Marxismo não é variante do cristianismo
Faço uma segunda graduação – jornalismo. E a experiência de conviver com jovens recém saídos das escolas é reveladora. O tema de uma aula ontem foi o marxismo. No textos que serviram de base para o debate, o mesmo de sempre: luta de classes, ideologia, dominantes e dominados, mais-valia, dialética etc. A compreensão geral que esses jovens possuem pode ser resumida assim: o marxismo é bom e o capitalismo é mau. Alguém discordava ou pleo menos duvidava do marxismo? Não. Tudo é consenso entre os meus jovens colegas.
Para provocá-los, busquei apresentar o marxismo sob um outro ponto de vista. Expliquei para a turma que um verdadeiro marxista sabe que todos os valores e crenças nas quais acreditamos – moral, ética, religião, família – tudo isso faz não passa de uma mentira (ver A Ideologia Alemã). O objetivo é adestrar as classes dominadas e reproduzir os valores das classes dominantes. Por isso, para um revolucionário, eliminar um burguês – mesmo que esse não tenha cometido crime algum, mesmo que seja uma criança – não é errado, é justiça. O céu, o inferno, a inviolabilidade da vida, são meros truques para manter o status quo. O marxismo é a mais bela desculpa para matar adversários feita depois da Revolução Francesa. “Não existe revolução sem pelotão de fuzilamento”, ensinava Lênin. Os coitados dos colegas, que depois de anos de pregação no ensino secundário pensavam que marxismo era uma variante do cristianismo, ficaram meio sem jeito.
Como pode algo que nunca deu certo na prática ser admirado como teoria? Em TODOS os países onde o marxismo foi implantado, o resultado foi morticínio e agravamento da miséria. A resposta estava lá, apresentada pelos próprios marxistas – cujo ídolo maior hoje é o linguísta Noam Chomsk. A tábua de salvação da doutrina que é desmentida insistentemente pelos fatos é a dialética. Deu errado? Não foi nada, é um processo de depuração, dizem os revisionistas. Outros culpam as pessoas por não entenderem a proposta do marxismo e responsabilizam a mídia e a escola por isso. Pelo que vejo em sala de aula, a mídia e as escolas no Brasil estão isentas desse pecado.
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