Cadê o PAC que prometeram?

A repórter Paola Vasconcelos, do Diário do Nordeste, assina uma matéria que é a melhor síntese sobre o momento político que vivemos, onde a constante reedição de promessas é confundida com realizações.

População desconhece obras do PAC
Quem mora nas casas de taipa da Lagoa do Papicu, nas ruas perigosas e sujas do entorno da Lagoa do Urubu ou nas sem pavimento e sem nenhuma estrutura do Campo Estrela e São Cristóvão não ficaram sequer sabendo da visita do presidente Lula ao Bom Jardim. (…) Descrentes em qualquer tipo de melhorias que possam chegar, inclusive habitação, os moradores dessas áreas de risco desconhecem detalhes das obras nas quais estão incluídos. Além da moradia precária, de taipa, papelão ou qualquer coisa que fique em pé, essas comunidades vivem irregularmente às margens de riachos, lagoas, canais, convivendo de perto com a sujeira, lama, animais - como cobras e ratos - e sem estruturas básica.

Antes só do que mal acompanhado

Marcela Belchior - O Povo:
Lula vê “injustiça” contra Luizianne
O presidente da república qualificou recentes ataques à prefeita Luizianne (PT) pela oposição de “injustos” e disse que deve voltar a Fortaleza ainda neste ano. Não deixou claro, porém, se sobe ou não no palanque da petista.

Blog do Wanfil
Não é a primeira vez que Lula tenta usar o seu capital político para aliviar as suspeitas que recaem, vez por outra, nos seus companheiros. O presidente já garantiu que José Dirceu é inocente. Recentemente assegurou que a ex-ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, a do cartão corporativo, mais do que inocente, é vítima. Quando estourou o caso de corrupção nos Correios, que deu origem ao escândalo do mensalão, Lula afirmou que daria um cheque em branco ao ex-deputado Roberto Jefferson. O presidente já defendeu a idoneidade de outros: Delúbio Soares, José Genuíno e José Guimarães, Aloísio Mercadante, Freud Godoy e Silvio Pereira. Cito os nomes de memória; a lista pode ser bem maior.

Agora, Lula defende Luizianne Lins. Pelos nomes que fazem companhia à prefeita nessa lista, é o caso de pensar se o depoimento do presidente não funciona mesmo como uma espécie de agravante para suspeitas.

Aos leitores

Amigos, somente à tarde vou postar sobre a passagem do presidente Lula no Ceará. Preciso fazer exames médicos. Check-up de rotina.

Sobre a visita do presidente, de cara, adianto que os discursos e entrevistas concedidas compõem uma incrível demonstração de cinismo, oportunismo e desfaçatez, como poucas vezes pude ver. Lula criticou a oposição por ter entrado na Justiça contra um programa do governo federal. É o mesmo sujeito que, na época em que fazia oposição, fez o seu partido entrar com uma ação contra o Plano Real. Não obstante, Lula hoje tenta se apropriar das realizações do Real, principalmente a estabilidade inflacionária. Tem gente que acha que cobrar coerência de Lula é perda de tempo ou injustiça, afinal, o homem afirma ser uma metamorfose ambulante. É como se o expediente da bravata fosse uma forma digna de se fazer política. Que tempo vivemos.

Bom, logo mais continuo com as análises. Conto com vocês.

Comunistas esclarecidos

Jornal do Brasil
Monstros - Por Olavo de Carvalho

Eis alguns - só alguns - dos objetivos proclamados abertamente pelos líderes e mentores comunistas:

1. Karl Marx: extermínio de classes sociais inteiras e de uns quantos “povos inferiores” (sic).
2. V. I. Lênin: terrorismo sistemático como fórmula de governo.
3. Leon Trotsky: militarização completa do trabalho industrial e agrícola. Supressão da liberdade de escolher emprego.
4. Stálin: “Morte aos pequenos proprietários rurais. Ódio e desprezo aos que os defendem” (sic).
5. Che Guevara: Treinar os militantes para que se tornem “eficientes e frias máquinas de matar” (sic).
Notem bem: não são crueldades impremeditadas, sobrevindas no calor da batalha. São intenções declaradas.

