
Para não estragar a festa de quem não assistiu ao filme, vou comentar apenas uma passagem. A certa altura, o policial Matias (André Ramiro), que é universitário e não revela a profissão aos colegas com medo de perder a simpatia deles, participa de uma aula onde o professor instiga os alunos a debaterem a violência e o papel da polícia. Com aquele ar típico de seriedade refletida, os estudantes concluem que todos os policiais são corruptos e que a polícia é a verdadeira responsável pela violência. A conclusão lógica é que sem repressão ao crime, teríamos mais paz. O professor, cheio de consciência sociológica, concorda. Matias, que é honesto, é o único que protesta. Os alunos mais falantes, que não perdem uma passeata pela paz, compram maconha na faculdade. Mostrar esse tipo de contradição é coisa rara por aqui. Outra qualidade do filme é chamar as coisas pelo nome. Cliente de traficante não é usuário ou dependente químico, é maconheiro e, bom, os palavrões eu deixo com o capitão Nascimento.

Serviço

A Federação Brasileira de Bancos – Febraban, disponibiliza via internet, desde setembro, um Sistema de Divulgação de Tarifas de Serviços Financeiros da Febraban, o STAR. O endereço é http://www.febraban.com.br/star – nele podemos verificar e comparar as tarifas que os bancos combram aos seus clientes.

Depois das ameaças do Governo Federal de tabelar as tarifas bancárias, a Febraban resolveu apostar na transparência como medida de incentivo a autoregulamentação. De resto, algumas cobranças nem sequer são percebidas no extratos, ou são facilmente identificadas por conta de siglas incompreensíveis. O STAR simplifica isso padronizando os nomes dos serviços. Vale conferir para ver se o seu banco cobra mais caro do que os outros.

Coqueiro filosófico

O senador Renan Calheiros, comentando sua disposição de ficar no cargo, fez uso da filosofia nascida da observação do coco e do coqueiro. Mas é preciso reconhecer que em matéria de metafísica coquiana, o alagoano não é páreo para o forrozeiro Messias Holanda (ver foto). Comparem!

“Rapaz, para tirar o coco, não basta balançar o pé, que ele não cai. Quem quiser, vai ter que subir no pé e retirar o coco com as próprias mãos” – Renan Calheiros, Brasília, 2007 .

Pra tirar coco
Eu quero me trepar no pé de coco
Eu quero me trepar pra tirar coco
Depois eu quero quebrar o coco
Pra saber se o coco é oco
Tem gente dizendo que eu sou louco
Que eu só falo em tirar coco
Realmente eu quero tirar o coco
Pra depois quebrar o coco
Pra saber se o coco é oco – Messias Holanda e Hamilton Oliveira, Ceareá 1981

Em vez de imposto, corte de gastos

Blog do Reinaldo Azevedo:
Criada a TV pública, por MP, que consumirá 1% da CPMF – Leiam esta nota do Estadão: “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem a medida provisória que cria a rede pública de TV, chamada Empresa Brasil de Comunicação, com orçamento de R$ 350 milhões para 2008. Além de criticar os gastos, a oposição não vê relevância e urgência que justifique a edição de uma MP. A criação da TV será publicada hoje no Diário Oficial. A primeira transmissão está prevista para o dia 2 de dezembro, quando as emissoras de TVs abertas mudarão a transmissão do sinal analógico para digital. A TV pública será presidida pela jornalista Tereza Cruvinel. A MP terá que ser aprovada pelo Congresso, mas já estará em vigor desde hoje. A nova televisão será resultado da fusão da TV Educativa com a Radiobrás e deverá ter um conselho curador com 20 integrantes, sendo quatro ministros.”

Blog do Wanfil
Os defensores da CPMF alegam que o dinheiro arrecadado pela “contribuição provisória” que virou imposto é imprescindível. Que não se pode abrir mão de tanta grana sem prejudicar serviços essenciais ou programas assistencialistas. Mas vejam que o problema não é a arrecadação, e sim os gastos excessivos. O governo é uma máquina que não gera riqueza, ela as consome, via tributação. Por isso é imperioso que o corte de gastos esteja na ordem do dia de qualquer administração – dessa forma, desperdícios como essa TV não prosperariam. Façam uma pesquisa. Nos governos tucano e petista, a carga tributária aumentou sem que os serviços melhorassem, salvo os que foram privatizados. É o legado da tradiçãso patrimonialista brasileira, da fé incurável que temos no estatismo.

WordPress Themes