Conflito de interesses inviabiliza articulação pelo Ceará

Por Wânia Caldas, no O Povo:
Divergências políticas atrapalham o Ceará, diz Machado
O desenvolvimento do Ceará depende de articulações políticas e de investimento em tecnologia e infra-estrutura. A opinião é do presidente da Transpetro, Sérgio Machado

O Ceará precisa unir forças políticas, mesmo que antagônicas, para não perder a oportunidade de desenvolver-se nos próximos anos. A afirmação é do presidente da Petrobras Transporte S.A. (Transpetro), Sérgio Machado. (…) O problema, segundo ele, é que o Ceará tem políticos fortes, mas as divergências ainda comprometem os interesses do Estado. “Temos todos que fazer parte do Partido do Ceará”. – Leia mais.

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Eis o ponto sobre o qual nossos políticos evitam falar. Alguns preferem culpar a ausência de investimentos no Ceará criticando o fim da CPMF, como se o imposto fosse uma solução nova e milagrosa, e não um recurso antigo, que nem mesmo possui previsão de repasse aos estados. Machado chama a atenção, indiretamente, para outro fato: como não existe uma política nacional de combate às desigualdades regionais, ganha quem for mais articulado politicamente. Infelizmente, não é o nosso caso.

E não adianta cobrar a oposição, não. Durante os governos tucanos no Ceará, quando FHC era presidente, havia articulação que gerava resultados. Políticos do circuito local, como Beni Veras, Ciro Gomes e Bismarck Maia, ganharam projeção nacional, assumindo ministérios e direções partidárias. Hoje, o governo estadual é aliado de Lula, mas Sérgio Machado, um político da terra que ocupa um cargo visado na administração federal, acusa a falta de força política do Ceará. Essa realidade contrasta duramente com promessas recentes. Nas últimas eleições, Cid Gomes e Inácio Arruda não perdiam a oportunidade de alardearem a conveniência frutífera que seria a vitória dos aliados do presidente Lula. Quantos eleitores acreditaram nisso.

O problema é que não existe, no Ceará, atualmente, um projeto administrativo bem delineado, com metas claras e focos estabelecidos. Politicamente, existe apenas a reunião de projetos paralelos: de um lado os ciristas, de olho na candidatura presidencial de Ciro Gomes; do outro, os petistas, que pegaram carona na candidatura Cid por falta de força própria (o caso mensalão fragilizou a sigla), mas que no fundo não aceitam o papel de coadjuvantes. São aliados circunstanciais que convivem a espera da traição mútua. Aí os interesses do estado ficam em segundo plano. Sérgio Machado tem razão.

Melhor ficar calado

Do portal G1:
Guido Mantega nega ter sido repreendido por Lula
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou nesta segunda-feira (17), em entrevista em Montevidéu, onde participa de uma reunião do Mercosul, a notícia de que tenha sido repreendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ter defendido a criação de um novo imposto por meio de medida provisória (MP). “O presidente não me fez nenhuma reprovação. Isso foi interpretação dos jornais”, disse o ministro. Leia mais.

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Guido Mantega virou ministro mais pela ficha limpa do que pela habilidade política ou conhecimento econômico. Sua função é ficar calado enquanto Henrique Meireles toca o Banco Central. Mas às vezes ele se esquece disso e fala, fala, fala, até levar um pito do chefe. Depois diz que a culpa é da imprensa.

Em homenagem à incontinência verbal do ministro, uma frase de Abraham Lincoln:
“É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você talvez seja tolo do que falar e acabar com a dúvida.”

"O mundo não acabou", afirma Lula

Matéria de capa do jornal O Povo:
Lula nega novo imposto e desautoriza Mantega
Ministro da Fazenda admitiu, em entrevista publicada ontem, que o governo pode recorrer à criação de um novo tributo para compensar as perdas com a CPMF. Lula, porém, diz que aumentar a carga tributária seria “uma loucura”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o ministro Guido Mantega (Fazenda) terá que convencê-lo da necessidade da criação de um novo tributo para compensar a perda na arrecadação com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Lula contestou Mantega e disse que não serão feitos cortes nos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e em programas sociais, como havia declarado o ministro em entrevista ao à imprensa. Leia mais.

