América Latina sofre fuga de capitais

Portal UOL:
Turbulência global ameaça o crescimento da América Latina, diz “Financial Times”
Os desdobramentos nos mercados globais neste ano sugerem que a América Latina poderá perder seu brilho, diz reportagem desta sexta-feira do jornal “Financial Times”. O texto justifica a previsão dizendo que as bolsas de toda a região caíram mais rapidamente do que a maioria do restante do mundo, com um declínio médio de quase 16% desde o início do ano. Leia mais aqui.

Blog do Wanfil
A questão é saber porque as bolsas da América Latina caíram mais do que as outras. Sempre que temores assombram o mercado, os investidores retiram dinheiro das economias menos estáveis e seguras e correm para outras mais robustas. Por enquanto, isso não deve afetar a chamada “economia real”, mas as bolsas geralmente indicam tedências que acabam por afetar todo o sistema produtivo.

O remédio para essas situações é amargo. Normalmente os governos dos países atingidos pela saída de capitais aumentam os juros para compensar os riscos dos investidores.

Os EUA baixaram suas taxas de juros justamente para tentar refrear a migração de dinheiro dos mercados emergentes para o dos países ricos. Eles sabem que a economia funciona como um sistema integrado. Como sempre, o Brasil fica na dependênciade das decisões do Banco Central norte-americano.

Companheiro neoliberal

Diário do Nordeste
Governo paga mais de R$ 100 bi em juros

O governo federal gastou mais de R$ 100 bilhões no ano passado em juros que incidem sobre os títulos públicos. Ao todo, foram R$ 103,9 bilhões com a despesa. Esse fator foi determinante para a alta de 12,02% da dívida interna em 2007. O estoque total de títulos públicos em poder dos investidores passou de R$ 1,093 trilhão em dezembro de 2006 para R$ 1,224 trilhão em dezembro de 2007. Leia mais aqui.

Blog do Wanfil
A venda de títulos público é uma das formas que o governo brasileiro adota para poder fechar as contas. É que mesmo com uma carga tributária brutal e asfixiante, a máquina governamental gasta mais do que arrecada. Assim, é preciso arrumar dinheiro junto aos mercados. E como um país que possui contas desequilibradas pode se tornar atraentes para os investidores? Pagando juros altos. Até agora, esses investidores ganharam muito com os papéis brasileiros, pois o ambiente econômico mundial era favorável para os países emergentes. Mas a dúvida sobre a crise nos EUA podem afetar o ritmo de captação de recursos. Essa é a base do sucesso econômico de Lula. Também foi a de FHC, até que as crises da Rússia e a moratória argentina demonstraram nossas fragilidades.

De lá pra cá o que foi feito? Mais do mesmo. Lula simplesmente copia o modelo que herdou e ainda se vangloria disso. E não custa lembrar que o presidente e seu partido condenavam o pagamento desses juros. Chamavam a prática de neoliberalismo…

Ciro barra Lúcio, que anuncia candidatura

Do site Ceará Agora:
Ciro veta Lúcio na presidência da Chesf, diz Múcio - O deputado federal Ciro Gomes vetou a nomeação do ex-governador Lúcio Alcântara na presidência da CompanhMia de Eletricidade do São Francisco(Chesf). Esta informação foi publicada hoje no jornal Correio Brasiliense, e tem como origem o próprio ministro das Relações Institucionais, José Mucio.

Lúcio reage e é candidato a prefeito de Fortaleza - O veto do deputado federal Ciro Gomes à indicação do ex-governador Lúcio Alcântara à presidência da Chesf já tem uma reação. O deputado federal Léo Alcântara declarou agora há pouco ao portal CearaAgora.com que Lúcio é candidato a prefeito de Fortaleza. Com a candidatura lançada, Lúcio descarta assim aceitar outro cargo no Governo Lula. Quem acaba sendo prejudicada com o anúncio da candidatura é a prefeita Luizianne Lins, que teme a força eleitoral e o prestígio de Lúcio na corrida pela prefeitura de Fortaleza.

