Confundir mensalão com caixa 2 é o mesmo que chamar urubu de meu lôro

Jornal O Povo:
Mensalão tucano derruba Walfrido - Um duplo baque para o Governo Lula. A renúncia do ministro Walfrido dos Mares Guia, acusado pelo Procurador-Geral da República de envolvimento no caso do mensalão mineiro, deixa o Planalto sem o seu principal articulador político e dificulta a aprovação da CPMF no Senado, onde o PTB rompeu com o bloco governista e se distanciou da base de apoio ao Governo – Walfrido dos Mares Guia entregou ontem sua carta de renúncia ao cargo de ministro de Relações Institucionais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na carta, ele diz que recebeu com “indignação” a informação de que foi denunciado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, por suposto envolvimento com o “mensalão tucano” – esquema que teria desviado recursos públicos para a campanha a governador de Minas do atual senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), em 1998. (das agências de notícia)Leia mais.

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A notícia original, da tal agência de notícias na qual se baseou O Povo, é da jornalista Renata Giraldi, da Folha Online, e foi publicada com o título: Leia íntegra da carta de renúncia de Walfrido. A expressão “mensalão mineiro” segue no texto – clique aqui para ler a matéria.

Parte da imprensa insiste em associar o esquema ilegal de arrecadação de fundos para campanhas políticas em Minas Gerais, ação popularmente conhecida como CAIXA 2, com o caso do MENSALÃO, que foi a compra de políticos e de partidos políticos. O correto é chamar o caso mineiro de VALERIODUTO – uma vez que foi operado pelo empresário Marcos Valério, outra especialidade do operador do mensalão. Fazer de mensalão e caixa 2 termos permutáveis, equivale a confundir assalto à mão armada com estelionato.

Por isso o erro analítico e de informação não pode ser debitado apenas da conta de Giraldi. O Povo o reproduziu candidamente, com a agravante de fazer desse mesmo erro uma manchete. Coisa que o noticiário paulista não fez: mais discreta, Renata Giraldi aposta nas entrelinhas para mandar suas mensagens. Não vou especular sobre as preferências políticas de quem escreve os títulos das matéiras veiculadas no jornal cearense. O fato é que a expressão “mensalão mineiro” confunde e engana os leitores. Além do mais, igualar dois crimes diferentes, beneficia os autores do delito mais grave e pernicioso, no caso, os mensaleiros do PT. Sobressai a idéia de que o problema é com o sistema eleitoral, ou como se diz nas universidades, com o capitalismo predator e a sociedade de consumo.

O pior é que o próprio PSDB confere verossimilhança a essa confusão. Vejamos. Ao que tudo indica, o senador Azeredo foi mesmo beneficiado por doações indevidas. Assim como o presidente Lula, ele alega que não sabia de nada. Para preservar o companheiro, os tucanos aceitam o argumento que também inocenta o petista. No fundo, o mineiro deveria se desligar da sigla, se defender das acusações e poupar seus correligionários de uma saia justíssima. Sua presença não só constrange o partido e a oposição, ela a sabota.

1 Comentário

  • By Leonardo Fontes, 23/11/2007 @ 20:19

    Wanfil, recebi seu e-mail, mas acabei perdendo. Me adiciona no MSN para gente conversar: leonardofsales@gmal.com.

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