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O governador Cid Gomes pode ficar mais calmo agora, uma vez que o presidente Lula garante que o PAC não sofrerá cortes. Nem os programas sociais. Assim, sem prejuízos para os investimentos governamentais, o negócio é o governo a reavaliar seus gastos e eliminar a gastança improdutiva.

Lula afirmou que depois que a relação entre o governo e o Senado “vai ficar a mesma”, e que é necessária “independência e harmonia” entre os poderes. Depois ele voltou ao normal e disse que os senadores que votaram contra a prorrogação da CPMF não querem que o governo dê certo ou acreditam na teoria “do quanto pior melhor”.

Sobre as declarações do ministro e de seu chefe Lula, o comentário de Alexandre Garcia no Bom Dia Brasil de Hoje foi perfeito. Confira abaixo, em azul:
No “day after”, o ministro teve que mostrar que a ameaça era apenas para pressionar os senadores – e não funcionou. Agora, é preciso mostrar que o equilíbrio fiscal não vai despencar e que se pode continuar confiando. No passo seguinte, o ministro fala em criar imposto e cortar investimento – e traz outra ameaça.

E aparece o salvador, o presidente Lula, a desautorizar o ministro e a afirmar que o governo tem que achar outros caminhos que não o simples aumentar imposto e cortar investimento. Cada um cumpre o seu papel: o ministro da fazenda é sempre o algoz e o presidente, sempre o autor das soluções.

Como (…) investimentos nem têm margem para corte, o presidente pode ter que contrariar suas convicções e cortar a gula de gerar empregos, em que o setor público é campeão: mais de 400 mil, nos últimos dois anos. Onde faltar recurso, o governo já sabe que o que aplicou em rodovias e geração de energia dá certo: é privatizar, para garantir o investimento. Aí, o governo pode até descobrir que a queda da CPMF pode servir para deixá-lo enxuto e azeitado. Leia mais.

Charge

Charge do Amarildo, no Correio do Povo (RS)

Brasil, sil, sil, sil….

Site da Veja:
Mundo não vê Brasil como uma potência
Uma pesquisa realizada pela Fundação Bertelsmann, uma das mais respeitadas da Alemanha, revela como o papel do Brasil no cenário mundial é visto de maneira diferente por brasileiros e por estrangeiros. Entre os brasileiros, 13% dos entrevistados disseram acreditar que o país já é uma potência mundial; cerca de 30% apostam que a nação alcançará tal estágio em 2020. Entre os estrangeiros, porém, essa expectativa cai: 5% vêem o Brasil como potência e 11% acham que ele o será até 2020.

O levantamento foi feito com cidadãos dos Estados Unidos, Europa, Japão e de quatro economias emergentes: China, Brasil, Índia e Rússia – o famoso grupo conhecido pela sigla “Bric”. No total, 9.000 pessoas foram entrevistadas, das quais 1.500 no Brasil.

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François VI, o conde de La Rochefocault, dizia que nós nos julgamos pelo que acreditamos ser capazes de fazer, mas que somos julgados pelo que já fizemos. Penso que o mesmo vale para as nações. O Brasil de hoje, o que não desiste nunca das propagandas oficiais, revive uma reedição moderada do ufanismo que reinou no país durante o milagre econômico dos anos 70, a época do “ame-o ou deixe-o”. A diferença é que não experimentamos milagre algum na atualidade. E é isso o que mostra a pesquisa acima.

