02 Set

O método e as circunstâncias

Ok. Mais um escândalo. Autoridades espionadas por agentes do governo. Instituições ameaçadas por um clima de estado policial, onde a vigilância deve ser constante. É preciso ter cuidado com o que se fala, afinal, trechos de uma conversa podem ser editados e reputações destruídas. Somente esse cenário seria o bastante para que líderes políticos e a própria sociedade exigissem respeito às regras democráticas, com força, com indignação, mais paixão do que uma torcida de futebol que invade estádios para protestar contra a má campanha de seu time. Mas isso não vai acontecer. Os jovens deveriam se unir em grupos como fizeram os fãs do grupo musical RBD, que não aceitam o fim da banda. Ocorre que escândalos são banais, rotineiros e distantes, patrocinado por gente irrelevante… De que servem as instituições? Ora, mais úteis são os times de pernas-de-pau e artistas enlatados.

Crimes políticos não chocam mais a população. Como chegamos a esse ponto? Simples. Com afinco e omissão. Lembram do escândalo dos dólares na cueca? Pois é. Os envolvidos continuam por aí, em carros de som fazendo campanha eleitoral. São cabos eleitorais. Mas para além da apatia geral, existe um método de gerenciamento de danos que pode ser facilmente percebido. A experiência molda a ação.

Líderes do governo e dos partidos aliados, liderados pelo PT, já trabalham para isolar Lula. Como nas crises anteriores, todos se empenham em ampliar as versões sobre os fatos em discussão. Sobre os grampos, um diz que o problema é a legislação, outro que é a tecnologia, e muitos pedem, cheios de falsa preocupação, providências. O governo, por sua vez, afasta funcionários de segundo escalão, enquanto trabalha para encontrar um bode expiatório. Serão três ou quatro versões até conseguirem uma história minimamente convincente. Durante esse tempo, nada é dito contra o órgão de imprensa que denunciou o ilícito. Somente quando o caso começa a esfriar é que líderes do partido governista começam a falar em mentira dos grandes meios de comunicação e da necessidade de controlar a informação.

Tal método, é bom lembrar, só prospera com tanto sucesso no Brasil, porque essa gesnte pode contar com a omissão de quem deveria ser oposição. Ora, se as autoridades grampeadas não fazem mais do que balbuciar tímidas reclamações, com o devido cuidado de não pedir a demissão do ministro da Justiça Tarso Genro ou do O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, general Jorge Felix, que se não mandadaram espionar, no mínimo provaram ser incapazes de controlar os órgãos de suas pastas. Sei lá, talvez esses opositores temam o que eventualmente tenha sido capturado nas escutas…

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