Comunistas esclarecidos

Jornal do Brasil
Monstros – Por Olavo de Carvalho

Eis alguns – só alguns – dos objetivos proclamados abertamente pelos líderes e mentores comunistas:

1. Karl Marx: extermínio de classes sociais inteiras e de uns quantos “povos inferiores” (sic).
2. V. I. Lênin: terrorismo sistemático como fórmula de governo.
3. Leon Trotsky: militarização completa do trabalho industrial e agrícola. Supressão da liberdade de escolher emprego.
4. Stálin: “Morte aos pequenos proprietários rurais. Ódio e desprezo aos que os defendem” (sic).
5. Che Guevara: Treinar os militantes para que se tornem “eficientes e frias máquinas de matar” (sic).
Notem bem: não são crueldades impremeditadas, sobrevindas no calor da batalha. São intenções declaradas.

Como é possível que alguém em seu juízo perfeito considere o comunismo um belo ideal humanitário, que um acaso infeliz desviou de seus altos propósitos?

Foi só por um desejo insano de enganar-se retroativamente a si próprios que muitos comunistas, depois da morte de Stálin, começaram a espremer seus cérebros para explicar como o regime dos seus sonhos pudera “degenerar” em tanta violência e maldade. Não era degenerescência: era a execução racional e bem sucedida de planos traçados com muita antecedência – desde Marx – e levados à prática com a frieza metódica de uma obra de engenharia.

Fidel Castro, Guevara, Pol-Pot, Lênin, Stálin, Trótski, Marx – quem quer que escreva uma só palavra em favor desses monstros é seu semelhante, distinguindo-se deles em tamanho apenas, não em qualidade. Ainda que por covardia ou falta de ocasião não venha a realizar pessoalmente seus desígnios macabros, não esconde sua admiração por quem os realiza. E depois ainda se faz de horrorizado ante quem cometeu crimes incomparavelmente menores, se é que é crime apelar à violência para deter um genocídio anunciado e já em fase avançada de execução.

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Sobre o texto acima, dois esclarecimentos:

1) Carvalho fala de comunistas instruídos. De gente que leu e ainda assim assumea defesa de regimes totalitaristas ou então diminuem seus efeitos mortais. Não podem constar dessa descrição os desavisados, os ingênuos e os enganados. Tem gente de bem que acredita que Fidel Castro, ditador intolerante e brutal, é um exemplo de humanista. A maioria dos admiradores do comunismo conhecem apenas alguns discursos recortados em livros didáticos, mas desconhecem os resultados de sua aplicação prática. Por causa disso, imaginam que o nazismo – responsável direto pela morte de seis milhões de pessoas – foi a pior tragédia da humanidade, sem desconfiar que o comunismo – responsável por 100 mihlões de mortes – é que fez do século 20 o mais sangrento da história.

2) É preciso diferenciar socialismo de comunismo. Existem socialistas democratas, mas é impossível um comunista defender a democracia. O problema é que os comunistas, para efeito midiático, posam de socialistas inofensivos. Sua faceta revolucionária aparece somente em reuniões fechadas, como as do Fórum de São Paulo.

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