Os intocáveis continuam soltos
Muita gente comemorou a ação da Polícia Federal que possibilitou a prisão de Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pita, como o sinal de uma nova era de moralidade, amparada no aprimoramento das instituições da República e na vontade do governo. O ministro Tarso Genro chegou a declarar que não existiam mais intocáveis no Brasil. Alguns ingênuos acreditaram no oportunismo de evidente propaganda política. Outros, cínicos, mesmo sem acreditar no que diziam, trataram de reverberar a fala. Teve gente ainda que desconfiou da ação pela sua espetacularização, sem saber, no entanto, precisar onde estariam os verdadeiros interesses que a motivaram.
Não é a primeira vez que o jogo nos bastidores do poder faz emergir no noticiário alguns peixes graúdos, fisgados por alguma denúncia, nem sempre bem investigada. No anos FHC tivemos esse mesmo discurso supostamente moralizador com a prisão do banqueiro Salvatore Cacciola, ou com a quebra do banco Nacional, da família Magalhães Pinto, ou com o desmantelamento da quadrilha conhecida como os “Anões do Orçamento”.
No governo Lula tivemos a prisão da dona da Daslu e agora essas que ganham as manchetes do jornais. E só, apesar dos escândalos em profusão. Mas tudo isso reunido nãosignifica evolução alguma. São apenas cartas descartadas no submundo da política. Os donos da banca continuam muito bem. Sobre o caso, nada tenha a acrescentar ao comentário do cientista político Paulo Moura (www.professorpaulomoura.com.br)
Em qualquer lugar do mundo boa parte da dinâmica do “grande jogo político” ocorre fora do alcance do cidadão comum, cuja capacidade de percepção se limita ao mundo das aparências que o noticiário expõe na vitrine dos escândalos. Os escândalos que se sucedem operam como cortinas de fumaça das disputas subterrâneas, travadas por baixo da mesa. Por baixo da mesa se executam as jogadas decisivas, estruturais, e que definem a continuidade ou a mudança dos padrões vigentes nos jogos de poder.
Por detrás das forças que disputam o controle do poder de Estado; isto é, o poder de decidir para o bolso de quem será direcionado o dinheiro público, existem grupos organizados, nem sempre agindo de forma lícita. A conquista e ocupação do poder de Estado, em geral, são conseqüência e resultado das jogadas dessas forças que operam por baixo da mesa.





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Domingo, 13 Julho, 2008 às 5:44 pm em

