Doutrinação nas escolas
No post Marxismo não é variante do cristianismo (clique no título para ler), comentei sobre a precariedade analítica de quem ingressa nas universidades brasileiras. Após anos de adestramento ideológico baseado em livros didáticos, nossos jovens sabem de cor e salteado os postulados do marxismo, muito embora desconheçam as suas origens - e seus contrapontos. Muitos imaginam que o marxismo é uma espécie de “upgrade” do cristianismo, coitados. A garotada tem absoluta certeza de que empresários são pessoas cujo sucesso decorre da exploração dos pobres, de que a propaganda nos obriga a comprar produtos inúteis, e que todo trabalhador é bom e justo por conta de sua origem social.
No Brasil, o empreendedor é visto como vilão e o lucro como pecado, em vez de uma justa recompensa para quem arrisca, investe e gera empregos. Cheios de amor, esses estudantes tomam por verdade auto-evidente o que não passa de teoria capenga - afinal, o marxismo fracassou como método. E claro, para corrigir esses “bugs” do sistema capitalista, é preciso apelar ao papai estado e ao assistencialismo. São rebeldes sonham com a tutela oficial…
Por coincidência, o jornalista Reinaldo Azevedo abordou o mesmo tema hoje. Vejam um pequeno trecho:
O que se vê acima são quadrinhos da tal apostila de geografia do Colégio São Bento, no Rio, que gerou protestos de pais, ex-alunos e amigos da escola. Leitores dizem que pertencem ao livro Capitalismo para Principiantes, de Carlos Eduardo Novaes e Vilmar Silva Rodrigues, da Editora Ática. Deve ser. Vi o livro na Internet. O mesmo desenho está na capa.
Lembram-se da máxima de Mencken? Para cada problema complexo, há sempre uma solução fácil, clara e errada. Não é o que essa gente vive propondo em sala de aula? Então porque não recorrer a um pastiche submarxista da década de 80 (o tal livro Capitalismo para Principiantes), que transforma o mundo numa fábula do Lobo Mau e, literalmente, do Chapeuzinho Vermelho? (…) Dá-se uma regressão: o mundo é movido pela luta do Bem contra o Mal — e com a má notícia, não é? O Mal — no caso, o capitalismo — venceu. Nas aulas de história e de geografia, o mundo retorna ao jardim da infância. A realidade está dominada por bruxas, e um dia virão as fadinhas para redimir os justos. Nesse caso, é inescapável observar: Lula seria a própria realização dessa fantasia.
Aposta na desinformação - dois atos
Brasília - O ministro da Fazenda Guido Mantega o Ministério da Fazenda divulgou um estudo feito pela equipe econômica, com a estimativa de quanto dinheiro deixará de entrar nos cofres do Estados com o fim da CPMF. O documento alerta que o fim do imposto “exigiria um ajuste de despesas em programas sociais e em investimentos (infra-estrutura, saneamento, habitação).” A ofensiva busca intimidar a oposição e revela que a posição do Planalto é de insegurança quanto a votação no Senado que definirá a prorrogação ou não da CPMF. Talvez a esperança de Mantega é que o discurso do terror possa surtir efeito nas bases eleitorais dos senadores - a população temeria perder benefícios ou pagar mais impostos. É uma clara aposta na desimformação da população. Se é para cortar gastos, por que não cortar os cargos comissionados que fazem a festa dos companheiros? E os recordes de arrecadação da Receita? O que o ministro não quer confessar é que o governo é perdulário com o dinheiro alheio.
Fortaleza - O jornal Fala Ceará, da TV Cidade/Rede Record, entrevistou nesta quinta-feira, o deputado Sávio Pontes (PMDB). O parlamentar afirmou que o Ronda do Quarteirão deverá amenizar a crise da segurança pública no Ceará, mas que não poderá resolvê-la, pois “a violência não é um problema do governador Cid Gomes, é da sociedade”. É uma forma de fugir às responsabilidades. Outra aposta na desimformação. A violência é sim um problema de Cid - eu é que não posso resolvê-lo. Em Nova Yorque, o prefeito Rudolf Giulianno prometeu e deu conta do recado… Em São Paulo, os índices caem vertiginosamente. Ademais, o discurso é perigoso: se todos são culpados, ninguém é inocente. Eis um pensamento anula a autoridade moral de qualquer punição.
Marxismo não é variante do cristianismo
Faço uma segunda graduação - jornalismo. E a experiência de conviver com jovens recém saídos das escolas é reveladora. O tema de uma aula ontem foi o marxismo. No textos que serviram de base para o debate, o mesmo de sempre: luta de classes, ideologia, dominantes e dominados, mais-valia, dialética etc. A compreensão geral que esses jovens possuem pode ser resumida assim: o marxismo é bom e o capitalismo é mau. Alguém discordava ou pleo menos duvidava do marxismo? Não. Tudo é consenso entre os meus jovens colegas.
