A polêmica sobre a pílula do dia seguinte não esclare o principal: quando começa a vida?

Estadão: Juiz indefere liminar e mantém distribuição de pílula no Recife
O juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública de Recife, Ulisses Viana Filho, indeferiu na terça-feira, 29, a liminar impetrada na última segunda-feira, 28, pela Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde (Aduseps), que pedia a suspensão da distribuição da pílula do dia seguinte - levonorgestrel 0,75 mg - entre os dias 2 e 5 de fevereiro, sob o argumento de que o medicamento é abortivo.

“É verdade que em nosso país o aborto é considerado crime doloso contra a vida, mas em nenhum momento a Aduseps comprovou que o medicamento tenha natureza abortiva”, afirmou o juiz. (…) “A documentação apresentada assevera que a droga a ser utilizada é cientificamente considerada contraceptiva e não abortiva”. Ele considerou “irrelevantes” as opiniões religiosas que condenam o uso de preservativos ou contraceptivos sem qualquer respaldo da comunidade científica. Leia mais.

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Calma lá! O materialista ateu sempre alega a ciência para justificar o seu ceticismo. No entanto, da mesma forma que a ciência não é capaz de provar a existência de Deus, também é incapaz de provar Sua inexistência. Nesse caso, o critério científico não passa de uma ato de fé. De forma análoga, a pílula do dia seguinte não é “cientificamente” considerada abortiva pelo mesmíssimo motivo pelo qual podemos considerá-la abortiva: não existe consenso na ciência sobre o momento exato em que a vida começa. Alguns acreditam que seu início começa com a concepção, outros advogam que, nas primeiras semanas, o óvulo fecundado não passa de um apêndice do corpo da gestante. Se não existe consenso sobre quando começa a vida, escrúpulo por demais importante para que tudo o que se decida a respeito não seja baseado em premissas incontestes, então é forçoso concluir que eliminar um óvulo fecundado poucas horas atrás, pode ser um aborto. Somente a dúvida, por menor que seja, sobre a possibilidade de que um crime possa cometido com a ingestão desse coquetel hormonal, bastaria ao juiz para determinar a suspensão da pílula do dia seguinte.

Um pouco de lógica também não faria mal ao magistrado. Contraceptivo, o nome já diz, é um método para evitar a concepção. Por isso os anticoncepcionais devem ser ministrados ANTES das relações sexuais e não depois. A pílula do dia seguinte serve, isso é óbvio, para não permitir a evolução da vida que pode ter sido fecundada. Se isso não for um aborto…

No mais, a idéia de que a ciência possui superioridade sobre a religião ou a filosofia para determinar o que é falso ou verdadeiro é um preconceito engendrado no período do Iluminismo. No fundo, trata-se de uma inversão de papéis: a moderna fé na ciência veio substituir a antiga fé religiosa. Mas tanto uma como a outra podem produzir fanatismo e ilusões. Ter a ciência como critério absoluto, abstendo-se de considerar a moral, a cultura e a metafísica, revela uma limitação cognitiva típica das sociedades formadas no capitalismo industrial.

Arrastões humilham política de segurança no Ceará

Diário do Nordeste - ‘Arrastão’ com tiros causa medo no Cocó
Várias pessoas foram assaltadas, no começo da noite de ontem, na Rua dos Manguezais. Os bandidos aproveitaram o congestionamento na via, que faz a ligação entre as avenidas Engenheiro Santana Júnior e Pontes Vieira, e renderam as vítimas. (…) Depois do assalto, os ladrões fugiram para dentro do mangue. Policiais Militares do ‘Ronda do Quarteirão’ estiveram no local, mas os assaltantes conseguiram fugir.

Em recentes reportagens, o Diário do Nordeste mostrou que a área que circunda o Parque do Cocó tornou-se uma das mais violentas de Fortaleza. Os ladrões usam o mangue como rota de fuga. São bandidos que migram para a área oriundos dos conjuntos Tancredo Neves e Tasso Jereissati e do Lagamar. Geralmente os ataques acontecem à noite. Assustados, os moradores apelam as autoridades para cercar o parque ecológico e manter a Polícia ali de forma ininterrupta. Leia mais.

