Lula afirma que siderúrgica privada no Ceará é obra do seu governo

Estado de São Paulo - por Milton F. da Rocha Filho:
Lula: transposição do São Francisco ‘muda a cara’ do NE
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente, fez uma análise de suas viagens da última semana por Estados do Nordeste, região que vai receber R$ 80,4 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

(…) Entre outras realizações no Nordeste, Lula lembrou a construção do Gasene, gasoduto que vai ligar o Sudeste ao Nordeste. Falou também sobre a usina siderúrgica a ser erguida em Fortaleza - o empreendimento será erguido com a participação da Vale do Rio Doce e de empresas coreanas. “Além desses investimentos que eu estou dizendo, que são os grandes investimentos, nós temos ainda o investimento de duplicar a BR-116, ou seja, são quase 530 quilômetros de estrada duplicada dentro da Bahia, inclusive o contorno de Feira de Santana”, enumerou.

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O problema do mau hábito não é tanto ser mau, mas principalmente ser hábito, já nos ensinava o Padre Manuel da Nóbrega. O caso fica ainda mais grave quando essa disposição, de tão repetida, se transforma em vício, para depois ser absorvida como condição natural de um ser humano. Nesse caso, o mau hábito vira o método ordenado e elementar, de modo que o sujeito que o pratica acredita estar correto e que seu padrão de comportamento particular é o padrão geral da sociedade. Na cabeça de uma pessoa assim, errado está é quem lhe recrimina os delitos.

Lula apresenta como sua realização a siderúrgica a ser implantada no Ceará e que ainda NÃO EXISTE. E mais! O presidente fala em investimentos, quando na verdade o empreendimento É PRIVADO. Pior ainda! A Petrobrás quase inviabilizou o projeto, ao romper as negociações para o fornecimento do gás para o funcionamento da siderúrgica. Lula vende como seu o que não lhe pertence.

Notem que o presidente - segundo o Estadão - diz que tudo será feito com a “participação” da Vale e de empresas coreanas, como se essas fossem parceirass adicionais que se juntassem a uma ação do governo, quando na realidade é o governo quem tentar colar a imagem numa ação privada. As declarações são um acinte à inteligência, um insulto à verdade, uma agressão aos fatos registrados. Um despropósito desses não pode ser creditado ao vício da incontinência verbal. Não se trata mais de um mau hábito, mas de método incorrigível.

Escrivães de atas
A matéria do Estadão foi escrita com base nas palavras do presidente, quase uma mera transcrição de trechos selecionados no programa Café com o Presidente. No governo Lula, boa parte da imprensa tem se comportado como escrivães de ata cuja função se resume ao relato sem checagem das informações. Termina por se transformar em caixa de ressonância passiva e assim perde sua função social. Não custava nada verificar a quantas anda a construção da siderúrgica e qual o papel do governo federal na sua efetivação. Uma pesquisa no Google bastaria para mostrar que o presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, disse que o negócio era inviável.

Eis uma das explicações para a popularidade de Lula. O sujeito nunca é cobrado pelas promessas que faz ou pelo que diz.

PS. Quem quiser conferir a fala de Lula no progrma Café com o Presidente, basta clicar no link http://cafe.radiobras.gov.br/Aberto/Cafe/Presidente.

Popularidade não garante qualidade

Amigos e leitores perguntam a respeito da última pesquisa de opinião sobre a popularidade do presidente Lula, que nunca esteve tão alta. Primeiramente é importante ressalvar que essa aferição diz respeito a um governo envolto em constantes escândalos éticos e de poucas realizações. A taxa de crescimento econômico do Brasil, efusivamente comemorada pelas autoridades, nos coloca em pé de igualdade para disputar com o… Haiti - o país mais miserável da América Latina.

Se tudo é tão medíocre, como explicar a aceitação do presidente? O jornalista Themístocles de Castro responde: “O governante que distribui dinheiro é popular nem que não queira.”

É isso, simples assim. A doação de dinheiro supera qualquer argumento numa sociedade pouco educada e carente. Obviamente, isso um dia acabará, pois o crescimento vegetativo da população que recebe a esmola é maior do que o da parcela que paga a conta. Quando a armadilha estourar (aposto em 10 anos), Lula não será mais presidente. E o gestor que ficará com a missão de consertar as contas públicas ainda será criticado por ele.