Como é possível que alguém em seu juízo perfeito considere o comunismo um belo ideal humanitário, que um acaso infeliz desviou de seus altos propósitos?

Foi só por um desejo insano de enganar-se retroativamente a si próprios que muitos comunistas, depois da morte de Stálin, começaram a espremer seus cérebros para explicar como o regime dos seus sonhos pudera “degenerar” em tanta violência e maldade. Não era degenerescência: era a execução racional e bem sucedida de planos traçados com muita antecedência - desde Marx - e levados à prática com a frieza metódica de uma obra de engenharia.

Fidel Castro, Guevara, Pol-Pot, Lênin, Stálin, Trótski, Marx - quem quer que escreva uma só palavra em favor desses monstros é seu semelhante, distinguindo-se deles em tamanho apenas, não em qualidade. Ainda que por covardia ou falta de ocasião não venha a realizar pessoalmente seus desígnios macabros, não esconde sua admiração por quem os realiza. E depois ainda se faz de horrorizado ante quem cometeu crimes incomparavelmente menores, se é que é crime apelar à violência para deter um genocídio anunciado e já em fase avançada de execução.

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Sobre o texto acima, dois esclarecimentos:

1) Carvalho fala de comunistas instruídos. De gente que leu e ainda assim assumea defesa de regimes totalitaristas ou então diminuem seus efeitos mortais. Não podem constar dessa descrição os desavisados, os ingênuos e os enganados. Tem gente de bem que acredita que Fidel Castro, ditador intolerante e brutal, é um exemplo de humanista. A maioria dos admiradores do comunismo conhecem apenas alguns discursos recortados em livros didáticos, mas desconhecem os resultados de sua aplicação prática. Por causa disso, imaginam que o nazismo - responsável direto pela morte de seis milhões de pessoas - foi a pior tragédia da humanidade, sem desconfiar que o comunismo - responsável por 100 mihlões de mortes - é que fez do século 20 o mais sangrento da história.

2) É preciso diferenciar socialismo de comunismo. Existem socialistas democratas, mas é impossível um comunista defender a democracia. O problema é que os comunistas, para efeito midiático, posam de socialistas inofensivos. Sua faceta revolucionária aparece somente em reuniões fechadas, como as do Fórum de São Paulo.

Lula no Ceará: Vai chover promessa

Diário do Nordeste:
Lula vai anunciar R$ 632 mi para obra social no CE
Transformar o campo, ofertando a melhoria de renda e qualidade de vida da população. São estes os objetivos do Programa Territórios da Cidadania, que contempla 60 territórios no Brasil. No Ceará, o Sertão Central, a Região dos Inhamuns e o município de Itapipoca serão beneficiados com recursos da ordem de R$ 632 milhões, oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento.

Hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará em Quixadá, onde vai lançar o Programa e anunciar investimentos de R$ 191,9 milhões para o Sertão Central.

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Em entrevista ao Bom Dia Ceará (Verdes Mares), o secretário das Cidades do Ceará, Joaquim Cartaxo (PT), afirmou que ainda não conhece os detalhes do novo programa. Seria de admirar se ele soubesse. Os programas do governo federal nascem como peças publicitárias - um sologan, e depois ganham traços de formatação e no final pouco é feito. Tudo se resume ao bolsa-família.

O Ceará vive a maior carência de investimentos federais nos últimos 20 anos. O que Lula trouxe de relevante em seis anos de governo? Nada. O resultado está aí. Postos de trabalho são fechados no Estado, enquanto o emprego aumenta no resto do país.

Em julho do ano passado o presidente esteve no Ceará para prometer uma chuva de investimentos do PAC. ONDE ESTÃO AS OBRAS? Lula prometeu anunciar a siderúrgica no mês seguinte àquela visita. Bravata, como sempre. Hoje não será diferente. Mais promessas ganharão as manchetes dos jornais amanhã, sem que o presidente seja minimamente contestado pelo hábito de anunciar novos amanhãs que nunca chegam. É o governo do eterno porvir.

