Saúde debilitada

Diário do Nordeste:
IJF Médicos ameaçam deflagrar nova greve
No último fim de semana, o Instituto Doutor José Frota (IJF) recebeu uma média de um paciente a cada três minutos. Foram 1.458 das 19 horas de sexta-feira às 16h30 desta segunda. A Emergência não comportou a demanda. No fim da tarde de ontem, ainda havia pacientes, em macas, acomodados em frente aos elevadores, no espaço antes destinado à triagem e em mais três corredores da unidade. Outros dez pacientes aguardavam por uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A situação (…) pode motivar uma nova paralisação da categoria. Os médicos reclamam da sobrecarga de trabalho e da promessa da prefeita Luizianne Lins de implantar um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) diferenciado, ainda não concretizada.

Na avaliação do superintendente do IJF, Wandenberg Rodrigues, os médicos não têm motivos para deflagrar uma greve.

Blog do Wanfil
É difícil que médicos façam greves sem ter motivos. Basta ir ao IJF ou a qualquer outra unidade de saúde em Fortaleza para constatar que a situação é precária. A verdade é que os médicos tratam o assunto com cuidado, evitando exageros. O Blog conversou com algum deles, que pediram para não terem os nomes citados. Na avaliação deles, dinheiro não falta. O resto vocês podem concluir.

Portal da Tranparência não é panacéia da moralidade pública

O Povo:
Portal da Transparência não prevê dados sobre cartões

A versão cearense do Portal da Transparência deve ser lançada em abril. Haverá informações sobre contratos, convênios, folha de pagamento, terceirizações e compras, mas dados como gastos com cartão corporativo estadual, disponibilizados na versão federal, não serão divulgadas no similar cearense. Porém, poucas informações deverão estar disponíveis além daquelas cuja publicidade já é exigida pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Informações, por exemplo, sobre despesas dos cartões corporativos do Estado não estão previstas entre os dados que serão incluídos no novo portal.

Blog do Wanfil
Pego em flagrante descaso com o controle dos gastos feitos com dinheiro público, o Governo Federal vendeu o Portal da Transparência como panacéia da moralidade. É a mais nova solução para todos os males da administração. Boa parte da imprensa aceitou o truque. O negócio é mostrar que “nunca antes nesse país” se viu tanta honestidade. Papo furado. O Governo do Estado, também acuado pelo fato de não prestar esclarecimentos sobre todos os gastos que faz, embarcou na mesma idéia para salvar as aparências.

Notem que o texto da reportagem sugere que o Portal federal é mais completo, pois este divulgaria o montante gasto com os tais cartões corporativos. FALSO! Boa parte desses gastos são considerados secretos, cuja revelação comprometeria a segurança do presidente. É a senha para a gastança desenfreada. Apenas 11% dos valores com cartões são liberados. Aqui no Ceará, nem isso. Mas a essência da medida é a mesma. O PORTAL DA TRANSPARÊNCIA TORNA PÚBLICO O QUE JÁ É DE CONHECIMENTO PÚBLICO. Grande coisa. Experimente um parlamentar deoposição pedir mais informações e a transparência turvou rapidinho.

O santo empreendedorismo contra o dragão do estatismo

Trecho do artigo da professora Adísia Sá, publicado no O Povo de hoje:
Candidatura para Fortaleza
Fortaleza parou no tempo e no espaço e os políticos parecem não estar atentos para isto. Aquilo que é competência do poder público não avançou: maquiou a cidade , não cuidou da Fortaleza de amanhã. E tem mais: o que de avanço para o futuro foi e é feito , é obra da iniciativa privada. Não fora o empresariado e Fortaleza estaria catando pedras portuguesas nas pracinhas decadentes, na beira mar aviltada e na Praia de Iracema prostituída. Fortaleza avançada, moderna – não tem um dedo prefeitural – nasceu da visão de quem escuta e vê o futuro.

É envergonhada que afirmo: não ouço uma palavra sobre a Fortaleza de amanhã, como tiveram desta cidade alguns de seus gestores , quase todos de antigos tempos. A preocupação dos políticos é com a eleição de outubro, com o horário de televisão, com-quem-pode-contar na hora das urnas, às custas, que vergonha! de conversinhas no pé do ouvido de quem é dono de partido X e de agremiação Y. (…) Ainda bem que a iniciativa privada está aí para garantir o pão-nosso- de Fortaleza …

Blog do Wanfil
Ler Adísia é ter a certeza de que o avançar da idade não é inibidor do senso crítico nem desculpa para a acomodação intelectual. Enquanto Oscar Niemayer louva tiranos de esquerda, a jovem Adísia enfrenta tabus sem medo de patrulhamento. Nem sempre concordo com o que ela escreve, como é normal de ser, mas admiro-lhe a vontade de ser livre, de negar o alinhamento automático aos pensamentos estabelecidos, de evitar o espírito de rebanho. Nesse sentido, creio que ela tem mais em comum com Themístocles de Castro do que muitos imaginam.

O cerne do seu artigo é a falta de um projeto para a cidade, cujos políticos deixam de lado para ocuparem-se apenas com disputas eleitorais. Mais adiante, no trecho que reproduzo acima, a jornalista faz uma digressão sobre o papel da iniciativa privada no desenvolvimento de uma cidade. Acertadamente, ela reconhece que nos últimos anos, o setor privado fez mais pela cidade do que os poderes públicos.

Geralmente, o capitalismo, o empresariado e o espírito do empreendedorismo são tomados, nos discursos políticos e nas salas de aula, por forças predatórias, e o Estado como solução salvadora e redentora. A verdade que Adísia desnuda é simples: a natureza produtiva do mercado deve ser liberada mais e mais, e não constrangida por impostos escorchantes. Isso, no entanto, é visto como pecado capital pelos profetas do estatismo. Eles querem é mais governo, é mais burocracia, é mais ineficiência. O falecido economista Roberto Campos dizia que o Brasil se notabilizou pela incrível capacidade de admirar o que sempre deu errado. Pois é!

WordPress Themes