Lições da história
Confiram trecho de um artigo de Esdras Paiva, publicado pela revista Veja. Apesar de ter sido escrito em 1999, o texto é atualíssimo para entendermos o presente.

Viciados em popularidade, os governantes são sempre tentados à demagogia econômica em troca do aplauso popular. João Goulart, derrubado no golpe de 64, tinha esse vício – e fazia concessões para todos os lados. Campos Salles, que presidiu o Brasil na virada do século, de 1898 a 1902, fez o contrário. Herdou um país aos pedaços, fez uma política austera e impopular, com recessão e aumento de impostos. Deixou o Palácio do Catete sob vaias – mas a história reconhece que seu sucessor, Rodrigues Alves, só pôde reurbanizar o Rio de Janeiro e construir o Teatro Municipal porque Campos Salles fez o dever de casa. “Não é incomum que um governo sólido e honesto seja impopular”, afirma o cientista político Jarbas Medeiros, da Universidade Federal de Minas Gerais. Winston Churchill ergueu o triunfo da Inglaterra na II Guerra, mas, ao deixar o governo, só quem lhe dava atenção era o papagaio que lhe trepava pela cabeça. Hoje, está na galeria dos grandes estadistas do século.

Grandes fortunas não são um peso para a sociedade - pelo contrário

Jornal O Povo:
Imposto “Robin Hood” volta à pauta
Vinte anos após ter sido incluído no texto constitucional, o imposto sobre grandes fortunas, conhecido pela sigla de IGF, volta a ser discutido no Congresso. Na última quarta-feira, a líder do Psol, deputada Luciana Genro (RS), apresentou o Projeto de Lei Complementar (PLP) 277/08, que regulamenta o tributo. O líder do PT, deputado Maurício Rands (PE), informou que o partido também deverá apresentar sua proposta.

(…) A experiência internacional com a taxação sobre grandes fortunas é desigual. A cobrança mantém-se em países como Suíça, Noruega, Grécia, Espanha, Finlândia, Índia e França, este último pioneiro na cobrança do tributo, conhecido como “imposto solidário sobre a riqueza”. Mas foi abolida na Áustria (1994), Holanda (2001) e Suécia (a partir deste ano). Na maior economia do mundo, os Estados Unidos, o tributo também não existe.

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A idéia de quem ganha mais deve pagar mais imposto é simpática e confere ao seus defensores o status de amantes dos necessitados e desvalidos, embora a grana que irá salvá-los seja de terceiros. Na prática, em valores absolutos, a maior tributação já acontece por conta do próprio volume de capital movimentado pelas grandes fortunas. Agora, um imposto exclusivo para taxar os mais ricos mais parece uma punição que o indivíduo sofre por ser… rico. E dizer isso é antipático. É o preço de não ser um apologista do Estado. Vejam bem, um rico, ou um milionário, não é um pária, um peso que suga os recursos de uma nação. Pelo contrário. A natureza do sistema capitalista exige que a riqueza seja constantemente investida - dinheiro que não gira não se multiplica e um dia acaba. E esse é um dos pontos que o tornaram forte, próspero e democrático. No sistema escravista, ou no feudalismo, o dinheiro não circulava e os mais pobres eram condenados à indigência absoluta. Salário mínimo, por exemplo, surge com o capitalismo, pois é a garantia de consumo e de manutenção do sistema mesmo.

Além do mais, é bom lembrar que o Estado não gera riquezas - ele apenas as consome. Quem as gera é a iniciativa privada, cujas forças produtivas devem ser estimuladas, e não o contrário. Uma grande fortuna implica em empregos, em investimentos, em captação de recursos, em desenvolvimento. E não são todos que sabem ou podem controlar um patrimônio desses - é preciso dedicação e vocação. A idéia de que a pobreza de uns é causada pela riqueza de outros é uma distorção típica de teorias nascidas a partir de um complexo de inferioridade. É apologia da miséria. Por isso concordo quando Carlos Rosseli (social-democrata italiano) diz que o marxismo é a perversão do socialismo. Não por acaso o apelido do IGF é “Hobbin Hood”. Por mais que fosse boa a intenção daquele herói, sua ação não deixava de ser roubo.

