O veneno e o antídoto

O cineasta e articulista Arnaldo Jabor afirma que trabalhar com a análise política é como trabalhar no Instituto Butantan: “Cedo ou tarde, você termina envenenado”. Como antídoto, ele recomendou o cinema. Eu recomendo ainda o estudo despretensioso da história da arte – é o que faço, quando posso. Não pretendo me tornar especialista ou crítico, apenas desejo sover um tipo de conhecimento que enaltece o que há de positivo nas individualidades: aquilo que vejo e apreendo, me transforma e a mais ninguém.

Ultimamente tenho passeado pelas obras do período Barroco (situado entre os séculos XVI e XVII). Eis um estilo que busca comover e ressaltar as emoções. Entre os mestres da arte barroca, uma das figuras mais instigantes é o italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (29 de Setembro de 1571 – 18 de Julho de 1610). De temperamento irascível e espírito irrequieto, Caravaggio produziu telas que espantam pelo realismo e pelas feições retratadas. Seus modelos eram as pessoas comuns das ruas. Por utilizar esse recurso estético, o pintor conquistou desafetos, e foi acusado de usar o corpo de uma prostituta fisgada morta do rio Tibre para pintar a Morte da Virgem.

Auto-retrato
Um dos trabalhos mais enigmáticos de Caravaggio foi a obra Davi com a Cabeça de Golias – produzida entre 1606 e 1610. A tela mostra Davi segurando a cabeça decapitada do gigante e olhando para ela com uma expressão de compaixão. A cabeça de Golias, na verdade, é a cabeça do próprio Caravaggio – um auto-retrato que revela o estado de espírito do pintor nos anos que antecederam sua morte.

Caravaggio pintou o quadro logo após ter recebido o perdão do Vaticano – o pintor metia-se em duelos com freqüencia, um pecado abominável. Na espada de Davi uma frase: “A humildade vence o orgulho”. A metáfora era o reconhecimento de que a autoridade moral pode e deve ser exercida com rigor e comiseração. Que a lei e o amor não podem ser confundidos com passividade. E por último, que a análise dos próprios atos é indispensável para as consciências.

Nacionais – Curtas

3º mandato
Neste domingo, a Folha de São Paulo publicou uma pesquisa que pôs água na fervura de muitos “companheiros”. Segundo o instituto Datafolha, 65% dos entrevistados rejeitam um terceiro mandato consecutivo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Só 31% apoiariam essa possibilidade. Nem mesmo no Nordeste, onde o petista é mais bem avaliado, essa hipótese conta com o apoio da maioria da população. Detalhe: O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), aparece como favorito para as próximas eleições.

CPMF e sonegação
O presidente Lula afirmou que somente o Democratas e os sonegadores de impostos são contrários à CPMF. A agressividade das declarações e fato de que o próprio Lula sair para o jogo, demonstram que a situação do governo não é confortável. De tudo isso, no entanto, é bom saber que o presidente mira nos sonegadores de impostos. É uma boa hora, inclusive, para saber o que aconteceu com os petistas “aloprados”, supreendidos nas últimas eleições presidenciais andando com malas de dinheiro sujo – o escândalo do dossiê, lembram? Afinal, a grana, de origem desconhecida, não pagou impostos, nem a amada CPMF… (Acharge abaixo é do Sponhloz)

Brasil, Espanha e Venezuela – A metáfora do recreio

Um leitor amigo enviou-me por e-mail um artigo bem interessante, de autoria atribuída ao advogado Fernando Lopes. O texto faz uma comparação entre o comportamento de Lula e do rei da Espanha, Juan Carlos, frente as tagarelices do presidente venezuelano Hugo Chàvez. Transcrevo abaixo, em azul, algumas passagens. A íntegra pode ser lida no site Usina de Letras, clique aqui.

O cala a boca do Rei
Todo menino passou por isso ao menos uma vez: Ter de encarar um valentão na escola. Todo mundo já foi para o recreio passando por uma odisséia mental, e a nada metafórica górgona que o aguardava era um moleque mais velho e mais forte, espancador de menores e ladrão de merenda. Todos conhecem o tipo. E todos evitavam cruzar com ele, claro. Quanto maior a distância, menor o problema.

Mas alguns usavam uma tática oposta; viviam puxando o saco do sádico mirim. Eram os baba-ovos de plantão, que compravam a simpatia dele com as adulações. Quando o valentão escolhia um deles pra extravasar sua violência natural, a saída do puxa-saco agredido era fingir que tudo não passava de uma brincadeirinha do amigão. (…)

Semana passada Lula riu de Hugo Chávez quando foi chamado de sheick da Amazônia e de magnata do petróleo, entre outras graves ofensas. Tudo televisionado. (…) Lula fez o papel de amiguinho para apanhar menos. (…) Não só ele, mas, aos olhos do mundo, todo o Brasil foi, de novo, agredido verbalmente pelo venezuelano. O mesmo que chamou nosso Congresso de papagaio dos americanos.

O rei da Espanha não comunga com esses pensamentos. Não agiu como Lula, fingindo que era tudo brincadeirinha do amigão do peito. Não foi fraco, não foi pusilânime. Quando o psicopata falou mal da Espanha e do ex-primeiro-ministro José Maria Aznar, chamando-o de fascista, ouviu o merecido cala-boca; rei Juan Carlos, um homem educado, piloto aposentando da Força Aérea espanhola, fidalgo que bem representa seu país, deu seu recado ao ditador. (…) Estamos mal. (…) É de chorar; justamente quem deveria, até pela força de seu cargo, defender o Brasil de Chávez, preferiu fingir que a pancada não doeu. (…) Com Evo Morales não foi diferente. O boliviano espoliou e humilhou o Brasil invadindo militarmente a Petrobrás, com transmissão ao vivo pela TV mundial. Lula fez que não era com ele. Como se a pedrada não tivesse atingido suas costas. O rei espanhol provou que tudo tem limite.

Na escola em que o rei Juan Carlos ministra aulas, Lulla ainda está no primário. E Chávez o espera no recreio, para roubar nossa merenda.

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