Restrição à venda de bebidas alcoólicas é medida paliativa
O projeto proibição da venda e consumo de bebidas alcoólicas em postos de combustíveis e em lojas de conveniência instaladas no mesmo perímetro, de autoria do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), foi aprovado ontem, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal. Segundo o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), relator da matéria, os proprietários dos postos que infringirem a lei estarão sujeitos a multas e até ao fechamento do estabelecimento.
Blog do Wanfil
Em Fortaleza, o vereador José Maria Pontes (PT) trabalha projetos de lei que buscam restringir horários e locais de consumo de álcool, visando a diminuição de acidentes e crimes relacionadas ao abuso da bebida. A tramitação de leis no Senado e na Câmara são medidas que resultam de uma constatação simples: a violência decorrida do uso indiscriminado de álcool chegou a níveis alarmantes.
O sujeito quer morrer de beber? Problema dele. Mas se para isso ele arrisca o bem-estar da comunidade, tem que ser controlado e punido, caso necessário. Talvez aí esteja o problema. As leis existem, a questão é cumpri-las. É permitido dirigir embriagado? Não! Mas basta ir à Praia do Futuro num domingo para ver uma carreata de bebuns. Uma blitz resolveria. É preciso vincular o ato de beber com as possíveis consequências dele decorrente, afinal, os indivíduos devem responder por suas decisões. Acontece que a impunidade elimina essa relação.
Como o Estado não consegue controlar a conduta irregular de quem consume álcool, tenta agora sufocar a sua oferta, que é mais fácil de fiscalizar. Na situação atual, numa sociedade deseducada e onde os números da violência só aumentam, a medida tem o seu mérito, pois pode salvar vidas. Mas trata-se, evidentemente, de uma ação paliativa, não de uma solução.