Interior também quer redução de ICMS no óleo diesel

O Povo:
PSDB pressiona Cid a estender redução do ICMS para todo o CE
O PSDB vai pressionar o governador Cid Gomes (PSB) para que ele amplie a redução da alíquota do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) do óleo diesel para todo o Estado, não apenas para Fortaleza - como previsto. (…) Agora, o PSDB quer que a redução seja ampliada a todos os municípios. “Realmente a nossa intenção é fechar questão que, se houver benefício (para Fortaleza), seja amplo para todo o Estado”, declarou ontem o vice-presidente do PSDB, Tomás Filho. Segundo ele, prefeitos tucanos, em reunião na semana passada, já haviam sinalizado o incômodo com a redução do ICMS somente em Fortaleza.

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A verdade é que a redução do ICMS do óleo diesel em Fortaleza visa promover eleitoralmente a prefeita Luizianne Lins. Repararam como as empresas de transporte não reclamaram da diminuição no preço das passagens? Por que será?

Agora, com a pressão do tucanos, Cid Gomes diz qual o critério de exclusividade utilizado para a decisão na capital, e que exclui as demais cidades, ou o concede em todo o Estado. Afinal, as pessoas no interior também precisam de transporte. Pelo visto, o populismo feito com o nosso dinheiro pode sair mais caro para o governo - e para os contribuintes.

Pensão vitalícia para ex-governadores é símbolo do atraso

Jornal O Povo - Por Fábio Campos:
Lúcio diz que é má fé atender pedido que ele mesmo fez
Deu no O POVO de ontem: “O ex-governador Lúcio Alcântara (PR) acredita que a concessão de sua pensão vitalícia pelo Governo do Estado foi ‘má fé’ e que o assunto veio à tona porque seu nome como pré-candidato tem causado ‘incômodo’ entre os Ferreira Gomes”. Trocando em miúdos, Lúcio Alcântara acusa de má fé a concessão de um gracioso pedido que ele mesmo fez.

Na política, Lúcio deu um tiro no pé e tentou jogar a culpa nos adversários. Poderia não ter pedido a pensão. Já que pediu, poderia ter retirado o pedido. Já que foi concedido, poderá simplesmente recusar-se a receber e desistir oficialmente (e para sempre) da bolsa-pijama.

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Lúcio não criticou a concessão da aposentadoria especial. Deve considerá-la justa - por isso a pediu. E ele não está só nessa opinião. Somente o ex-governador Tasso Jereissati chegou a extiguir o privilégio (por duas vezes), mas como uma fênix, a pensão vitalícia renasceu pelas mãos de outros governadores. Lúcio reclama que o governo Cid usa o assunto com segundas intenções, ou seja, para expô-lo no ano eleitoral. Pode ser. Mas o fato é que a pensão existe e que Lúcio a requereu.

Esse tipo de aposentadoria é típica de um sistema patrimonialista atrasado e elitista. Enquanto qualquer pessoa necessita trabalhar 30 anos para ter o direito, um governador pode pendurar as chuteiras com apenas poucos dias de trabalho. Quando Ciro Gomes foi governador, o deputado Chico Aguiar assumiu o governo por apenas 86 dias. Foi o bastante para assegurar-lhe 10 mil reais mensais, por toda a vida.

Assembléia: Oposição precisa vigiar os pressupostos democráticos

Diário do Nordeste:
Reação da oposição: Pedetista diz cumprir obrigação de fiscalizar
Reação de parlamentares de oposição contra as declarações do chefe-de-gabinete do governador, deputado licenciado Ivo Gomes (PSB), veiculadas na edição de ontem, do Diário do Nordeste. Em pronunciamento, o deputado Heitor Férrer (PDT) lamentou as críticas e cobrou de Ivo o respeito ao parlamento e a seus integrantes. “Nós estamos aqui para auxiliar, não para nos submeter”.

O deputado Adahil Barreto (PR) (…) aproveitou para lembrar que Ivo integra o parlamento estadual. “Quero lembrar ao Ivo Gomes que ele é deputado estadual”.

O deputado Fernando Hugo (PSDB) também se manifestou. “Antes de falar que parlamentares de oposição não têm assunto, lembre-se que também é um deputado estadual”, aconselhou.