Por último, no mundo globalizado, SE O SUJEITO NÃO PUDER SER RICO NO BRASIL SERÁ EM OUTRO PAÍS. Isso mesmo. O empresário se muda para os EUA ou para o Principado de Mônaco e suas empresas aqui viram meras filiais. Assim, essa discussão é um misto de tara estatista com burrice. Não é à tôa que os países que não cobram o IGF estão melhores na listagem feita pela reportagem. São sociedades que entederam a necessidade de estimular o mercado e seus líderes.

Dilmagate - O escândalo da vez

Como vocês já sabem, uma série de atividades tem dificultado, nos últimos dias, a postagem no Blog. Em breve o resultado desse trabalho poderá ser conferido. Posso adiantar que o trabalho feito aqui despertou a atenção de alguns parceiros que desejam profissionalizar o Blog, ou seja, fazer dele um espaço de atualização contínua. Pelo encaminhamento das conversas, poderemos ter um site de notícias e de opinião.

Dito isso, é impressionante constatar que uma semana sem ler o noticiário basta para nos desatualizar em matéria de escândalos no Governo Federal. Refiro-me ao mais novo dossiê fabricado por petistas contra os tucanos. Sobre isso, leiam o que escreve o jornalista Kennedy Alencar na Folha Online de hoje:

Um traço constante do governo Luiz Inácio Lula da Silva tem sido a sua enorme capacidade de tropeçar nas próprias pernas. Possuem DNA petista os fios que detonaram os mais graves casos de corrupção e escândalos políticos desde que o PT chegou ao poder central.

Quando tudo vai bem para Lula, com notícias seguidas de popularidade alta, a oposição precisa apenas esperar que alguém do governo ou do PT resolva dar um tiro no pé. Foi assim com Waldomiro Diniz, José Dirceu, Antonio Palocci, Delúbio Soares…

Agora, o problema apareceu na Casa Civil da poderosa Dilma Rousseff. Por ora, estacionado na secretaria executiva, ocupada por Erenice Guerra, a número 2 de Dilma.

Por mais que o governo negue que tenha feito um dossiê contra adversários, não dá mais para acreditar nisso. É fato que informações secretas sobre o governo FHC foram devidamente documentadas por ordem de pessoa próxima à ministra da Casa Civil. A papelada detalha despesas da ex-primeira-dama Ruth Cardoso e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

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O que Kennedy Alencar não diz é que o dossiê foi montado para abastecer alguns jornalistas que fariam reportagens “investigativas” e que depois serviriam de base para que a CPI dos Cartões Corporativos convocasse membros do governo passado para depor. Um jogo de cena. A Revista Veja - aquela que é mais vigiada do que o governo, como diz Reinaldo Azevedo - desmascarou a farsa. Agora o corre-corre é para salvar a ministra Dilma. Adivinhem qual é a desculpa dela? Ora, que ela não sabia de nada e que foi surpreendida por assessores aloprados.

Alencar bem lembra que isso não é novidade: “Foi assim com Waldomiro Diniz, José Dirceu, Antonio Palocci, Delúbio Soares…”. É muita coincidência, não é mesmo? A evidência é lógica: o alto escalão do governo não tem pudor em usar métodos típicos de gângsteres. Pego em flagrante, esse pessoal responsabiliza seus subordinados. E o pior é que o truque tem dado certo, em grande medida, por conta da avaliação superficial que é feita pela imprensa, que prefere ver fatos com um padrão estabelecido como acontecimentos desconexos e fortuitos.

Só para se ter uma idéia, o nome Dilmagate é uma referência ao escândalo Watergate, nos EUA, que provocou a renúncia do presidente Richard Nixon. Não adiantou o presidente dizer que não sabia e que tudo foi obra de assessores. No Brasil, infelizmente, parece que o povo se acostumou a ser feito de trouxa.

Democracia é isso

Vocês viram no post abaixo sobre o debate na rádio O Povo. Para quem não pôde ouvir, aqui vai um brevíssimo resumo. Vale ressaltar que apesar das diferenças ideológicas entre os participantes, o debate foi muito agradável e respeitoso. Uma experiência aprazível e gratificante. Participaram do programa a escritora baiana Yara Falcon, que foi presa política durante a ditadura militar, e o General Torres de Melo, que na época era Major do Exército, e que hoje tem um importante trabalho social no Lar Torres de Melo.

