A transparência só é um fardo para os incompetentes e os desonestos
Por Erivaldo Carvalho, no O Povo:
Transparência pública: sempre lembrada e quase nunca praticada
Você confiaria em um governo obscuro? A pergunta foi espichada ontem no O POVO, nas entrelinhas da contundente reportagem assinada pelo jornalista Plínio Bortolotti. Com o mote da negação de informações sobre gastos com viagens e uso de cartões corporativos, o material mostrou que as gestões Luizianne Lins e Cid Gomes estão muito aquém das expectativas dos cearenses, no quesito transparência. Ministério Público, OAB, parlamentares, imprensa… nada é capaz de furar o bloqueio em torno de algo que parece óbvio: como eles gastam nosso dinheiro.
Blog do Wanfil
A evidência de que nossos governantes não prestam de bom grado esclarecimentos sobre o dinheiro que gastam em suas funções é constrangedora. O que se espera de um gestor quando este é chamado a prestar contas das suas atividades? Que ele ou ela fiquem ofendidos? Que acuse seus interlocutores de agirem com segundas intenções? Que bata o pé no chão e diga “não conto!”? Certamente não é isso que se espera. O bom gestor, como sempre afirmo, fica legre com a oportunidade de provar a própria competência e a dedicação com qual trabalha. Exalta a preocupação de outras pessoas com suas atividades como algo positivo e engrandecedor. Se o bom gestor for questionado por adversários políticos, tem aí o mote para reafirmar a sua autoridade, demonstrando à população que tudo é feito com zelo e dentro das possibilidades existentes. Enfim, a transparência nunca prejudica o administrador probo. Mas se o gestor não for bom…
Cid e Luizianne, quando permitem (vamos supor que não interfiram diretamente) que seus aliados nas casas legislativas impeçam requerimentos solicitando informações sobre os gastos do governos, terminam por lançar suspeitas sobre a lisura ou a conveniência de suas ações. Nesses casos, é impossível não suspeitar que exista algo de errado a ser encoberto.
Atualmente não falta quem diga que todos os governos têm os seus segredos e pecados, como se isso justificasse a falta de transparênca e de ética na gestão pública. Sinal dos tempos. Resta lembrar que o comportamento de Luizianne e Cid é uma mimetização do que acontece em Brasília. O Governo Federal faz alarde com o Portal da Transparência, site onde estão divulgados uma pequena parte dos gastos com o cartões corporativos. O grosso fica em segredo, com a desculpa de ser questão de segurança nacional. Se o presidente pode gastar sem dar satisfações, seus aliados imaginam que fazer o mesmo aqui é normal. O contribuinte que vá trabalhar para pagar a fatura.