Para provocá-los, busquei apresentar o marxismo sob um outro ponto de vista. Expliquei para a turma que um verdadeiro marxista sabe que todos os valores e crenças nas quais acreditamos - moral, ética, religião, família - tudo isso faz não passa de uma mentira (ver A Ideologia Alemã). O objetivo é adestrar as classes dominadas e reproduzir os valores das classes dominantes. Por isso, para um revolucionário, eliminar um burguês - mesmo que esse não tenha cometido crime algum, mesmo que seja uma criança - não é errado, é justiça. O céu, o inferno, a inviolabilidade da vida, são meros truques para manter o status quo. O marxismo é a mais bela desculpa para matar adversários feita depois da Revolução Francesa. “Não existe revolução sem pelotão de fuzilamento”, ensinava Lênin. Os coitados dos colegas, que depois de anos de pregação no ensino secundário pensavam que marxismo era uma variante do cristianismo, ficaram meio sem jeito.
Como pode algo que nunca deu certo na prática ser admirado como teoria? Em TODOS os países onde o marxismo foi implantado, o resultado foi morticínio e agravamento da miséria. A resposta estava lá, apresentada pelos próprios marxistas - cujo ídolo maior hoje é o linguísta Noam Chomsk. A tábua de salvação da doutrina que é desmentida insistentemente pelos fatos é a dialética. Deu errado? Não foi nada, é um processo de depuração, dizem os revisionistas. Outros culpam as pessoas por não entenderem a proposta do marxismo e responsabilizam a mídia e a escola por isso. Pelo que vejo em sala de aula, a mídia e as escolas no Brasil estão isentas desse pecado.
Caso Byron: Dura Lex
Alguns leitores me escreveram pedindo que eu comentasse a recente condenação do ex-presidente do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Byron Queiroz, mais quatro ex-diretores e um ex-superintendente por gestão fraudulenta e formação de quadrilha. O juiz Federal Substituto da 12ª vara da Justiça Federal, José Donato de Araújo Neto concluiu, após análise dos autos, que foram “evidentes e gravíssimas” as irregularidades cometidas pelos denunciados na administração do BNB. Ainda cabe recurso da sentença.
Bom, não conheço Byron Queiroz, mas isso não me impede de dizer que a leis e as decisões judiciárias devem ser cumpridas. Certamente os acusados irão recorrer. Quem for condenado, que cumpra sentença. Isso vale para Byron, para os mensaleiros, para assessores lotados no gabinete da Presidência da República, para quem anda com dólares na cueca, para operadores e beneficiários de caixa dois, para corruptos de qualquer partido. O império da lei é a condição primeira para o exercício da democracia. Sabem como é: Não estou entre os que acreditam que investigações, reportagens e processos judiciais formam uma trama golpista…
Conversa mole não agüenta jogo duro
O programa Jogo Político, produzido e transmitido pela TV O Povo, contou com a presença de dois convidados ilustres: o deputado estadual Artur Bruno (PT), e o sociólogo André Haguette (UFC). A mediação ficou por conta do jornalista e apresentador Fábio Campos. Um debate instigante e proveitoso, acerca de temas diversos, desde considerações sobre o panorama político local e nacional, até o papel da educação para o desenvolvimento do país.
Transcrevo resumidamente algumas passagens, anotadas enquanto a entrevista era transmitida. Não se trata de uma reprodução integral, mas a essência é a que segue. O deputado petista foi duramente questionado em alguns momentos, e apesar da larga experiência que tem, demonstrou dificuldade para explicar algumas contradições, especialmente no tocante a algumas posições dos tempos de opositor.
Ideologia
Artur Bruno – Eu lamento que os partidos políticos não sigam uma ideologia.
André Haguette – Quando um leitor lamenta a ausência de ideologia, isso é compreensível. Mas quando um político é que o faz, aí é estranho. O político é que deve alterar essa situação. Se ele apenas lamenta, fica a sensação de que não solução.
Alianças no Ceará
Artur Bruno – O PSDB foi eleito para ser oposição ao governo Cid, mas passadas as eleições, aderiu. É claro que o governador aceitou, pois todo governante deseja o consenso e fazer maioria. Mas a falta de uma oposição é prejudicial à democracia.
André Haguette – Na minha opinião, as eleições passadas foram uma farsa, na medida que o PSDB nunca foi oposição ao Cid, pelo contrário. Nunca houve um rompimento entre os Ferreira Gomes e Tasso Jereissati.
