PSDB e a sina de Pompeia Sula (a mulher de César)
A postura do PSDB diante da denúncia do Procurador-Geral da República envolvendo o senador tucano Eduardo Azeredo (MG) no valerioduto mineiro conferiu verossimilhança à tese petista (pós-mensalão) de que todos são iguais diante das imperfeições do sistema político brasileiro.
O jogo entre aparência e realidade não é novo na política. A história conta que ano de 62 a.C., Pompéia Sula, segunda mulher do romano Júlio César (foto de busto), foi o epicentro de um escândalo, ao ser indevidamente cortejada durante uma festa, por Publius Clodius, jovem rico e insolente, porém popular. O episódio levou César a divorciar-se de Pompéia. Publius Clodius foi acusado de sacrilégio e julgado em tribunal. Chamado a depor como testemunha, César disse que nada tinha, nem nada sabia contra o acusado. O espanto foi geral entre os senadores: “Então porque se divorciou da sua mulher?”. A resposta tornou-se famosa: “A mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita”. Para César, o que parece É, e o que realmente É, convém não parecer.
Estou dizendo que o PSDB deve agir com demagocia? Que deve se livrar de um filiado por conveniência? Claro que não. Estou advertindo sobre o perigo que o partido corre de virar uma Pompéia Sula, a quem não bastou SER honesta.
O resultado dessa confusão entre caixa dois e mensalão, começa a aparecer. Confiram algumas passagens de um texto assinado pelo filósofo Denis Rosenfield: “A situação partidária brasileira está ficando cada vez mais difícil. Já não bastava o PT ter imerso na corrupção, abandonando a bandeira tão estimada da ética na política. O PSDB, agora, com o desvio de recursos públicos para a campanha de reeleição do então governador, e hoje senador, Eduardo Azeredo, exibe, por sua vez, um comportamento igualmente condenável. Causa estupor que o partido esteja se defendendo com os mesmos parcos e esgotados argumentos utilizados pelos petistas. O atual presidente do PT, Ricardo Berzoini, ironicamente, chegou a declarar que compreendia as dificuldades dos adversários. Quem não entende, por certo, é o eleitor, que vê, cada vez mais, se restringir o seu leque de opções partidárias.” Leia mais no site do jornalista Diego Casagrande.
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