Yara falou sobre os sonhos de um Brasil melhor que a esquerda alimentava e das truculências impostas pelos adversários: os militares. O General lembrou à escritora que era preciso reconhecer que houve excessos de ambos os lados, uma vez que os grupos armados da esquerda mataram, roubaram e torturaram, na tentativa de tomar o poder e criar uma ditadura stalinista no Brasil. A escritora, com muita elegância, reconheceu a distinção e disse que ela e seus amigos mais próximos eram idealistas sinceros e bem intencionados. Torres de Melo concordou e afirmou que ele, de igual forma, nunca se excedeu em suas atividades, e que por isso tem grandes amigos esquerdistas.

Quanto a mim, creio que minha intervenção mais importante foi a lembrança de que àquela época, nos idos dos anos 60 e 70, a população brasileira, inclusive a classe média, pouco se importava com esses eventos políticos. Bastava-lhe o “milagre econômico” que garantia a fartura do consumo desenfreado. Esse é um velho vício dos brasileiros. Emendei fazendo um alerta. Era preciso vigiar e democracia para não perdê-la novamente. Nesse sentido, disse que muito me preocupava, por exemplo, as críticas grosseiras e sistemáticas que o presidente Lula tem feito ao Judiciário e ao Legislativo. O povo, como na ditadura, parece não se importar com isso, pois vive num estado de euforia por contas das esmolas oficiais - as bolsas-dinheiro. Assim, a maior lição dos anos de chumbo, para uma democracia, é o respeito as instituições. Todos concordaram.

Debate

Logo mais, às 11 horas, estarei novamente no Debates do Povo, programa da rádio O Povo/CBN, 1010. O tema é 40 anos dos anos de chumbo, referência ao período da ditadura militar.

Periculum in mora

Diário do Nordeste:
Tucanos fazem novo encontro de avaliação
O diretório municipal do PSDB promove amanhã mais um encontro para avaliar a viabilidade da pré-candidatura do secretário de Justiça e Cidadania do Estado, Marcos Cals, à Prefeitura de Fortaleza. Alguns tucanos cobram pressa na definição do rumo que o partido deve tomar na disputa deste ano. “É preciso que o partido tome essa decisão, senão fica difícil”, admitiu a presidente do PSDB na Capital, Tânia Gurgel.

Enquanto Cals continua resistente em aceitar o desafio, permanece a expectativa sobre um possível apoio do tucanato à senadora Patrícia Saboya (PDT), na disputa pela administração municipal. Em encontro pedetista no início do mês, ela revelou ao Diário do Nordeste que trabalhava para tentar atrair o apoio do PSDB à postulação dela.

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Um dos mais conhecidos aforismos latinos é o “periculum in mora”, ou “o perigo da demora”. A expressão é usual entre operadorse do direito, mas em algumas circunstâncias, é perfeitamente adaptável à análise política. É o caso da (in)definição da candidatura do tucano Marcos Cals à Prefeitura de Fortaleza.

Usualmente, essas “consultas” são realizadas usada para referendar a decisão da cúpula partidária. Essa é a regra entre todos os partidos, inclusive o PT. Geralmente também, há uma sintonia entre o desejo das bases e a indicação dos dirigentes partidários.

Com Marcos Cals é diferente, pois não há decisão tomada. O Blog apurou que o fato de boa parte do eleitorado na capital ainda desconhecê-lo o aflige. Para ele, essa desvantagem só pode ser revertida com uma forte estrutura de campanha, especialmente no horário gratuito de televisão. Ou seja, Cals não aceita entrar apenas para ajudar a empurrar a eleição para um segundo turno.

Essa vacilação na hora de definir a candidatura própria fortalece a leitura de que os tucanos vêem a pedetista Patrícia Saboya como uma alternativa viável. Posição que reforça os receios de Cals. No entanto, alguns tucanos entendem que a candidatura própria é imprescindível para a sobrevivência do partido na capital, afinal, quem não aparece não é lembrado.

Enquanto isso, Luizianne ganha tempo para fazer campanha eleitoral. Por isso o velho lembrete: O perigo está na demora.