Investimentos federais no Ceará
Artur Bruno – Não há falta de investimento. O problema é que eles são insuficientes. Mas muita coisa está sendo feita, como a transnordestina, o metrofor, a interligação das bacias.
André Haguette – Até agora não começaram. E já fazem cinco anos…
Artur Bruno – Mas os investimentos estão previstos.
André Haguette – O que falta não é uma ou outra ação, mas uma política de diminuição às desigualdades regionais. O nordeste não é prioridade para o governo Lula.
Artur Bruno – Por isso o governo recriou a Sudene.
André Haguette – Ah, pera aí…
Fábio Campos – O presidente Lula veio ao Ceará recriar a Sudene em 28 de julho de 2003, e até agora, nada.
Artur Bruno – Essa demora não tem desculpa.
Educação
Artur Bruno – É preciso investimento, dinheiro. Os baixos salários desestimulam os professores. Não é o único problema, mas deve ser considerado.
André Haguette – Os professores da rede privada também ganham pouco, até menos, se levarmos em conta questões como a aposentadoria. No entanto, as escolas particulares apresentam melhor desempenho. Não será um problema de gestão?
Artur Bruno – A política de educação no Ceará é um fracasso. Foram 20 anos de gestão tucana.
André Haguette – É preciso analisar alguns pontos. No primeiro mandato, o governo Tasso dseixou a desejar - foram 4 secretários em um ano. Mas depois, uma política baseada em prioridades foi bem sucedida, e lançou as bases do Fundef, que é a base do Fundeb, do governo Lula. Se hoje discutimos a qualidade da educação, é porque a demanda por vagas, que era alta, foi atendida.
O programa Jogo Político será reprisado no próximo sábado, às 14 horas, na Tv O Povo.
PSDB e a sina de Pompeia Sula (a mulher de César)
A postura do PSDB diante da denúncia do Procurador-Geral da República envolvendo o senador tucano Eduardo Azeredo (MG) no valerioduto mineiro conferiu verossimilhança à tese petista (pós-mensalão) de que todos são iguais diante das imperfeições do sistema político brasileiro.
O jogo entre aparência e realidade não é novo na política. A história conta que ano de 62 a.C., Pompéia Sula, segunda mulher do romano Júlio César (foto de busto), foi o epicentro de um escândalo, ao ser indevidamente cortejada durante uma festa, por Publius Clodius, jovem rico e insolente, porém popular. O episódio levou César a divorciar-se de Pompéia. Publius Clodius foi acusado de sacrilégio e julgado em tribunal. Chamado a depor como testemunha, César disse que nada tinha, nem nada sabia contra o acusado. O espanto foi geral entre os senadores: “Então porque se divorciou da sua mulher?”. A resposta tornou-se famosa: “A mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita”. Para César, o que parece É, e o que realmente É, convém não parecer.
Estou dizendo que o PSDB deve agir com demagocia? Que deve se livrar de um filiado por conveniência? Claro que não. Estou advertindo sobre o perigo que o partido corre de virar uma Pompéia Sula, a quem não bastou SER honesta.
O resultado dessa confusão entre caixa dois e mensalão, começa a aparecer. Confiram algumas passagens de um texto assinado pelo filósofo Denis Rosenfield: “A situação partidária brasileira está ficando cada vez mais difícil. Já não bastava o PT ter imerso na corrupção, abandonando a bandeira tão estimada da ética na política. O PSDB, agora, com o desvio de recursos públicos para a campanha de reeleição do então governador, e hoje senador, Eduardo Azeredo, exibe, por sua vez, um comportamento igualmente condenável. Causa estupor que o partido esteja se defendendo com os mesmos parcos e esgotados argumentos utilizados pelos petistas. O atual presidente do PT, Ricardo Berzoini, ironicamente, chegou a declarar que compreendia as dificuldades dos adversários. Quem não entende, por certo, é o eleitor, que vê, cada vez mais, se restringir o seu leque de opções partidárias.” Leia mais no site do jornalista Diego Casagrande.
O factóide siderúrgico e o liberalismo-paraestatal
Sobre o factóide siderúrgico que ganhou espaço nos jornais na semana que passou, o jornalista Guálter George - do O Povo, fez algumas observações no artigo O peso do Planalto. Este blog enxerga o anúncio como uma presepada sem graça, o ápice de uma promessa não cumprida. George acredita que Lula tem méritos e que a siderúrgica é um fato novo na política brasileira. Abaixo, reproduzo alguns trechos do referido artigo em vermelho, intercalado por comentários meus em azul.
