31 Mai

Farc e PT: uma vez companheiros…

Até quando um grupo pode se passar por combatente da opressão e defensor do igualitarismo quando, na verdade, opera no submundo do narcotráfico, fazendo uso de ações como seqüestros, intimidação e assassinatos? Na América Latina isso pode durar mais de 15 anos, mas um dia a essência desse grupo aparece. No caso das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), grupo revolucionário marxista que prefere atuar à moda antiga, essa natureza vil começa a se evidenciar, principalmente depois da morte de Raúl Reyes, segundo na linha de comando, cuja captura e análise do seu computador pessoal revelou preciosas informações.

Diante desse quadro, o que fazem os companheiros de outras organizações que andaram lado a lado com as Farc? Disfarçam, dizem que mal as conhecem, em suma, tratam de isolá-lo para manter firme e intocável o projeto que os uniu. Foi o que fez o Partido dos Trabalhadores (PT).

Leio na Folha Online que o PT barrou as Farc em foro da esquerda em São Paulo, em 2005. A historieta busca dar verossimilhança ao discurso de que o partido não possui laços estreitos com a narcoguerrilha, e que portanto, o governo petista não pende para nenhum dos lados na Colômbia. Mas isso é justamente a prova dessa proximidade. Um governo isento e democrático tem a obrigação de apoiar o governo de Álvaro Uribe, presidente colombiano democraticamente eleito, além de condenar os crimes das Farc. Não é o que acontece. O Brasil evita se posicionar, beneficiando, obviamente, quem atua à margem do direito e da democracia.

Acontece, e isso é o mais interessante, que o petismo não é cobrado internamente, pelo menos de forma incisiva, sobre esse posicionamento. ”Neste país”, ele faz de desfaz, manda e desmanda a ponto de o mensalão ser hoje apenas uma vaga lembrança sem maiores conseqüências aos interesses do partido. Uma piada de salão, como previu Delúbio Soares. Toda essa encenação tem um objetivo claro. Convencer a comunidade internacional, especialmente os EUA, de que o Brasil é capaz de controlar o chavismo e o radicalismo de esquerda no continente, uma espécie de antídoto aos revolucionários que ganham espaço por estas bandas. 

Nesse sentido, o truque, até o momento, tem funcionado. É que os americanos não se importam tanto com o que acontece debaixo da linha do equador.

Mui amigos
Diogo mainardi, na revista Veja dessa semana, mostra que a mulher de Olivério Medina, o representante das Farc no Brasil, trabalha no governo federal, mais precisamente no Ministério da Pesca, diretamente ligado à Presidência da República. Precisa dizer mais alguma coisa? Leiam trecho do artigo:

Publicamente, Lula tenta se afastar da companhia das Farc. Às escondidas, seu governo dá cada vez mais sinais de irmandade com o grupo terrorista, como nesse caso da mulher de Olivério Medina. Nos computadores de Raúl Reyes, o terrorista morto pelos soldados colombianos, foi encontrada uma mensagem de Olivério Medina em que ele dizia poder contar com o apoio da “cúpula do governo” brasileiro, em particular com o ministro Celso Amorim.

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