Pensão vitalícia para ex-governadores é símbolo do atraso
Jornal O Povo – Por Fábio Campos:
Lúcio diz que é má fé atender pedido que ele mesmo fez
Deu no O POVO de ontem: “O ex-governador Lúcio Alcântara (PR) acredita que a concessão de sua pensão vitalícia pelo Governo do Estado foi ‘má fé’ e que o assunto veio à tona porque seu nome como pré-candidato tem causado ‘incômodo’ entre os Ferreira Gomes”. Trocando em miúdos, Lúcio Alcântara acusa de má fé a concessão de um gracioso pedido que ele mesmo fez.
Na política, Lúcio deu um tiro no pé e tentou jogar a culpa nos adversários. Poderia não ter pedido a pensão. Já que pediu, poderia ter retirado o pedido. Já que foi concedido, poderá simplesmente recusar-se a receber e desistir oficialmente (e para sempre) da bolsa-pijama.
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Lúcio não criticou a concessão da aposentadoria especial. Deve considerá-la justa – por isso a pediu. E ele não está só nessa opinião. Somente o ex-governador Tasso Jereissati chegou a extiguir o privilégio (por duas vezes), mas como uma fênix, a pensão vitalícia renasceu pelas mãos de outros governadores. Lúcio reclama que o governo Cid usa o assunto com segundas intenções, ou seja, para expô-lo no ano eleitoral. Pode ser. Mas o fato é que a pensão existe e que Lúcio a requereu.
Esse tipo de aposentadoria é típica de um sistema patrimonialista atrasado e elitista. Enquanto qualquer pessoa necessita trabalhar 30 anos para ter o direito, um governador pode pendurar as chuteiras com apenas poucos dias de trabalho. Quando Ciro Gomes foi governador, o deputado Chico Aguiar assumiu o governo por apenas 86 dias. Foi o bastante para assegurar-lhe 10 mil reais mensais, por toda a vida.
1 Comentário
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By Reginaldo Almeida, 29/02/2008 @ 11:04
O cinismo e a desfaçatez na Política não cansam de me surpreender.
Na verdade Lúcio Alcântara não é contra a pensão, que como no nobre blogueiro mencionou, ele mesmo pediu, e nunca retirou o pedido. O que ele discorda, na realidade, é da repercussão que tal pensão possa causar nas suas pretensões políticas.
Pelo visto urge que se funde a oposição da oposição no Ceará, porque em se tratando da situação e da atual oposição, como muito se diferem em relação às suas inépcias em gastar o dinheiro público, consigo e com o público.