Dê-se como natural o estabelecimento da dúvida quanto à real validade do solene anúncio, terça-feira última no Palácio do Planalto, de um novo projeto de instalação de usina siderúrgica no Ceará.
Guálter concede que a dúvida sobre o anúncio da siderúrgica pode ser natural. Ainda bem. O contraponto dessa naturalidade seria, por oposição, a artificialismo da crítica oriunda das paixões partidárias. Como se o próprio anúncio da siderúrgica - feito no Palácio do Planalto, não fosse um produto de espetáculo político. Nesse caso, é inútil discutir a natureza das dúvidas. O que vale é saber da pertinência dos fatos.
Uma planta nova, com matriz energética diferente, investimentos maiores, perspectiva de produção acima da anteriormente prevista e, mais destacada das novidades, sem dependência direta do Governo federal para virar realidade.
Não foi essa novidade que o presidente Lula prometeu na campanha eleitoral. No mais, se a obra não depende de governantes, por quê o anúncio numa solenidade pública? A tal novidade deve ser mais uma contribuição de Lula à ciência política: o liberalismo-paraestatal.
Uma das formas de dizer que o acontecimento foi uma encenação é potencializar a informação de que se tratou apenas da assinatura de um protocolo de intenções.
Cadê a potencialização? De fato, a solenidade não passou da assinatura de um protocolo de intenções. No projeto anterior - batizado de Ceará Steel - aconteceu o mesmo e nem por isso vingou. Na época, um dos signatários era a Petrobras, justamente a parceira que inviabilizou o projeto, embora fosse submetida ao comando de Lula, que havia prometido o gás para a siderúrgica. De protocolo de intenções o inferno está cheio.
Para muitos, deu-se um circo político para cearense ver. (…) O que o presidente Lula fazia ali, queixam-se os mais incomodados, já que a Petrobras que controla inviabilizou a iniciativa da forma anteriormente prevista?
Pois é…
Dizer que Lula e seu governo nada têm a ver com o que foi anunciado é, equivocadamente, minimizar a importância de reunião que ele mantivera, uma semana antes da solenidade de terça-feira, com o próprio Roger Agnelli, o homem que dá a última palavra na Vale do Rio Doce. Um executivo deste nível só se sensibiliza com argumentos governistas quando eles indicam algum tipo de ganho aos interesses que representa.
Quais foram os argumentos governistas? O que foi discutido na reunião com Agnelli? Talvez Lula tenha dado a garantia de que desta vez não atrapalha o empreendimento, pedindo em troca que o anúncio fosse feito no Planalto. É preciso cuidado para não imaginar que seja produto de complexa engenharia administrativa, o que na verdade foi um ato de cortesia.
Sob o ponto de vista político, o presidente Lula tem mais a ver com o projeto de agora do que tinha a ver com aquele que encontrara no meio do caminho. Este sim, é resultado de um esforço pessoal que o faz parceiro e, certamente, mais interessado em resultados concretos. O raciocínio é simples: os dividendos políticos não precisam ser divididos com nenhum antecessor.
Lula não corre mais o risco de ter que dividir méritos com antecessores, fato que fortaleceria o seu empenho. O Ceará gastou mais de 300 milhões de reais cumprindo exigências da Petrobras, mas a questão pode se rezumir a uma guerra de vaidades. Isso seria prevaricação. A valer essa idéia, qualquer suposto mérito que ainda coubesse ao presidente seria anulado pelo desnecessário desperdício de recursos públicos imposto do povo cearense.
Estudo, trabalho, e a meritocracia
Leiam trecho de uma reportagem publicada na Folha Online, assinada por Gabriela Guerreiro:
“Aqui [no PSDB] há acadêmicos, e não temos vergonha disso. [...] Faremos o possível e o impossível para que saibam falar bem a nossa língua. É por isso que em Minas Gerais o ensino passou para nove anos, e não quatro. Queremos brasileiros bem-educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria.” FHC disse que uma “elitezinha apressada se abotoou no poder”, numa referência direta ao PT. “Somos gente que estuda e trabalha. Trabalha e estuda.” - Leia mais.
Blog do Wanfil
Os jornais deste sábado já falam de reações contra o “preconceito” do malvado FHC. O mesmo pessoal piedoso que aposta na inocência de Lula no mensalão, age para reforçar a figura mítica do presidente: o retirante nordestino que não estudou por falta de condições, e que mesmo assim chegou lá. Curiosamente, quando Lula ironiza FHC pela erudição (ele não perde a chance), dizendo que o estudo do ex-presidente de nada serviu, ninguém fala em preconceito. Partem do princípio de que intelectuais podem se defender sozinhos. Já os sem-diploma, esses são coitadinhos que merecem a proteção da sociedade. Acontece que Lula NÃO ESTUDOU PORQUE NÃO QUIS! O sujeito é um dos homens mais poderosos do país faz uns 15 anos. Quiça um dos mais ricos… Trata-se, portanto, de uma opção, não de uma fatalidade.
