Escutas ilegais conseguem ser piores do que corrupção
Agosto foi um mês atípico. Muito provavelmente por conta das olimpíadas de Pequim, que dominaram o noticiário. Mas agora as coisas estão voltando ao normal e setembro já começa com mais um escândalo político patrocinado por gente muito próxima ao presidente Lula. A revista Veja - aquela publicação golpista que insiste em fazer jornalismo investigativo sem o devido controle social do governo - trouxe à tona um esquema de espionagem que monitorava os telefones de autoridades dos três poderes, sem a devida autorização judicial. Tudo feito por agentes da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e pela Polícia Federal, que a partir das escutas ilegais produzia relatórios para o gabinete de Lula.
De escândalo em escândalo, as instituições democráticas e republicanas vão afundando no mar de indiferença e crimes cometidos por gente ligada ao governo federal. A coisa é muito mais grave do que pode parecer para a maioria. Os presidente do STF, Gilmar Mendes, e do Congresso, senador Garibaldi Alves, foram grampeados. Um representante dos cearenses também: trata-se do senador oposicionista Tasso Jereissati. A lógica que move os espiões do governo é simples: invadem criminosamente a privacidade alheia em busca de fatos comprometedores, para a partir daí, constrangerem e controlarem eventuais adversários. São chantagistas que procuram material de trabalho.
A diferença para a corrupção tradicional também é nítida. A corrupção entende que deva existir um acordo entre um corruptor e um corrupto. É uma associação livre, que existe em qualquer lugar, em maior ou menor escala . O grampo é diferente. Seu objetivo é atingir aquilo que a simples corrupção não consegue, é intimidar quem não é de confiança (o corrupto que não cumpre a palavra), o inimigo que teima e fiscalizar, ou os grupos que não aceitam se vender. É a essência de uma visão distorcida sobre o papel da política e das instituições, é um desrespeito a tudo o que a democracia foi capaz de construir. É a corrosão de todo o sistema, inclusive da parte que deveria combater a corrupção. Vivemos um clima de vale-tudo.
Nos EUA, por muito menos o presidente Nixon teve que renunciar. E olha que apenas colocaram umas escutas em um escritório de um partido político. Já imaginaram se agentes da Casa Branca grampeassem o Supremo de lá? Mas estamos no Brasil, no país do balacobaco e do jeitinho. O vice presidente José Alencar já disse que a culpa de tudo é a tecnologia. Isso mesmo. Vivêssemos nos tempos do telégrafo, o governo garantiria a privacidade de todos. Lula sabia? Adivinhem a resposta. E Nixon sabia? Nunca se soube. Mas como era o líder que se beneficiava do ilícito, pagou o preço pelas ações de seus “aloprados”.





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Segunda-feira, 1 Setembro, 2008 às 5:23 pm em