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A única novidade implantada pelo governo Cid Gomes no primeiro ano de mandato foi o polêmico Ronda do Quarteirão. O projeto levantou expectativas numa população amendrotada e cansada da violência. De concreto, o Ronda somente ganhou corpo após várias mudanças na proposta inicial, elaborada ainda na campanha eleitoral. Um investimento milionário que ainda precisa de tempo para ser melhor analisado. O discurso é que o policiamento comunitário aumentará a sensação de segurança.

Mas e o resto da polícia? Os assaltos no entorno do Cocó são recorrentes. A audácia dos ladrões, que perpetram crimes em plena via pública, é uma afronta ao poder constituído e humilha a polícia. Não sou especialista em segurança, mas é óbvio que é necessário mais do carros de luxo para interromper os tais arrastões. Cadê as prisões? Onde são vendidos os bens roubados? A “inteligência” dos órgãos de segurança talvez deva pedir ajuda para a equipe de reportagem do DN, que já deu uma dica importante: os bairros onde os bandidos se escondem.

Por enquanto, apesar das propagandas, das fardas bonitas e dos carrões, a segurança pública no Ceará ainda deixa a desejar.

Fortaleza: Luizianne investe menos do que Juraci

Jornal O Povo: Prefeitura realiza maior volume de investimentos
A gestão Luizianne Lins (PT) realizou, em 2007, o maior volume de investimentos em três anos à frente da Prefeitura. No ano passado, foram investidos R$ 159,6 milhões. Em 2006, haviam sido R$ 106,4 milhões. Em 2005, primeiro ano do governo Luizianne, a quantia havia ficado em R$ 61,5 milhões. (…) Quando a Câmara Municipal aprovou, no fim de 2006, o Orçamento para o ano passado, havia estimado R$ 542,8 milhões em investimentos. Da previsão para a realidade, apenas 29,4% do dinheiro previsto foi aplicado.

Em 2003, quando Juraci estava no penúltimo ano de mandato, foram investidos R$ 144,6 milhões. Em valores corrigidos pela inflação medida pelo IGP-M, chega-se a R$ 185,2 milhões. (…) No último ano de Juraci, em 2004, foram investidos R$ 166,7 milhões - R$ 190,2 milhões em valores corrigidos. (…) A atual gestão argumenta que o ex-prefeito fez investimentos, mas não pagou e deixou a dívida para a atual administração. Leia mais.

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O secretário das Finanças da Prefeitura de Fortaleza, Alexandre Cialdini, é um dos bons nomes da administração municipal. Um dos poucos que conhecem a área na qual atua. Apesar da falta de rumo e projeto, da ausência de resultados, do loteamento político das regionais, dsa disputas entre aliados, a estabilidade na condução da finanças da cidade se deve a competência de Cialdini - que trabalhou com Ednilton Soares no governo estaudal, secretário da Fazenda de Tasso Jereissati.

No entanto, não dá pra fazer milagre. Quando Juraci foi prefeito a arrecadação do município também não bastava para cobrir a demanda por investimentos. Por isso eram necessárias parcerias com as outras esferas governamentais e com instituições de fomento, como o Bird. Para tanto, é preciso que a liderança política transite bem no meio. Luizianne é aliada do governador Cid e do presidente Lula. Mesmo assim, Fortaleza não figura entre as capitais que mais recebem investimentos do governo federal.

Desmatamento na Amazônia: ele não sabia…

Seguem abaixo trechos do artigo assinado por Saulo Ramos, um dos maiores advogados do país, e publicado na Folha de São Paulo. O original pode ser lido por assinantes aqui.

