A loteria da morte no IJF
Diário do Nordeste:
Paciente morre à espera de UTI
A paciente Maria do Carmo Ferreira Martins, 54 anos, morreu na emergência do Instituto Doutor José Frota (IJF), na manhã da última quarta-feira, 19, após nove dias de espera por um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela havia sido internada vítima de Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico.
De acordo com o médico Leandro Demétrio, chefe da equipe do plantão de ontem no IJF, Maria do Carmo foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e chegou ao hospital no dia 9 de março. “No dia 10, foi solicitado um leito de UTI, mas não havia vagas”, disse. Às 9 horas do dia 19, a paciente morreu na emergência do Frotão. Maria do Carmo morava no Bairro Jardim Jatobá.
Blog do Wanfil
Não se trata de um problema pontual, de uma fatalidade isolada. O risco de morte na fila de espera da UTI do IJF é uma realidade comprovável. No último dia 30 de janeiro, após sete dias de espera, o paciente Edson Barreto morreu enquanto aguardava um leito na UTI. O caso é emblemático, pois uma liminar da Justiça ordenava atendimento imediato ao paciente, mas a decisão não foi cumprida a tempo. E agora, como vemos acima, outra morte ocorreu por falta de atendimento.
É o caso de apurar responsabilidades. Desculpas não faltam, e sempre aparece algum assessor para dizer que a culpa é dos pacientes que vão ao IJF, quando poderiam ir aos postos de saúde em seus bairros. Pela lógica, é razoável então imaginar que esses postos funcionassem semi-desertos, com médicos ociosos e pronto atendimento para o paciente que não quisesse ir sofrer no Frotão. Mas não é isso o que acontesse. Os postos também vivem abarrotados.
“Ah, mas a culpa é dos prefeitos do interior, que mandam os pacientes para a capital”. É preciso ver os números e estabelecer prioridades. O certo é que a Secretaria de Saúde do município e a Prefeitura de Fortaleza falham no seu dever de prestar socorro. Não sou eu quem torço por isso, saõ os fatos e os óbitos.
Os médicos do hospital denunciam faz tempo o colapso do sistema de saúde. Foram acusados de politicagem pela Prefeitura. O resultado está aí. O que Luizianne vai fazer? Não sei. Enquanto passeia de ônibus em clara campanha eleitoral, ela se mostrou preocupada em realizar um mega show com Roberto Carlos. É pão, circo e morte.
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