27 Mai

Lucrando com a incoerência

O presidente Lula disse, ontem (26), que vai dar um prêmio a quem encontrar um produto que caiu de preço por causa do fim da CPMF. Não faz uma semana que ele mesmo afirmou que o governo não tinha interesse em interferir na discussão de ressuscitar o imposto - proposta defendida pelo PT. Com ar de magistrado, o presidente dizia que a questão era restrita ao Congresso. Mas quem cobra coerência do presidente? Poucos, e os que o fazem, são chamados de preconceituosos e golpistas. Se o agente 007 tem permissão para matar, Lula tem - de forma implícita - para fazer o que bem entender com o nosso dinheiro e com seu próprio passado.

No passado ele o seu partido eram contrários à CPMF. Diziam que bastaria não pagar o superávit primário (os juros da dívida), para que sobresse dinheiro. Quando FHC criou o imposto, eles não o aplaudiram, pelo contrário. Alguns argumentam que o ex-presidente renega  passado da mesma forma que Lula, já que os tucanos agora são contra a CPMF. Daí que o jogo estaria empatado e que tudo seria farinha do mesmo saco. Nessa equação há um dado normalmente não contabilizado. Um grupo se beneficiou com a incoerência e outro não. O PT foi eleito prometendo acabar com o imposto, e o PSDB perdeu as eleições. E isso faz a diferença, porquanto demonstra que a bravata pode ser lucrativa para quem sabe usá-la.

Voltando ao desfio do presidente, publico o comentário de César Maia, em seu ex-blog:

A queda da CPMF transfere recursos que iriam para a gastança do governo, e que agora foram para a remuneração das pessoas -aumento sua renda e portanto a sua demanda- e para as empresas poderem investir mais ou pagar menos juros por seu capital de giro. É um elemento anti-recessivo, caminho aliás que a economia começa a sentir e não será maior graças ao término da CPMF.

Uma Resposta para “Lucrando com a incoerência”

  1. elis escreveu:

    bom dia, querido, so para vc dar uma corrigida em “ressuscitar”

    beijos

    elis

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