Efeito Ronda nas eleições 2008
A propaganda eleitoral, assim como o marketing tradicional, parece ser muito suscetível às tendências que se generalizam a partir de casos isolados de sucesso. Da mesma forma como as propagandas de cerveja se assemelham de tempos em tempos (ora usam corpos delgados nas praias, ora famosos em bares), os candidatos se copiam uns aos outros, na esperança de obter votos repetindo os vencedores das eleições anteriores.
Já falei do uso de truques de computação gráfica. Antigamente, tais recursos eram utilizados para fazer promessas, mas agora servem também para candidatos à reeleição apresentarem obras prometidas que, na verdade, ainda não começaram ou que não foram concluídas. Essa inovação pode ser creditada a Duda Mendonça na campanha de Lula em 2006, fórmula que ele agora repete com Luizianne Lins (PT).
A última moda, no entanto, no mundo das cópias da propaganda eleitoral, são as promessas de projetos criativos capazes de resolver problemas antigos somente com uma sacada perspicáz. Em 2006 o governador Cid Gomes ofereceu ao público o Ronda do Quarteirão, uma idéia simples, mas tão simples e óbvia, que custa a acreditar como ninguém pensou nisso antes. A proposta, na época, falava sobre policiamento fixo nos quarteirões. Como o programa era apenas uma peça de ficção, somente após a eleição foi que a equipe de Cid se pôs a pensar num formato para ele. O resultado foi algo muito diferente do que foi apresentado na televisão, mas a sensação de que a promessa foi cumprida foi salva. A mesma promessa ajudou na eleição e ajuda na popularidade, e por isso a iniciativa pegou.
Em Fortaleza, o candidato Pastor Neto (PSC) já prometeu o Saúde no Quarteirão. Pouco importa se ambulância são mais caras do que viaturas policiais, ou se a demanda por atendimento médico é maior que o número de prisões. Dá-se um jeito lá na frente. Moroni Torgan (DEM) também aderiu ao modismo e passou a garantir que motoqueiros da prefeitura irão entregar remédios à população em casa. E mais. Se não houver o remédio no estoque do município, o motoqueiro irá comprá-lo em farmácias. Isso é flagorosamente inviável. Mas que importa? Depois tudo se ajeita. Por último, dos casos que pude ver, tem o Renato Roseno prometendo reunir ônibus, vans, táxis e moto-táxis em um sistema de transporte único. Como se táxi fosse transporte público. É o efeito Ronda poluindo as cabecinhas de políticos e marqueteiros nas eleições 2008.





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Sexta-feira, 29 Agosto, 2008 às 3:48 pm em


Parabéns pelo blog. Só hoje conseguir ler tudinho que vc publicou (na verdade nas três páginas anteriores e a atual) o que só reforçou a imagem que tenho de você. Um profissional competente, com uma escrita leve, muito informativa e saborosamente irônica. Agora virei leitora!
31 Agosto, 2008 às 10:29 pm