Preconceito seria se FHC tivesse criticado o Francenildo Pereira pela pouca instrução. Lembram dele? Era o caseiro que denunciou o ex-ministro Palocci, e que por isso teve o sigilo bancário quebrado ilegalmente. Aliás, alguém foi condenado pelo crime? Não. Palocci hoje é deputado federal - pelo PT, é claro. Mas preconceituoso e abominável é FHC, que não faz apologia da ignorância como meio de vida. E não estou aqui para defender o ex-presidente, de quem não sou um admirador - meidadas neoliberais à parte, acredito que ele nunca tenha deixado de crer no marxismo ou no gramcismo…
Estudo e trabalho
Na verdade, o discurso que busca ressaltar a importância do estudo e do trabalho revela uma cultura política, uma forma de ver o mundo. O presidente francês Sarkozy foi eleito contrapondo o mérito aos privilégios. No Brasil, temos um governo composto, em sua maioria, por sindicalistas e ex-sindicalistas, para os quais a gerência do estado deve recair sobre aqueles que sabem protestar e reivindicar, pelos que se vêem como credores do sistema. Esse é o pensamento que sustenta o aparelhamento dos órgão públicos pela companheirada - o expurgo do IPEA é o caso mais recente. Sobre isso, pesquisem na internet o ensaio do ex-petista Chico de Oliveira, no qual ele fala sobre uma casta sindical que deseja mesmo é se dar bem. O nome do trabalho é O Ornitorrinco. Voltando ao tema central, de outro lado temos um grupo que acredita no preparo técnico como condição essencial para gerenciar a máquina. Não somente dos ministérios, mas de toda a estrutura administrativa.
Entre essas duas visões, qual a melhor? A resposta é simples. Que novidade gerencial foi introduzida pelo petismo? As metas de inflação, o superávit primário, as bandas cambiais, a responsabilidade fiscal, a política de juros, as políticas compensatórias, tudo já existia graças a… FHC. Então, qual a grande mudança? Nenhuma. O governo reclama para si a condição de melhor gestor de um modelo que antes critiva. O que é questionável. Mas os fatos estão aí. Para o petismo e seus simpatizantes, o governo FHC foi tão ruim, mas tão ruim, que Lula não outra a não ser copiá-lo. Quem é bom de protesto, na hora de fazer, repete quem estuda e trabalha.
Confundir mensalão com caixa 2 é o mesmo que chamar urubu de meu lôro
Jornal O Povo:
Mensalão tucano derruba Walfrido - Um duplo baque para o Governo Lula. A renúncia do ministro Walfrido dos Mares Guia, acusado pelo Procurador-Geral da República de envolvimento no caso do mensalão mineiro, deixa o Planalto sem o seu principal articulador político e dificulta a aprovação da CPMF no Senado, onde o PTB rompeu com o bloco governista e se distanciou da base de apoio ao Governo - Walfrido dos Mares Guia entregou ontem sua carta de renúncia ao cargo de ministro de Relações Institucionais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na carta, ele diz que recebeu com “indignação” a informação de que foi denunciado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, por suposto envolvimento com o “mensalão tucano” - esquema que teria desviado recursos públicos para a campanha a governador de Minas do atual senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), em 1998. (das agências de notícia) - Leia mais.
Blog do Wanfil
A notícia original, da tal agência de notícias na qual se baseou O Povo, é da jornalista Renata Giraldi, da Folha Online, e foi publicada com o título: Leia íntegra da carta de renúncia de Walfrido. A expressão “mensalão mineiro” segue no texto - clique aqui para ler a matéria.
Parte da imprensa insiste em associar o esquema ilegal de arrecadação de fundos para campanhas políticas em Minas Gerais, ação popularmente conhecida como CAIXA 2, com o caso do MENSALÃO, que foi a compra de políticos e de partidos políticos. O correto é chamar o caso mineiro de VALERIODUTO - uma vez que foi operado pelo empresário Marcos Valério, outra especialidade do operador do mensalão. Fazer de mensalão e caixa 2 termos permutáveis, equivale a confundir assalto à mão armada com estelionato.
