Os meios qualificam os fins
O jornalista Fábio Campos, na coluna Política do jornal O Povo deste domingo, aborda a polêmica gerada pelo anúncio da compra de três carros blindados para a Prefeitura de Fortaleza. Afirma o colunista:
“Novamente, os tucanos resolveram assumir papel de vereadores estaduais. Já teve o Réveillon, a Bíblia e a revista Farol. Agora é a vez dos carros que a Prefeitura de Fortaleza compra para servir ao gabinete da prefeita. Os assuntos não são relevantes, mas parece ser o que o PSDB tem a tratar de Fortaleza. Vamos ao caso dos automóveis. Para começar, a preocupação dos deputados tucanos, se não é meramente política, deveria se estender a todas as cidades do Ceará. (…) É aconselhável que tanto o carro que serve à chefe do Executivo da Capital quanto ao governador seja blindado. Não são pessoas comuns. Foram escolhidos pelos eleitores e a eles devem ser reservadas condições especiais de proteção.” - Leia mais aqui.
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O problema não é a viabilidade dos carros. Justificativas para a compra não faltam. A superficialidade da crítica dos tucanos apenas expõe o constrangimento do partido no papel de oposição, o que é ruim para a democracia. Outro ponto: O fato da Assembléia Legislativa fazer o papel da Câmara Municipal de Fortaleza revela não um desvio da primeira, mas a ausência da segunda Casa. Aliás, a qualidade das Câmaras no Ceará daria uma boa pauta para a imprensa.
O cerne da questão é a contradição do discurso governista. Esquerdistas costumam a posar de trabalhadores humildes e abnegados, na intenção de projetar em seus adversários a imagem de elitistas insensíveis. É uma aposta no preconceito e no preconceito contra os ricos. Isso até poderem usar o dinheiro público. Aí é avião equipado, vinho importado e carro de luxo. Quando FHC viajava, era para passear, quando Lula ultrapassa e muito o número de viagens, é muito importante e necessário. Ou seja, dependendo das circunstâncias, a racionalidade técnica é perfeitamente natural. Essa maleabilidade de posições é que revela uma frouxidão ética. O filósofo alemão Emmanuel Kant ensina que somente é ético o que pode ser universalizado. Vejam trecho de um texto postado pelo Blog ainda na quarta-feira (31): “Imaginem se Luizianne ainda fosse oposicionista. A situação era outra. Muito provavelmente ela faria protestos junto aos professores, comparando os custos de manutenção de uma biblioteca com os dos referidos carros e chamaria a imprensa que ela agora ataca para registrar a sua “atuação” vigilante. Mostraria os problemas do transporte público e confrontaria com os detalhes luxuosos dos automóveis das autoridades. Claro que nada disso seria por convicção, mas por conveniência. Daí a incorência entre o discurso e a ação. Pensando bem, a sorte dela é a qualidade da oposição.”
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