A didática da Lei Seca (artigo para O Estado)
Ainda é cedo para mensurar os impactos da implantação da Lei Seca para motoristas, mas algumas manchetes de jornal adiantam que o número de acidentes de trânsito foi reduzido em vários estados. No entanto, cada um de nós, conversando no círculo social que freqüentamos, pode observar que o assunto é debatido com entusiasmo por todos. “A lei vai pegar?”, perguntam alguns; “parece que sim”, respondem outros. Na dúvida, a Polícia Rodoviária Federal já registrou um aumento de mulheres ao volante nas estradas, na volta das praias nos finais de semana.
O que levou beberrões convictos a adquirirem, do dia para noite, uma consciência cívica finlandesa? Se engana quem imagina que foi a alteração pura e simples no texto da lei. Embora fosse mais branda para esses casos anteriormente, a legislação já proibia motoristas dirigirem embriagados. O que mudou foi a possibilidade de cadeia e de multa pesada para os infratores. A certeza de impunidade foi substituída pela possibilidade de punição efetivada. A mera hipótese de ter que responder pelos próprios atos diminuiu o ímpeto de auto-suficiência que levava muita gente a brincar com a própria vida e com a vida de terceiros, e que de fato resultou em muitas tragédias.
A grande lição da Lei Seca é que, para resolver um problema ligado à violência no curto prazo, não há pedagogia melhor do que a velha e boa punição. Não é por acaso que o Estado de São Paulo apresentou o maior índice de redução de assaltos e assassinatos nos últimos anos, após investir na construção de cadeias e em equipamentos para a polícia. Mais prisões, menos criminosos nas ruas, menos assaltos. Nos EUA, o mesmo aconteceu em Nova York, com a famosa política de Tolerância Zero.
Muita gente boa torce o nariz para essa linha de raciocínio. Existe uma escola de pensamento bem disseminada que responsabiliza a sociedade pelos crimes cometidos por indivíduos. O sujeito rouba porque é excluído. O vendedor de produtos pirateados burla a legislação para não passar fome. Motoristas fazem transporte coletivo clandestino para sustentar a família. Jovens consomem drogas porque foram traumatizados na infância e porque o governo não lhes dá emprego. A lista de desculpas é infinita. Todo mundo tem um bom motivo para não fazer o que é certo. De concessão em concessão, sempre passando a mão por sobre as cabeças dessas criaturas aparentemente inofensivas, é que amargamos o escandaloso número de 50 mil homicídios por ano, segundo a ONU, o que equivale a uma guerra civil. Nesse ambiente permissivo é que quadrilhas de falsificadores aumentam o poder do crime organizado, que a concorrência desleal elimina empregos, que traficantes posam de justiceiros nas favelas.
Por isso, a Lei Seca deve servir de exemplo para as autoridades e para a população. Exigir o cumprimento das regras que normas de conduta na sociedade não é ser reacionário, é ser responsável.





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Quinta-feira, 17 Julho, 2008 às 12:26 pm em


Acho que as pessoas estão cada vez mais cegas para o óbvio,especialmente no meio acadêmico. Se fossem implementadas todas as “grandes idéias” dos liberais e progressistas já estaríamos no caos absoluto. Precisamos aprender a assumir nossa responsabilidade e responder por nossos atos. Parabéns Wanfil!
17 Julho, 2008 às 8:48 pmApoiado! Realmente a “Lei Seca” não foi uma mas três: Endurecimento das penas, maior fiscalização e diminuição na tolerância dos limites de consumo de álcool. E exatamente como tudo no Brasil, erraram a mão novamente. Bastava com que atuassem no primeiro e segundo pontos, principalmente no segundo, e tudo já estaria resolvido.
Hoje somos tratados como seres incapazes e somos punidos (cerceados) preventivamente. Como não somos capazes de discernir se podemos ou não beber, por via das dúvidas nos proíbem completamente.
Seguindo esta linha estúpida, dentro em bre só poderemos usar faquinhas e garfinhos de plástico (como os dos aviões) e assim nunca faremos mal ao próximo. Os carro, se nos permitirem possuir carros (já que carros podem ser armas), virão com limites de velocidade eletrônicos de 40 km/h, assim nunca nos excederemos e nunca quebraremos as leis.
Como somos seres incapazes, necessitamos do “Pai Estado” para nos dizer o que é bom e decidir para nós. Bem Vindos aos “Estados Unidos Soviéticos do Brasil”!
22 Julho, 2008 às 7:31 am