A isenção engajada nos textos jornalísticos 2

Jornal O Povo:
BATE-PAPO COM O LEITOR – Menos alagamentos nas vias
“Fiquei espantado ontem. E não foi com os trovões ou a chuva. Estava com o fotógrafo Mauri Melo para fazer a rota da chuva: percorrer a cidade em busca de alagamentos. (…) Rodamos muito e não achávamos os alagamentos. (…) Resolvi, depois, fazer “outra” rota da chuva com o fotógrafo Sebastião Bisneto. Encontramos um alagamento grande na avenida do Imperador. (…) Rodamos mais umas duas horas e encontramos pequenos problemas. Quase nenhum, aliás. (…) Os problemas de sempre, ainda bem, não aconteceram ontem. Mas o discurso de sempre vamos ouvir assim que o inverno começar: que a chuva é a culpada. São aquelas figuras de sempre querendo empurrar a chuva para debaixo do tapete. É como se a chuva fosse o problema, e não a cidade desprovida de estrutura para receber esse bem que literalmente vem do céu.” Leia mais.

Blog do Wanfil
Como assim não houve alagamentos? O próprio O Povo publicou fotos de vias alagadas… O texto acima é um depoimento assinado por Diego Lage, estagiário do núcleo Cotidiano do jornal. Fala sobre a forte chuva que caiu em Fortaleza ontem, matéria de capa da mesma edição. É um bom exemplo de “isenção engajada”, que é a forma mais comum de transformar textos jornalísticos em opiniões disfarçadas, com o intuito de “levar” o leitor a concluir aquilo que se deseja que ele conclua (ler post abaixo).

De quebra, o rapaz afirma que os problemas causados pela chuva foram poucos e pequenos. Para evitar desconfianças, um tom supostamente crítico é adotado no final, para afetar isenção. Ora, como a chuva não é a culpada pelos problemas de sempre, a ausência destes, por analogia, não lhe deve ser atribuída. A cidade, afinal, é feita pelos homens. Assim, a inaptidão ou o mérito ligados ao fenômeno da chuva só podem ser atribuídos aos gestores públicos. Como o estagiário garante que “problemas de sempre não aconteceram ontem”, resta entender que Fortaleza é uma capital supimpa. Mérito de quem? Da atual gestão, pois o “de sempre” empregado no texto se refere às gestões passadas.

A culpa é do futuro jornalista? Não, claro que não. Primeiro, estudantes são treinados nas universidades para serem parciais, sem que o percebam. E no mais, um estagiário deve ser orientado e fiscalizado – mesmo, talvez principalmente, quando se tratar de um depoimento sobre o trabalho realizado. Na mesma edição, uma reportagem de Rosa Sá pode servir de lição ao aprendiz.

Defesa Civil registra sete desabamentos
Até as 17 horas de ontem, a Defesa Civil de Fortaleza atendeu a 49 solicitações de ajuda, vindas de 36 bairros da cidade – Leia mais aqui.

A isenção engajada nos textos jornalísticos 1

Qualquer estudante de jornalismo aprende nas universidades que a isenção e a objetividade são metas impossíveis porém desejáveis para a confecção do noticiário. Opinião deve ser exposta apenas em artigos e editoriais. Posto que ninguém é indiferente aos próprios valores e crenças pessoais, o jeito é contentar-se com as fragilidades dessa regra. E como todos temem ser chamados de tendenciosos, termina-se consagrando uma teoria que não pode ser realizada. Tem muito jornalista “isento” que até hoje não acredita no mensalão…

Melhor seria que jornalistas e veículos explicitassem detalhadamente aos seus leitores quais princípios ideológicos e morais norteiam a sua linha editorial. Os postulados básicos que determinam o que é escrito neste blog estão aí do lado direito superior da tela, onde se lê o perfil. É o que eu chamo de “objetividade qualificada”. O enfoque que dou aos meus textos é previamente anunciado ao leitor. Isso é honesto. Mas a regra geral é bem outra. Textos aparentemente “técnicos” e “limpos”, meramente inocentes e descritivos, geralmente trazem embutidas opiniões disfarçadas por associações indiretas, elipses espertas, supressão de passagens, edição de entrevistas, manipulação de imagens etc.

No blog Liberdade Digital, um bom exemplo disso que eu chamo de “isenção engajada” pode ser conferido. Vejam:
A ex-senadora Heloisa Helena está em Fortaleza aproveitando uns dias de folga. Ela passou pelos estúdios da TV Jangadeiro, emissora do senador Tasso Jereissati, e lógico, criticou o Governo Lula. A entrevista vai ao ar no próximo sábado, às 18 horas no programa Primeiro Plano com Chagas Vieira. Leia o original aqui.