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Ivo Gomes declarou que os opositores do governo estadual agem motivados por interesses eleitoreiros. O episódio expressa um tipo de intolerância que ganha espaço na política (ver o post Ivo Gomes e o Ovo da Serpente). O diálogo franco e o debate construtivo é substituído pela desqualificação e pela generalização. Um democrata atento afirmaria que a oposição cumpre o seu papel, de resto fundamental, de cobrar e de fiscalizar os governos.

Heitor Férrer e Adhail Barreto fazem seu trabalho sem histrionismos, bem diferente das bravatas com as quais os antecessores de Cid tiveram de lidar. Naquela época, petistas e parceiros pediam aumentos de 100% para o funcionalismo. Hoje, a oposição cobra 6% de reajuste.

O problema é que a reação dos parlamentares se limitou ao apelo corporativo. “Você também é deputado”, disseram, como se essa condição fosse um pressuposto moral. Não é. Nessas horas, os democratas não podem se furtar à obrigação de denunciar o impulso autoritário e exigir retratação, não em nome da categoria, as em nome da democracia.

Artigo - Edson Gomes

Explique-se, governador

Por Edson Gomes - jornalista.

A matéria “Diárias consomem R$ 51 mil por dia”, veiculada no jornal O Povo em 10.02.08, tratou da viagem do governador Cid Gomes à Europa, assunto de extrema relevância para a população.

Feita a viagem, justificada com o argumento vago e impreciso de que iria “tratar de assuntos de interesse do Estado do Ceará”, é hora de publicizar o resultado para a sociedade. Na verdade, é imperativo que o governador divulgue de maneira clara e objetiva os frutos semeados ou colhidos durante os 10 dias em que esteve na Europa – Espanha, Alemanha e Escócia. Por exemplo, com quem se reuniu na Espanha, que negócios lá tratou? que motivações o levaram a pousar em solo alemão, que acordos satisfatórios para o Ceará ali foram fechados; foi firmado algum convênio na área econômica, cultural ou turística com o governo escocês?

É necessário prestar esclarecimentos. Cid tem o dever e a obrigação moral de explicar para a população cada passo de sua atuação, seja dentro ou fora do seu país. A transparência dos atos praticados pelo homem público é uma exigência precípua da democracia. Até para não parecer que o chefe do Poder Executivo Estadual aproveitou-se do cargo que ocupa e viajou às custas do Estado, o que seria atitude antiética e uma afronta para com o cidadão que o elegeu.

Afinal, é inaceitável que o governador empreenda uma viagem que durou 10 dias, onde visitou três países, sem uma agenda previamente bem definida e planejada. Seria muito amadorismo ou má fé mesmo.

Ivo Gomes e o ovo da serpente

Diário do Nordeste:
Críticas ao governo: Para Ivo, a motivação é o momento eleitoral

O Governo Cid Gomes tem enfrentado críticas da oposição e também da base aliada, na Assembléia Legislativa. Uma delas foi motivada pela contratação de aeronave para viagem internacional. Ontem, ao participar de solenidade no Legislativo, o chefe-de-gabinete do governador, deputado licenciado Ivo Gomes, avalia que as colocações dos aliados visam o aperfeiçoamento das ações governistas. Com a oposição o julgamento foi menos condescendente: “É falta de assunto, e pelo período eleitoral que nós estamos vivendo”, declarou.

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A sucessão de escândalos que tem marcado a política brasileira começa a deixar sequelas graves no universo institucional do país. Ivo Gomes apenas expressa, com seu discurso, algo que se tem vulgarizado: o desprezo pela oposição, um dos pilares do sistema democrático. E olha que os opositores ao governo do Estado são apenas dois, ambos de perfil moderado. Mesmo assim o chefe de gabinete de Cid não concede dignidade às motivações dos adversários. Se eles reclamam, se eles questionam algo, só pode ser por interesses menores, nunca por uma preocupação legítima, nunca por dever de ofício.