Por isso o erro analítico e de informação não pode ser debitado apenas da conta de Giraldi. O Povo o reproduziu candidamente, com a agravante de fazer desse mesmo erro uma manchete. Coisa que o noticiário paulista não fez: mais discreta, Renata Giraldi aposta nas entrelinhas para mandar suas mensagens. Não vou especular sobre as preferências políticas de quem escreve os títulos das matéiras veiculadas no jornal cearense. O fato é que a expressão “mensalão mineiro” confunde e engana os leitores. Além do mais, igualar dois crimes diferentes, beneficia os autores do delito mais grave e pernicioso, no caso, os mensaleiros do PT. Sobressai a idéia de que o problema é com o sistema eleitoral, ou como se diz nas universidades, com o capitalismo predator e a sociedade de consumo.
O pior é que o próprio PSDB confere verossimilhança a essa confusão. Vejamos. Ao que tudo indica, o senador Azeredo foi mesmo beneficiado por doações indevidas. Assim como o presidente Lula, ele alega que não sabia de nada. Para preservar o companheiro, os tucanos aceitam o argumento que também inocenta o petista. No fundo, o mineiro deveria se desligar da sigla, se defender das acusações e poupar seus correligionários de uma saia justíssima. Sua presença não só constrange o partido e a oposição, ela a sabota.
Obrigação não é realização
Trecho do artigo assinado pela jornalista Adísia Sá, no jornal O Estado:
Yanna Guimarães, repórter do jornal O POVO, produziu reportagem sobre praças de Fortaleza e o título de sua matéria, deu margem a este meu comentário: “Praças cuidadas, outras nem tanto.” Primeiro eu gostaria de conhecer as chamadas “praças cuidadas”, porque nem mesmo as do chamado centro merecem este tratamento. A do Ferreira, por exemplo, pode ser considerada “bem cuidada?” Francamente, é um batismo despropositado… E a chamada periferia, por acaso tem praças cuidadas? Ou melhor, tem praças? - Leia mais.
Blog do Wanfil
Na falta de grandes realizações, a Prefeitura de Fortaleza procura enaltecer ações de menor impacto, muitas vezes, chega a celebrar como conquista o que não passa de obrigação elementar. Comerciais institucionais são veiculados mostrando uma capital repleta de praças recuperadas. O texto da jornalista Adísia Sá faz referência sobre as praças do bairro Papicu, onde ela mora, revelando que das três que ela conhece, duas escapam do abandono por conta de iniciativas privadas. Enquanto isso, longe dos garis varrendo canteiros e das crianças sorridentes das propagandas verdejantes, os médicos do IJF fazem greve.
Reparem ainda a boa vontade do jornalismo “isento”. Para a autora da série, algumas praças são boas, outras “nem tanto”, uma valiosa expressão eufemística para o termo “ruins” ou “inúteis”. A questão pode ser ajustada ao seu verdadeiro tamanho com uma simples pergunta: No seu bairro, as praças funcionam?
Debate de idéias
Por ocasião da realização simultânea de seu 3º Congresso e sua 9ª Convenção Nacional, em Brasília, o PSDB produziu um documento que servirá de base para os debates do encontro, que acaba amanhã com a eleição do senador Sérgio Guerra (PE) para suceder Tasso Jereissati (CE) na presidência. O texto, que tem 20 páginas, é bom e deve ser lido como um salutar convide ao debate de idéias. Hoje, a comunicação dos principais partidos políticos no Brasil é submetida aos ditames de marqueteiros que visam mais a forma do que o conteúdo. O resultado é que assuntos relevantes para a sociedade acabam ignorados e temas sem relevância ganham espaço. Bem que os tucanos cearenses poderiam fazer algo semalhante sobre as questões municipais. Segue abaixo alguns pontos selecionados pelo jornalista Reinaldo Azevedo:
INSTITUIÇÕES
“No governo, o PSDB soube consolidar as instituições democráticas; na oposição, sabe zelar por elas e lutará sempre para que não se amesquinhem.”
PLANO REAL
“O Plano Real marcou o ponto de inflexão da degringolada econômica e política que ameaçava levar de roldão a democracia recém-conquistada. Ele deu certo porque foi bem concebido, com sólida fundamentação técnica. Mas não teria sido implementado e depois consolidado, nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso, sem ousadia política. Foi preciso enfrentar o ceticismo, o fatalismo, o atraso, os esforços permanentes dos que buscavam desqualificar aquilo que foi, sim, uma verdadeira revolução: golpear a cultura da inflação e reinserir o Brasil no mercado mundial, reconstruindo suas perspectivas de desenvolvimento.”
