Dinheiro não tem ideologia 1

Faz muito tempo que a liderança comunista internacional e grupos socialistas separaram economia e ideologia. Marx pregava que as relações econômicas formavam a base da vida social. Ou seja, a estrutura material dos meios de produção é que determinariam tudo o mais. Na prática, isso nunca funcionou. Por isso teóricos como Gramsci e o pessoal da Escola de Frankfurt inverteram a lógica desse pensamento: para transformar o mundo é necessário preparar culturalmente as pessoas. Nesse caso, a base da vida social não estaria na economia, mas na cultura, nos costumes, na moral e na religião. Dessa forma, o marxismo logrou ser a única teoria que para se afirmar e sobreviver, precisou se negar.

Hoje os movimentos revolucionários no mundo não intentam destruir o sistêma econômico vigente. Sua ambição é dominá-lo pelo controle do Estado, submetendo-o aos interesses de um partido. Eles querem controlar o sistema. Seus principais adversários, portanto, são o conceito de indivíduo (eles falam em classes), a idéia de Deus (que representa a tradição) e as liberdades democráticas. E o melhor instrumento para chegar ao poder destruindo tudo isso é odomínio sobre as escolas e a mídia. Não é a posse delas, mas a ascendência sobre os profissionais que a fazem. Por isso que a maioria dos professores de huamanas e jornalistas de redação de declaram esquerdistas.

Precisamos entender que o discurso humanista e igualitarista dessas doutrinas não se sustentam no mundo real. Suas propostas possuem caráter estritamente ideológico, quer dizer, buscam uma intervenção SOBRE a realidade. Já o capitalismo é uma conjunto de relações econômicas que se estabelece DENTRO de uma realidade. Por isso, sempre que alguém contrapuser socialismo e capitalismo lembrem disso: o primeiro é uma idealização fácil, um projeto ideológico rabiscado por alguns pensadores, e que nunca funcionou. O capitalismo é um modo de produção que funciona dentro de uma cultura, que se renova constantemente, a fortalece e a mantém viva, e que se dá na vida cotidiana de cada um de nós. É a soma de nossas ações. Portanto, o capitalismo não possui pressupostos políticos: pode sobreviver numa ditadura ou numa democracia. No entanto, a história prova, o capitalismo, a longo prazo, só se desenvolve mesmo é num ambiente que possa conjugar liberdade política, concorrência e livre iniciativa. Ou seja, nas democracias liberais.

Dinheiro não tem ideologia 2

No post abaixo reproduzo um texto do jornalista Themístocles de Castro: “Finge odiar para tomar…“. Afinal, bancos e instituições financeiras são ruins para uma sociedade? A pergunta é pertinente, pois no Brasil forças políticas se acusam mutuamente de agirem a serviço deles. Claro que bancos são necessários em todo o mundo. Como é certo também que sua imagem é diretamente associada ao princípio material básico do sistema: o capital. No entanto, por força da hegemonia cultural marxista no ensino e no jornalismo locais, o imaginário público acredita que a parceria com bancos é algo inerente e exclusivo da direita. Contrário a esse sistema de exploração seriam os grupos à esquerda. Por isso tantos ficam chocados quando descobrem que partidos de matiz socialista foram os mais beneficiados por doações de bancos, segundo o TSE.

Há nisso uma incoerência? Não. O gosto por dinheiro não é exclusividade de capitalistas, como imaginam inocentes crianças de colegial. A diferença é que um capitalista de verdade acredita que é preciso ganhá-lo competindo no mercado, enquanto os anticapitalistas crêem que o Estado, com dinheiro público, é que deve sustentá-los. É justamente por isso que os países que adotaram o modelo socialista quebraram: eles não geravam riquezas, somente as consumiam. Na verdade, o socialismo não é, nem nunca foi, um voto de pobreza. Isso é propaganda apenas. Não por acaso, seus maiores líderes sempre listam entre os mais ricos.

A questão é saber porque os bancos lucram mais aqui do que em outros países. Será que nossos banqueiros são mais ambiciosos ou competentes do que os outros? Ou será que é a política econômica brasileira que favorece o mercado financeiro? Desde a redemocracização, nos anos 80, os governos brasileiros gastam mais do que arrecadam. Para fechar a conta eles captam dinheiro junto aos… bancos. Como ninguém confia em governos, eles oferecem juros elevados a curto prazo a quem lhes emprestar dinheiro. Eis a fórmula do sucesso dos bancos no Brasil: a incompetência na administração dos gastos públicos, que gera dependência de recursos. E onde fica o gargalo das contas públicas? Em boa parte, no sistema de previdência social. Agora, adivinhem que sempre foi contra a reforma da previdência? Os partidos de esquerda (PT e PSDB se afirmam social-democratas). Me digam uma coisa: se você fosse um banqueiro, que partido você financiaria?

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