Eleições comparadas
Reproduzo abaixo um artigo do estudante de jornalismo Bruno Pontes, publicado no site Jangadeiro nas Eleições. Trata da guerra jurídica travada entre candidatos em Fortaleza, sempre dispostos a proibir cartazes, blogs, panfletos e correlatos. Pensei em escrever sobre o assunto, mas o texto de Pontes diz tudo.
Quero uma eleição americana
Venho acompanhando com atenção a campanha presidencial americana. Comparando o que ocorre lá e aqui, noto que a lei eleitoral brasileira parece ter sido preparada para um bando de crianças irresponsáveis, para quem o ato de votar pode se tornar perigoso sem a supervisão de adultos.
Por aqui, a distribuição de panfletos contra esse ou aquele vira caso de polícia. Tem eleitor em Fortaleza sendo autuado pelo crime de colar cartazes em seu estabelecimento, o que já é absurdo por constituir violação da propriedade. O Tribunal Superior Eleitoral tentou uma confusa regulamentação de propaganda na internet nas eleições deste ano. Enquanto isso, naquele país atrasado que me serve de contraste, blogs produzidos por gente de todo tipo - do usuário de lan house ao empresário doador - são armas fundamentais nas campanhas, servindo de apêndices aos sites oficiais dos concorrentes. No nosso país avançado, certos candidatos brincam de semântica judicial, transformando a liberdade de expressão em “grave atentado contra a democracia”, nas recentes palavras dramáticas de um chefe do petismo cearense. Paris Hilton tem sorte por não ser brasileira: já estaria na cadeia.
Na disputa pela Casa Branca, vale praticamente tudo. A manifestação eleitoral está inserida, como todo o resto, nas linhas que formam a Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos: “O Congresso não fará nenhuma lei relacionada ao estabelecimento de religião ou proibindo o livre exercício dela; não restringirá a liberdade de expressão ou da imprensa, nem o direito das pessoas se reunirem pacificamente e de solicitarem ao governo uma emenda de apelações”.
Neste exato momento, três livros atacando Barack Obama estão entre os vinte mais vendidos nos EUA. A assessoria do democrata pode criticar os autores, pode lançar outros livros em resposta, pode dizer que é tudo mentira, mas não passa pela cabeça de ninguém sugerir a punição dos envolvidos. E, se alguém tentar, a Constituição está aí, firme e forte há mais de 200 anos com praticamente o mesmo conteúdo, para demovê-lo de imediato. O mundo inteiro assistiu ao vídeo em que John McCain debocha da paixão adolescente devotada pelos americanos ao candidato do “change”. Dias depois, vimos a patricinha Paris Hilton no Youtube reagindo ao uso de sua imagem na peça da campanha republicana, comparando McCain a uma múmia, chamando-o de “velho” e aproveitando a oportunidade para lançar sua própria candidatura à Presidência, entre uma gaiatice e outra.





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Quinta-feira, 14 Agosto, 2008 às 12:45 pm em