Inocentes feito bebês

PorÉrico Firmo, para o Blog de Política do O Povo:
Justiça não recebe ação sobre Réveillon
A Justiça Estadual rejeitou a ação civil pública apresentada pelo Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual, que denunciava a Prefeitura de Fortaleza por superfaturamento na festa de Réveillon realizada na passagem de ano de 2006 para 2007.

A decisão do juiz Francisco Martônio Pontes Vasconcelos, da 3ª vara da Fazenda Pública, determina ainda a liberação dos recursos do Banco do Nordeste (BNB) que estavam bloqueados.

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Dizer o quê? Decisão da Justiça não se discute. Collor de Mello sofreu impeachment e mesmo assim tem no currículo mais de 120 absolvições judiciais. Perante a lei, o ex-presidente é tão inocente como um bebê. Renan Calheiros é outro inocente famoso.

À época do escândalo, vários artistas declararam ter recebido menos do que os valores demonstrados pela Prefeitura de Fortaleza. Cadê os recibos? E as notas fiscais? Quantos artistas foram convidados a depôr? Não digo que o trabalho do MPF e do MPE foi mal feito, pois não sei sob quais condições foi realizado. Mas sei que apesar da decisão, as contas daquele réveillon continuam nebulosas. Digam aí: quanto custou a festa? (A resposta só vale se os números puderem ser comprovados).

E a vontade política?

O Povo, por Vicente Gioielli:
Por que a máquina não anda
O governo do Ceará comemora acúmulo inédito de dinheiro em caixa, ao mesmo tempo em que enfrenta dificuldades para gastar os recursos à disposição. Problemas com a lei de licitações, a má gestão e a deficiência de projetos ajudariam a explicar o fenômeno

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A matéria de Gioielli busca entender a contradição entre dinheiro em caixa e falta de investimentos. Para isso, ouviu alguns especialistas ligados ao governo. As respostas, naturalmente, e não poderia ter sido diferente, elencaram uma série de motivos de base econômica, gerencial e de ordem legal. Parece que tudo congemina para impedir que nossos administradores façam suas tarefas. É a velha história. Todos sabem qual é o problema e nada muda, nada é feito.

Lembram quando o PT era oposição? Para criticar governos que investiam muito mais que os atuais, o partido dizia que faltava aos outros governantes VONTADE POLÍTICA. Essa era a chave mágica para mudar o mundo. Quando alguém lhes perguntava COMO as mudanças propostas seriam realizadas, o petista sacava o chavão: “Dinheiro não falta, falta vontade política!”. De quebra, seus adversários pareciam malvados e ladrões.

Agora, uma vez bem instalados no poder, atuando nas esferas federal, estadual e municipal, cobrados pela falta de realizações, eles mudam o discurso e apelam para a racionalidade econômica e administrativa como desculpa. E o melhor de tudo é que os poucos opositores que existem concedem ao petismo, a condescendência que eles nunca tiveram para analisar os governos alheios.

Particularmente, nunca acreditei nesse papo de vontade política. Por isso chamo a inépcia de inépcia e a incompetência de incompetência. E corrupção de corrupção.

Serei uma excentricidade em extinção?

Em certas ocasiões informais, meus amigos mais próximos gostam de me apresentar a terceiros como um dedicado defensor da “direita”. Conhecendo-os, sei que se trata de uma provocação ao desavisado que acaba de me conhecer. Por alguns instantes esse interlocutor me olha atônito, sorrindo de lado, como se pensasse: “É verdade? Será possível? De direita? Como pode alguém professar isso? Existe gente que não é de esquerda ou centro?”

Nesses momentos de suspense, em que sou observado como uma ave rara em extinção, fico constrangido em decepcionar as pessoas, e sabendo que um debate mais aprofundado levaria horas, termino por confirmar a rotulação simplória. Quase sempre a reação se assemelha a do antropólogo que descobre um membro de uma sociedade perdida, no caso, o direitista que admite essa condição. Ao final, eles se despedem com aquela sensação de terem visto algo excêntrico. No Brasil, a divergência causa estranhamento…

Particularmente, penso que as ideologias são prisões do pensamento. Constituem um conjunto de regras previamente estabelecidas e da quais não se pode fugir, sob pena de não pertencer mais ao grupo militante. Para mim, a aceitação automática das regras grupais prevalecendo sobre os critérios individuais já basta para qualificar o sujeito como bovino sem vontade própria. Se há algo que procurei ensinar aos meus alunos foi que nada está acima da investigação particular - daí a necessidade de duvidar antes de acreditar.