O Brasil é uma espécie de Ferroviário no palco das nações. Todos simpatizam com ele. Ambos não incomodam e hostilizam ninguém. Nunca são campeões no que realmente interessa. Muito do que as pessoas pensam sobre o Brasil é fruto de propaganda política vitaminada por uma imprensa colaboracionista. O bio-combustível não vai substituir o petróleo e mudar o mundo a curto prazo (se acontecer, as nações que investem bilhoes de dólares em pesquisa e educação tomarão a frente do negócio); o Fome Zero Mundial que Lula propôs, com a pitoresca sugestão de tributar o comércio de armas, não passa de conversa fiada; o clube dos países em desenvolvimento, liderado pelo Brasil, Índia e China não vai andar, pois ìndia e China não precisam de nós; e a revolução política que a esquerda latino-americana promove sob a liderança de Cháves e Lula não resiste a uma “cala a boca” europeu. Não quero parecer chato, mas se não tivermos os pés no chão, vamos viver eternamente como Policápio Quaresma: ufanistas e tolos, vivendo de glórias falsas, enquanto os problemas reais crescem diante de todos.

Cid afirma que, com o fim da CPMF, vai faltar o que nunca houve – obras no Ceará

O Povo:
Cid diz que oposição foi “inconseqüente” – O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), diz temer sobre o futuro do País e aponta a possibilidade de “retrocesso” no investimento em algumas áreas. No Ceará, ficam sob ameaça com o novo quadro investimentos de cerca de R$ 1 bilhão em obras –
Leia mais.

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E a gora? O Ceará ficará sem as formidáveis e incríveis obras anunciadas para o futuro? Por conta disso estaremos condenados? Mas, passados cinco anos de governo Lula e um de Cid, irrigados pela fartura da CPMF, onde estão as obras erguidas? Em lugar nenhum. Aliás, qual a execução orçamentária deste ano no Estado? O governador deveria dizer que se o Planalto cortar o que prometeu gastar no Ceará, isso não será novidade alguma. Onde estão o metrô, a refinaria, a siderúrgica e as estradas? Não faltava ao governo a miraculosa CPMF…

A CPMF que jorrava nos cofres federais não fará falta ao Ceará. O que nos falta é peso político, é uma bancada atuante e organizada. Cid tenta compensar essa fragilidade mostrando solidariedade ao discurso do Planalto. Mostrar tanta solicitude a quem nos ignora é pedir para ser desprezado.

Opositores fazendo oposição?
Cid afirma que a oposiçõ foi rancorosa. Por inversão, melhor seria, então, que ela fosse amorosa. Oposição votando contra o governo? Que absurdo, não é? O governador está mal acostumado. Além do mais, é preciso ter mais respeito pelas normas democráticas e pelos adversários. A vitória da oposição foi legítima e legal, respeitando os trâmites e as normas, sem subterfúgios e trapaças.

Saúde, CPMF e o método analítico dedutivo

Durante a votação da CPMF, o presidente Lula enviou uma carta aos senadores, com o compromisso de aplicar na Saúde, 100% do arrecadado com o imposto. Ninguém acreditou, uma vez que o governo é conhecido por descumprir os acordos que ele mesmo propõe antes das votações. Ao mesmo tempo, qual o principal argumento da base aliada? Que a Saúde, cujo orçamento inclui o bolsa-família, será atingida pela rejeição a prorrogação da CPMF.

Obviamente, cruzadas as informações, falta lógica ao argumento, que contradiz a carta presidencial, conforme lembrou o prefeito César Maia (DEM-RJ), em seu ex-blog:

As mentiras do governo ficaram expostas e com assinatura de Lula, ao dizer que 100% da CPFM ia para a saúde. Então a CPMF não era a base do bolsa-família. Elementar meu caro Watson!

Seguindo o método analítico dedutivo imortalizado pelo detetive fictício Sherlock Holmes, de quem Watson era ajudante, fica a pergunta: Se a CPMF é vital para a Saúde, mas é desviada para outros fins, como a Saúde viveu até hoje sem ele? E por que o dinheiro que não vinha antes irá inviabilizá-la agora?