Crime na Amazônia
DE REPENTE, não mais que de repente, como diria Vinicius, o governo federal se escandaliza com o desmatamento da Amazônia. O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) informou que, entre outubro e novembro de 2007, foram desmatados 3.235 km2. Não é verdade. A coisa foi muito pior. Conforme esta Folha publicou, a estimativa da derrubada real das matas amazônicas atingiu 7.000 km2 durante aqueles dois meses. Impressionante é o teatro armado pelo governo federal para fingir estar escandalizado com o crime quando ele mesmo o permitiu, é co-autor declarado, na exata definição jurídica da co-autoria, que consiste em concorrer de qualquer modo para o evento delituoso.

Eu já escrevi tudo isso no livro “Código da Vida”. Podem conferir (capítulos 72 e 73). Com esse comércio ilegal de madeira, em tamanho volume, observei ser impossível o presidente da República não saber de nada. Tanto mais quando lemos nesta Folha: “Governistas controlam maioria das cidades que desmatam mais”. Lula disse agora que se reunirá com os governadores dos Estados envolvidos para se inteirar da situação. Se tivesse lido meu livro, já saberia, pois lá publiquei, em maio de 2007: “Vinte e sete mil quilômetros quadrados de mata derrubada é muito chão. O comércio de tanta madeira somente pode ser efetivado com a conivência dos governos estaduais e federal. Ou não?”. Lula não leu. Lula não gosta de ler. E, de todas as acusações graves, tem um jeito só de se defender: “Eu não sabia”.

Antilulista de esquerda

No post Universidades públicas: “O velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”, falei sobre a “tradição” das greves nas universidades públicas, em contraposição a realidade das instituições particulares. Pois bem. O Povo de hoje publicou um artigo do professor do Departamento de Ciências Sociais da UFC e diretor da ADUFC, Uribam Xavier, intitulado “CPMF e docentes da UFC“. Trechos dele seguem em vermelho, entremeados por comentários meus, em azul:

A rejeição da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a pressão para definir o que será cortado nos gastos do governo são duas ações que fazem parte do mesmo processo: a disputa pelo o destino dos recursos públicos arrecadados pelo Estado. Enquanto os empresários, representados pelo PSDB e DEM, patrocinaram o fim da CPMF, os setores financeiros apertam o governo para que ele corte gastos com as políticas públicas, penalizando servidores e a população pobre, mas mantendo a política de superávit primário e o patrocínio de lucros exorbitantes para os banqueiros.
A mistura de reducionismo com chavões de sindicato atenta contra a lógica. Se o fim da CPMF é o sinal de que PSDB e DEM representam os empresários (notem o preconceito contra o empreendedorismo), é forçoso concluir, que ao criar o imposto, esses mesmíssimos partidos eram contra os empresários. É dose! Ademais, não me lembro de servidores gritando, emocianados em assembléias festivas: “Obrigado pela CPMF, FHC!” Pelo contrário. A rigor, partidos políticos representam a si mesmos, a seus projetos de poder. No máximo, configuram uma amostra que expressa justamente a rede de interesses que movem uma sociedade. De resto, o parágrafo inicial reproduz o maniqueísmo pueril da surrada teoria da luta de classes: os pobrezinhos bons contra os ricões malvados. Reduzir realidades complexas a esquematismos fáceis é o esporte preferido de muito intelectual.

Aliado com os setores financeiros e do agronegócio, o governo Lula fragiliza a esperança dos que lutam pela efetivação de uma vida digna e sustentável, que tenha, como um de seus pilares, as políticas públicas universais promovidas pelo Estado. Nesse conflito, cabe uma pergunta: quem de fato se beneficia dos recursos do orçamento brasileiro?
A associação de um governo de esquerda com banqueiros e fazendeiros não é inusitada. Até Lênin fez isso. Mas é óbvio que essas atividades possuem uma simbologia útil. A idéia aqui é vincular o governo Lula ao comando do sistema capitalista e aproximá-lo do pensamento dito conservador. O truque é velho mas eficiente. Trata-se de atribuir os crimes cometidos pela esquerda a um alinhamento com forças da direita, que a desviaria de seus ideários angelicais. Isso é tão comum quanto a utilização de jornais privados, que pertecem a odiada classe dos empresários, para alardear que a mídia é golpista. Como disse Olavo de Carvalho em recente artigo publicado no Diário do Comércio, “o hábito de salvar o prestígio do esquerdismo no ato mesmo de denunciar os seus crimes já está tão arraigado nas rotinas mentais da classe falante, que aparece até mesmo nos lugares que se julgariam, à primeira vista, os mais inusitados.”
Quanto a pergunta do professor, a resposta é simples. Quem se beneficia dos recursos orçamentários são os fundos de pensão das estatais, são as ONG´s amigas, são os corruptos, são as entidades aparelhadas, são os correlioginários do poder, são os que fazem populismo com políticas assistencialistas. Os empresários, vejam só, esses pagam impostos, sustentam a farra de quem nada produz e arcam com uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo.