Por que falo isso? Por causa de um texto de Nelson Motta, publicado na Folha de São Paulo de ontem. Ao lê-lo, me senti menos solitário. Confiram abaixo.

Jovem e fervoroso revolucionário, um dia comentei com meu avô que alguma coisa era boa, mas cara, e ouvi, chocado, um velho professor amigo dele me dizer com naturalidade: “Mas tudo que é caro é bom, meu filho”.

Sorrindo da minha indignação, ressalvou que nem tudo que é barato é ruim, que era possível que algo barato fosse bom, e que nem tudo que é bom é caro, já que algumas das melhores coisas da vida são de graça. Mas manteve a frase obscena.

E mais: me assegurou que o ser humano não vende mais barato o que pode vender mais caro, que ninguém quer o pior se pode ter o melhor e que uma das leis irrevogáveis da humanidade é a da oferta e da procura. Me senti ultrajado.

Mas ao longo dos 40 anos seguintes fui entendendo que era só uma generalização provocativa paulo-franciana, nelson-rodrigueana, pelo prazer da frase e da ironia, e me lembrei dele muitas vezes, com um sorriso, do velho cínico. E sábio.

O que diria ele agora, quando tantos ainda crêem que “tudo que é de esquerda é bom”? Sem ressalvas, já que tudo que não é de esquerda, de direita é, portanto, do mal. Quem ler, digamos, o Zé Dirceu, vai acreditar que a esquerda é generosa com os pobres e oprimidos, quer a igualdade e a fraternidade, é trabalhadora, honesta, não rouba, só pensa no bem do povo e do país. Os que apenas são contra a esquerda são autoritários, gananciosos, só pensam em dinheiro, em explorar os pobres, em atrasar o país, em pilhar o Estado. É patético.

O óbvio ululante é que há cada vez mais gente que não é de esquerda mas tem as qualidades que ela se atribui, assim como há muitos esquerdistas no poder que fazem justamente o que atribuem a seus opostos. Mas, o que seria dos zé-dirceus se não fosse “a direita”?

Artigo n’O Estado - Intelectuais ou ativistas políticos?

Artigo publicado no jornal O Estado - edição de 20 de março

Qual o papel dos intelectuais? Estudar e apresentar alternativas, estimular o debate e o dissenso, ou se contentar com a crítica inócua, com as teses impossíveis, substituindo a pesquisa e a dúvida pelo consenso fácil da pregação política?

É uma questão difícil para muitos, principalmente para quem os quer engajados, portadores de uma “consciência crítica”, que na verdade não passa de proselitismo partidário. Para o italiano Antonio Gramsci, teórico comunista, não é a erudição que faz o intelectual, e sim a sua capacidade de divulgar a ideologia esquerdista. Em outras palavras, ele deve ser um ativista de uma causa política. Com honrosas exceções, essa condição seduz muitos professores nas universidades, e os bons pensadores são minoria.

Quem não lembra da economista Maria da Conceição Tavares? Enquanto o PT foi oposição, ela brilhou condenando o Plano Real, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o capitalismo. Quando o partido chegou ao poder, a intelectual foi descartada. A vez agora é da filósofa Marilena Chauí, que ocupou espaços na “mídia golpista” para dizer que o mensalão não existiu, e que tudo não passou de uma armação das elites. A mulher que acredita que o grego Aristóteles era um aristocrata alienado emprestou o seu prestígio para reforçar a tese furada de teoria da conspiração. Não por acaso o seu sucesso decorre mais do alinhamento ideológico que do rigor analítico.

Esse é o papel do intelectual? Ser um fraudador do passado, um mistificador do presente, um vendedor de ilusões, um mágico de soluções fáceis para problemas difíceis, um doutrinador fanático, um prosélito oportunista? Certamente que não.