Adeus CPMF

Tem muita gente boa (outros nem tanto) que aponta a não prorrogação da CPMF pelo Senado Federal como uma prova de que os partidos e os políticos são todos oportunistas. Seriam todos inversa e proporcionalmente desonestos, afinal, quem era contra o imposto ontem, hoje é a favor e vice-versa. Essa é uma tese aparentemente “isenta”, mas que ao igualar condutas desiguais, apenas serve ao discurso de quem é useiro e vezeiro em trair o próprio passado.

Em cinco anos de governo Lula, pela PRIMEIRA VEZ a oposição mudou de posição em relação a uma matéria. Logo no primeiro mandato do petista, o PSDB e DEM votaram a favor a reforma da Previdência, mantendo a coerência com o passado. Pela PRIMEIRA VEZ o governo Lula amarga um problema criado pela oposição – até agora, todas as confusões em que se meteu foram geradas por correligionários e aliados. E mesmo agora, quando mudaram uma posição, tucanos e democratas apresentaram explicações bem fundamentadas. Além das conjunturas econômicas diferentes (no governo FHC havia uma crise mundial), a comparação entre o nível de arrecadação entre os dois períodos é gritante – o Brasil tem uma carga tributária que beira os 50% do PIB, e isso, só isso, já compensa o fim da CPMF.

Diferente são os governistas que mudaram de posição em TODAS as matérias relacionadas ao Erário e aos gastos públicos. Lula até tomou emprestada a expressão “metamorfose ambulante”, para explicar e evidenciar isso. Notem outra metamorfose interessante, muito reveladora: Antes eles diziam que eram melhores do que os outros, agora se contentam em alardear que não piores do que ninguém. O que mudou? Ora, as circunstãcias, mas a essência, essa sempre foi a mesma, nunca mudou.

O fato é que o governo tinha maioria para aprovar a CPMF. Faltaram-lhe quatro votos, mas seis senadores da base aliada votaram contra o imposto. No entanto, já tem jornalista escrevendo sobre o rombo imposto pela oposição, alegando que as motivações foram inveja ou ressentimento. É o pessoal que cobra dela a coerência que falta ao governo – e entenda-se por coerência o hábito da oposição em assumir, por mais de uma oportunidade, o ônus da governabilidade alheia. Também não vai faltar quem diga que agora todos os problemas do Brasil nasceram com a derrota do governo. É o mesmo pessoal que admira a democracia de Hugo Chávez. Para eles, oposição responsável é aquela que vota com o governo sempre. Coisas da América Latina.

A volta do escorpião

Eu bem que procurei outro assunto, mas não deu. Vejam essa notícia publicada no jornal O Estado:
Prefeita quer taxar 13º salário – Servidores municipais poderão ter que pagar contribuição previdenciária sobre décimo terceiro salário, caso a mensagem enviada a Câmara Municipal ontem, pela Prefeitura de Fortaleza, seja aprovada. Estão incluídos os segurados, inativos e pensionistas. O nome da nova contribuição será Prevfor. A Lei que trata do regime é a de nº 9.136, de 26 de dezembro de 2006. A alteração da Lei tem como objetivo a obtenção do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP). (…) Para o líder da prefeita, vereador Guilherme Sampaio (PT), a aprovação da mensagem é necessária. “Sem o desconto o 13º salário, o município não recebe o CRP e consequentemente não receberemos verbas do Governo Federal para serem aplicadas em políticas sociais, com a construção do Hospital da Mulher”, afirmou.

Procurador da República acusa Prefeitura de Fortaleza de mentir às custas do contribuinte

Alessander Sales, procurador da República no Ceará, assina um duro artigo no O Povo desta terça. Confiram alguns trechos:

Réveillon 2006/07: a mentira paga
O Município de Fortaleza, através de matérias pagas nos meios de comunicação da cidade tem divulgado que o TCU atestou a regularidade de sua conduta quanto a realização do Réveillon 2006/2007, o que demonstraria o interesse político das denúncias apresentadas. É preciso esclarecer a sociedade, no entanto, que tais afirmações não são verdadeiras. Na verdade, o TCU concluiu : 1) pela regularidade do repasse de verba da CEF para a empresa D&E, mesma conclusão a que chegou o Ministério Público; 2) que caberia ao TCM e não ao TCU aferir a regularidade dos recursos repassados pelo pelo Banco do Brasil; 3) que as verbas repassadas pelo Ministério do Turismo a Oscip Ação Novo Centro , bem como o repasse feito pelo BNB, como não foram ainda aplicadas, nada caberia ao TCU, por hora, analisar.