Parece muito objetivo e isento, mas não é. A rigor, não existe erro no texto, feito de acordo com o manual do jornalismo: quem, quando, onde e como. Mas ao informar que a emissora é de propriedade de Tasso Jereissati – um político de oposição ao governo Lula – o autor busca associar Heloísa Helena, uma ex-petista que se tornou adversária do petismo, aos interesses políticos do senador tucano. A idéia subjacente é a de que Tasso e Heloísa se aproximaram em virtude do inimigo comum, o que explicaria o espaço conferido da ex-senadora no programa. É uma clara tentativa de desqualificar o discurso da entrevistada antes da entrevista ir ao ar. Tudo muito isento e nada tendencioso, claro. A informação de que Tasso é um dos proprietários da emissora deveria ser ocultada? Não. Nem precisa ser trombeteada. É que ela já é de conhecimento público, não é relevante nem pertinente ao caso. O deputado Ilário Marques já foi entrevistado no mesmo programa e ninguém viu problema com o quadro societário da empresa. Também ninguém disse: “vejam que emissora pluralista e que jornalismo bacana”.

Na ânsia de criar uma predisposição no público, sempre de forma oblíqua, essa isenção engajada termina por desrespeitar os profissionais sérios que fazem o jornalismo da TV Jangadeiro. Nessa hora, os “isentos” buscam justificar-se: “os jornalistas são obrigados a escrever o que não querem pelos donos dos jornais”. Mentira! É uma forma educada de generalizar a covardia e de legitimar a opinião disfarçada que esses mesmos “isentos” publicam nas entrelinhas da notícia. Nesses casos, quem se presta a capacho, quem se submete a fazer o que acha indecente, imoral e antiético, o faz por decisão própria. Sempre existe a dolorosa e difícil saída: o pedido de demissão. O programa Primeiro Plano, da TV Jangadeiro, tem apresentado ótimas entrevistas e prestado um serviço de qualidade à sociedade. Duvido que Chagas Vieira aceitasse um index de personalidades não entrevistáveis. Sabem como é, o engajamento dele e de muitos outros bons jornalistas é de outra natureza: a do profissionalismo.

Me empolguei e o texto ficou longo. Mas é isso. Contra a “isenção engajada”, olho vivo.

Tasso: "Fortaleza precisa de gente que saiba trabalhar".

Exclusivo – O senador Tasso Jereissati (PSDB) conversou rapidamente com o Blog do Wanfil sobre alianças, eleições e gestão pública

Com a inexorável aproximação das eleições municipais deste ano, o mercado de especulações se agita no universo político local. Quem serão os candidatos? Quais forças se reunirão em torno deles? Quem conseguirá aglutinar mais apoios? A ansiedade, não raro, leva alguns postulantes a tatear no escuro das indefinições partidárias, testando argumentos e estratégias contra possíveis adversários. Acuada pelas pesquisas, a prefeita Luizianne Lins (PT) procura interpretar novamente o papel de “vítima” dos poderosos – estratagema útil e eficaz nas eleições passadas, quando a petista era oposicionista. Por isso ela afirma, vez por outra, que para além das cercanias tucanas, as candidaturas de Moroni Torgan e de Patrícia Saboya são obras senador Tasso Jereissati. A eficácia da estratégia é duvidosa, pois agora Luizianne está no poder. Além do mais, é difícil acreditar que o cenário eleitoral seja todo ele controlado por uma só pessoa. O exagero, claro, banaliza o argumento, que vira piada e inspira a idéia de fragilidade. Como resposta, Patrícia Saboya afirmou, na semana passada, que se for candidata, aceita de bom grado o apoio do tucano. Ao mesmo tempo, Lula aponta Ciro Gomes, aliado e eleitor da senadora, como candidato a candidato à Presidência. O fato gerou mais especulações.

Enquanto o quadro permanece indefinido em Fortaleza, o senador Jereissati conversou rapidamente com o Blog do Wanfil sobre alianças, eleições e gestão pública, em seu escritório particular.

