Alegria de pobre dura pouco
Checar os fatos. Essa é a regra número um do jornalismo. Mas sabem como é, com tanta correria, tanta competição e notícias em profusão, tudo o que sai chancelado por alguma instituição famosa termina virando uma verdade instantânea. Não raro, as informações, lidas às pressas, terminam por distorcer a verdade. Jornais de todo o país estamparam como certa a informação de que o Brasil é a sexta economia do mundo, ao lado de potências como Inglaterra e França, e à frente de países como Finlândia e Suécia. Aqui mesmo neste blog a notícia foi reproduzida (veja abaixo), embora o comentário tenha alertado para a necessidade de alguma desconfiança para tanta pujança, caso contrário, seria razoável supor que europeus fugiriam da estabilidade sem graça no frio continente, para buscar sol, calor e prosperidade por aqui.
Bom, a festa durou pouco. O jornalista Reinaldo Azevedo e editor de economia da Revista Veja, Giuliano Guandalini, mostraram uma forma diferente de ler os dados do Bird:
O tamanho do Brasil: país está em 10º lugar no ranking do PIB, não em 6º. E caiu uma posição – De acordo com o Bird, levando-se em conta a paridade do poder de compra, o chamado PPP, o Brasil responde por metade da economia da América do Sul, com o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto. Estaríamos no mesmo patamar de Reino Unido, França, Rússia e Italia.
O Banco Mundial resolveu empregar um critério de arredondamento — mesmo para a medição do PIB PPP, que é mais generoso com os países emergentes — que se usava antigamente nas escolas quando as notas eram dadas por números. Tudo o que estiver abaixo de meio ponto, eles arredondam para baixo; o que estiver acima, para cima.
A tabela, lida sem os arrendondamentos é a seguinte:
Brasil: 2,88%; Reino Unido: 3,46%; França: 3,39%; Rússia: 3,09%; Itália: 2,96%. DE FATO, O BRASIL ESTÁ EM 10º LUGAR. Mas isso não é tudo: caiu uma posição.
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