Conflito de interesses inviabiliza articulação pelo Ceará
Por Wânia Caldas, no O Povo:
Divergências políticas atrapalham o Ceará, diz Machado
O desenvolvimento do Ceará depende de articulações políticas e de investimento em tecnologia e infra-estrutura. A opinião é do presidente da Transpetro, Sérgio Machado
O Ceará precisa unir forças políticas, mesmo que antagônicas, para não perder a oportunidade de desenvolver-se nos próximos anos. A afirmação é do presidente da Petrobras Transporte S.A. (Transpetro), Sérgio Machado. (…) O problema, segundo ele, é que o Ceará tem políticos fortes, mas as divergências ainda comprometem os interesses do Estado. “Temos todos que fazer parte do Partido do Ceará”. – Leia mais.
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Eis o ponto sobre o qual nossos políticos evitam falar. Alguns preferem culpar a ausência de investimentos no Ceará criticando o fim da CPMF, como se o imposto fosse uma solução nova e milagrosa, e não um recurso antigo, que nem mesmo possui previsão de repasse aos estados. Machado chama a atenção, indiretamente, para outro fato: como não existe uma política nacional de combate às desigualdades regionais, ganha quem for mais articulado politicamente. Infelizmente, não é o nosso caso.
E não adianta cobrar a oposição, não. Durante os governos tucanos no Ceará, quando FHC era presidente, havia articulação que gerava resultados. Políticos do circuito local, como Beni Veras, Ciro Gomes e Bismarck Maia, ganharam projeção nacional, assumindo ministérios e direções partidárias. Hoje, o governo estadual é aliado de Lula, mas Sérgio Machado, um político da terra que ocupa um cargo visado na administração federal, acusa a falta de força política do Ceará. Essa realidade contrasta duramente com promessas recentes. Nas últimas eleições, Cid Gomes e Inácio Arruda não perdiam a oportunidade de alardearem a conveniência frutífera que seria a vitória dos aliados do presidente Lula. Quantos eleitores acreditaram nisso.
O problema é que não existe, no Ceará, atualmente, um projeto administrativo bem delineado, com metas claras e focos estabelecidos. Politicamente, existe apenas a reunião de projetos paralelos: de um lado os ciristas, de olho na candidatura presidencial de Ciro Gomes; do outro, os petistas, que pegaram carona na candidatura Cid por falta de força própria (o caso mensalão fragilizou a sigla), mas que no fundo não aceitam o papel de coadjuvantes. São aliados circunstanciais que convivem a espera da traição mútua. Aí os interesses do estado ficam em segundo plano. Sérgio Machado tem razão.