É a formação de uma coalizão conservadora e patrimonialista montada pelo PT que leva o ministro do planejamento, Paulo Bernando, e o relator do orçamento, deputado José Pimentel, a anunciarem de público que os acordos salariais assumidos pelo governo ao longo do ano de 2007, para corrigir defasagem salarial, ocorrida entre 2004 a 2007, não serão cumpridas em 2008. É nesse contexto, de conflito distributivo, que os docentes da UFC, após um ano de negociação com o governo e após acatarem um reajuste que foi proposto pelo próprio governo, a ser implantado a partir de março de 2008, devem sinalizar em assembléia geral, seguindo o conjunto de servidores públicos de outras categorias, com uma greve, caso o governo não honre o compromisso assumindo.
O jornalista e escritor Otto Lara Rezende dizia que patrão de esquerda só era bom até o dia do pagamento. O PT passou a vida dizendo que não faltava dinheiro aos governos dos seus adversários (e olha que eles arrecadavam menos). Faltava-lhes era vontade política. E por isso cobrava aumentos de 100, 200, 300% para os professores universitários. E esses acreditavam na conversa e faziam campanha para eleger os companheiros socialistas. E agora? Não só nao recebem esses aumentos, como ainda são enganados. Mesmo assim, a culpa de tudo, das promessas não cumpridas, das mentiras, do descaso, é do conservadorismo, nunca do esquerdismo. Querem saber? Bem feito!

A competência de sempre…

O Povo - por Marcela Belchior
Ação contra poluição visual atrasa, empresas reagem
Anunciada pela prefeita Luizianne Lins (PT) para ser lançada até amanhã - último dia de janeiro - o projeto da Prefeitura contra a poluição visual só ficará pronto em fevereiro, e começará a ser executado entre março e abril - Leia mais.

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A gestão Fortaleza Bela quer deslanchar. E apesar de tanta vontade, dos anúncios grandiosos, tudo é, quando muito, lento e difícil. O projeto, obviamente inspirado na experiência da prefeitura de São Paulo, comandada pelo Democratas, parecia fácil, barato e popular. Na hora de fazer, as coisas se mostraram um tnto mais complexas. É muito improviso.

Jogo eleitoral em Fortaleza revela desconfiança entre aliados

Diário do Nordeste:
Bloco governista na Assembléia - Parlamentares defendem aliança
A possibilidade de o Partido dos Trabalhadores romper a parceria com o PMDB e o PSB na Assembléia Legislativa, mantida por meio de um bloco partidário, não tem agradado setores do PT e de alguns parlamentares dos partidos aliados. O presidente do Legislativo estadual, deputado Domingos Filho (PMDB), assim como o líder do Governo na Casa, deputado Nelson Martins (PT), defendem a manutenção da aliança entre os partidos. (…) Na Assembléia, a deputada Rachel Marques (PT) é a principal voz em defesa da dissolução do bloco, com o argumento de que a bancada petista deve ser independente e autônoma naquela Casa.

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Eis os efeitos práticos da eleição de Ilário Marques para a direção do PT estadual. A tese de autonomia em relação ao governo, representada por seu grupo, serve a um propósito claro: influenciar nas eleições municipais deste ano, especialmente na capital. A ameaça petista de sair da base governista soa como um recado a Cid Gomes e evidencia um ambiente de desconfianças. PMDB e PSB devem apoiar a reeleição de Luizianne Lins, caso contrário, o clima na Assembléia Legislativa pode azedar para o governo.