Wanfil – O PSDB apoiaria uma eventual candidatura de Patrícia Saboya? Isso já foi discutido?
Tasso – A Patrícia tem uma atuação política, uma vida pública como vereadora, deputada e principalmente como senadora, que a credencia a postular qualquer cargo sem precisar, necessariamente, do apoio de ninguém. Sua história e o seu trabalho a credenciam. Portanto, essas especulações são irrelevantes no momento. Se ela for candidata, isso será definido por ela e pelo seu partido, sem necessitar desse ou daquele apoio.

Wanfil – Se não existem restrições, então o apoio é possível?
Tasso – Não sei. O PDT é um partido independente – o que combina com a Patrícia, que tem idéias próprias e personalidade forte. O importante é entender que uma aliança deve ser feita em torno de um projeto, e não por conta de simpatias pessoais. Fortaleza precisa de gente que saiba trabalhar. É isso que nos preocupa. Se no Brasil morreram cerca seis ou sete pessoas vítimas de febre amarela, em Fortaleza morreram mais de 20 de calazar! Falta gestão à cidade.

Wanfil – O PSDB já definiu o nome do seu candidato?
Tasso – Estamos vendo…

EmPACou

Jornal O Povo:
PAC da área social avança menos - Um ano depois, apenas 32% das obras do PAC na área social estão em execução, contra 72% na área de logística
Os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas áreas de saneamento básico, habitação e acesso a energia elétrica avançaram menos que as obras de logística e do setor energético. Leia mais.

Blog do Wanfil
Pior que as estradas continuam esburacadas e e o país corre o risco de um novo apagão energético. Imaginem a qualidade desse PAC social. Aliás, tem PAC npra tudo. Dia sim, dia não, uma variante do programa é lançada, com o anúncio de verbas e mais verbas. A conversa é vendida como a prova cabal de que o Governo Federal faz algo de concreto, que não vive só de promessas. No entanto, obras concluídas que é bom, nada.

Conheça mais sobre a realidade da execução do PAC no post Prometer é fácil.

Na propaganda, tudo é belo

Artigo da jornalista Adísia Sá, jornal O Povo:

Luizianne ri à toa – A propaganda dos “feitos prefeiturais” está no mundo. Eu fico encantada com o que os marqueteiros dizem. Afinal, mil e quinhentas casas para a população da periferia é fato para se noticiar.

Só que não se diz da miséria desta mesma periferia, com casebres caindo aos pedaços, as pessoas atoladas na lama, o lixo tomando conta de todo canto…

Também é trombeteada distribuição de fardamento e material escolar para os alunos das escolas da rede municipal. Só que não se diz que muitas dessas escolas também estão desaparelhadas, com seus professores aguardando enquadramento funcional e muitos esperando a contagem de seus títulos para promoção, sem se falar nos que acreditam que um dia gozaram suas licenças prêmios… nem que seja coincidentemente com suas aposentadorias…

Anuncia-se a construção do Hospital da Mulher. Só que não se fala no sucateamento dos gonzaguinhas, muito menos no milagre diário de funcionamento do IJF – obra e graça de seus abnegados médicos, enfermeiros e pessoal de apoio.

(…) Infelizmente fruto [os anúncios] de olhos voltados para um próximo mandato, considerando que este… é conversa para boi dormir…

Foi-se…

Crise americana 2 – Lula cobra responsabilidade dos EUA

Folha Online: Lula se diz tranqüilo e cobra ação dos EUA para evitar que crise se alastre
“Não temos nenhuma razão para não estarmos tranqüilos. Por enquanto, estamos certos que essa crise seja alguma frustração com o anúncio do pacote do [presidente dos EUA, George W.] Bush que não contentou nem os americanos”, afirmou ele antes da cerimônia de posse do novo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, no Palácio do Planalto. Lula afirmou que os Estados Unidos devem se responsabilizar pela crise financeira. “Eu tenho dito publicamente que os EUA precisam assumir a responsabilidade de evitar que essa crise se alastre e possa criar uma crise mundial, na medida em que eles representam muito do PIB mundial.” Ele disse ainda que não é possível que “pessoas que não têm nenhuma casa nos EUA e não fizeram hipoteca paguem por essa crise”. Leia mais.

Blog do Wanfil
A crise americana esta aí, derrubando bolsas, causando pânico nos investidores, ameaçando a economia real. Os EUA irão quebrar? Claro que não, isso é bobagem. Como eu já disse no post abaixo, ajustes são inevitáveis e admira mesmo é longo tempo de estabilidade financeira que o mundo viveu – 20 anos.