CRESCIMENTO
“(…) O crescimento medíocre ao qual os atuais governantes se apegam como um grande êxito limita nossa capacidade de continuar combatendo a miséria e distribuindo renda de maneira sustentada. Porque, se crescer não implica necessariamente em fazer justiça social, a recíproca não é verdadeira: ainda não se viu país que tenha conseguido promover justiça social em larga escala com baixo crescimento econômico.”
ESTADO E MERCADO
“Para nós, nenhuma corporação estatal ou privada pode se arrogar o monopólio do interesse nacional e popular. Tampouco deve ser discriminada só por ser privada ou estatal. O Brasil precisa dos dois para dar a arrancada de desenvolvimento que queremos: mais governo e mais mercado. Governo melhor e mercado mais equânime. Mais governo para quem precisa do governo e mais mercado para o conjunto das ações empresariais.”
AS PRIVATIZAÇÕES DO PSDB
“Apoiamos as privatizações no passado porque sem o aporte de capitais e métodos de gestão privados seria impossível expandir as indústrias petroquímica, aeronáutica, siderúrgica, a mineração e os serviços de telefonia e energia elétrica. Os bons resultados dessa opção para o país provam que estávamos certos. Hoje as antigas empresas estatais em geral empregam e produzem muito mais e recolhem muito mais impostos e dividendos aos cofres públicos do que quando eram supostamente ‘patrimônio nacional’.”
CRÍTICAS AO ATUAL GOVERNO
“Da mesma forma, promovemos o saneamento financeiro e a maiorprofissionalização da gestão de empresas estatais para que elas pudessem ganhar eficiência e corresponder às necessidades do país. Nossos adversários andaram na contramão do interesse nacional em ambos os casos. Fizeram muito pouco, muito tarde em matéria de parcerias com a iniciativa privada. E ultrapassaram todos os limites de prudência e decência no loteamento político das empresas estatais e agências reguladoras, com graves prejuízos para o público que demanda seus produtos e serviços.”
A “PRIVATIZAÇÃO” DO PT
“O PSDB jamais tratou empresas públicas como se fossem privadas, isto é, como se existissem para servir ao partido. Ao contrário, trabalhamos para que as empresas privadas, com regras claras, atendam ao interesse público, trazendo prosperidade ao país e satisfação ao consumidor-cidadão. Caberá a nós virar esta página de atraso. Nunca mais “mensalões” irrigados com dinheiro de empresas estatais. Nunca mais ‘apagões’ gerenciais causados pela substituição de profissionais competentes por apadrinhadospolíticos. Nunca mais os fins últimos do partido justificando o uso de meios ilícitos por seus militantes. Nunca mais a privatização do que é público por ambições pessoais e grupais travestidas de interesse popular. Faremos o que precisa ser feito para reforçar a ação do estado e da empresa privada na recuperação de rodovias, modernização de portos e aeroportos, geração e distribuição de energia, saneamento e outros investimentos vitais. Sem medo de rótulos ideológicos, entendendo que o interesse nacional exige tanto governos ativos e responsáveis como a mobilização em grande escala de capitais privados nessa tarefa.
EMPREENDEDORES
“Tudo isso requer mais governo, não menos. Governo, porém, com aquilo que hoje falta: clareza de objetivos, visão de longo prazo, avaliação estratégica realista das oportunidades e riscos do país, disposição de enfrentar interesses corporativos, sejam quais forem, capacidade de coordenar ações dos órgãos públicos entre si, com a empresa privada e a sociedade. Governo, em suma, para trabalhar ao lado e a favor dos empreendedores, em vez de atrapalhá-los.”
SEGURANÇA PÚBLICA
“O PSDB tem história de luta pela justiça social. É ela que torna efetiva a democracia. Mas jamais seremos coniventes com quem pretende fazer do banditismo uma espécie de resposta política às demandas da sociedade. Os brasileiros têm direito a segurança com justiça, no campo assim como nas cidades. Nossa luta contra a insegurança começa por um pacto do PSDB consigo mesmo: tolerância-zero com a corrupção e outras formas de desrespeito à lei dentro do próprio partido. Este é nosso compromisso número um porque é a condição para que os demais compromissos tenham sentido para o povo.”