O PT age de forma pragmática. Sua lealdade ao projeto cirista obedece apenas aos seus próprios interesses eleitorais e vice-versa. Na verdade, a própria aliança que elegeu Cid se deu por conta de uma contigência especial, pois se deu durante o auge do mensalão, escândalo que envolve dirigentes do PT cearense. Fragilizado, o petismo local viu na candidatura do ex-adversário uma tábua de salvação momentânea, até que o partido se recuperasse. Se o governador pensa que o PT fará em seu governo o mesmo que o PPS fez nos governos tucanos - o papel de força coadjuvante - está enganado. Nas próximas eleições para o governo estadual, se tiver um nome competitivo, o PT o lançará, mesmo contra uma provável tentativa de reeleição de Cid. É que a vocação do maior, mais rico e organizado partido político do país, é ter ele mesmo o poder.

Universidades públicas: "O velho que não quer passar e o novo que não quer chegar"

O Povo:
Professores da Uece continuam em greve
As greves das universidades estaduais do Ceará desde 2005 já totalizam quase um ano de paralisação, atrasando calendário acadêmico. Mesmo com a greve sendo considerada ilegal, docentes aprovaram por unanimidade a continuidade do movimento - Leia mais.

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O filósofo alemão Ernst Bloch (18885-1977), de tendência marxista (é preciso conhecer para discordar), na trilogia O Princípio da Esperança, descreve uma imagem que serve perfeitamente para ilustrar a universidade pública no Brasil: “O velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”. É isso. Os anos passam e a história se repete. Talvez essas paralizações sejam, ao lado do proselitismo político, a maior certeza no ensino público de nível superior. Todo aluno dessas instituições sabe o que é uma greve de professores. Numa universidade privada, isso não acontece. Deve haver um bom motivo… Por enquanto, com o que temos, resta-nos a evidência de que quando há concurso para a Uece, os professores correm para tentar uma vaguinha. E aposto que eles não são masoquistas.

As greves nas universidades públicas se tornaram uma espécie de tradição, que reveste seus protagonistas de uma pretensa áurea de abnegação franciscana. Na prática, não resultam em nada. O movimento estudantil, inútil, se alinha automaticamente a qualquer reivindicação, por mais obscura que ela seja. E o show de chavões e palavras de ordem se repete na imprensa. No mudo real, a atual paralisação da UECE foi considerada ilegal. Um abuso. Mesmo assim os grevistas falam em mantê-la. Vejam o que ensinam esses democratas.

Fui aluno de universidades públicas e privada. Vivi duas greves na UFC e uma na UECE. Sobre isso, posso afirmar, com razoável conhecimento de causa: a) a qualidade de ensino não vai melhorar; b) a greve acaba antes que termine o prazo legal para a perda do semestre letivo; c) ninguém vai ser reprovado, nem os alunos que não estudarem; d) algum companheiro vai ser eleito com o discurso de defensor da universidade pública e gratuita.

Bons leitores elevam o nível do debate

É bom saber que o blog é lido por gente inteligente. Os comentários, elogios e críticas, ajudam a aguçar o pensamento e a escrita. Falo das críticas bem intecionadas, evidentemente. Transcrevo o instigante comentário que recebi do leitor Ludovico, a quem agradeço o interesse pelo debate e pela visita. Fala do post abaixo, cujo tema central foi o choque entre o ministro da Saúde e a Igreja Católica, por causa da distribuição de pílulas abortivas em Recife. Sobre isso, diz o leitor:

A declaração de Temporão, TOMADA ISOLADAMENTE, está corretíssima. É um problema de saúde pública quer ofenda ou não a moral católica. Não é obrigação usar a pílula. É OPÇÃO! O real problema está na PROIBIÇÃO que o Estado impõe às mulheres de decidir se levam a cabo ou não uma gravidez. Esta é decisão INDIVIDUAL que não cabe a burocratas ou policiais.