Ivo faz questão de distinguir as críticas de aliados e de oposicionistas. Os aliados querem ajudar quando falam do pífio crescimento industrial do Ceará. Os opositores são movidos por motivos eleitoreiros quando cobram explicações sobre as viagens do governador. A tática parece um inofensivo recurso de defesa, mas revela um estado de espírito que tem avançado no Brasil. Um pouco mais, ser oposição terá um sentido inverso ao de poucos anos atrás: de símbolo de resistência e de luta contra o poder, para a representação de interesses mesquinhos.

Essa idéia que reforça a intolerância política é o ovo da serpente do totalitarismo. Convém combatê-la e cobrar respeito dos governantes para com seus opositores, que também são representantes da sociedade.

Escândalo Finatec - Luizianne diz que não sabia de nada

O escândalo político da quinzena (vejam a quem ponto chegamos) é o caso Finatec - Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos da Universidade de Brasília (UnB). Uma reportagem da revista Época afirma que a entidade não passa de fachada para evitar licitações em prefeituras governadas pelo PT. Entre as acusadas pela revista está a Prefeitura de Fortaleza. (Saiba mais detalhes no post Fundação da UnB usada como fachada em prefeituras do PT prestou serviços em Fortaleza).

O jornal O Povo publicou declarações de Luizianne Lins sobre as acusações. Confiram alguns trechos, que reproduzo em vermelho. Em seguida, comento a respeito.
Luizianne diz que denúncia é “futrica do PSDB”
A prefeita Luizianne Lins (PT) disse, ontem [domingo], que as supostas irregularidades em contrato de sua administração, apontadas pela revista Época, não passam de “futrica do PSDB”. (…) Segundo ela, a Finatec prestou serviços para o Tribunal de Contas da União (TCU), Caixa Econômica Federal e Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Não vi presidente do STJ aparecer, não vi presidente da Caixa aparecer, só vi os políticos que vão ser votados ou não pelo PT. Por que não aparecem? Porque nem são do PT e nem vão disputar a eleição. Aí fica nisso”, comentou.

A petista explicou que a Finatec foi contratada para prestar consultoria na reforma administrativa. Disse que antes de contratá-la, ela, pessoalmente, visitou a sede da fundação, que fica dentro da UnB - um dos fatores para convencê-la -, e que sua equipe pesquisou preços com outras fundações. O contrato durou de junho de 2005 a julho de 2006.

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A missão da Finatec era captar recursos para pesquisas. Por algum motivo ainda obscuro, ela passou a prestar serviços de consultoria administrativa para governos. Como não tem fins lucrativos, uma fundação não precisa participar de licitações. Por coincidência, os contratos mais vultosos da Finatec foram fechados com prefeituras administradas por um mesmo partido político: O PT. Também por coincidência, só pode ser por isso, a Finatec terceirizava a execução dos serviços contratanto as empresas de um tal de Luís Lima, sujeito ligado ao PT gaúcho, que embolsava a grana sem precisar participar de licitações.

As suspeitas geradas por uma triangulação tão inocente deixam a prefeita Luizianne Lins indignada. Por que não investigam os demais clientes de Luís Lima? Por que não investigam o TCU e o STJ? Por que diabos só querem saber do PT? Luizianne inverte a lógica da investigação para, como sempre, posar de vítima de uma conspiração. O objeto de tantas indagações é justamente o fato de várias prefeituras de um mesmo partido se relacionarem com as empresas de um amigo em comum por meio de uma mesma fundação. O STJ o TCU não possuem relações formais com partidos políticos, nem constam indícios de irregularidades contra essas entidades. E isso as torna diferentes das prefeituras apontadas no caso Finatec. Querer igualá-las é esperteza. É como se Marcos Valério acusasse o STF de persegui-lo, uma vez que os demais correntistas do Banco Rural não foram acusados no caso do mensalão. Acontece que existiam os correntistas honestos e os desonestos. Ao que parece, as empresas sócias da Finatec também tinham clientes idôneos. Convém não confundi-los com outros. Luizianne quer fazer dos indícios de falcatrua, álibis de sua defesa.