Também é normal que as autoridades, principalmente nos países emergentes, tentem acalmar seus mercados. Mas Lula, com sua humildade típica, aproveita as câmeras no Brasil para dar um pito nos americanos. Do alto de seu preparo para as questões econômicas, ele diz algo assim: “Sejam competentes como nós”. A Casa Branca, nem sequer se dará ao trabalho de dizer que não fará comentários sobre as declarações. Ora, mesmo a embaixada americana no Brasil dará bola para as bobagens presidenciais. Não preciso dizer que a opinião de Lula é de uma irrelevância tamanha, que o mundo talvez esteja mais interessado em saber o que pensa Hugo Chávez.

É certo que Lula, comunicador eficiente, não fala aos estrangeiros, mas para o público local. Quer alimentar a fantasia do sindicalista que repreende os ricos americanos. Na prática, o papel do governo brasileiro nesse caso se assemelha ao da ameça de apagão energético: só resta rezar para que o pacote do companheiro Bush segure as pontas e diminua os efeitos da crise.

Crise americana 1 – Feito avestruz diante do perigo

Ótima análise feita pela Jô Abreu, no Diário do Nordeste:
Os Estados Unidos, queiramos ou não, ainda são a maior economia do Planeta Terra. O Brasil, uma economia em ascensão a passos de cágado em relação às suas potencialidades. E olhe a diferença de comportamento. Lá, uma crise instalada faz com que o governo, imediatamente, promova um pacote econômico para que sobre mais dinheiro no bolso do cidadão. Eles acreditam que isso é que move a economia deles. Aqui o PT, digo, o governo, anuncia, no segundo dia do ano que vai nos estrangular ainda mais, porque perdeu um dinheirinho que saía dos nossos bolsos e nos penalizou com o aumento de novos impostos. Ou tem coisa muito errada com os economistas brasileiros, ou esses americanos são loucos que estão se dando muito bem depois da Segunda Guerra mundial. E a gente só se ferra… Só se ferra… Leia mais.

Blog do Wanfil
É isso aí. A economia americana está à beira de uma crise por conta do excesso de crédito oferecido aos seus cidadãos – e não faltam idiotas para comemorar isso, como se o capitalismo corresse algum risco de acabar, como se o Brasil fosse uma fortaleza econômica indiferente e imune aos humores do país mais rico do mundo. Como se nossas parcerias comerciais com Cuba, Líbia e nações africanas nos bastassem. Santa ignorância! Não é segredo pra ninguém que, após vinte anos de crescimento mundial (que não soubemos aproveitar da melhor forma), se aproxima o momento em que ajustes deverão ser feitos. Isso é cíclico. Raro mesmo é a existência de períodos tão longos de estabilidade.

As medidas tomadas pelos americanos bastarão para conter uma provável recessão? Não se sabe. Tudo indica qu o governo Bush, dessa vez, tenha perdido o timing para agir. Mas o que vale mesmo ressaltar no comentário de Jô é a diferença de como americanos e brasileiros enfrentam os seus problemas. Eles – que tantos julgam otários comedores de hambúrgueres – tratam de soltar as amarras do estado sobre a iniciativa privada para que esta possa gerar riquezas. Nós – que muitos julgam criativos e cheios de ginga – tratamos de apertar o torniquete de impostos com os quais a atividade privada é sufocada. Creio mesmo que isso já não é questão de governo, é de cultura. Os brasileiros são viciados no paternalismo estatal de maneira tal, que a idéia de recorrer aos governos de plantão diante do menor susto, lhes ocorre de forma automática e irracional. Feito avestruz.

PAC: Prometer é fácil, extremamente fácil

Folha de São Paulo:
PAC, um ano depois, segue como promessa
Em meio à ameaça de apagão e a cortes no Orçamento, governo chega ao 1º aniversário do programa com poucos avançosDos R$ 16,5 bilhões previstos como a parcela de gastos do governo federal, só R$ 5,4 bi foram desembolsados no ano passado, segundo ministro

Dividido em três eixos -logística, energia e social e urbano- e envolvendo R$ 504 bilhões em investimentos públicos e privados de 2007 a 2010, o PAC empolga os empresários pelas possibilidades de negócios e frustra pela lentidão com que as coisas acontecem e pela dificuldade em acompanhar o que, de fato, está acontecendo. O PAC teve melhor desempenho nas ações que não envolvem diretamente o governo. É o caso dos investimentos de estatais, puxadas pela Petrobras, e da construção civil, que teve como carro-chefe a habitação.