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Vamos por partes. Ninguém obriga uma pessoa a cheirar cocaína ou a fumar crack. É uma opção pessoal. O traficante nem sequer faz propaganda e mesmo assim não lhe faltam clientes. E no entanto, isso não legaliza as drogas. É da lei que esse comércio, mesmo consentido entre as partes envolvidas, deva ser reprimido. A pílula do dia seguinte é um coquetel hormonal que visa ABORTAR uma concepção. Isso, está na Constituição, é crime. Portanto, distribuir tal medicamento não pode ser visto como distribuir camisinhas. Por falar nisto, distribuição de preservativos é ação de saúde pública, porquanto previne doenças. Que doença é previnida pela pílula abortiva? Nenhuma. Gravidez precoce ou indesejada, ou sexo, são questões de educação pública e familiar. De resto, este blog não discute credos religiosos, mas defende a ordem constituída.

O aborto é um tema polêmico, por isso tento abordá-lo com cuidado. Sou contra a sua legalização. Entendo que a vida, científica e materialmente falando, começa com a concepção. Filosoficamente, entendo que o espírito precede ao corpo, o que amplia o conceito de vida. Politicamente, defendo a prevalência do indivíduo sobre a ditadura do coletivo. Assim, creio que seja uma decisão INDIVIDUAL ter ou não filhos. Nesse caso, o estado não tem que se meter nisso. Porém, interromper uma gravidez não é uma questão individual, pois diz respeitos a duas pessoas: a abortante e o abortado (sempre esquecem dele). Sem contar que nesses casos, o direito a vida paira acima de qualquer outro.

No mais é isso. Leiam o post abaixo e vejam como a Igreja Católica foi sequestrada pelo discurso do coletivismo obscurantista, como diz o bom Ludovico.

Igreja Católica X PT: O preço da subserviência é o desprezo

“É uma questão de saúde pública, não uma questão religiosa. Lamentavelmente a Igreja, cada vez mais, se afasta dos jovens com esse tipo de postura”. A declaração é do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em resposta a Arquidiocese do Recife, que ameaça entrar na Justiça para proibir a distribuição de anticoncepcionais de emergência, uma bomba de hormônios conhecidos como pílulas do dia seguinte, pela prefeitura da capital pernambucana.

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Como assim não é uma questão religiosa? A Igreja Católica, todos sabem, é contra o aborto. É seu dever moral, portanto, advertir seus seguidores sobre o que considera um pecado mortal. Quem discordar pode optar por outra religião que defenda a eliminação de crianças no útero. Quanto a possibilidade de um processo na Justiça, bom, a Constituição garante esse direito à Arquidiocese de Recife. Pela lei, aborto é crime, salvo em casos de estupro e risco de vida para a mãe. Dessa forma, recorrer à justiça é uma atitude, legal, legítima e natural numa democracia. Os abortistas que se defendam no tribunal. O ministro Temporão devia era cuidar dos casos de dengue e febre amarela - isso sim matéria de saúde pública - em vez de passar sermão em religiosos.

No entanto, é impossível não destacar a ironia da presente discordância. Quando a Igreja critica governadores de partidos “conservadores” através das Pastorais Carcerárias, por acaso o Ministro da Justiça reclama? Lembra que o assunto é de segurança pública e não da salvação do espírito? Quando setores da Igreja apóiam invasões de terras em nome da reforma agrária, alguma autoridade lembra de que atentar contra a propriedade privada é crime? Alguém reclama que o assunto é exclusivo da justiça dos homens? A resposta é não, pois nessas horas a Igreja serve a um discurso que beneficia partidos de esquerda, especialmente o PT. De tanto misturar questões religiosas com assuntos políticos, a Igreja no Brasil terminou por se descaracterizar, estranha à própria doutrina católica, e quando resolve tratar de assuntos que realmente são do seu interesse moral, termina desautorizada por um político menor, como esse Temporão.

