Escândalo Finatec – Luizianne diz que não sabia de nada
O escândalo político da quinzena (vejam a quem ponto chegamos) é o caso Finatec – Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos da Universidade de Brasília (UnB). Uma reportagem da revista Época afirma que a entidade não passa de fachada para evitar licitações em prefeituras governadas pelo PT. Entre as acusadas pela revista está a Prefeitura de Fortaleza. (Saiba mais detalhes no post Fundação da UnB usada como fachada em prefeituras do PT prestou serviços em Fortaleza).
O jornal O Povo publicou declarações de Luizianne Lins sobre as acusações. Confiram alguns trechos, que reproduzo em vermelho. Em seguida, comento a respeito.
Luizianne diz que denúncia é “futrica do PSDB”
A prefeita Luizianne Lins (PT) disse, ontem [domingo], que as supostas irregularidades em contrato de sua administração, apontadas pela revista Época, não passam de “futrica do PSDB”. (…) Segundo ela, a Finatec prestou serviços para o Tribunal de Contas da União (TCU), Caixa Econômica Federal e Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Não vi presidente do STJ aparecer, não vi presidente da Caixa aparecer, só vi os políticos que vão ser votados ou não pelo PT. Por que não aparecem? Porque nem são do PT e nem vão disputar a eleição. Aí fica nisso”, comentou.
A petista explicou que a Finatec foi contratada para prestar consultoria na reforma administrativa. Disse que antes de contratá-la, ela, pessoalmente, visitou a sede da fundação, que fica dentro da UnB – um dos fatores para convencê-la -, e que sua equipe pesquisou preços com outras fundações. O contrato durou de junho de 2005 a julho de 2006.
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A missão da Finatec era captar recursos para pesquisas. Por algum motivo ainda obscuro, ela passou a prestar serviços de consultoria administrativa para governos. Como não tem fins lucrativos, uma fundação não precisa participar de licitações. Por coincidência, os contratos mais vultosos da Finatec foram fechados com prefeituras administradas por um mesmo partido político: O PT. Também por coincidência, só pode ser por isso, a Finatec terceirizava a execução dos serviços contratanto as empresas de um tal de Luís Lima, sujeito ligado ao PT gaúcho, que embolsava a grana sem precisar participar de licitações.
As suspeitas geradas por uma triangulação tão inocente deixam a prefeita Luizianne Lins indignada. Por que não investigam os demais clientes de Luís Lima? Por que não investigam o TCU e o STJ? Por que diabos só querem saber do PT? Luizianne inverte a lógica da investigação para, como sempre, posar de vítima de uma conspiração. O objeto de tantas indagações é justamente o fato de várias prefeituras de um mesmo partido se relacionarem com as empresas de um amigo em comum por meio de uma mesma fundação. O STJ o TCU não possuem relações formais com partidos políticos, nem constam indícios de irregularidades contra essas entidades. E isso as torna diferentes das prefeituras apontadas no caso Finatec. Querer igualá-las é esperteza. É como se Marcos Valério acusasse o STF de persegui-lo, uma vez que os demais correntistas do Banco Rural não foram acusados no caso do mensalão. Acontece que existiam os correntistas honestos e os desonestos. Ao que parece, as empresas sócias da Finatec também tinham clientes idôneos. Convém não confundi-los com outros. Luizianne quer fazer dos indícios de falcatrua, álibis de sua defesa.
Houve irregularidade? Ninguém sabe. A prefeita alerta que, caso algo exista algo de errado, a responsabilidade é do reitor da UnB. Na Folha de São Paulo desta segunda o próprio Luís Lima disse: “A grande maioria dos trabalhos foi efetivamente feita com governos que eram ligados ao PT e à sua base aliada”. Para depois detalhar: “Quando se faz um trabalho no setor público e esse trabalho é bom, você é indicado para outras organizações, para os amigos. Esse processo foi simplesmente um processo de indicação, como um médico”.
Bom, eu não duvido de Luís Lima. Mas dos sete governos petistas que o contrataram via Finatec, parece que apenas em Fortaleza não houve indicação. Afinal, Luizianne garante que não sabe de nada disso. Ingênua, confiou na Unb. Agora, graças a imprensa que ela ataca e diz estar a serviço de seus inimigos, a prefeita pôde saber como eram feitos os serviços que ela mesmo contratava. E das incríveis coincidências que existem no mundo das gestões petistas.
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