23 Jul

Sem CPMF, arrecadação do governo aumenta. É que mudam as siglas, mas a fonte é a mesma

A arrecadação federal sobiu impressionantes 14% de janeiro a junho deste ano, mesmo sem a CPMF. Foram R$ 327,6 bilhões - 31 bilhões a mais que em 2007. Os dados foram divulgados pela Receita Federal, no início dessa semana.

Ora, quer dizer que mesmo com um imposto a menos, considerado vital para muitos, o governo arrecada mais? Milagre? Quando a CPMF foi extinta, Lula disse que a medida interessava aos sonegadores. O governador Cid Gomes, na ânsia de mostrar solidariedade ao presidente, chegou a dizer que o fim do imposto causaria um retrocesso nos investimentos. Uma penca de jornalistas e professores “especialistas” lamentou a má sorte da Saúde, que perderia 40 bilhões de reais. No entanto, vejam só o que aconteceu. Não só essa quantia se manteve, mas obteve um incremento de 31 bilhões. Na ponta do lápis, comparado com o ano passado, o governo teria, se quisesse, mais de 70 bilhões para inverstir na saúde.

O governo arrecada mais porque a carga tributária aumenta junto com a capacidade de arrecadação da Receita Federal. Basta o cidadão ver a própria conta de energia para conferir essa realidade. Metade do valor de um sabonete é feito de impostos. O medo de diminuir o ritmo dessa captação revela uma fragilidade histórica na administração pública nacional: a incapacidade de cortar gastos, aliada ao constante aumento no custeio da máquina. Resta saber até quando a fonte dessa riqueza, ou seja, quem paga a conta, aguenta.

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