Houve irregularidade? Ninguém sabe. A prefeita alerta que, caso algo exista algo de errado, a responsabilidade é do reitor da UnB. Na Folha de São Paulo desta segunda o próprio Luís Lima disse: “A grande maioria dos trabalhos foi efetivamente feita com governos que eram ligados ao PT e à sua base aliada”. Para depois detalhar: “Quando se faz um trabalho no setor público e esse trabalho é bom, você é indicado para outras organizações, para os amigos. Esse processo foi simplesmente um processo de indicação, como um médico”.

Bom, eu não duvido de Luís Lima. Mas dos sete governos petistas que o contrataram via Finatec, parece que apenas em Fortaleza não houve indicação. Afinal, Luizianne garante que não sabe de nada disso. Ingênua, confiou na Unb. Agora, graças a imprensa que ela ataca e diz estar a serviço de seus inimigos, a prefeita pôde saber como eram feitos os serviços que ela mesmo contratava. E das incríveis coincidências que existem no mundo das gestões petistas.

De olho nos senadores

1
Folha Online:
CPI das ONGs vai investigar repasses da Finatec para a UnB
Após dois meses de paralisia, a CPI das ONGs (organizações não-governamentais) retoma os trabalhos nesta semana no Senado Federal com a tarefa de investigar denúncias de irregularidades no repasse de recursos da Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos) para a UnB (Universidade de Brasília). Integrantes da CPI acusam, nos bastidores, o senador Inácio Arruda (PC do B-CE) de seguir a orientação do Palácio do Planalto para não promover investigações a fundo na comissão. No ano passado, a CPI teve as atividades praticamente paralisadas depois que governistas se mobilizaram para rejeitar uma séria de requerimentos que tinham como objetivo aprofundar as investigações sobre ONGs ligadas ao governo federal.

2
Jornal O Povo:
Emenda quer deputado mais votado substituindo senador
O senador Tasso Jereissati apresentou proposta para que o suplente de cada senador passe a ser o deputado federal mais votado do partido no respectivo estado. Com isso, a proposta acaba com a figura do suplente de senador como atualmente existe. A fórmula, acredita o senador, é um modo de assegurar legitimidade a uma função hoje, em geral, ocupada por políticos sem voto ou expressão política.

Fundação da UnB usada como fachada em prefeituras do PT prestou serviços em Fortaleza

Revista Época, por Wálter Nunes, Murilo Ramos e David Friedlander:
Contratos sob suspeita
A investigação da Finatec, uma fundação de Brasília usada para driblar licitações, chega a um nome: o empresário Luís Lima, que negociava com governos do PT acordos milionários para sua empresa

Virou um caso de polícia, mas no começo a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), ligada à Universidade de Brasília (UnB), tinha objetivos nobres. Ela foi criada em 1992 por 12 professores da UnB para captar recursos para o desenvolvimento da pesquisa científica e tecnológica. Sua inspiração era o bem-sucedido exemplo de instituições tradicionais como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que há 40 anos dá apoio à pesquisa científica em São Paulo.

Depois que a Justiça decretou intervenção na Finatec, afastando os cinco diretores, e sua sede foi cercada por policiais militares para evitar a retirada às pressas de documentos, mais irregularidades e desvios ocorridos na fundação começaram a ser revelados.

A Finatec estaria sendo usada como uma espécie de fachada por empresas de consultoria para fechar contratos com órgãos públicos, sem precisar disputar concorrência. Aproveitava-se uma brecha na legislação, que permite a contratação de fundações ligadas a entidades de ensino sem a necessidade de licitação pública.

No papel, a contratada, para prestar assessoria em programas de modernização gerencial, era sempre a Finatec. Mas quem recebia pagamentos na ponta, pelos serviços realizados, era a Intercorp e a Camarero & Camarero. Além da Prefeitura de São Paulo, comandada por Marta Suplicy, fizeram pagamentos à Intercorp e à Camarero & Camarero, por meio da Finatec, as prefeituras de Fortaleza, Vitória, Recife, Nova Iguaçu e Maringá e o governo do Piauí – todos comandados pelo PT.