Assim, a decisão do TCU em nada interfere na atuação do Judiciário, na ação de improbidade já proposta pelo Ministério Público. Até o julgamento final desta ação não se poderá afirmar a regularidade da atuação do Município de Fortaleza, pois ainda cabível a condenação dos réus por improbidade administrativa.

Ao MPF cumpre reafirmar a correção de sua atuação no caso, que resultou em uma ampla, célere e isenta apuração dos fatos e teve, como objetivos, a busca da verdade e a proteção do patrimônio público, não sendo aceitável qualquer afirmação, de quem quer que seja, de atuação guiada por qualquer outro interesse, notadamente de origem política. O MPF já está investigando a realização do próximo Réveillon, para não permitir que os comportamentos anteriormente ocorridos e qualificados na ação como atos de improbidade administrativa possam vir a se repetir com a ocorrência de sérios danos ao patrimônio público.

Portanto, sendo esta a verdade, moralmente condenável a conduta do Município de tentar escondê-la da sociedade através de matérias pagas com o dinheiro público.

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Resumindo a peleja, o procurador esclarece ao público as diferenças existentes entre REPASSE e GASTO de verbas. Realmente, o TCU atestou que o repasse da Caixa Econômica para uma das empresas envolvidas na festa foi regular – conclusão referendada pelo próprio MPF. A questão não é como o dinheiro chegou aos cofres da Prefeitura – é como ele saiu de lá. Esse é o objeto da ação de improbidade.

De resto, o procurador não é filiado a nenhum partido, nem é candidato a cargo eletivo. Nesse caso, tentar desqualificar o MPF acusando-o de agir por conta de interesses políticos não deve surtir efeito, por absoluta falta de verossimilhança. Ou a Prefeitura explica como foi gasto o dinheiro, ou uma sombra de dúvida a perseguirá no ano eleitoral.

Ceia tributária

A CPMF está na pauta política deste final de ano. Afinal, com o aumento da carga tributária, o imposto ainda é necessário? O Estado é perdulário? O governo pode cortar gastos e aliviar os contribuintes? Essa ciranda de impostos não imobiliza as forças produtivas do mercado?

Como podemos ver, muitas são as questões derivadas desse imbróglio. A Folha Online publicou uma pesquisa muito oportuna – combina tributação com festas natalinas – reveladora de uma situação que beira a extorsão pelos valores, e a loucura, pelo número de impostos.

Carga tributária sobre itens da ceia de Natal passa de 50%
A carga tributária incidente no preço total dos produtos natalinos pode ultrapassar 50% em determinados produtos, segundo pesquisa da VerbaNet Legislação Empresarial Informatizada. “A voracidade fiscal do Estado brasileiro impede que mais alimentos façam parte da mesa das famílias, não só no Natal e Ano Novo, mas durante o ano inteiro”, afirma o contador Ernesto Dias de Souza, coordenador da pesquisa.

A pesquisa levou em consideração os seguintes tributos: ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica), CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), PIS (Programa de Integração Social), Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público); e II (Imposto de Importação). Leia mais aqui.

PAC privilegia capitais do PT, mas Fortaleza fica de fora

Por Fábio Zanini, da Folha de São Paulo:

Divisão de verbas do PAC privilegia capitais do PT
Das 10 prefeituras com mais recursos per capita, 6 são chefiadas por petistasMunicípios comandados por aliados também estão entre os mais beneficiados; governo federal diz que não há favorecimento político.

