Charge oficial
A charge abaixo é do Clayton, publicada originalmente no O Povo de hoje. O trabalho do chargista consiste em questionar realidades complexas numa única imagem, podendo ser um instrumento útil para a interpretação dos acontecimentos. Como todo trabalho que lida com opinião, a charge também pode, eventualmente, se deixar contaminar pelos discursos oficiais, cujas conveniências não raro distorcem os fatos.
Vejam o caso da imagem aqui reproduzida. O texto “Se bicam lá, eu bico cá” é uma referência às declarações de Luizianne sobre a proibição de uma propaganda do Partido dos Trabalhadores, que, segundo a Justiça, configurava campanha eleitoral antecipada. A escolha da palavra “bicar” é justamente uma alusão ao PSDB, não por acaso acusado de tentar prejudicar a atual gestão. Notem ainda que a frase também é uma adaptação do livro “Cante lá, que eu canto cá, de Patativa do Assaré, sugerindo que a questão é uma peleja entre partes oponentes.
Tal interpretação é simplista e corresponde à versão que interessa a Luizianne. A proibição da propaganda nunca foi uma contenda direta entre adversários políticos, uma mera troca de acusações sem embasamento factual. Ela foi mediada pelo Poder Judiciário, segundo os critérios da legislação e o devido recolhimento de provas. Não houve agressão ou golpe baixo, mas um ato legítimo e legal, pertinente ao que se espera de uma oposição. Luizianne o PT foram impedidos de continuar a perpetrar uma ação ilegal. Não sou eu quem digo isso, mas o TRE. Regras são regras. A reação da prefeita, reforçada pelo desenho, procurou deslocar o mérito da questão para o simples bate-boca. Não foi. A prefeita não “bicou” ninguém, pelo contrário. No fundo, ela apenas fez valer o seu direito de espernear, ainda que não tenha razão.






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Quarta-feira, 14 Maio, 2008 às 9:53 am em