Blog do Wanfil
Os governistas gostam de acusar os críticos do PAC de torcerem contra o Brasil. Exigem de todos nada mais do que confiança irrestrita e empolgação antecipada. É um recurso retórico para evitar prestar contas, transformando a ausência gestão e eficiência administrativa numa questão subjetiva. Dessa forma, a simples e óbvia constatação de que o PAC é um engodo basta para que observador astuto seja acusado de ser reacionário, elitista, direitista ou tucano, como se isso importasse. Enquanto isso, o debate sobre a qualidade, a quantidade e as prioridades dos investimentos em infra-estrutura não avança. A reportagem da Folha demonstra que as promessas do PAC buscam fortalecer a musculatura política do governo perante a população, sem ter, no entanto, respaldo na realidade. Todo dia um anúncio recorde é anunciado, mas nada é inaugurado, muito pouco chega mesmoa a ser iniciado.

O truque funciona por um tempo, principalmente por conta da condescendência de boa parte da imprensa, que dedica generosos espaços aos discursos e pouco fiscalização a execução das obras prometidas. As oposições também não são boas em apontar a falta de ações concretas. Não tenham dúvida de que no Ceará os investimentos proporcionais são bem menores, por conta da fragilidade política da base de apoio de Lula.

Já disse isso em várias oportunidades: as ações do governo federal não podem mais ser avaliadas pelos verbos no futuro. Nada de “faremos”, “investirá”, “serão”. O melhor, para não fazer papel de propagandista bobo, é cravar manchete somente nos verbos conjugados no passado: “construímos”, “entregamos”, “realizados”, “feitos” etc. A desconfiança é a defesa natural de quem foi enganado.

Doentes

Deparei-me, num momento de lazer, com a leitura de um poema do grande Augusto dos Anjos: Os doentes. O texto é intimista e explora as fragilidades da matéria da qual somos feitos, consciência tanto mais evidente nos momentos de enfermidade.

No entanto, creio que o tema é mais do que atual. Vivemos hoje “reunidos pela camaradagem da moléstia”, quando o noticiário informa o crescente número de mortes causadas por febre amarela em várias partes do país. Em Fortaleza, mais pessoas faleceram de calazar. A dengue também assombra os cidadãos. Tantos moles certamente abatem o ânimo da cidade, acarretam prejuízos e denunciam que a saúde pública é inadequada para a prevenção de doenças velhas.

Os doentes – Augusto dos Anjos

III

Dormia em baixo, com a promíscua véstia
No embotamento crasso dos sentidos,
A comunhão dos homens reunidos
Pela camaradagem da moléstia.

Feriam-me o nervo óptico e a retina
Aponevroses e tendões de Aquiles,
Restos repugnantíssimos de bílis,
Vômitos impregnados de ptialina. (…)

Oh! desespero das pessoas tísicas,
Adivinhando o frio que há nas lousas,
Maior felicidade é a destas cousas
Submetidas apenas às leis físicas! (…)

Sentir, adstrictos ao quimiotropismo
Erótico, os micróbios assanhados
Passearem, como inúmeros soldados,
Nas cancerosidades do organismo!

Falar somente uma linguagem rouca,
Um português cansado e incompreensível,
Vomitar o pulmão na noite horrível
Em que se deita sangue pela boca! (…)

Mas vos não lamenteis, magras mulheres,
Nos ardores danados da febre hética,
Consagrando vossa última fonética
A uma recitação de misereres. (…)

Porque a morte, resfriando-vos o rosto,
Consoante a minha concepção vesânica,
É a alfândega, onde toda a vida orgânica
Há de pagar um dia o último imposto!

Para ler a poesia inteira, clique aqui.

Charge

Por Lane – Jornal de Brasília

Deputados cearenses gastam gasolina para seis viagens ao redor da Terra. Nem Lula viaja tanto

Jornal O Povo: Cearenses encabeçam lista de gastadores na Câmara
Dos oito deputados federais que mais gastaram dinheiro do contribuinte para compra de combustível, três são cearenses. Ao longo do ano de 2007, os deputados Aníbal Gomes (PMDB), Arnon Bezerra (PTB) e José Linhares (PP) gastaram R$ 54 mil da chamada verba indenizatória – valor máximo permitido com combustível. O dinheiro é destinado apenas aos deslocamentos do parlamentar, relacionados às atividades do mandato, dentro do próprio estado. O dinheiro para a compra de passagens aéreas para Brasília tem uma cota à parte. Segundo cálculo da ONG Transparência Brasil, o dinheiro seria suficiente para cada um dos parlamentares dar seis vezes a volta em torno do planeta, de carro. Leia mais.