DEMOCRACIA SEM RETROCESSOS
A luta principal dos que fundaram o PSDB foi contra o autoritarismo. Hoje nossa luta é pela melhoria das condições materiais e culturais de vida do povo brasileiro. Mas não nos esqueceremos nunca da lição da história: a democracia não é um monumento de pedra, é uma construção do espírito humano. Assim como há quem ajuda a ergue-la, sempre existe quem atue para corrompê-la ou diminuí-la, em troca de pequenas vantagens ou a pretexto de grandes causas. A recente sucessão de escândalos levou à desmoralização da política no Brasil. Ambições futuras podem vir a golpear a democracia, como ocorre em países vizinhos onde o continuísmo de pseudo-salvadores da pátria desvirtua as regras da verdadeira representação e participação popular. Estaremos atentos para não deixar que isso aconteça. Nós conjugamos democracia e PSDB no mesmo tempo. O tempo de um povo livre e que sabe o que quer. O futuro para o Brasil já chegou. Não abriremos mão dele. Não admitiremos retrocessos. Somos nós que construímos o destino do Brasil. Por nossas mãos, ele saberá conjugar democracia com desenvolvimento, liberdade com justiça social, respeito à lei com realização do bem comum. Esses são os fios que enlaçam a trajetória do PSDB com a história do Brasil contemporâneo. Um passado de conquistas, um futuro de esperança e, entre eles, um presente de novos desafios a vencer.
E o factóide siderúrgico custou caro aos cearenses
Ainda sobre o caso do factóide siderúrgico (ler post abaixo), o colunista Fábio Campos do O Povo, destacou outro aspecto da questão, que bem revela a natureza da relação entre o Planalto e o povo cearense:
“E o prejuízo do contribuinte do Ceará que coçou os bolsos para viabilizar a Ceara Steel? Alguém vai pagar? Tanto o Governo de Lúcio Alcântara quanto o Governo de Cid Gomes sustentavam que o Ceará já havia feito grandes investimentos como contrapartida para viabilizar a dita cuja. Ao todo, algo em torno de expressivos R$ 370 milhões. A soma resulta de R$ 240 milhões em incentivos fiscais e mais R$ 130 milhões em infra-estrutura no Complexo do Pecém. A maior parte desse dinheiro foi investido lá em função das necessidades impostas pela Petrobras para assinar um contrato que a empresa acabou desrespeitando. Outra parte foi gasto em obras como uma caríssima terraplanagem que custou mais de R$ 10 milhões. Para que tenhamos uma idéia, o investimento da Petrobras numa usina de biodiesel em Quixadá é de apenas R$ 70 milhões. Isso, sem se falar nos gastos com técnicos, viagens, reuniões, energia política e por aí vai. Sendo assim, o que o Ceará investiu a favor da Ceara Steel a troco de nada seria suficiente para construir pelo menos cinco usinas iguais àquela que a Petrobras ergue entre as pedras de Quixadá.” Leia mais.
Grupos de trabalho na Assembléia precisam ser explicados
Diário do Nordeste: Deputado esclarece contratações da Casa - A criação de grupos de trabalho na Assembléia Legislativa com a conseqüente contratação de pessoal, foi defendida, na tarde de ontem, pelo 1º Vice Presidente da Casa, deputado Gony Arruda (PSDB). A entrevista foi uma reação à matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo, edição de ontem, segundo a qual a Casa estaria usando o instrumento para “inflar contratações”. (…) “Isso (criação de grupo de trabalho) é uma coisa que já existe aqui na Casa há muito tempo. É um dispositivo legal”, defendeu Arruda. “O próprio assunto que vocês estão trazendo é do conhecimento de todos, está na Internet. A matéria é provocada por uma transparência da Assembléia”, reforçou.
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A reportagem da Folha apresentou indícios consistentes. Resta saber se os casos apresentados são desvios pontuais ou se constituem uma regra. No mais, a questão não é a legalidade das contratações, mas a necessidade de fazê-las. Qualquer explicação sobre o caso que não venha acompanhada de informações irrefutáveis a respeito da importância dos tais grupos de trabalho, é insuficiente.
Contratações na Assembléia sob suspeita
Por Rubens Valente, Folha de São Paulo: Assembléia do CE usa grupos para inflar contratações - A Assembléia Legislativa do Ceará mantém um trem da alegria com 63 grupos de trabalho que permitiram a contratação, sem concurso público, de 921 pessoas desde janeiro último, segundo o número reconhecido pela Casa em fax enviado à Folha. Levantamento da reportagem no “Diário Oficial” apontou 1.575 atos de nomeação e cerca de 180 exonerações.
Os nomes dos grupos são extensos e enigmáticos. Existe um para “Estudar a Eliminação de Etapas na Tramitação de Processos pelo Programa de Racionalização e Simplificação dos Procedimentos Administrativos” e outro para “Incentivar a Pesquisa da Ação Parlamentar no Espaço do Povo”, um serviço de internet. Leia mais.
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Qual a melhor forma de reagir a uma denúncia dessas? Ora, é apresentar o resultado dos trabalhos realizados por esses grupos, demonstrando a importância deles para a sociedade cearense. Caso contrário, pega mal.