A população de capitais administradas pelo PT foi privilegiada na divisão do bolo de investimentos federais do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em urbanização e saneamento, um dos grandes trunfos políticos do governo para as próximas duas eleições, no ano que vem e em 2010.Levantamento feito pela Folha no volume per capita de recursos para obras nas 26 capitais estaduais mostra que, entre as dez primeiras, seis têm prefeitos petistas.

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E Fortaleza? Além de ser a 5ª capital do país, é administrada pelo PT. Mas não consta na lista das mais contempladas. Como não é razoável supor que a capital cearense esteja tão bem que chega a dispensar investimentos federais, é lícita a investigação de outras possibilidades. Listo algumas:

1) O Ceará não consta – de forma alguma e por qualquer critério – como uma prioridade para o Governo Federal. Basta-lhe o Bolsa-família;
2) Luizianne não consegue inspirar confiança administrativa nem em seus aliados. Sua imagem de paralisação gerencial termina por postergar ou inviabilizar investimentos;
3) A bancada cearense aliada ao Planalto – incluindo o governador Cid e o senador Inácio Arruda – é boa para pedir votos ao candidato Lula e para defender a cobrança da CPMF. Quando o assunto é verba federal, nada feito;
4) Luizianne foi candidata sem apoio do Planalto. Desafiou José Dirceu e o centralismo democrático da sigla. Não foi expulsa porque venceu o pleito. Mas está por conta própria, abandonada pelo companheiros que esperam o dia da vingança;
5) Todas as alternativas juntas.

Pesquisa Datafolha mostra Moroni na frente em Fortaleza

O Datafolha fez pesquisa eleitoral em nove capitais. O resultado está na Folha de São Paulo deste domingo. Seguem abaixo os cenários de Fortaleza. Moroni lidera com folga e Luizianne, que disputa a reeleição, fica empatada com Lúcio Alcântara. Numa análise preliminar, fica patente o “recall” de ambos, ou seja, a intenção declarada na pesquisa reflete que Luizianne e Moroni são os mais conhecidos pelo eleitorado, em virtude da exposição na última campanha. A imagem da prefeita precisa de reparos urgentes, pois a liderança de Moroni é uma resposta estimulada pela insatisfação dos eleitores em relação a atual gestão. Nesse momento, a pesquisa mostra que Patrícia Saboya e Marcos Cals são lembrados para a próxima eleição, sem contar que ainda não foram lançados como candidatos oficiais de seus partidos.

Cenário um – Com Patrícia Saboya
- Moroni Torgan (DEM) – 29%
- Luizianne Lins (PT) – 19%
- Lúcio Alcantara (PR) – 17%
- Patrícia Saboya (PDT) – 10%
- Antonio Cambraia (PMDB) – 6%
- Marcos Cals (PSDB) – 5%
- Renato Roseno (PSOL) – 3%
- Branco/nulo/nenhum – 7%
- Não sabe – 4%

Cenário dois – Com Heitor Férrer
- Moroni Torgan (DEM) – 30%
- Lúcio Alcantara (PR) – 19%
- Luizianne Lins (PT) – 16%
- Antonio Cambraia (PMDB) – 8%
- Heitor Ferrer (PDT) – 6%
- Marcos Cals (PSDB) – 5%
- Renato Roseno (PSOL) – 3%
- Branco/nulo/nenhum – 8%
- Não sabe – 5%

A metamorfose como método

Clássico da literatura mundial, 1984 é uma distopia desconcertante. Seu autor, George Orwell (1903 – 1950), foi militante comunista e chegou a lutar na Guerra Civil Espanhola. Com a maturidade, desiludiu-se com o ideário marxista soviético e passou a denunciá-lo como um totalitarismo violento. Na trama, Orwell desenvolve o conceito de “duplipensar”, que tem tudo a ver com a “metamorfose ambulante” de Lula. Leia e entenda.