Blog do Wanfil
Os deputados percorreram dentro do Ceará uma distância que equivale a seis voltas ao mundo? E olha que eles ficam metade da semana em Brasília. É muita abnegação. Com tanto empenho, não sobra tempo nem para visitar a própria família. Tanta ausência no lar por conta da dedicação ao trabalho acarreta em riscos perigosos, se é que me entendem.

A tal verba indenizatória é uma imoralidade asquerosa. Na verdade, todos sabem, é uma espécie de complemento de salário. O fato de três cearenses encabeçarem essa lista revela ainda uma forma de cultura política. Regra geral, parlamentares sustentam a popularidade em seus colégios eleitorais com a distribuição de pequenos favores e agrados aos seus eleitores. Uma ajuda para o remédio, uns trocados para a cachaça, a passagem para a capital, entre outros mimos. É o deputado chegar no lugarejo e as filas começarem. São os resquícios de uma relação clientelista mantida por séculos no Brasil, especialmente no nordeste, e que agora volta a se fortalecer com os programas meramente assistencialistas do governo federal. Acho que nem preciso dizer com que dinheiro essas “doações” são feitas. Os números da verba indenizatória são por demais eloqüentes.

O bom parlamentar, aquele que mais se preocupa em trabalhar ideías e projetos, mas que não é chegado a essas manifestaçãoes de prodigalidade, que explica ao eleitor que não pode ajudar as pessoas distribuindo dinheiro, uma vez que seus rendimentos não cobrem a demanda, que é preciso pensar em políticas públicas inclusivas, esse não é eleito.

Progapanda da Prefeitura: Campanha eleitoral financiada com dinheiro público

Diário do Nordeste: PSDB amplia denúncia contra gestão Luizianne Lins
Um dia após solicitar ao Tribunal Regional Eleitoral abertura de investigação judicial eleitoral para apurar irregularidades na propaganda oficial do município de Fortaleza, a direção do PSDB na Capital decidiu estender a denúncia contra a gestão petista. Os tucanos alegam que a propaganda da Prefeitura faz promoção pessoal da petista, que deverá postular reeleição. Ontem, a denúncia foi encaminhada à Procuradoria Regional Eleitoral, ao Ministério Público Estadual, ao Tribunal de Contas dos Municípios e ao Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, organizado pela Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A Prefeitura nega as acusações.

Blog do Wanfil
Desde o dia 13 de janeiro a propaganda da Prefeitura de Fortaleza é veiculada nas emissoras de televisão. Somente na quarta-feira (16), já com algum atraso, os tucanos acionaram a Justiça. Acusam Luizianne de usar o dinheiro público que financia as propagandas institucionais para se promover e fazer campanha eleitoral. Teoricamente, essas peças servem para que os governantes prestem contas do que FIZERAM. Vejam o trecho final da propaganda, lido pela própria prefeita:

Nos próximos meses, iniciaremos importantes obras para nossa cidade e para nossa gente, como o Hospital da Mulher, as Praças de Atendimento das Regionais, os Centros Urbanos de Cultura, Arte, Ciência e Esporte para juventude, a requalificação da Praia de Iracema e muitas outras. Vamos em frente. Com trabalho e consciência social seguiremos juntos construindo uma Fortaleza cada vez melhor.”

Luizianne, candidata a reeleição, deixa de relacionar obras e feitos para centrar foco no que AINDA PRETENDE FAZER. Se prometer obras para o futuro não for propaganda eleitoral, então não sei mais o que é campanha. Chega a abusar da boa fé do público ao afirmar que “muitas outras” ações serão feitas.

Mais uma vez fica evidente que a prefeita é mal assessorada. É o preço de lotear cargos entre amigos e a companheirada. Não somente a propaganda tem que ser suspensa, como o dinheiro do contribuinte deve ser devolvido aos cofres públicos.

WordPress Themes