Por isso foi com satisfação que assisti, semana passada, a uma palestra do professor israelense Raphael Bar-El, da universidade de Bem Gurion, proferida no auditório da Fiec. Eis um bom exemplo de como deve agir um intelectual. O professor Bar-El discorreu sobre práticas exeqüíveis para combater e reduzir a pobreza. Falou também dos limites de ações assistencialistas, sem precisar recorrer a usual e inútil pregação anti-capitalista. Ele lembrou que devemos trabalhar metas de longo prazo, sugerindo ações e descartando, assim, as promessas revolucionárias que iludem tanta gente. Suas idéias, claro, podem ser contestadas. Mas é preciso reconhecer que elas fundamentam um conjunto mecanismos de intervenção para mudar uma realidade, testado com sucesso entre 1996 e 2006. Bem melhor que a propaganda político-partidária e maniqueísta que vigora em boa parte das universidades brasileiras.

A loteria da morte no IJF

Diário do Nordeste:
Paciente morre à espera de UTI
A paciente Maria do Carmo Ferreira Martins, 54 anos, morreu na emergência do Instituto Doutor José Frota (IJF), na manhã da última quarta-feira, 19, após nove dias de espera por um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela havia sido internada vítima de Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico.

De acordo com o médico Leandro Demétrio, chefe da equipe do plantão de ontem no IJF, Maria do Carmo foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e chegou ao hospital no dia 9 de março. “No dia 10, foi solicitado um leito de UTI, mas não havia vagas”, disse. Às 9 horas do dia 19, a paciente morreu na emergência do Frotão. Maria do Carmo morava no Bairro Jardim Jatobá.

Blog do Wanfil
Não se trata de um problema pontual, de uma fatalidade isolada. O risco de morte na fila de espera da UTI do IJF é uma realidade comprovável. No último dia 30 de janeiro, após sete dias de espera, o paciente Edson Barreto morreu enquanto aguardava um leito na UTI. O caso é emblemático, pois uma liminar da Justiça ordenava atendimento imediato ao paciente, mas a decisão não foi cumprida a tempo. E agora, como vemos acima, outra morte ocorreu por falta de atendimento.

É o caso de apurar responsabilidades. Desculpas não faltam, e sempre aparece algum assessor para dizer que a culpa é dos pacientes que vão ao IJF, quando poderiam ir aos postos de saúde em seus bairros. Pela lógica, é razoável então imaginar que esses postos funcionassem semi-desertos, com médicos ociosos e pronto atendimento para o paciente que não quisesse ir sofrer no Frotão. Mas não é isso o que acontesse. Os postos também vivem abarrotados.

“Ah, mas a culpa é dos prefeitos do interior, que mandam os pacientes para a capital”. É preciso ver os números e estabelecer prioridades. O certo é que a Secretaria de Saúde do município e a Prefeitura de Fortaleza falham no seu dever de prestar socorro. Não sou eu quem torço por isso, saõ os fatos e os óbitos.

Os médicos do hospital denunciam faz tempo o colapso do sistema de saúde. Foram acusados de politicagem pela Prefeitura. O resultado está aí. O que Luizianne vai fazer? Não sei. Enquanto passeia de ônibus em clara campanha eleitoral, ela se mostrou preocupada em realizar um mega show com Roberto Carlos. É pão, circo e morte.

Pausa

Caríssimos,

Tenho uma reunião de trabalho para definir mudanças no Blog. Coisa boa vem por aí. Volto a postar pela tarde. Não deixem de acessar.

Wanfil no Debates do Povo

Participei hoje do programa Debates do Povo, na rádio O Povo/CBN 1010, mediado pelo o jornalista Plínio Bortolotti, ex-ombudsman do jornal O Povo. Na ocasião conversei com o presidente do CREA-CE, José Maria Freire e com o sociólogo Osmar de Sá Ponte, da UFC, sobre políticas de revitalização do centro da cidade.

Segundo Plínio Bortolotti, que assumiu o programa em fevereiro passado, a idéia da rádio é dar voz a opiniões diferentes, de forma a estimular a reflexão saudável sobre temas importantes. A decisão de concordar ou discordar com os argumentos expostos é do ouvinte. Essa é uma das tarefas primordiais do jornalismo e da educação.

A respeito do tema, a síntese do que foi conversado pode ser resumida assim:
Faltam políticas públicas consistentes para pensar a urbanização de Fortaleza. Hoje o que existe são ações pontuais e desconexas dos governos estadual e municipal. A participação dos ouvintes expressou esse sentimento de abandono, de falta de resultados.

No próximo debate, aviso vocês com antecedência.

Charge

Charge do Fausto, no site ChargesOnline

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