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Os acusados, todos ligados a administrações municipais petistas, alegam que os contratos com a Finatec são legais e justificáveis, assim como as dispensas de licitação. Afirmam que tudo não passa de perseguição. A reportagem de Época termina confrontando essas explicações.:

Se a Finatec não tinha o conhecimento necessário para assessorar as prefeituras, por que foi contratada por elas? Se a tecnologia pertencia a Luís Lima, por que ele e suas empresas não se submeteram ao processo de concorrência pública? Quando a lei abriu a possibilidade de dispensa de licitação na contratação de fundações ligadas a universidades, o objetivo era ajudá-las a captar mais recursos públicos para pesquisas científicas. No caso da Finatec, a ciência por trás dos contratos com as prefeituras ainda está longe de ser bem explicada.

Dica de filme: Apocalypto

Apocalypto - Produção norte-americana de 2006, com direção e roteiro de Mel Gibson. Será que os índios das Américas eram doces criaturas que conheceram o mal e a ganância somente após o contato com os europeus?

O filme tem como pano de fundo os últimos momentos do Império Maia. Na trama, um destacamento de guerreiros maias vasculham a floresta em busca de escravos e de vítimas para sacrifícios humanos, com os quais seus sarcedotes imaginavam atrair prosperidade e a simpatia dos deuses.

Não se trata de um documento histórico. É a narrativa da fuga de um prisioneiro que enfrenta tudo para salvar a própria família. As cenas perseguição dos guerreiros maias ao indígena são impressionantes, feitas dentro da mata fechada, com um jogo de luzes sinuosos e bem produzido. Tudo acontece num ritmo frenético.

Apocalypto é todo falado num dialeto Maia. Um dos méritos do filme é mostrar que as sociedades pré-colombianas na América Latina não eram exemplos de fraternidade e bondade. A idéia de que as comunidades indígenas foram corrompidas pelo capitalismo e pelo catolicismo é uma distorção que visa adequar, na marra, fatos históricos a teorias maniqueístas. Claro, essas comunidades foram vítimas de violência - que é a condição das conquistas militares. Maias e Astecas foram destruídos, um crime, sem dúvida. Ocorre apenas que muito antes da chegada dos europeus já existiam guerras, escravidão, assassinatos, ódio e disputa de poder nas Américas. O filme apenas constata, sem fazer juízo de valor, que a história das civilizações se resume à conquista do mais fraco pelo mais forte. E que essa experiência sempre foi cruel.

Jornalismo 3 - Liberdade de imprensa não é um bem ideológico

Texto de Ruy Fabiano, pblicado no Blog do Noblat:

Liberdade não tem ideologia

Há bem mais tempo que as ações simultâneas da Igreja Universal contra Elvira Lobato e a Folha, o colunista da revista Veja, Diogo Mainardi, tem sido alvo de atos idênticos, perpetrados por personagens ligados ao governo federal e a seu partido.

Mainardi, porém, é visto como ideologicamente contaminado. Assume posições tidas como ultraconservadoras (não cabe aqui discuti-las), e faz críticas ácidas à própria mídia, o que o torna um colecionador de desafetos em seu próprio meio profissional.

Ocorre que liberdade de imprensa não é um bem ideológico. Não é de direita ou de esquerda, nem pode estar submissa a idiossincrasias. É plural e impessoal – ou não é. Goste-se ou não de quem esteja sendo constrangido pelo exercício da profissão, é o princípio que está em jogo. Se houver excessos por parte do jornalista, há os remédios legais e o modo honesto de acioná-los.

O presidente Lula, ao se manifestar a respeito da ação da Igreja Universal contra Elvira e a Folha, tratou o caso como se não estivesse submetido a litigância de má fé. Disse que a democracia é assim: se a pessoa ou instituição se sente ofendida, vai à Justiça. É verdade – mas não é o caso, e o presidente com certeza sabe disso.

Ele e seu partido, que quiseram criar um certo Conselho Federal de Jornalismo, na tentativa de estabelecer controle estatal sobre a atividade, incluem-se na cota dos que cortejam a musa Imprensa, mas estão longe de apreciá-la ou de a quererem por perto.

Blog do Wanfil
Além de Mainardi, Olavo de Carvalho e Dom Eugênio Sales também foram vítimas de assédio judicial. Leia mais aqui.

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