Doutrinação nas escolas
No post Marxismo não é variante do cristianismo (clique no título para ler), comentei sobre a precariedade analítica de quem ingressa nas universidades brasileiras. Após anos de adestramento ideológico baseado em livros didáticos, nossos jovens sabem de cor e salteado os postulados do marxismo, muito embora desconheçam as suas origens – e seus contrapontos. Muitos imaginam que o marxismo é uma espécie de “upgrade” do cristianismo, coitados. A garotada tem absoluta certeza de que empresários são pessoas cujo sucesso decorre da exploração dos pobres, de que a propaganda nos obriga a comprar produtos inúteis, e que todo trabalhador é bom e justo por conta de sua origem social.
No Brasil, o empreendedor é visto como vilão e o lucro como pecado, em vez de uma justa recompensa para quem arrisca, investe e gera empregos. Cheios de amor, esses estudantes tomam por verdade auto-evidente o que não passa de teoria capenga – afinal, o marxismo fracassou como método. E claro, para corrigir esses “bugs” do sistema capitalista, é preciso apelar ao papai estado e ao assistencialismo. São rebeldes sonham com a tutela oficial…
Por coincidência, o jornalista Reinaldo Azevedo abordou o mesmo tema hoje. Vejam um pequeno trecho:
O que se vê acima são quadrinhos da tal apostila de geografia do Colégio São Bento, no Rio, que gerou protestos de pais, ex-alunos e amigos da escola. Leitores dizem que pertencem ao livro Capitalismo para Principiantes, de Carlos Eduardo Novaes e Vilmar Silva Rodrigues, da Editora Ática. Deve ser. Vi o livro na Internet. O mesmo desenho está na capa.
Lembram-se da máxima de Mencken? Para cada problema complexo, há sempre uma solução fácil, clara e errada. Não é o que essa gente vive propondo em sala de aula? Então porque não recorrer a um pastiche submarxista da década de 80 (o tal livro Capitalismo para Principiantes), que transforma o mundo numa fábula do Lobo Mau e, literalmente, do Chapeuzinho Vermelho? (…) Dá-se uma regressão: o mundo é movido pela luta do Bem contra o Mal — e com a má notícia, não é? O Mal — no caso, o capitalismo — venceu. Nas aulas de história e de geografia, o mundo retorna ao jardim da infância. A realidade está dominada por bruxas, e um dia virão as fadinhas para redimir os justos. Nesse caso, é inescapável observar: Lula seria a própria realização dessa fantasia.
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