Quem deve explicações?

Notícia postada no Blog do O Povo:
O aviso, duro e claro, de Cid
O governador Cid Gomes foi duro com seus aliados tucanos agora de manhã, durante passagem pela Assembléia. Segundo deixou claro, durante entrevista, caso se insista com a polêmica da desoneração do ICMS, vai, simplesmente, pedir a retirada da proposta.

O PSDB, que faz parte da base aliada e até integra o governo, insiste em estender às linhas intermunicipais um benefício pensado inicialmente apenas para as linhas urbanas: a desoneração do óleo diesel para possibilitar uma redução nas tarifas de ônibus de Fortaleza.

Depois de algumas tentativas, aparentemente infrutíferas, de refrear o ímpeto tucano de criar problemas para a gestão da petista Luizianne Lins, que teria evidentes ganho eleitorais com a medida, Cid, hoje, decidiu jogar claro.

Caso cumpra a ameaça, o governo deixará com os deputados do PSDB, em especial, a dura tarefa de explicar ao fortalezense porque ele não terá direito à anunciada redução, aos domingos, no preço da passagem de ônibus.

Blog do Wanfil
O texto é assinado por Guálter George. É um caso exemplar de engajamento partidário, muito em voga no O Povo ultimamente, que se anuncia “isento”. É triste ver um jornal virar alvo do aparelhamento. Na prática, o jornalista tentar transferir para a oposição, o ônus de uma manobra eleitoreira feita para beneficiar a candidata Luizianne Lins. Chega a ser grotesco. Por que PSDB é que vai ter que se explicar? Quem propôs a redução do ICMS apenas para um município? Seria o caso do governador dizer aos cearenses que a medida só vale se for destinada à região metropolitana, ficando os demais municípios sem o benefício. E claro, o critério para a discriminação também teria que ser explicitado. Mas segundo Guálter, cabe ao PSDB dar satisfações dos motivos que o fizeram não aceitar que a medida ficasse restrita à capital, impedida de ser estendida a outras cidades.

Segundo a lógica do jornalista, o PSDB deveria fingir que não há problemas legais e morais no caso. Dessa forma, sendo omisso, é que os tucanos se livrariam do ressentimento da população. Nesse caso, uma ação deve ser cobrada não de quem a propõe ou a executa, mas de quem deseja conhecê-la. É como se uma esposa flagrasse o marido em adultério, e depois descobrisse que ela, a traída, é quem deve explicações à amante.

Se o governador retirar a proposta vai passar o recibo de que a medida tinha cunho eleitoral, destinado a beneficiar uma única aliada. Então? Quem deve explicações?

Por que não te calas?

Acrísio Sena é o assessor da Prefeitura de Fortaleza que se gaba da política econômica adotada pelo governo Lula, sugerindo que a estabilidade da economia é um feito exclusivo do atual presidente. Claro que ele omitiu o fato de que o Plano Real e os instrumentos de controle fiscal e monetário em voga foram criações de governos anteriores. Foi desmentido em artigo assinado por uma militante do PSDB.

O sujeito agora resolveu por sua refinada capacidade intelectual a serviço da gestão Fortaleza Bela, ao responder críticas à saude e à educação municipais feitas pelo radialista Paulo Oliveira. Segundo Acrísio, as realizações da Prefeitura na região da SER VI saltam aos olhos. Para comprovar suas afirmações, ele não apresentou documentos ou fotos, mas apenas listou verbalmente algumas ações como a construção de casas e escolas, e projetos de urbanização. Dessa vez, foi desmentido pelo arquiteto José Sales, um estudioso das questões urbanísticas, num texto publicado no Blog do Eliomar de Lima. Leia abaixo:

“O senhor Acrísio Sena está vendo coisas onde elas não existem. Não existe nenhuma escola Padrão MEC em Fortaleza. Todas que existem ou podem estar sendo construídas são no mesmo padrãozinho de simplicidade usual sempre utilizado há anos pela cidade de Fortaleza. A Urbanização da Favela Rosalina e construção de moradias é um projeto da Gestão Juracy Magalhães, concebido, desenvolvido e negociado há alguns anos, que ainda hoje se “arrasta” numa construção em passos de tartaruga. As urbanizações da Vila Kazumba e Lagoa da Zeza são ações do Governo do Estado, concebidas, desenvolvidas, negociadas com a Caixa Economica, na Gestão Lucio Alcantara, através a SDLR/ Secretaria do Desenvolvimento Local e Regional, hoje denominada Secretária das Cidades. São recursos financiados ao Governo do Estado. É só ir lá e verificar no GIDUR/FO/CEF. Acho que esta “incorporação de feitos alheios” é sintomática de quem quer a todo custo apresentar idéias e serviços e não os tem.

No começo da atual gestão municipal, veio uma missão do FUNDESP(Fundação da Construção Escolar do Estado de São Paulo), encaminhada pelo MEC, na tentativa de trazer elementos para a padronagem das escolas municipais, coordenada pelo arquiteto João Honorio Rodrigues e com participação da arquiteta Rita de Cássia Vaz, consultora, que e tabém autora de umas ciquenta escolas padrão no estado de São Paulo, muitas das quais premiadas internacionalmente. Depois de uma semana de seminários e consultorias, a missão foi suspensa, pois os padrões pretendidos pela administração municipal eram de “fundo de quintal”. Nunca mais nenhuma missão retornou. Provavelmente o senhor Acrísio Sena sabe disso, mas prefere esconder este fato e inventar um quadro de “exuberantes” realizações. Como é que o cidadão tem coragem de dizer que uma construção e alavenaria singela e cobertura de telhas de barro, muitas vezes sem forro é Padrão MEC? Só muita cara de pau. Em tempo: Pelos levantamentos do vereador Márcio Lopes (PDT) existem mais de 16.000 “cumpanheros assessores”.

Faço um desafio com cidadão ao senhor Acrísio Sena: Vamos lá na Regional VI, ver realmente o que é obra nova, o que é reforma e ampliação de instalações e o que é reforma “meia boca” de caiação e conserto de telhado de telhas de barro sem forro. Depois nós pegamos um Manuela da FUNDESP e avaliamos se alguma escola pública em Fortaleza se adequa a este quadro de recomendações. Não vou nem atrás dos “Brizolões” do Rio de Janeiro nem dos “Martões” da cidade de São Paulo.Topa ou não topa senhor Acrísio Sena? E isto em público, com presença da imprensa. Vamos ver se mentira tem pernas curtas ou não tem?”

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