Querem saber? Bem feito! A Igreja Católica no Brasil é conhecida pelo seu discurso, digamos, social. Temos a Teologia da Libertação, não é? Ser cristão, dizem os padres e teólogos de passeata, é tomar o partido dos pobres na luta de classes. Ou seja, significa renegar a própria doutrina cristã, que não prega a distinção material entre os homens. Jesus nunca condenou a riqueza nem fez apologia à miséria. Ele condenou o mau rico, assim como o pobre orgulhoso. Ademais, o conceito de luta de classes nasceu de uma ideologia anticristã, atéia e materialista: o marxismo. São, portanto, inconciliáveis. Menos aqui.

Em setembro do ano passado, arcebispo de Fortaleza, dom José Antônio Aparecido Tosi Marques, participou de uma manifestação chamada Grito dos Excluídos, sem se incomodar com a companhia de grupos abortistas. Não há saída: ou se é católico ou se é abortista. Mas todos querem parecer bacanas… Agora que a Igreja se manifestou contra a distribuição das pílulas abortivas, o que ela recebe em troca do apoio que sempre deu ao petismo? Uma repreensão pública. Uma carão, um pito, um passa-moleque. Eis uma prova eloqüente de que a parceria entre marxistas e o catolicismo brasileiro não passa de uma estratégia que busca tomar emprestado a popularidade e o prestígio da Igreja para conferí-la ao materialismo ateu. Os padres que admiram gente como Che Guevara, claro, são apenas instrumentos. É preciso que o comando da Igreja atente e separe o que é de César e o que é de Deus. É preciso que ela se afaste da companhia de quem no fundo, a despreza profundamente.

Charge

Charge de Bello - Tribuna de Minas

Como combater o patrulhamento politicamente correto

Por Paulo Verlaine, ombudsman do O Povo:

“Judiação” - A nota “Judiação” do Canal 1, do caderno Buchicho, de sexta-feira última (25), incorre no anti-semitismo. “Judiação” e “judiar” - no sentido de maltratar - são palavras que ofendem os judeus. Leia mais.

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É mais do que louvável a disposição de um veículo de comunicação com a estrutura do O Povo em manter um espaço de debates sobre a sua produção. Mas é importante que as redações não se deixem intimidar pela patrulha do politicamente correto.

O blog Mirando a Mídia, editado por André Carvalho, comentou o caso e deu um exemplo de como fazer a autoridade do conhecimento sobre o modismo e o preconceito. Segue o texto em azul:

Não é o que pensa o rabino Henry Sobel, em “Os ‘porquês’ do Judaísmo” (Congregação Israelita Paulista. São Paulo, 1983):

O significado está claro: não há nada de pejorativo. Não fomos nós que maltratamos. Nós, os judeus, fomos maltratados. E cada vez que usamos a palavra ‘judiar’, estamos conscientizando os outros. O termo não deve ser eliminado. Pelo contrário, é bom que o mundo se lembre do preconceito do passado, para que não o permita no presente e no futuro”.

Judiar tem a ver com judeu, é verdade. Mas quer dizer maltratar, como se maltratavam os judeus. Concordo com o rabino. Em vez de anti-semitismo, homenagem. Além do mais, ninguém liga o termo à sua etimologia. Outro problema: como cantaríamos Asa Branca, hino nordestino, neste trecho:
Quando olhei a terra ardendo/qual fogueira de São João/eu perguntei a Deus do céu/por que tamanha judiação?

Desigualdade regional: PAC no Nordeste teve apenas 5% do previsto aplicado - Sudeste teve 15%

Diário do Nordeste:
Obras do PAC empacam no Nordeste
A avaliação dos resultados obtidos no Nordeste é negativa. Um levantamento feito pelo Instituto de Estudos Sócio Econômicos (Inesc), a partir de dados do próprio Governo mostra que no Orçamento Geral da União de 2007 estavam previstos recursos na ordem de R$ 392 milhões, para a região. No entanto, apenas R$ 22 milhões foram aplicados de fato até agora, ou seja, 5,7%.“O que percebemos é que o governo tem uma grande dificuldade de usar os recursos. Dos R$ 16,6 bilhões destinados para o programa, apenas 29,5% foram gastos. Apesar do programa ter uma alta capacidade política, do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva se envolver pessoalmente e falar que é prioridade, há uma debilidade na capacidade de gastos”, avalia a assessora de política fiscal e orçamentária do Inesc, Eliana Graça. Leia mais.

