Como combater o patrulhamento politicamente correto

Por Paulo Verlaine, ombudsman do O Povo:

“Judiação” – A nota “Judiação” do Canal 1, do caderno Buchicho, de sexta-feira última (25), incorre no anti-semitismo. “Judiação” e “judiar” – no sentido de maltratar – são palavras que ofendem os judeus. Leia mais.

Blog do Wanfil
É mais do que louvável a disposição de um veículo de comunicação com a estrutura do O Povo em manter um espaço de debates sobre a sua produção. Mas é importante que as redações não se deixem intimidar pela patrulha do politicamente correto.

O blog Mirando a Mídia, editado por André Carvalho, comentou o caso e deu um exemplo de como fazer a autoridade do conhecimento sobre o modismo e o preconceito. Segue o texto em azul:

Não é o que pensa o rabino Henry Sobel, em “Os ‘porquês’ do Judaísmo” (Congregação Israelita Paulista. São Paulo, 1983):

O significado está claro: não há nada de pejorativo. Não fomos nós que maltratamos. Nós, os judeus, fomos maltratados. E cada vez que usamos a palavra ‘judiar’, estamos conscientizando os outros. O termo não deve ser eliminado. Pelo contrário, é bom que o mundo se lembre do preconceito do passado, para que não o permita no presente e no futuro”.

Judiar tem a ver com judeu, é verdade. Mas quer dizer maltratar, como se maltratavam os judeus. Concordo com o rabino. Em vez de anti-semitismo, homenagem. Além do mais, ninguém liga o termo à sua etimologia. Outro problema: como cantaríamos Asa Branca, hino nordestino, neste trecho:
Quando olhei a terra ardendo/qual fogueira de São João/eu perguntei a Deus do céu/por que tamanha judiação?

Nenhum Comentário

Nenhum comentário ainda.

Feed RSS dos comentários deste post. TrackBack URI

Deixe um comentário

WordPress Themes