O presidente Lula confessou espontaneamente que suas convicções mudam ao sabor das circuntâncias, e que isso não lhe causa vergonha. A revista Veja desta semana entrevista o ministro Guido Mantega, da Fazenda, explica a natureza do seu pensamento: “Aquela história de protecionismo, que eu mesmo defendi, hoje não vale nada”. Luís Marinho, ex-presidente da CUT e agora ministro do Trabalho, defende o que antes considerava crime: a reforma da Previdência. No Ceará, Luizianne criticava os incentivos fiscais concedidos pelo governo Tasso, mas depois de eleita, os adotou. Os exemplos variam de lugar e objeto, mas possuem algo em comum: seus protagonistas, uma vez instalados no poder, mudam de opinião sem nenhum constrangimento, e passam a fazer o que antes condenavam. É claro que iso não é uma infeliz coincidência! É uma regra de comportamento político, um método disseminado entre certos grupos ideológicos.

Indiquei recentemente a leitura do clássico 1984, do inglês George Orwell (foto), para quem desejar entender como se dá essa capacidade de viver em contradição sem nunca reconhecer um erro. Em sua distopia política, Orwell a chamou de “duplipensar”: uma técnica totalitári que consiste em enganar a memória. Abaixo transcrevo uma breve passagem do livro, que bem ilustra o que eu digo:

Saber e não saber, ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultâneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas; usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da democracia e que o Partido era o guardião da democracia; esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. Essa era a sutileza derradeira: induzir conscientemente a inconsciência, e então, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. Até para compreender a palavra “duplipensar” era necessário usar o duplipensar.

Nem metamoforse ambulante nem maluco beleza. É oportunismo mesmo!

“Eu não tenho vergonha e muito menos tenho razão para não dizer que eu mudo de posição e há muito tempo eu digo que prefiro ser considerado uma metamorfose ambulante, ou seja, mudando à medida que as coisas mudam.” – Presidente Lula, em discurso proferido na última quarta-feira, citando a famosa música de Raul Seixas para explicar suas contradições sobre a CPMF.

“Eu vinha a Brasília para convencer o PT a votar contra a CPMF. E baixei o centralismo.” – idem, demonstrando como funciona a democracia em seu partido.

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Notem bem: a revelação do presidente não foi algo que “escapuliu”, muito menos um ato falho. Foi uma confissão intencional sobre um modo de fazer política. A respeito da CPMF, Lula diz que a depender das circunstâncias é que suas convicções se formam. Mudar de opinião, todos mudam, mas com critérios e, principalmente, com penitência. É preciso dizer o que mudou e o que estava errado no passado. No entanto, a ambição de Lula é estar sempre com a razão, mesmo quando se declara contra ou a favor sobre um mesmo assunto. É uma forma de insinuar que suas escolhas nunca estão erradas. E amanhã, como Lula se posicionará? Bom, se as coisas mudarem – se for outro o presidente, por exemplo – a metamorfose ambulante deverá ser contra a CPMF. Afinal, ele não tem vergonha de mudar. O pior é que esse mesmo ser metamofórmico não entende as razões pelas quais seus adversários mudam de opinião.

Baixar o centralismo
Noutro momento, o presidente afirma que foi a Brasília pressionar os deputados petistas a votarem contra a CPMF. Como argumento principal, ele disse que “baixou” o centralismo. Por coincidência, segunda-feira, ao comentar sobre as eleições internas do PT, celebrada por muitos como exemplo de democracia, publiquei o seguinte post: Centralismo democrático não é sinônimo de democracia, onde explico a função desse conceito leninista. Em resumo, serve para dar uma aparência de democracia a uma estrutura totalitarista, caracterizada por um comando central forte e inflexível. Não por acaso, na época em que Lula “baixou” o centralismo (eufemismo para a expressão “baixou o cacete”), o então deputado federal Eduardo Jorge (PT-SP), quase foi expulso do partido por ter sido favorável à CPMF, tal como o presidente hoje. Devidamente enquadrado pelo centralismo democrático – o deputado serviu de exemplo a outros rebeldes.

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