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É a comprovação material de um engodo. Esses 5,7% executados não servem nem para manter o que já existe, como no caso das estradas. O PAC é a nova roupagem de um truque que antes atendia pelo nome de Fome Zero. Ambos são factóides a embalar discursos políticos que intentam formar uma miragem: a do governo realizador e competente. Quando são examinados os resultados… Mas se essas políticas públicas não passam de peças de marketing, como a popularidade de Lula se mantém, como a ineficiência de sua gestão não o engole? Simples. O assistencialismo do Bolsa Família o sustenta. Ocorre que essa é a nossa desgraça. Se a distribuição de dinheiro aos miseráveis garante votos, então o investimento em infra-estrutura se torna desnecessário.

A reportagem do DN ainda informa que os valores aplicados no Nordeste foram, percentualmente, três vezes menores do que no Sudeste. Não custa lembrar que nas eleições, a maior votação proporcional a Lula foi no Nordeste. O critério é óbvio. Regiões onde existe resistência eleitoral ao projeto de poder do governo terminam contempladas com mais obras, das poucas que são executadas. E claro, não existe um projeto de combate às desigualdades regionais.

Heloísa Helena para José Dirceu, na TV Jangadeiro: "Vou quebrar-lhe o nariz"

A ex-senadora e ex-petista Heloísa Helena, hoje no Psol, concedeu entrevista ao jornalista Chagas Vieira, da TV Jangadeiro, no programa Primeiro Plano, que vai ao ar hoje, às 18 horas. Imperdível. Heloísa é uma daquelas personalidades políticas que garantem, quando menos, uma boa diversão.

Como de hábito, não faltaram as declarações intempestivas que a caracterizam, com frases de efeitos e aquele ar de indignação de quem garante ter descoberto com demasiado atraso que o comando do petismo não é feito de santos. Mas é justamente o seu passado nas hostes do PT que conferem autoridade às denúncias que ela faz. Heloísa sabe profundamente quem são Lula e José Dirceu. Sobre o segundo, a ex-senadora afirma que se este cruzar o caminho dela, quebra-lhe o nariz. Detalhe importante: HH também foi companheira de Luizianne Lins no PT e de Patrícia Saboya (PDT) no Senado. Talvez por isso o Psol não apóie a reeleição da prefeita, e Heloísa tenha se hospedado na casa de Patrícia em Fortaleza.

Vale a pena conferir.

A objetividade qualificada

Portal UOL:
New York Times anuncia apoio a Hillary e McCain
NOVA YORK, 25 Jan 2008 (AFP) - O influente jornal The New York Times anunciou apoio aos pré-candidatos Hillary Clinton e John McCain em sua edição desta sexta-feira, em meio às primárias dos partidos Democrata e Republicano. O jornal apóia Hillary para receber a indicação democrata para as eleições presidenciais de novembro e elogia seu intelecto, experiência e capacidade para unificar o país.

A respeito de McCain, o NYT afirma que é o melhor candidato republicano, já que a eleição do veterano da guerra do Vietnã e senador do Arizona é a “mais lógica”.”O senador John McCain do Arizona é o único republicano que promete acabar com o estilo de governar de George W. Bush”, destaca o jornal.

Blog do Wanfil
A postura do NYT é honesta com os leitores. Arriscada também, uma vez que eleitores republicanos podem evitar a publicação. Na Espanha, o jornal El País anunciou, recentemente, que sua cobertura tende a enfocar os fatos pelo ângulo do progressismo liberal. Ambos os veículos assumem seus pontos de vista e antecipam ao seus públicos as linhas editoriais que os definem. É o contrário da “isenção engajada” que pulula nas entrelinhas o jornalismo nacional. É o que eu chamo de “objetividade qualificada”. Para saber mais, leia o post A isenção engajada nos textos jornalísticos.

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